Capítulo onze

1

Ele se olhou no espelho uma última vez, verificando se o penteado estava devidamente arrumado, os cabelos cumpridos alinhados para trás com ajuda do gel mais popular do mercado. Sorriu para si mesmo e depois saiu do banheiro do departamento de polícia e seguiu para o seu escritório depois de quase duas horas de almoço. Havia se atrasado por conta de um bico que estava fazendo, mas, por sorte, ninguém tinha reparado.

No caminho, Murakami Yusuke percebeu uma movimentação estranha pelos corredores. Homens sérios, usando ternos e com ar imponente seguiram para o escritório do Chefe de Polícia, Matsuda Toshio, na companhia de um agente da corregedoria.

Ele se aproximou de um rapaz jovem, que estava temporariamente trabalhando com eles no caso do assassinato do cantor, mas Murakami não conseguia entender a ligação dos agentes da Divisão de Entorpecentes se a única droga relacionada naquele caso foi a substância ingerida por Kimura antes de ser estrangulado.

– O que está acontecendo aqui, Okura-kun? – ele se dava a liberdade de ser informal com o jovem por ser mais velho.

– Não está sabendo, Murakami-san? – Okura semrpe mantinha a educação com quem quer que fosse. – A Yakuza está começando a agir. – ele respondeu, olhando na direção em que aqueles homens seguiram. – A corregedoria está investigando supostos abusos por parte da polícia na última apreensão de drogas. É claro que eles estão apenas querendo salvar a pele do herdeiro Nishikido.

– Isso quer dizer que...

– Sim, nós descobrimos onde Nishikido e seu comparsa estão escondidos. Mas essa maldita burocracia vai impedir qualquer ação antes de se comprovar que agimos dentro da lei. E qualquer deslize que qualquer um de nós tenhamos cometido naquele dia pode ser um motivo para interromperem as investigações. – ele suspirou. – Maldita corrupção. Bem que meu avô dizia que o nosso principal inimigo é o nosso espírito. As tentações sempre estão a nossa volta...

Okura se despediu quando viu Subaru, afastadim, fazendo um sinal para segui-lo, e logo se afastou sem ouvir as palavras de Murakami:

– Tentações? Somente um filhinho de papai que quer brincar de herói enxerga sobrevivência dessa forma. Tsc. – colocou as mãos no bolso e foi para o seu escritório. Tinha que avisar a Shingo que tinha informações valiosas para seu amigo Koyama.

2

Algum barulho o despertou e ele inclinou a cabeça, erguendo seu corpo alguns centímetros enquanto procurava a origem do som. Ainda estava sonolento e sentia seu corpo pesado. Descobriu Kamenashi procurando alguma coisa em seu guarda-roupa e ele tentou enquadrar sua visão.

– Ohayou.Você tá indo trabalhar? – Jin quis saber, a voz refletindo o seu cansaço, enquanto esfregava os olhos e tentava entender o que acontecia a sua volta.

– Ah... Ohayou. Agora não, só de noite. Depois do café da manhã vou dormir um pouco e vou me encontrar com meu editor mais tarde.

– Vai dormir de novo? Que horas você acordou?

– Eu não dormi ainda.

– Você não dormiu? Depois daquele sexo todo? – ele afundou o rosto no travesseiro, mostrando o quanto ainda estava cansado.

– Eu precisava terminar uma matéria.

– Workaholic. Um workaholic desprezível e insensível. Eu deveria me ofender e te cobrar pelo sexo desta noite.

– Do que diabos você está falando?

– Eu não sei, eu ainda não acordei e... Peraí. Você disse que vai se encontrar com seu editor hoje à noite?

– Agora que você percebeu o que eu te disse em primeiro lugar?

– Que tipo de hora extra é essa? Seu editor está te assediando? Não pode! Só eu posso te assediar. – disse, com um sorriso sacana, enquanto se esfregava na cama.

– Eh? Que possessividade repentina é essa? Lembra que você é quem trabalha com sexo?

– Companhia. Eu vendo companhia.

– E sexo também.

– Bem, sim, mas você não precisa falar desse jeito.

– Que seja! O que importa é que você não tem direito de exigir nada de mim enquanto trabalha com isso. – disse, acreditando te colocado um fim naquela discussão.

–... É mesmo né... Eu não devia exigir nada. Nunca. – disse e soou tão vago que Kamenashi se virou para fitá-lo.

– Qual é o problema?

– Nada não. – ele sacudiu a mão. – O que você tá procurando?

– Eu estava procurando um livro sobre o Kurosawa

. Queria colocar um trecho dele na minha matéria sobre os filmes clássicos... Eu tinha certeza de que tinha deixado no guarda-roupa, era um livro velho, mas eu nçao queria que pegasse pó, ele é muito bom. Que coisa, ultimamente não encontro nada no lugar que eu jurava que estava.

– Uma hora você encontra, relaxa.

– Essa é a filosofia de alguém que não se importa com a organização da sua casa.

