O bastardo

4 Escola nova


Depois do banho, vesti uma calça folgada de exército, tênis esportivo preto e blusa preta grande de manga curta, saí e encontrei Theodor com alguns papeis na mão conversando com Paulo, caminhei pelo piso branco de mármore e quando notaram minha presença, cessaram a conversa e observaram-me andar até eles.

—Podemos conversar, Meridah? –Perguntou em um tom amigável e cauteloso, como se lidasse com um animal raivoso ou uma bomba –Eu sei que está em uma situação difícil, porém imagine o quanto entrar em uma escola de princesas pode abrir muitas portas, inclusive financeiramente, afinal todos querem ver uma garota da realeza.

Considerei, não gostava da ideia de me associar a ele, embora que pudesse resolver muitos dos meus problemas, porém valia a pena? Poderia ajudar minha mãe e sem dúvida escorar-me em um título por algum tempo era o caminho mais fácil.

Aceitei a 2º derrota do dia, precisava engolir meu orgulho inteiro para ajudar quem necessitava de mim, sem mais nem menos.

—Que bom! Paulo, providencie tudo! Enquanto isso vamos passar um dia em família! –Comentou animado abrindo os braços com um brilho no olhar.

—Nem morta, velhote –Respondi dando meia volta e levando minha mala até um dos quartos, sem vontade alguma de aturar esse cara pegajoso, entretanto ao afastar-me um pouco, pude ouvir o assistente comentar sobre fazer um teste de DNA antes para verificar realmente o parentesco.

De noite, o secretário pessoal trouxe um jantar maravilhoso com salada, lasanha e sorvete de sobremesa, tudo estava simplesmente incrível nos mimos e me deu a oportunidade de relaxar um pouco depois de tanta tensão e incerteza.

Depois de comer, coloquei um pijama fofo de um panda bebê bem confortável para deitar na cama e dormir logo em seguida, o dia foi longo e louco demais.

No dia seguinte, coloquei uma saia azul, uma regata preta, tênis preto e prendi meu cabelo em um rabo alto. Enquanto arrumava-me, fiquei em dúvida sobre se deveria encher o corpo com as semi-jóias que possuía ou colocar bastante maquiagem, afinal estava indo encontrar princesas, porém no fim apenas passei um batom vermelho e rímel nos cílios.

Saindo do quarto, Theodor estava na sala lendo um livro grosso sentado em um sofá bege de seda, na frente de Paulo que falava sem parar sobre os problemas de algum lugar em específico.

—Bom dia, com licença, eu tenho duas coisas a falar –Comecei parando um pouco longe deles e interrompendo o que estavam fazendo –primeiro, quero ter o direito de ver minha mãe, pelo menos, todo final de semana –Engoli em seco vendo o moreno olhar-me estranho –Segundo, gostaria de saber quando vou para a tal escola –Terminei com o tom de voz mais baixo e recuado com um pouco de vergonha.

—Bom dia Meridah! Dormiu bem? –Perguntou aparentemente por cortesia, e se tocando da minha cara de “Não ouse mudar de assunto”, continuou a falar –Não se preocupe, você vai ter total direito de ver sua mãe quando quiser, basta comunicar ao Paulo que ele te leva, e sobre a escola, decidimos realizar um teste de DNA antes para confirmar mesmo e depois faremos sua matrícula e logo em seguida você já pode ser levada para lá, tudo bem?

Concordei e sentei do seu lado, diante de uma mesa com bolo, café, iogurte, misto quente e outras coisas mais simples, e vendo meu olhar sob a comida, o rei deu um sinal permitindo que eu pudesse comer.

Nós dois tomamos o café da manhã juntos sem saber direito o que dizer um ao outro, então ficamos em silêncio por uns 15 minutos com o som do noticiário estadual ao fundo.

Perto das 10 horas, fizemos os testes e depois de um tempo saiu o resultado dando a paternidade como positiva, infelizmente o adultério é real né?

Logo, Theodor começou a dizer que compraria tudo que fosse necessário para me amparar para o resto da vida e mandou Paulo, que no momento suava de nervoso, fazer a inscrição na escola e deixar-nos a sós para conversar um pouco e ele assim fez.

—Bom, agora que sabemos ser pai e filha, eu não sei se talvez você queira passar um tempo comigo para nos conhecer melhor ou algo do tipo –Comentou enrolando-se com as palavras de um jeito nervoso e ansioso.

—Não, eu só quero usar o título de princesa, já estabelecemos isso antes, nenhum de nós dois quer saber verdadeiramente do outro e pronto –Respondi dando de ombros, por mais insensível que soe, é a verdade.

Em seguida, ele concordou cabisbaixo e ficamos em silêncio por um tempo até o homem sair para atender o telefone e eu comecei a mexer no celular para passar o tédio, sendo a única pessoa na sala de espera totalmente branca.

À tarde finalmente fui levada para a escola de princesas pelo Paulo, não sem antes o rei despedir-se chorando e abraçando-me com força, prometendo visitar a instituição assim que possível.

Quando entrei no carro preto e largo com janelas escuras, fiquei tensa por algum motivo que não sabia na hora, até o assistente virar-se para mm com os olhos frios e a expressão séria ou até de raiva, com as sobrancelhas arqueadas e a boca inclinada para baixo.

—Está na hora de combinarmos algumas coisas, garota –Começou com um tom nada agradável –Se realmente quiser se aproveitar da situação vai ter que seguir as minhas regras, você não vai para a escola de princesas coisa nenhuma, onde já se viu uma jovem desleixada e maltrapilha ser considerada da realeza, claramente parece mais um garoto favelado do que uma verdadeira lady –Ele falava com raiva, apontando um dedo quase tocando meu rosto.

—Por isso você vai para a escola de príncipes e vai agir assim, e se ousar contar para Theodor ou alguém, saiba que eu sou o assistente leal do rei e tenho total poder sobre a sua mãe –Ameaçou deixando minha boca fechada, sem saber o que falar ou reagir. –Minha vontade era a de ignorar sua existência ou matar-te, porém como ele é muito teimoso, pelo menos pouparei o reino de um escândalo mundial.