O assassino do meu pai
5 Carta
Notas iniciais
O assassino do meu pai
Capítulo 5
Por Teylla
Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam?
Tantos.
Não ser um desses é essa a tua missão.
Richard Bach
Born to die — Lana Del Rey
Desde que me casei com o Natsu, ele não apareceu mais. Havia sido um casamento simples e pouco sofisticado. Após a cerimônia, ele apenas me largou em uma das suas propriedades e sumiu. Não tinha muitas coisas pra fazer no lugar onde eu estava.
Saia e visitava o vilarejo sempre que podia, as pessoas eram bem alegres e receptivas. Gostava daquele ambiente, também, era o único lugar que podia ir. A cidade de Londres ficava muito longe e era lá que ele deveria estar.
Até hoje, não entendo o motivo do casamento. Não é como se eu quisesse ficar perto dele, mas, eu poderia estar solteira e me casado com um rapaz que realmente me amasse. Ele tirou a minha chance de ser feliz, aquele maldito bastardo.
Ele nem haviam me tocado, não tentou fazer nada comigo. Apenas desapareceu pelo mundo. Mandava todo mês uma certa quantia de dinheiro, porém, nunca gastei um centavo. Virgo e Loki não vieram para essa propriedade, provavelmente estavam na casa principal: em Londres.
O que Natsu queria... eu realmente não sabia. Ele quis me manter na solidão profunda? Foi isso? Deus ainda foi bondoso comigo em me conceder quatro pessoas maravilhosas: a Sra. e o Sr. Winson, Srta. Cassiey e Sr. Jack.
A Sra. e o Sr. Winson tomaram conta de mim todo esse tempo e me trataram como se fosse a filha deles. Como eles conseguiam viver naquela mansão enorme sem quase ninguém? Devia ser bem cansativo limpá-la.
Suspirei e soltei a escova que estava na minha mão.
— Srta. Lucy — Escutei a voz da Sra. Winson me chamar.
— Sim? — perguntei me levantando.
— Uma carta para a Srta. — disse ao abrir a porta.
— Uma... carta? — questionei surpresa, não pude deixar de levantar minha sobrancelha. — De quem?
— É... do Sr. Natsu — respondeu com um papel em mãos.
— Natsu? Sério? — Não pude esconder minha surpresa e tristeza ao saber que ele repentinamente mandou uma carta para mim em vez de aparecer pessoalmente. — Deixe-o aqui em cima, Beck — pedi e apontei para a bancada.
— Oh, querida — disse Beck acariciando o meu rosto. — O Sr. Natsu não é um homem ruim, você pode ter certeza disso — completou.
— A meu ver, ele é um homem ruim, Beck... eu não queria casar com ele — retruquei com um suspiro.
— O que aconteceu Srta. Lucy? Por que acha que o Sr. Natsu é uma pessoa ruim? — arguiu.
— Nada demais, Beck... — menti — e por favor, já te disse para me chamar apenas de “Lucy”. — Sorri.
— Entendi, Lucy — disse meio reservada. — O Natsu era um homem incrivelmente bom, não entendo o porque de achá-lo ruim... — comentou.
— É... ele deve ter sido — disse.
— Não irá ler a carta? — perguntou.
— Talvez mais tarde, Beck. Não tenho animo para isso — respondi indo até a cama.
— Não tenha pressa, Lucy — retrucou. — O Sr. Natsu provavelmente está voltando para cá — argumentou.
— Será? — indaguei, não queria o Natsu por perto, não agora. Ele some sem dizer nada, e agora quer voltar? Quão irônico isso era?
— Provavelmente, estamos perto do inverno — respondeu e sua expressão ficou pensativa. — Sr. Natsu sempre vem nessa casa quando o inverno está chegando — complementou.
— Por quê? Ele tem algum motivo especial? — argui, curiosa.
— Lucy... isso é algo que só o próprio Natsu poderia te contar. Todos nós sabemos o motivo, mas é algo muito profundo — respondeu de cabeça baixa, visivelmente triste.
— Um motivo... especial? — indaguei para mim. — O Natsu nunca me contaria — disse.
— Não acho isso, o Sr. Natsu é uma pessoa bastante solitária, não tem com quem compartilhar seus segredos e pesadelos mais sombrios, logo, você como esposa dele é a única que ele poderia confiar — retrucou.
— Quem dera fosse tão fácil assim, Beck... O Natsu fez algo imperdoável para mim, eu tenho uma espécie de ódio por ele — retorqui e me consertei.
— O que ele fez de tão ruim, Lucy? Não vejo o Natsu, aquele bom garoto, fazendo algo tão ruim — perguntou.