– Bingo!

–... Cara de pau.

– Agora me faça o meu café! Estou faminto, você me deixou sem energia de novo... E pela segunda vez não ganhei nenhum dinheiro... Comida é o mínimo que você pode me dar agora.

– Cara de pau e folgado. Foi você quem veio esfregar seu traseiro em mim! De novo!

– Não reclame, eu reduzi duzentos dólares da sua dívida.

–... Eu sou tão barato assim, seu cretino?

Ele se virou e o viu rindo. Mordeu os lábios, para não rir com ele. Precisava manter seu orgulho, afinal.

– Vou fazer o café. E você devia alimentar o seu filho.

– Alimentar a família é papel do pai!

– Não, o papel do pai é trazer o dinheiro para casa. Como mãe, você devia ao menos cuidar da refeição...

– Mas a comida do pai é sempre mais gostosa!

– Sim, porque não vem com molho de sangue.

– Aquilo foi só daquela vez ok?

– Sim, porque você nunca mais cozinhou!

– Pare de me deixar mal. – fez bico e depois se escondeu debaixo do edredom até a altura de seus olhos.

– Mimado. – Kamenashi disse enquanto saia do quarto.

Akanishi sorriu.

– Se ao menos as circunstâncias fossem diferente... Será que ficaríamos juntos? – mordeu os lábios, enquanto fantasiava uma realidade. – Bah... Não cometa o mesmo engano duas vezes, Jin-baka! Agora você já controla seus sentimentos e não tem mais idade para se deixar levar por eles. Concentre-se em seus objetivos.

Estava muito claro o que ele tinha que fazer e o motivo pelo qual estava com Kamenashi. Ele repetia isso incontável vezes dentro da sua cabeça e tentava achar alguma desculpa convicente para estar prolongando sua estadia naquele apartamento por tanto tempo. Mas nenhuma justificativa lhe pareceu razoável. Seus olhos caíram naquele porta-retrato com a imagem de Kamenashi.

Suspirou.

3

Koki lançou outro olhar para dentro do quarto de Ryo. Ele ainda estava na cama, falando baixo ao celular, e Koki suspirou. Sabia que aquela era uma ligação importante e certamente era sobre a situação deles. Esperava por uma notícia que o libertasse daquela prisão de luxo em que se encontrava. Um apartamento confortável e caro, mas, ainda assim, era uma prisão e ele já estava impaciente por ficar trancado ali.

Voltou para a sala e pensou em ligar para Kamenashi. Fazia algum tempo que eles não conversavam e ele havia se afastado da investigação da morte do cantor. Será que seu amigo tinha avançado nesse caso? Sentou no sofá da sala e buscou o número do cel de Kame.

4

– Mas porque seu editor quis marcar um encontro de noite? – Akanishi perguntou, sentado diante da mesa da cozinha, esperando pela comida. Ele brincava com o prato e a xícara que estavam postos na mesa.

– Não foi ele. A polícia quer falar com ele e ele pediu para que eu vá junto. É sobre o caso Kimura e como eu estou escrevendo a matéria, e a polícia concordou com a minha presença, estarei lá para compartilhar conhecimentos. É claro que a polícia não vai me contar tudo, mas vamos ver se estamos seguindo a mesma linha.

– E como você está indo? Descobriu alguma coisa? – perguntou enquanto girava uma xícara sobre a mesa.

–... Nada de concreto e... – Kamenashi notou a brincadeira – Se você quebrar essa xícara eu vou abater metade da minha dívida com você.

– Ehhhh?? Que coisa mais cara. Ela não vale tanto assim!

– Nem você.

– Owe!!! Kame-chan... Prefiro você gentil e atencioso como foi nesses dias!

–... Está pronto. Vamos comer!

– Não precisa me ignorar também. Hum, isso parece muito gostoso... Você vai voltar tarde hoje?

Kame sacudiu a cabeça.

– Vou deixar a janta pronta, é só esquentar e pelo amor de Deus não vá me colocar fogo no apartamento!

Jin achou que o jornalistou falou em um tom sério demais. Ele não era tão desastrado assim, afinal. Só não era bom na cozinha, mas podia ser excelente em outros quesitos. E ele teria dito isso a Kamenashi se ele não tivesse saído da cozinha para atender ao telefone. Jin esticou o pescoço o máximo que pode para visualizá-lo na sala e escutou o nome daquele rapaz que destestou desde a primeira vez que o viu:

– Yo, Koki! Como você tá? Há, há, há... Sabia que você não estaria agüentando. Eh?! Não, não... Eu também acho isso... Fique um pouco mais, não se preocupe comigo nessas horas! Não sou que estou na mira da polícia! Pense um pouco mais em você mesmo e pare com essa mania de me chamar de Baby, já não te falei??

Jin fez um bico, alguém devia ensinar aquele cara de que não devia ligar na hora do café da manhã dos outros. Agora ele tinha que terminar sozinho a sua refeição.

