O ato de amar
3 Capítulo 2 - Alguns sentimentos nunca morrem

Minutos depois que concordei com a Spencer de que iria viajar com ela levantei e fui comunicar aos meus pais. Minha mãe, é claro, achou uma ótima ideia, já meu pai disse que seria um feriado perdido e blá, blá, blá. No final das contas minha mãe o convenceu de me deixar ir, afinal eu já não sou mais criança.
Estava animada com a ideia, há muito tempo não me divertia, sempre estudei de mais e depois que a faculdade o estudo dobrou. É claro que eu saia de vez em quando, mas nada tão longo quanto uma viagem de cinco dias para a praia. Comecei a arrumar minha mala quando vi uma mensagem da Spencer no meu celular.
“Aria, acabei convidado o Noel para a viagem. Tudo bem pra vc?”
Meu coração parou por alguns segundos. Eu repeti para mim durante todos estes anos que eu não gostava mais dele, falei várias vezes para a Spencer e para a Hanna que eu já estava em outra, mas a verdade é que nunca existiu outra pessoa. Até fiquei com outros carinhas, mas nenhum que realmente me fizesse esquecer ele. Dizem que quando você tem a primeira vez com um cara é mais difícil esquecer ele, pois é já se passaram três anos e ainda sinto calafrios quando escuto o nome dele.
Agora vou passar cinco dias com ele, vendo ficar com outras meninas e fingir que está tudo bem. Queria estar bem, queria poder odiá-lo, mas não posso. Eu que fui uma burra, me entreguei a ele sendo que nem estávamos namorando. Respirei fundo e respondi a mensagem:
“Tranquilo. Colegial novamente kkkkk”
Continuei arrumando as malas, eu não sou mais uma menininha de 17 anos que vai ficar suspirando pelos cantos por causa dele. Eu tinha que finalmente amadurecer.
Na manhã seguinte, assim que cheguei ao aeroporto, avistei Spencer ao lado de seu pai e de sua irmã. O próximo a chegar foi o Caleb, não o vimos chegando e ele tampou os olhos da Spencer com as mãos.
— Tenho um creme de mão na bolsa se você precisar, Caleb.
— Fala sério, Spence! Você me reconhece de qualquer jeito.
— Claro, né.
Eles se abraçaram fortemente e logo depois ele cumprimentou a mim, ao pai da Spencer e a irmã dela.
Estávamos relembrando alguns episódios do ensino médio quando chegaram, quase ao mesmo, Hanna e Toby. Pude perceber a feição de Spencer mudar quando ela notou a presença de Toby.
— Bom, agora só falta o Noel.
— Para variar né.
— Ele disse que já ta chegando. Disse Toby.
— Chegando aonde? No pé da cama dele?
— Filha, temos que iniciar o check-in. Daqui 30 minutos começa o embarque.
— Vamos para fila, até a gente ser atendido ele deve chegar.
Já iríamos ser os próximos a fazer o check-in quando o aeroporto inteiro se assustou com um rapaz forte gritando desesperadamente para esperar ele. Senti minha respiração falhar. Ele ainda estava mais gato do que nas fotos do Facebook.
— Puta que pariu! — disse ele ofegante — Foi mal galera! Me enrolei todo!
— Foi só para não perder o costume. Disse Caleb.
Fizemos poucos comentários sobre o atraso de Noel, pois logo em seguida fizemos o check-in e fomos para o embarque. Assim que chegamos ao nosso portão, uma fila já tinha se formado, por pouco não ficamos de fora. Eu iria ficar com muita raiva se perdêssemos o voo por causa daquele idiota, mas iria ficar com mais raiva ainda se ele não fosse com a gente.
Sentamos um perto do outro nas poltronas, o clima estava bem estranho. Fazia muito tempo que não nos reuníamos, nos víamos apenas no aniversário da Hanna ou do Caleb. A viagem foi bem silenciosa, o avião tinha televisão individual, então cada um ficou fechado no seu mundinho.
Chegando ao aeroporto de Recife ficamos totalmente perdidos, não tínhamos ideia de como chegar até ao hotel.
— Vamos de táxi. — disse Toby. — Vai sair mais caro, mas pelo menos não vamos ficar perdido.
— E não da pra ficar perdido com este tanto de mala que a Hanna trouxe.
— São só duas, Noel. Uma para os sapatos e outro parar as roupas.
— Espero que não tenhamos que usar tudo isso, trouxe o básico.
No final das contas fomos de táxi mesmo, saiu bem mais caro mas ficamos na porta do hotel. Que por sinal era lindo: ficava de frente para a praia, a recepção tinha decorações em azul e de lá avistamos duas piscinas.
— Não acredito que seu pai alugou dois quartos! Disse Caleb fingindo estar bravo.
— É claro. Você não acha que ele ia permitir uma orgia né.
— Não seria uma má ideia.
— Menos, Noel. Bem menos.
Decidimos que as meninas iriam ficar em um quarto e os meninos em outros. Os quartos eram um ao lado do outro e assim que entramos o nosso Hanna se jogou na cama.
— Gente, vai ser como nos velhos tempos. Somos um grupo de casais de novo.
— Não viaja, Han. Disse Spencer.
— Não mesmo. Não vai rolar nada entre eu e o Noel.
— Ain gente, o que tem? Só por cinco dias! Vai ser fantástico!
— Não vai não, vim aqui para relaxar e não para trazer um tormento de volta para a minha vida.
— Exatamente. Disse concordando.
Terminei de desarrumar minha mala e fui para a nossa varanda enquanto as duas continuavam a falar sobre ficar ou não como antes. Eu não queria pensar nisso, não queria ter esperanças. Estava olhando para o mar e, meio distraída, quando falei alto:
— Perfeito!
— Obrigada!
Me assustei e quando virei pra ver de onde estava vindo a voz meu coração congelou. Era Noel da varanda do quarto dele.
— Estou falando da vista, okay. Ficamos em um lugar maravilhoso, acho que não conheci um lugar tão lindo quanto este.
— Eu sim. E estou falando com ela.
Meu coração voltou a bater, só que bem mais rápido. Ele continuava o mesmo garanhão de sempre.
— Estou falando de lugar e não pessoas.
— Bom, eu também.
— Aff! Disse indo em direção ao quarto.
— Insensível.
Escutei ele dizer e me virei brutalmente em direção a ele.
— Eu? Insensível? Você que não larga este seu caderninho barato de cantadas.
— Pois é, ele ensina como fazer uma encalhada feliz.
Respirei fundo e virei as costas pra ele. Antes de entrar pra o quarto esbravejei.
— Conquistador barato!
— Feminista arrogante!
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