(Raphel) Me sentia realizado. Andava pela rua escura, sem rumo, com um sorriso bobo que não conseguia conter. Nunca saberei por quanto tempo caminhei ou por onde passei, mas o fato é que minha calça continuava suja com sêmen, consequência do meu desejo mais profundo. Saio desse 'transe de memórias' somente quando percebo um vulto ao meu lado. Senti uma pancada forte na cabeça e desmaiei.

(Mary) Eu queria mais... Mais sexo. O estranho é que eu me imaginava outra vez com o Raphel. Como esse desejo repentino veio a me consumir? Eu nunca sentira nada por aquele garoto e, agora, ele era o que eu mais cobiçava.

(Raphel) Sonhos sobre a boca de Mary lambendo minhas partes não paravam de me visitar essa noite. Ou será que era dia? Não sabia nem mesmo como tinha parado no chão de meu quarto. Esse era realmente o meu quarto?
Me lembrei do vulto e da pancada em minha cabeça. Estava com pouco de medo, nunca fui um daqueles caras corajosos. Desde pequeno manipulava as pessoas com palavras.
Todos esses pensamentos passaram por minha mente em questão de minutos, assim como a transa que tive com Mary ontem à noite.
Mas que saco! Possivelmente eu fui sequestrado e em tudo que conseguia pensar era no sexo oral da Mary.

(Mary) Eu caminhava solitária pela rua. As preocupações ocupavam minha cabeça.
Uma notícia no jornal diário da pequena cidade de Edimburgo, deixara meu coração inquieto naquela manhã.
Um garoto havia sido assassinado naquela noite e cerca de 10 pessoas haviam desaparecido.
Em lugares como a Escócia, onde moramos, não é muito comum esses casos mais bárbaros de criminalidade, de modo que, a notícia chocava todo o país, deixando as pessoas cada vez mais receosas de saírem nas ruas.
Sim, notícias incomuns desse tipo estavam emanando desde o início do mês: desaparecimentos, mortes, sequestros...
As autoridades locais não faziam ideia de até quando isso duraria, ou quando exatamente começara, ou ainda quem eram os responsáveis.
Era difícil não entrar em pânico, mas procurei me concentrar no que eu tinha que fazer aquela manhã: comprar pão.

(Mike) Depois de toda a noite fora, com a ponta dos pés, entrei no quarto do Orfanato Northfield Children's Home, onde vivia desde minha lembrança mais antiga. Meus companheiros não acordaram, me deixando livre para deitar em minha cama e fingir um sono pesado e profundo, como se dormisse há várias décadas.
O sinal para acordar tocou em exatos um minuto e eu sou o único a "acordar", como sempre. Me troquei e me dirigi para o refeitório.

(Jason) A decepção e a mágoa me consumiu durante toda a noite.
Uma dor no peito era tudo o que eu sentia... no entanto, não era uma dor exterior.
Era algo interno... Bem mais interno do que um coração. Era algo como... uma alma.
Ferido a ponto de desmoronar ali mesmo, caminhei até o orfanato.
Alguém me esperava dentro dele... Um amigo.
Caminhei até o refeitório, dentro dele, não havia uma alma viva, então, cumprimentei o único que ali estava:
–Olá, Mike.

(Raphel) Minhas juntas doíam de ter passado horas deitado no chão. Ainda não tinha tomado coragem de abrir os olhos e descobrir onde eu estava. No mesmo instante em que meu estômago protestava a falta de comida, foi que ouvi o primeiro som em horas, além de minha respiração ofegante.
Passos. Tão leves como se seus donos estivessem deslizando.
Abri os olhos tanto quanto se estivessem fechados. Estava em um cômodo escuro e poeirento. Podia ver vultos, deitados a minha volta. O som dos passos aumentou, uma porta em frente a mim se abriu e tudo fico escuro novamente.

(Mary) Voltando pra casa, uma sensação estranha me consumiu. Nada doía ou preocupava-me, apesar de eu reconhecer que era uma sensação ruim.
Um calafrio percorreu meu corpo. Alguém que eu conhecia não estava bem... O que acontecera?
Caminhei em direção a uma casa... Uma casa na qual eu deveria permanecer distante.

(Jason) -Você não parece animado. — comentei com o garoto. -Mas admito que eu também não estou lá essas coisas... Mary me traiu.

(Raphel) Estava tonto. O sedativo que haviam me dado era muito forte e eu estava com uma baita enxaqueca. Abri os olhos novamente, mas dessa vez o que me chamou a atenção não foi o som de passos, e sim, um leve toque em meu ombro.
Era um dos vultos que estavam deitados no chão ao meu lado.
–Quem é você? — perguntei.

(Katie) -Me chamo Katie. Você está bem?

(Raphel) Por raros segundos, me esqueci de Mary e as memórias que seus lábios traziam. Aquela garota oriental era gostosa!

(Mike) -Mary? — confirmo.
Odiava ter visitas ou novos "colegas de quarto", geralmente me livrava delas, contudo ser aliado de Jason era um bom jeito de conseguir cumprir meus objetivos.