5

O automóvel parou em frente à mansão Kimura, depois de percorrer um agradável e bem tratado jardim, passando pela área de lazer das crianças. Eles desceram e o mais novo admirou aquele lugar que só conhecia por fotos em jornais ou entrevistas na televisão. O lugar fazia justiça às pessoas que moravam ali, principalmente a que morou ali, o falecido cantor. A casa era imensa e imponente, fruto de todo o esforço que Kimura dedicou a sua carreira.

Foi o cutucão que Subaru lhe deu quando começou a subir os degraus da entrada que o retirou de sua contemplação e o trouxe de volta a realidade. Eles estavam ali para conversar com a viúva, finalmente. Okura não entendia a animação de Subaru e a sua insistência para conversarem com a mulher do falecido. Haviam se passado dias suficientes para que a sua memória tivesse mais chance de falhar e, além disso, tinha tomado remédios fortes devido ao trauma. Ela não teria muito mais a acrescentar ao que já tinha relatado, portanto. Subaru, contudo, era alguém que gostava de verificar os casos por conta própria e por isso eles estavam refazendo caminhos já percorridos pelos policiais que estavam encarregados do caso antes deles.

Entraram e foram recebidos por um respeitável mordomo de aparência britância, apesar da origem oriental, mas, ele era alto e tinha um porte elegante, sério e discreto. O mordomo os guiou para a sala de visitas, que, na opinião de Okura, era incrível. Ele tinha crescido na riqueza e no luxo, mas, ali, até mesmo para ele era algo surpreendente.

Eles esperaram um tempo considerável, Okura se sentia ansioso, mas Subaru mantinha-se tranqüilo como sempre, mexendo em sua moeda, em pé ao lado da porta de vidro que levava ao jardim. O seu parcerido gostava muito de flores, Okura sabia.

Por fim, a viúva veio recebê-los. Era uma mulher linda, corpo esbelto, apesar das duas gestações, uma pele lisa que escondia a sua idade e os cabelos negros, sedosos e ondulados nas pontas. Usava um vestido justo, na cor rosa, florido, que a deixava com um ar dócil. Certamente, Okura pensou, se o editor Nakai estivesse ali ele repreenderia o cumprimento do vestido, acima dos joelhos, para uma recém viúva. Sendo tradicional e rigoroso como era, ele deveria esperar por uma roupa de luto.

Ela os cumprimentou e se sentou na poltrona ao lado do sofá em que Okura estava sentado e de onde ela tinha visão do outro detetive. Okura notou que ela usava um perfume forte, impossível de não ser percebido.

– Desculpem por fazê-los esperar. – a sua voz era baixa e frágil. – Eu realmente quero ajudar a descobrir o que aconteceu com meu marido... Foi tão... Horrível. – ela parecia que começaria a chorar a qualquer instante. – Eu realmetne não consigo fazer as coias direito sobre este assunto, eu não gosto de pensar que Takuya não está mais comigo e minhas filhas...

– Sentimentos muito pela sua perda e por todo esse processo doloroso. – Okura já estava penalizado pela situação da mulher – Mas precisamos repetir algumas vezes para chegarmos até o culpado. Queríamos confirmar com a senhora um depoimento do advogado Kusanagi-sensei.

– Seria sobre meu marido se queixar que estava sendo enganado? – ela questionou, olhando-o diramente em seus olhos.

– Sim, essa declaração.

– Como disse aos detetives anteriores, eu não sei exatamente do que ele estava se referindo. Takuya era uma pessoa muito gentil, ele não se queixava sobre trabalho em casa, sempre dizia que quando entrava em casa, ele era o pai de nossas filhas e não mais a personalidade famosa que era fora daqui. Era um pai dedicado. As meninas sentem muito a sua falta e nossa caçula não consegue entender direito o que está acontecendo, é muito pequena.

– Então a senhora pensa que ele estava sendo enganado no trabalho? – perguntou Subaru.

– Ele não era enganado dentro desta casa. – ela disse rápida e séria.

– Não, não... – ele riu e sacudiu a mão. – Desculpe se a ofendi. Eu estava pensando nos amigos. Inagaki-san parece que conhece a cena do crime, apesar de que não há registros de sua passagem pelo hotel.

– Inagaki-san é uma pessoa honesta e íntegra, não faria mal ao meu marido. – ela disse com muita convicção. – É um amigo de longa data e era muito querido por Takuya... Não seria capaz de fazer mal ao meu marido... Não... Essa ideia... Não pode ser verdade. Ele teve ter uma justificativa para conhecer o local do crime.

– A senhora não acha, então, que o criminoso possa ser um dos amigos do seu marido? – Okura indagou.

– Não acredito que alguém possa mesmo ter feito algo assim... E, no entanto, aconteceu... Takuya sempre foi muito querido. Não há como pensar que alguém o odiasse... É horrível tudo isso... Muito horrível. – ela levou a mão até a garganta, com alguma agitação, e movimentou seus dedos pelo local, certamente pensando no momento em que seu marido foi esrtangulado. – Porque alguém matou meu marido, detetive?