— Beck. — Riu. — Talvez você tenha pegado a melhor fase dele e eu te invejo por isso — disse trocando de assunto.
— Quando estiver apta para me contar, eu estarei aqui, Lucy — disse com um sorriso singelo.
— Obrigada, Beck. — Abracei-a.
Me afastei e peguei a carta que estava em cima da penteadeira, sentei em um banco confortável e rasguei o envelope. Peguei o papel que estava dentro e o desdobrei cuidadosamente.
“Lucy, como vão as coisas por ai? Se divertindo muito?
Não é como se isso fosse importante para mim, então vou direto ao assunto;
Terá que ir a uma festa aqui em Londres comigo.
Você não pode recusar, se é isso que está pensando. Apenas quero que você exerça o seu papel como esposa e nada mais. Logo mandarei uma carruagem para buscá-la e tirá-la desse tédio, que com certeza, está te consumindo.
É uma grande festa e muito importante, então espero que se comporte como a nova Dragneel, afinal, você se casou comigo. Por tanto, espero que respeite o sobrenome que carrega agora.
Não se preocupe com as roupas, eu mesmo as providenciei, logo após a temporada de festas te mandarei de volta para a propriedade.
Beck está bem? E o Sr. Winson?
Espero que esteja tendo uma boa estadia, querida.
Todos estão esperando para conhecer a Lucy Dragneel.
Com amor, Natsu Dragneel”.
Que miserável! Como pôde me mandar uma carta falando asneiras como aquela? Como se eu fosse para algum baile, quem ele acha que é? Não é por que nos casamos que ele pode mandar em mim, não mesmo.
— Lucy? O que dizia na carta? Sr. Natsu está voltando? — perguntou Beck ansiosa.
— Ele quer que eu me comporte como Lucy Dragneel e não como Lucy Heartfilia — respondi em um sussurro. Eu realmente havia me casado com o Natsu, as vezes a minha ficha não caia.
— Como assim, Lucy? — arguiu apreensiva.
— Ele quer que eu vá em uma festa com ele, lá em Londres. Avisou que mandaria uma carruagem e que providenciaria os vestidos necessários para o baile e ainda teve a audácia de dizer que logo após a temporada de festas, mandará uma carruagem especial para me trazer de volta para cá, dá pra acreditar, Beck? — disse e indaguei como se fosse o fim do mundo.
— Não entendo essa atitude do Sr. Natsu... Ele sempre foi tão carinhoso, atencioso e gentil — disse para si.
— As pessoas mudam, Beck, e como mudam — disse em um tom de alerta ao levantar-me do banco e pousar o papel em cima da bancada, puxei uma fita azul, amarrando o meu cabelo. — E, ele perguntou sobre a Sra. e o Sr. Winson — completei ao me abaixar para pegar uma caneta e um papel.
— Oh! — Beck ficou visivelmente alegre, me senti bem por ela. — Talvez ele não tenha mudado tanto assim, Lucy — completou.
Eu ri e balancei a cabeça negativamente.
Avistei a janela aberta e fui até ela, com um movimento voluntário pousei minhas mãos na mesma e olhei para o vasto campo verde que percorria quilômetros e quilômetros de terreno. Se eu estivesse em um outro ponto da casa, talvez desse para ver o vilarejo.
Senti o vento balançar meus fios rebeldes, fechei os meus olhos e respirei fundo. Era uma sensação maravilhosa. Muitas vezes me sentia sufocada em passar a maior parte do tempo em casa, não é como se eu estivesse reclamando. Fui bem abrigada aqui e se não fosse pelas pessoas daqui, me sentiria excluída.
Tinha feito alguns amigos no vilarejo, alguns sabiam que eu era a esposa de Natsu e outros não. Natsu administrava o vilarejo muito bem, não imaginava que ele se importasse com aquelas pessoas.
— Lucy, se o Sr. Natsu disse que você vai passar a temporada de festas em Londres, acho que deveríamos arrumar sua bagagem, certo? — Beck indagou ao se aproximar.
— Eu não vou, Beck — respondi com um sussurro, encostei-me preguiçosamente na janela e olhei para minhas mãos.
— Lucy... O Sr. Natsu não é de desistir, é capaz de ele vir aqui te buscar e fazer você ir de qualquer maneira — retrucou com um bico.
— Pois ele que venha! — esbravejei e levantei a cabeça. — Ele some por esse período todo e ainda quer que eu o obedeça? Não é bem assim que as coisas funcionam comigo, Beck — retorqui e cruzei os braços.
— Mas, Lucy... — começou. — Ainda acho que deveria ir, não cause problemas para o Sr. Natsu, ele é um homem bom — completou ao implorar.