(Mary) Andei até a casa, cautelosamente. Os rangidos que a parte interior dela fazia me amedrontava. Quando achei que não conseguiria mais continuar caminhando, esbarro em alguma coisa. Eu estava em um quarto escuro e tudo nele soava um pouco sombrio e sobrenatural.
É comum ouvirmos relatos e lendas sobre fantasmas e corpos em Edimburgo, mas é algo bem diferente quando você PARTICIPA deles. Eu tremia.
Tomando uma coragem que aparentou ser sobre-humana, olhei pra baixo. Corpos espalhados por todos os lados. Estariam vivos? Estariam mortos? Eu não queria ficar lá pra checar mas meu corpo recusava a se mover. Lágrimas silenciosas percorreram o longo caminho dos meus olhos até meu queixo. -T-tem alguém a-aí? — falei com a voz baixa e tremida.

(Katie) Uma voz de mulher entrou pelo aposento em que nos encontrávamos. Provavelmente estava no quarto ao lado. Ela perguntava se havia alguém naquele lugar sombrio. Raphel quase respondeu, mas não deixei. -Não fique esperançoso, ela pode ser um Deles. — sussurrei, destacando o 'deles'.

(Raphel) -Mas... — tentei dizer que a conhecia, era a Mary! Katie não deixou, pois nesse exato momento a porta se abriu.

(Mary) Senti um frio nas minhas costas e um nome que insistentemente chamava meu nome. -Q-quem...? — não consegui completar a frase, tampouco consegui me mover.

(Mike) -Mary. Mary. — chamava lenta e continuamente, embora ainda estivesse no orfanato.

(Mary) Era a voz do pequeno Michael... Ele estaria em perigo? O que estaria havendo? -Mike! — gritei de volta. -Cadê você??

(Raphel) Aparentemente Mary parou e não entrou. Ela estava chamando por Mike... acho que era aquele garotinho. Continuava silêncio como antes e do nada ela chama um menino. Mas... por quê? Me levantei para ir em direção a porta. Assim que Katie percebe, ela me segura no lugar mais perto de sua mão. Ui, que dor! Na mesma hora sentei novamente. -Ai, para com isso! Katie, eu conheço ela, ela não é um deles!

(Katie) Apesar de apertar as bolas de Raphel, permaneci séria. -O que pode confirmar isso?

(Raphel) -Bem, nós já... sabe... — corei. Não esperava por isso.

(Katie) -Transaram?? Isso não significa nada. — Tomara que eles não namorem!

(Raphel) Mesmo com essa resposta, ela pareceu menos desconfiada. Levantei, desta vez sem interrupções, e fui em direção a porta, com certa cautela. -Ahn... Mary?

(Mary) Com uma voz interrompendo meu transe repentino, tomei um susto e me virei. -R-Raphel! — abracei o garoto. É, eu estava com medo.

(Katie) Mary parecia ser normal. Não gostei de tanto apego com Raphel logo de cara, me senti excluída. -Gente, precisamos sair daqui, aliás, como você entrou? — pronunciei 'você' com todo o desgosto com que pude reunir.

(Raphel) Tive um ódio temporário de Katie, pois, ao falar, Mary me soltou. -E os outros?

(Katie) -Antes de você chegar eu já tinha checado. Estão todos mortos. Vamos, Eles devem ter saído por algumas horas. — disse isso tentando incentivar, mas no fundo sei que eles nunca deixam de nos vigiar. Um arrepio me percorreu com esse pensamento.

(Mary) Uma antipatia daquela mulher era algo que me marcava agora, no entanto, seja lá o que o "eles" viesse a ser, tentei ignorar o sentimento e me concentrar para que "eles" não me matassem antes que eu pudesse sair.

(Jason) -O que está fazendo? — ousei a perguntar a Mike enquanto ele chamava pelo nome de Mary.

(Mike) Olhei para Jason. Odeio quando me fazem perguntas... -Ela... te traiu? Como foi isso?

(Raphel) Felizmente, não havia ninguém pela metade do caminho. Achei estranho, sequestradores não costumam fazer isso. Mas, foda-se! Não adianta ficar se preocupando. Não tem nada aqui mesmo. Pelo menos nada vivo.

(Jason) -Com o tal de... argh... Raphel. Os peguei fodendo e... Não quero falar sobre isso.

(Mary) Conseguimos sair do lugar que se aparentava com uma antiga casa que foi esquecida há anos. Meu nervosismo passou... e eu precisava de algo para substituí-lo. Olhei para Raphel, o desejo expresso em meus olhos verdes.

(Mike) -Venha. Preciso te levar a um lugar.

(Mary) Lenta e discretamente, me aproximei de Raphel.

(Raphel) Percebi que Mary estava se aproximando de mim, com toda minha força de vontade, me afastei. Katie não gostava de me ver agarrado com outras e as poucas horas que passei com ela foram o suficiente pra mim me importar com seu gosto. Era minha primeira amiga de verdade em anos.

(Mary) Ouvi um som e meu corpo voltou a gelar. -S-só eu que o-ouvi isso?

(Katie) -Não, eu também ouvi. — sussurrei. Olhando para trás me deparei com um garotinho.

Notas finais
Mistérios de Edimburgo! Continuem acompanhando e comentem sua opinião :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.