– Isso... Nós iremos descobrir. – Subaru deixou a janela e se aproximou. – Sobre a amante de seu marido...

– Ela não existe. – a senhora Kimura refutou tal ideia – Isso é tão cruel, levantar suspeitas desse nível sobre uma pessoa que não pode mais se defender, nem preservar a sua honra...

– A senhora vai me perdoar, mas, o caso de Kimura é real. Temos provas e testemunhos de que ele se encontrava com alguém naquele hotel com muita freqüência.

Okura viu o rosto da mulher se alterar e parecia que ela estava a beíra do choro. Ele se sentiu penalizado e teve que segurar as próprias lágrimas. Naquele momento, ele também se perguntou como Subaru podia ser tão cruel com a família da vítima.

– O seu marido a traía, esse é um fato que não tem mais como negar.

– Shibutani-san! – Okura o repreendeu, mas foi ignorado.

– E na noite do crime... O que seu marido disse para se ausentar durante a noite?

– Naquele dia, nós não nos encontramso ou nos falamos... Na noite anterior, ele tinha me avisado que sairia cedo para ir até a casa de Shingo... Eles estavam trabalhando em uma música e disse que ficaria o dia todo lá...

– Segundo Katori-san, ele deixou sua casa às dezenove horas. E ele foi morto à uma da manhã. Temos a informação de que ele chegou no hotel às 20h00 e teria se encontrado com Hayami Minami por volta da meia noite. Essa é a informação que recebemos da recepção do motel. Por volta da meia noite, uma mulher chamada Hayami Minami procurou pelo quarto que o seu marido tinha alugado. Mas temos essas quatro horas até o encontro com Hayami. Porque seu marido teria alegado que estava atrasado para um encontro, ele disse isso a Katori-san, mas só há o registro de um encontro por volta da meia noite? O que seu marido fez esse tempo todo sozinho?

– Eu... – ela refletia naquelas informações – Tudo isso é muito confuso. Eu também não entendo o que Takuya foi fazer lá... Certamente, o mais provável, é que ele tenha sido atraído por um fã... Essa hipótese é a mais provável.

– Mas não é a verdadeira. – Shibutani disse, incisivo. – Em todo caso... Naquele dia... A senhora esteve com suas filhas, correto?

– Sim, a minha filha mais velha não se sentiu bem para ir à escolinha, então ela ficou em casa e eu passei o dia cuidando dela e da mais nova. Cheguei a pensar que, apesar de preocupada com a sua saúde, esse sentimento de poder proteger quem amamos é algo maravilhoso. Como mãe, eu me sinto muito realizada. Takuya tinha essa mesma opinião. Ele era mesmo um pai maravilhoso...

– Segundo o relato de seus empregados naquele dia a senhoria cuidou de suas filhas o tempo inteiro, ausentando-se apenas por momentos triviais como ir a cozinha, usar o banheiro e atender ligações.

– Bem... Sim... Alguns músicos estavam procurando por meu marido, sempre existem essas ligações... Parcerias em composições e essas coisas de sempre.

– Nenhuma ligação era para a senhora?

– Porque esse tipo de pergunta?

– Uma dessas pessoas que ligou pode ter sido o assassino. – Subaru explicou tranquilamente. – Alguém marcou um encontro com seu marido com o único intuito de assassiná-lo. E se o seu marido aceitou o encontro, era porque se tratava de um conhecido. Alguém que ele confiava o suficiente ou ao menos tinha um bom motivo para aceitar encontrá-lo. O assassino poderia ter ligado para sua casa a fim de confirmar o encontro.

– Isso... Isso é tão frio e asqueroso... Como poderia ser tão calculista?

– Os humanos são capazes de tudo. Até mesmo fingir sentimentos que não possuem. – Subaru explicou – Se todas as ligações foram para seu marido, poderíamos ter a permissão da senhora e checar com a operadora o conteúdo delas?

– Não vejo problema algum sobre isso... Por favor, apenas peço que nos preservem e as pessoas com quem meu marido fazia negócio se não houver relação alguma com o crime.

– Certamente. – quem respondeu foi Okura.

– Em nossa relação... A senhora tendeu ao telefone da casa e também ao seu celular algumas vezes. Poderia nos dizer com quem conversava?

– Vocês estão suspeitando de nossos amigos?

– Desculpe-nos, mas, não podemos entrar em detalhes. Apenas posso dizer que suspeitamos do maior número de pessoas possível. – Okura explicou.

– De qualquer modo, minhas ligações foram particulares. Não foi nenhuma ligação relacionada com o meu marido.

– Seu marido não ligou, mesmo sabendo que sua filha estava doente? – Subaru perguntou, de repente.

– Ele não sabia. Como disse, ele saiu muito antes dela acordar e descobrirmos que não se sentia bem...