— Não entendo porque defende tanto o Natsu — disse e me afastei, sentei na minha cama.
— Eu o vi nascer, Lucy — disse e encarou a vista que tinha pela janela. — Eu sei como é o Sr. Natsu, ele é como um filho para mim — complementou.
Parei um pouco pra pensar, nunca ouvi falar sobre mãe e nem pai do Natsu, o que aconteceram com eles?
— Bom, eu não posso mudar sua opinião, já que você cuidou dele desde que nasceu... talvez você conheça ele melhor do que eu — argumentei e me deitei. — Tudo bem, Beck... vamos arrumar as bagagens, eu irei para Londres.
— Sério? — arguiu feliz.
— Sim... mas não me faça mudar de ideia! — ameacei e logo ri.
— Certo, certo — disse feliz.
Levantei e Beck me ajudou a organizar as bagagens. Pensar em Natsu me amedrontava de certa forma, imaginar que ele pode ter sido realmente o assassino do meu pai me deixa extremamente tensa.
Nesse meio tempo que fiquei aqui, pude pensar em muitas coisas e enfim, por minha "cabeça no lugar". Beck ao terminar de me ajudar com as bagagens, avisou de que iria fazer o jantar, obviamente concordei.
Vaguei pelos extensos corredores e decidi entrar na biblioteca. Ao lado da mesma havia uma porta que eu nunca tinha notado. Andei em direção a ela e decidi abri-la.
O cômodo estava um pouco escuro, e provavelmente não foi limpo faz um bom tempo. Tateei as paredes até encontrar um tecido. Presumi que seria a cortina. Puxei a mesma e abri a janela, iluminando um pouco o espaço. Olhando melhor, parecia um escritório.
Talvez Natsu usasse essa sala para resolver seus negócios. Andei até a mesa e vi que tinha algumas gavetas. Em cima da mesma se encontrava várias papeladas espalhadas. Suspirei e comecei a arrumar tudo. Juntei papel com papel e os empilhei.
Olhei para a parede e notei que tinha grande quadro emoldurado, aproximei-me e vi um homem um pouco velho junto a uma mulher muito bonita, tinha duas crianças com eles. Uma delas adotava um grande sorriso nos lábios. Mesmo que todos estivessem com expressões sérias que chegavam a dar medo, ele era o único corajoso ao ponto de sorrir.
Admirei-o, nos quadros de família eu sempre ficava séria, meu pai não me permitia sorrir. Mas, sempre que possível, mandava fazer um comigo sorrindo, mesmo não admitindo isso.
Ri por dentro e deixei a nostalgia me invadir, ao menos por agora. Avistei uma gaveta estranha e a abri, por incrível que pareça, estava destrancada. Como estava curiosa, decidi vasculhar alguns papeis ali dentro.
Peguei um e dei uma passada rápida no documento, esse falava sobre o faturamento nas terras. Vasculhei toda a gaveta e senti uma caixa, a peguei. Ela era um pouco grande e vermelha, parecia uma caixa de música com toques dourados.
Puxei uma alavanca que tinha e achei um colar em forma de chave, parecia ser de ouro puro. Cacei algum papel e agarrei.
— Mas o que é isso? — perguntei ao ler por cima a documentação. — Acordo Dragneel e Heartfilia? — Arregalei os olhos, será que aquilo tinha a ver com a morte de Jude?
Escutei passos vindo do corredor e guardei tudo no lugar rapidamente, escorei-me na parede e fingi estar admirando o quadro.
— Oh, Sra. Lucy! — disse Cassiey ao me ver quando invadiu a sala.
— Oi, Cassiey — retruquei.
— O que a senhora está fazendo aqui? — indagou se aproximando com a sobrancelha arqueada.
— Nada demais... por quê? — respondi um pouco pensativa e logo argui.
— Essa sala está bloqueada há anos, não tem utensilio algum. Você provavelmente ficará contaminada pela poeira, é melhor sair — respondeu ao começar a limpar.
— Então, Cassiey... por quê está limpando aqui? — questionei ao cruzar os braços.
— O Sr. Natsu manda arrumar esse cômodo uma vez por mês, mas por ser pouco utilizado, quase não cuidamos dele — retorquiu sincera.
— Entendi... então... eu irei para a biblioteca — disse.
— Sim — falou e continuou a limpar.
Andei vagamente pelo corredor, não iria para a biblioteca, não mesmo. Agora eu realmente estava interessada em ir encontrar... meu marido.
Algum tempo depois, decidi ir ao vilarejo. Beck me obrigou a andar de carruagem, mesmo que fosse ali perto, ela tinha medo de que algo acontecesse. Passava por uma floresta linda, era incrivelmente magnifica. Logo avistei as casas e a grande igreja.