– E a senhora não ligou para avisá-lo?

– Meu marido sempre desliga o celular quando está compondo música e, além disso, não era mais do que uma simples gripe. Se ela piorasse, certamente que eu o avisaria.

– Está certo... Acho que já verificamos todos os pontos que temos no relatório. Desculpe o incômodo. – Subaru a cumprimentou e foi o primeiro a se retirar.

6

Okura afrouxou a gravata que usava quando eles voltaram para o carro. Shibutani sentou-se no lugar do motorista e olhou para o mais novo com um sorriso compreensivo.

– Sentindo-se perdido, Tacchon?

– Você não se sente assim? – ele reclamou – Estamos andando atrás de informações que já tínhamos.

– Não é bem assim. Você tem que prestar mais atenção. Ela não disse que cuidar da filha adoentada a fazia se sentir realizada como mãe? E que Kimura tinha a mesma opinião? Contudo, ela não o avisou sobre a gripe da menina. Eu me pergunto o motivo...

– Porque suspeita sobre isso? É natural que, não sendo grave, a esposa não vá perturbar o trabalho do marido, não?

– Sim, é natural... Mas não parece combinar com o pai maravilhoso e perfeito como ela o retratou, não acha? Além disso... Kimura era somente um pai maravilhoso e perfeito.

– O que você quer dizer, Baru?

– E como marido? Ela nunca mencionou um elogio a ele como marido... Apenas sente sua morte por causa das filhas?

–... Sabe que essa mulher está sob efeitos de remédios. Não se pode levar ao pé da letra tudo o que ela diz...

– Sim, são apenas considerações... Mas, neste caso, acho que devíamos prestar mais atenção aos sentimentos dos envolvidos.

– Então, afinal, você pensa que é um crime passional?

– Nunca descartei essa hipótese... Em todo caso, temos uma novidade. Conseguimos as imagens do circuito de segurança da loja de conveniência em frente ao hotel. Depois de conversarmos com os jornalistas, vamos analisá-las na delegacia.

– Certo, então é isso. Vamos lá!

7

– Boa notícia, Koki... Já podemos sair deste lugar!

O rapaz se ergueu do sofá e encarou Ryo. Ele estava encostado na batente da porta do corredor, usando apens um jeans surrado, os braços cruzados e um largo sorriso.

– É sério?

– Sim, a polícia vai fazer vista grossa. – ele disse, bem humorado – Eu disse para ter paciência que este assunto seria resolvido.

– Seu pai?

– O velho, primeiro, ficou furioso... Depois ele descobriu que tivemos um delator. A informação vazou para a polícia, mas, eu não consigo entender como isso pode ter acontecido... Vou verificar isso logo. E você está livre.

– Ahhh! Isso é tão bom! Não agüentava mais ficar aqui com você! – disse, rindo.

– Owe!

Koki se levantou e disse que ia recolher suas coisas. Ryo fez que sim e esperou que o rapper se afastasse, então pegou seu celular e discou um número. Com a voz suave, ele disse quando foi atendido:

– Precisamos nos encontrar. Tenho um assunto a tratar com você. Ah, sim, isso também... E... Estou com saudades. Vamos nos ver, certo?

8

O encontro aconteceu em um hotel, a pedido de Nakai. Ele não queria perturbar sua família com aquele caso, também não queria chamar muita atenção dos outros jornalistas da redação. Por isso preferiu um ambiente reservado e tranqüilo.

Era um quarto decorado em tons vermelhos. As paredes eram dessa cor até a metade e depois eram na cor creme. Quadros com paisagens rural faziam fila em uma das paredes. Os móveis eram de mogno antigo, escuro.

Kamenashi foi o último a chegar e pediu desculpas pelo atraso, xingando Akanishi em pensamento por querer lhe agradecer justo na hora em que tinha que sair. Ao menos Kame se sentiu mais animado depois disso. Estava mesmo cansado e precisando relaxar de alguma maneira. Mas Akanishi se pendurando em seu pescoço, tentando impedi-lo de sair da cama, foi um golpe baixo, muito baixo. Era mais do que urgente ao jornalista aprender a controlar seus desejos.

– Não se preocupe. Não se atrasou muito.

Kamenashi olhou para o rapaz, que, segundo seu editor havia apresentado, chamava-se Okura Tadayoshi. Ele tinha um sorriso gentil e gestos elegantes. O outro detetive estava de pé, encostado a janela, observando as luzes dos outros prédios enquanto brincava com uma moeda. Esse era Shibutani Subaru. Não causou uma boa impressão em Kamenashi.

– Kamenashi-kun, sente-se.

Ele atendeu ao pedido de Nakai-san e se ajeitou no sofá de dois lugares em que estava Okura. Nakai ocupava a poltrona a frente e ainda havia mais uma e que ele tinha deixado para o outro detetive, mas o lugar ficou vago.

Não demoraram em entrar no assunto. E o primeiro tema que abordaram foi a amante de Kimura, assunto este que Kamenashi tinha uma informação a mais. Ele contou aos jornalistas que Hayami era uma pista falsa.

– Ela não era amante do Kimura. Apenas servia para distrair as atenções. – explicou o jornalista.

– Kamenashi-san tem certeza quanto a isso? – Okura questionou.

– Tenho plena confiança em minhas fontes.

– E sobre elas...

– Desculpe detetive, sobre nossas fontes, não conversaremos. – Nakai esclareceu – Não estamos sob nenhuma ordem judicial. Nós contamos o que descobrimos, mas acreditar nisso ou não já não é mais com a gente.

Okura admitia que eles estavam certos. Aquela conversa com Kamenashi-san, em primeiro lugar, não era um método do qual a polícia devia se orgulhar. Mas Shibutani disse que não havia nada de errado em escutar opiniões diferentes sobre o caso e que, como imprensa, eles podiam mesmo ajudar de alguma forma.

Sacudiu a cabeça, aceitando aquela imposição.

– Nesse caso, ela mentiu para a polícia. – Okura afirmou – Se ela mentiu para a polícia, porque diria a verdade a suas fontes? Porque ela mentiu sobre ser amante de Kimura... Porque ela correu esse risco?

– Obviamente estava escondendo a verdadeira identidade da amante. Pode ser uma pessoa próxima, alguém que ela quisesse proteger. – Kamenashi cogitou.

– Ela não tem parentes. Filha única, seus pais morreram há alguns anos, em ocasiões distintas. O pai do filho desapareceu antes mesmo dela descobrir que estava grávida.

– Uma amiga? – Nakai sugeriu.

– No trabalho, ela não tem nenhuma relação mais profunda com ninguém. Mas talvez possamos voltar a questionar a Casa de Chá sobre as relações dela. Se a proprietária conhece ou ouviu falar de alguma amiga de Hayami. Em todo caso, como ela mentiu para nós, teremos que interrogá-la novamente. – Okura fez uma rápida observação em seu bloco de notas e depois prosseguiu – O que mais vocês podem nos dizer? Kamenashi-san conversou com Inagaki-san, estou certo?

O jornalista assentiu, apesar do olhar reprovador de Nakai-san, que ainda estava zangado por ele ter ido atrás de um assunto antigo e doloroso para seu amigo Goro-chan. Ele acreditava em seu amigo, se ele disse que sua briga com Kimura nada tinha a ver com o crime, ele acreditaria, era lógico. Por outro lado, o seu lado jornalista entendia a necessidade de averiguar aquela história ainda. E também em razão ao seu sentimento a Kimura ele também queria descobrir a verdade sobre o crime. Era uma situação confusa que envolvia dois de seus melhores amigos e ele não gostava de ficar dividido dessa forma. Por isso ainda estava mal humorado sobre essa conversa entre Kamenashi e Goro.

– Ele só me contou uma história esquisita. Uma briga de Kimura com um acompanhante. Yamashita Tomohisa. Não sabia o motivo, mas disse que foi a única pessoa que pensou que poderia guardar alguma mágoa do seu amigo. E garantiu que a sua própria briga com Kimura não gerou ódio entre eles, mas não quis esclarecer esse ponto.

– Inagaki-san está irredutível. – Okura comentou – E ele já se protegeu com o advogado Kusanagi.

– Isso é uma prova de sua inocência. – Nakai declarou – Tsuyoshi-kun não o defenderia se soubesse que ele é culpado. Nós cinco somos amigos de infância. Se um fizesse algo assim com outro de nós, não poderíamos acobertá-lo jamais.

Okura assentiu, compreendendo e respeitando o desabafo do editor. Kamenashi se calou. Conhecia o editor há muito tempo, ele foi seu tutor na profissão que escolheu, e imaginava que havia convivido o suficiente para conhecer a sua integridade. Ainda assim, sempre existia a possibilidade de que Nakai poderia estar enganado a respeito de Inagaki. Ninguém sabia o motivo da briga entre eles, como poderia afirmar com convicção a sua inocência? Ainda assim, aquela lealdade era admirável.

– E tem isto também... – Kamenashi entregou a Okura o pedaço de cartão que encontrou na cena do crime. – Encontrei isso no quarto em que Kimura foi encontrado.

Okura entregou a Subaru.

– Quando foi isso?

Kamenashi respondeu a pergunta.

– Isso foi depois que fizemos a varredura... – Subaru murmurou.

– Nakai-san.

Okura desviou o rumo da conversa.

– Nakai-san. O assunto que nos trouxe até aqui é algo que Kusanagi-san disse em seu primeiro depoimento. Segundo ele, Kimura comentou que estava preocupado com alguma coisa. Nakai-san saberia dizer do que se tratava?

– Isso é muito difícil de responder... Kimura era uma pessoa preocupada com muita coisa... – ele coçou o queixo, enquanto pensava.