O cocheiro abriu a porta e me ajudou a descer, agradeci e caminhei.
— Boa tarde, Srta. Lucy — cumprimentaram-me.
— Boa tarde — cumprimentei de volta.
Acenava para algumas pessoas e outras acenavam de volta, eu já era bem conhecida lá.
Sentei-me em um banco da praça e vieram correndo ao meu encontro.
— Srta. Lucy, Srta. Lucy — gritava uma mulher de cabelo azul.
— Sim? O que aconteceu? — indaguei preocupada.
— Preciso de ajuda, tem um rapaz sangrando lá dentro. — Apontou para uma casa bem pobre, levantei-me e a segui, enquanto segurava a bainha do vestido.
Entrei na casa e me assustei com o corpo do rapaz, o cabelo loiro do rapaz estava colado a sua testa que estava suada, coloquei minha mão na mesma e percebi que estava com febre, sentei-me ao seu lado.
— Rápido, tragam água e alguns panos — gritei.
Rasguei sua blusa branca para ver de onde saia o sangue.
Seu corpo estava com um ferimento horrível, parecia que tinham enfiado uma faca em abdômen. Logo voltaram com o que eu pedi.
Molhei um pano e coloquei em sua testa para diminuir a febre. Joguei um pouco da água no ferimento para limpar e coloquei outro pano por cima rapidamente.
— Pressione aqui — pedi enquanto colocava mais água no pano que estava em sua testa.
A mulher de cabelo azul ficou pressionando.
— Quanto tempo ele está assim? — perguntei.
— Achamos ele na floresta — disse. — Faz pouco tempo — respondeu.
— Entendi... — disse. — Talvez estivesse sendo perseguido — completei.
Suas roupas pareciam de um nobre, mas por que um nobre viria até aqui?
Terminei de fazer meus procedimentos e olhei para fora, já havia anoitecido, sequei minhas mãos no meu vestido e levantei-me, ao me virar, senti uma mão me segurar.
O homem havia acordado, seus olhos claros fitaram os meus. É como se implorasse por ajuda, ao menos ele tinha acordado. Retirei a mão dele lentamente do meu braço.
Seus olhos fecharam-se.
Sai da casa e me encontrei com a mulher de cabelo azul, expliquei para ela o que a mesma deveria fazer, se a febre voltasse era pra usar o medicamento com as ervas que eu tinha feito.
♔ ♔ ♔
— Sr. Dragneel. — Alguém bateu em minha porta, retirei os meus óculos e disse um entre.
Uma mulher de cabelo castanho cor chocolate e longo apareceu, seu vestido era provocante. A cor verde do mesmo acentuava em sua pele branca.
— Srta. Cana, no que lhe devo a honra de sua visita? — indaguei com um sorriso maldoso ao levantar.
Dei um beijo na face de sua mão.
— Eu vim fazer uma visita... me senti tão solitária esses dias, Sr. Natsu — respondeu com a voz manhosa.
Cana era viúva do duque Justine, ele havia morrido com uma doença grave que apenas ela sabia. Então depois, visto que não era aceita pela sociedade, decidiu agir do jeito que quisesse, não devia mais nada para elas, nem era mais moça.
— Entendo... o que você quer que eu faça para tirar sua solidão? — indaguei ao puxá-la pela cintura.
— Você — respondeu ao me beijar de uma forma quente.
Devolvi o beijo e levantei seu vestido, com muita dificuldade a despi. Puxei-a para mim e a joguei na cama. Passei a mão pelo seu cabelo sedoso e fiquei por cima dela, distribui beijos em seu corpo e a escutei gemer.
Um tempo depois a penetrei e gememos. Eu cheguei ao clímax primeiro, logo após deitamos cansados. Ela aninhou-se no meu corpo.
— Então... quando a Sra. Dragneel vai chegar? — Cana perguntou.
— Logo, ela vai participar da temporada de festas — respondi.
— Como ela se chama? — questionou curiosa.
— Você já deve ter ouvido falar sobre ela. Lucy Heartfilia — retorqui ao acariciar seu cabelo.
— Lucy Heartfilia? — ela perguntou preocupada e um tanto assustada.
— Algum problema? — perguntei arqueando a sobrancelha.
— Não, nenhum... — respondeu e parecia pensativa.
— Entendi... — retruquei.
— Você não irá me trocar por ela, certo? — questionou um tempo depois.
— Não se preocupe, ela não é ciumenta e nem poderá contestar os nossos encontros — respondi.
Cana fechou os olhos e senti que ela havia dormido.
Lucy Heartfilia... enfim poderei revê-la novamente.
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