– Vamos tentar pensar nas últimas semanas. – Okura pediu – Nos últimos encontros que vocês tiveram, Kimura lhe pareceu preocupado por quais motivos?

– Bem, ele estava preocupado com uma música que ele queria que ficasse pronta antes de julho. Ele estava compondo com Shingo e depois gravariam com Goro-chan. E... Ah, sim! Havia algo... Não dei muita importância porque foi somente uma vez que Kimura mencionou aquilo.

Ele hesitou, parecia que se recordava de algo. Okura se inclinou em sua direção, ansioso. Até mesmo Shibutani desviou seu olhar para observar o editor.

– Bem... Havia alguma coisa incomodando meu amigo, mas ele não chegou a me contar exatamente. Uma vez ele soltou a seguinte frase: “Nakai-chan... Você já foi traído? Eu acho que estou sendo traído...” Mas não conversamos sobre isso. Estávamos voltando de um bar, eu o deixei em sua casa e isso foi a última coisa que ele me disse naquela noite. Não me deixou responder... Fechou a porta do carro e entrou em sua casa. Fiquei preocupado na hora, mas confesso que pensei que fosse uma briga com a sua amante ou talvez estivesse falando sobre sua esposa. Se fosse sua esposa, não é muito correto dizer isso, mas eu sempre soube que aquela mulher não prestava. Eu ficaria triste se fosse a amante. Porque ela, seja quem ela for, realmente fez meu amigo feliz... Mas Kimura era uma pessoa ciumenta. Não do tipo explosiva, mas ciumenta. Poderia ser apens uma suspeita sua infundada. De qualquer forma, depois que o encontrei de novo, ele estava feliz. Pensei que tinha se entendido com a sua amante e não toquei mais nesse assunto. Ele também não.

– Não é bem um caso amoroso que estamos procurando. – Okura suspirou, cansado.

– Acham que o caso não é passional? – Nakai questionou.

– Não temos como dizer nada ainda. – foi Subaru quem respondeu. – Mas crime passional não é a única possibilidade neste caso. – e não explicou aos jornalistas quais seriam as outras possibilidades.

– Nakai-san sabe de alguma inimizade de Kimura? – Okura voltou às perguntas.

– Não diria inimigos. Kimura sempre teve uma personalidade forte, porém nunca agressiva. Ele sabia defender seu ponto de vista com muita determinação, mas nunca ofendia quem era contra a sua opinião. Se ele estivesse discutindo com alguém em um dia, no dia seguinte ele sorriria de forma gentil para essa mesma pessoa. Isso eu digo com relação ao trabalho. Sempre foi assim, na época da escola. Estudamos na mesma classe. – explicou – E sei que no trabalho também é assim. Ele trabalha com Shingo e Goro, então muitas vezes em que saímos nós cinco era comum vê-los discutir sobre músicas, álbuns, e tudo mais. É muito difícil acreditar que ele tenha sido assassinado. Mas... Se vocês quiserem ouvir se eu suspeito de alguém, a pessoa que eu indicaria é mais do que óbvia: a esposa. Eu nunca confiei totalmente nessa mulher. Não acho que ele algum dia amou meu amigo. Apenas quis garantir a boa vida engravidando.

– Alguma razão para esse rancor contra a viúva? – Okura quis saber.

– Não gostava, nunca gostei, da forma como ela o tratava, mesmo quando eram ainda namorados. Não era do tipo carinhosa e as cobranças eram exageradas. Mas naquela época Kimura era ainda ingênuo e romântico. Tinha a imagem dela como uma santa porque ela falava baixo e com delicadeza. Isso eu não suportava. Ela manipulava meu amigo com a sua meiguice. E Kimura era apaixonado por ela, obedecia. Obviamente que isso não ia durar para sempre. O encanto para Kimura tem que ser alimentado. Se ele começar a desconfiar de alguma coisa, vai até o fim para descobrir. Não se podia enganá-lo por muito tempo. Nossas mentiras de criança, ele era sempre o primeiro a perceber. – riu, lembrando-se de alguma situação carinhosa – E ele descobriu que não era amado. Iam terminar. Mas aí ela engravidou, aquela raposa, e meu amigo se sentiu responsável por ela!

Nakai se inclinou para frente na poltrona, estava visivelmente alterado. Shibutani preferiu mudar o rumo da conversa.

– Yamashita Tomohisa.

Kamenashi olhou para o policial mais velho.

– Kimura discutiu com esse rapaz, segundo Inagaki-san. O que sabe sobre isso, Nakai-san?

– Yamashita Tomohisa... – ele refletiu.

– É um acompanhante. – Shibutani esclareceu. – Parece que Kimura visitava esse tipo de casa.

Nakai assentiu.

– Fomos a Casa de Show uma vez para acompanhamos um artista estrangeiro que estava sob a responsabilidade de Kimura. Ele estava visitando o Japão pela primeira vez e, como a maioria dos estrangeiros, queria conhecer esse serviço. O levamos, ele se divertiu e fomos embora. Isso é tudo que eu sei das visitas de Kimura. Soube que ele continuou indo lá, politicamente, levando outros turistas. E soube por alto sobre essa discussão com esse menino, Yamashita. Não sei o motivo. Kimura não me contou.

–... Casa de Show?

Nakai confirmou a pergunta de Kamenashi e não entendeu a expressão que viu em seu rosto. Não sabia dizer se ele estava ansioso, animado e um pouco... Preocupado? De qualquer forma, o editor sabia de uma coisa. Kamenashi tinha alguma informação valiosa.

9

Era uma boa pista e, ao mesmo tempo, não era. Yamashita Tomohisa trabalhava na mesma casa de Akanishi e descobrir que o rapaz tinha alguma ligação com o crime, mesmo que seja insignificante, não o deixou tranqüilo. Num primeiro momento, ele se sentiu animado, tinha uma vantagem em relação à polícia quando percebeu que Jin seria uma boa fonte de informação.

Essa animação, porém, se desfez com uma velocidade impressionante. Kamenashi supirou fundo enquanto se dirigia para o seu carro. Abriu a porta e se trancou ali, mas não ligou o veículo. Bateu os dedos de uma mão no volante, enquanto mordia o polegar da outra. Estava nervoso.

Ele não conseguia entender porque se sentia tão mal naquele momento. Por alguma razão, o deprimia pensar que poderia usar Jin como fonte de informação. Isso porque ele sabia que não poderia ser direto e sincero com ele. Kamenashi não sabia qual seria a relação entre Yamashita e Jin. Eles seriam apenas colega de profissão? Teriam alguma amizade? Se fosse o caso, Akanishi não estaria em uma situação agradável.

Kamenashi pensou em sua amizade com Koki. Sabia por algo de seus negócios na Yakuza. E fechava os olhos para eles. Assim como tinha consciência de que as informações que obtinha também não seriam consideradas legais. Nessa situação, ele teria coragem de entregar o amigo à polícia? Não teria. Akanishi poderia ter a mesma postura. Por isso não poderia perguntar diretamente. Tinha que ser sutil. Mas não estava se sentindo bem em enganar Akanishi, por uma razão que ele não queria admitir. Não queria ter um relacionamento baseado em mentiras com ele. Tudo porque ele queria um relacionamento com Akanishi Jin.

Além disso, havia uma razão mais obscura que ele mesmo não queria cogitar, mas, pela primeira vez desde que aceitou escrever a matéria sobre a morte do cantor ele sentiu medo. Medo em descobrir a verdade.

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Para Akame, que não passava de um filhote, aquele apartamento era grande o suficiente. Talvez fosse por isso que ele procurava ficar sempre próximo de Jin, era o que o rapaz pensava.

– Demo... Não precisa ficar tão próximo assim ou pelo menos não entre no caminho dos meus pés! – ele disse, ajoelhado ao lado do cãozinho, que tinha voltado para perto de sua cama e ficou ali, parcendo muito magoado por ter sido pisado. – Não pisei de propósito... Vamos, tome um pouco de leite! – ele empurrou a tigela – Bah, esse temperamento ruim você herdou do jornalista, né?!

Ele desistiu. Uma hora Akame esqueceria o que tinha se passado e Jin tinha mais o que fazer. Ele se levantou e voltou para a mesa em que estava o laptop de Kamenashi.

– A sua senha é tão óbvia... – ele comentou rindo – Só podia estar relacionada ao basebol.

Ele tinha passado alguns dias tentando inúmeras senhas, até que descobriu o ídolo do esporte para Kamenashi. E foi fácil ter acesso a sua área de trabalho e, as suas matérias. Abriu a pasta do caso Kimura e começou a leitura. Um nome, porém, chamou sua atenção de imediato.

2 – Kimura foi visto discutindo com Yamashita Tomohisa em uma casa de acompanhante de rapazes. (Preciso descobrir que casa é essa. Inagaki não disse o nome e preciso descobrir quem é Yamashita Tomohisa)

– Pi...

O jornalista já tinha chegado até seu amigo, então. Jin sentiu toda sua alegria desaparecer de uma só vez. Fechou os olhos, ele sabia que precisava fazer uma escolha.

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– Isso quer dizer que... – Subaru não precisou terminar a frase, Okura tinha percebido por conta própria.

– Se o jornalista conseguiu acesso a cena do crime, um dos foi subornado. Precisamos descobrir quem foi.

Dentro do carro, Subaru assentiu, o pensamento de Okura estava correto, mas havia algo mais que o incomodava naquele momento.

– E há outra coisa...

– O que foi?

– Nós vistoriamos aquele quarto mesmo depois da varredura de outros agentes. Ninguém encontrou essa pista antes...

– Você acha que...

– Sim. – ele disse, sério, e encarou Okura: – Definitivamente... Estão plantando provas.

Okura franziu a testa. O caso estava cada vez mais complicado, em sua opinição.