Notas iniciais
Espero que gostem e que se divirtam. Beijinhos

— Henrique, a Alanis chegou. – Avisou Roger passando em frente ao meu quarto.

— Estou saindo! – Informei do corredor.

— Vá com cuidado, não volte muito tarde e não esqueça a chave como da ultima vez. – Pediu Flávio, que estava sentado no sofá com o notebook no colo e a xícara de café em uma das mãos.

Eu moro com os dois há alguns meses e só porque eu sou o mais novo, me tratam como se eu fosse uma criança. Pelo menos ninguém liga muito pra isso na escola, pra eles é mais como se eu morasse sozinho.

— Oi, Alanis. – Disse sorrindo e depois dei um beijo em sua bochecha.

— Você demorou... – Resmungou a ruiva.

Alanis é uma mulher linda. Tem 23 anos, mas aparenta 15, ainda mais por ter 1,65m de altura. Tem lindos e alaranjados cabelos. Sem contar que é confiante, independente e inteligente a cima da media.

— Eu pensei de irmos tomar sorvete na sorveteria do outro lado do parque. – Eu disse apontando para o parque que ficava em frente ao meu prédio.

— Seria ótimo, faz tempo que não tomo sorvete. – Ela sorriu e se abraçou ao meu braço. – Sem contar que podemos atravessar o parque caminhando, o que é realmente muito agradável.

— Concordo. – Sorri e passei o braço sob seus ombros.

O parque estava lindo, era primavera e os Ypês estavam carregados de flores. Estava quente, mas a brisa era sempre fresca. A companhia de Alanis tornava tudo mais colorido e alegre.

— Como tem sido morar com meus amigos, Rique? – Perguntou-me ela.

— Eles são bem legais. – Disse sem graça.

— Só isso de novo? – Perguntou-me insatisfeita.

— Eu fico feliz por eles serem legais... – Respondi com as sobrancelhas levantadas. – Eu sei que eu tava todo tenso por eles serem gays, mas eles são caras legais e me respeitam pra caramba. – Contei. – O melhor é que eles sempre dão boas dicas pra eu usar com as garotas.

— Então quer dizer que você está de olho em alguém?! – Disse Alanis, parando de andar, fingindo estar surpresa.

— Não viaja, maninha. – Disse rindo e puxando ela para continuarmos. – Eu só estou curtindo. Com o trabalho como modelo e a escola nova, eu to conhecendo várias garotas, mas com uma irmã como você, eu não aceito uma garota que não seja no mínimo do seu nível. – Brinquei.

Eu e Alanis nos damos muito bem desde pequenos. Mas quando nossa mãe se casou de novo, eu não quis mais morar com elas. Alanis disse eu poderia dividir apartamento com uns amigos dela, que minha mãe conhece desde quando ficaram amigos da minha irmã na sexta série. Não vou dizer eu ela deixou numa boa, mas o babaca com quem ela se casou disse que seria melhor pra mim. É ele quem paga minha escola nova e minha parte no apartamento, mas ele nunca vai substituir meu pai. Ele não vai me comprar.

— Você divagou de novo, Rique. – Disse Alanis estalando o dedo na minha frente.

— Desculpa. – Pedi e sorri fraco.

— Olha ali a sorveteria. – Disse ela sorridente. – Tomara que este semáforo feche logo!

Eu ri dos pulinhos que os calcanhares dela davam enquanto esperávamos para atravessar. Quando o sinal fechou ela segurou minha mão e me puxou correndo para o outro lado. Nem preciso dizer como ela voou para a vitrine dos sorvetes.

— Esse parque pareceu bem mais longo hoje. – Brincou a ruiva fazendo bico.

— Ou será que são suas lombrigas que estão mais longas hoje? – Brinquei e levei alguns tapinhas no braço.

Fizemos nossos pedidos e nos sentamos em uma daquelas mesas altas em um dos ambientes da sorveteria. Conversamos por mais ou menos duas horas e depois voltamos pelo cominho mais longo, por dentro do parque. Alanis amava falar, principalmente se o assunto não fosse ela. Falamos sobre nossa mãe e o marido dela, sobre minha escola, nossos trabalhos e sobre minha experiência de estar morando com o Flávio e o Roger. Depois que saímos do parque, nos despedimos, eu fui para casa e ela para o carro. Acho que ela disse algo sobre ir a uma festa, mas nada muito detalhado.

— Finalmente você voltou! – Disse Flávio, que estava na sala, assim que passei a porta. – Você sabe que nós amamos a sua irmã, mas sabemos que ela é meio louca e você não respondia nossas mensagens...

— Nossa, relaxa, Flávio... – Disse erguendo uma das sobrancelhas e rindo um pouco.

— Moleque debochado! – Disse Roger, saindo da cozinha e me dando um tapa atrás da cabeça. – A gente estava preocupado mesmo, cara, você sabe que o bairro está perigoso.

— Ta bem, mamãe e papai... Posso ir pro meu quarto, pra ver se tenho paz? – Resmunguei, irritado, passando em meio aos dois.

Roger veio atrás de mim até meu quarto.

— Posso entrar? – Pediu o moreno parado ao batente.

— Entra ai... – Falei, me jogando na cama.

— Desculpa pelo tapa, valeu?! — Pediu.

— Relaxa. Nem doeu mesmo.... – Ri.

Roger é um cara legal, apesar de ser meio babaca às vezes. A gente se da bem pra caramba quando ele está de bom humor e ele sempre se desculpa quando discute comigo ou coisa parecida. Sem contar que ele me dá aulas de esgrima de graça. Ele é campeão nacional de esgrima e da aula em um clube. É parceiro pra caramba e sempre me ajuda com meus problemas, quer dizer, o Flávio também ajuda, mas com as garota só o Roger mesmo.

— Você não parece muito bem. – Ele disse sentando na cama. – Vocês brigaram?

— Nada a ver! – Sorri fraco. – Eu e Alanis nunca brigamos, não é agora que iríamos começar.

— Então o que houve? – Perguntou Flávio surgindo do nada e se sentando na cadeira do computador.

Eu ri.

— Relaxem, caras, eu só estou com dor de cabeça de tanto interrogatório. – Expliquei.

— Alanis... – Disseram, os dois, juntos e todos rimos.

— Vou trazer um remédio pra você então. – Disse Roger se levantando. – Vamos deixar ele descansar um pouco. – Ordenou ele para Flávio que saiu meio contrariado.

Flávio é professor de biologia e apesar do jeito meio avoado é ele quem manda aqui em casa. Até o teimoso, estressadinho do Roger obedece ele. O cara é muito calmo e sempre cuida da gente. Também me dou muito bem com ele, menos quando ele traz caras aqui pra casa. Nunca gostei de nem um dos caras que ele trouxe pra cá, que a propósito foram muitos para os poucos meses que moro aqui. Eu e Roger costumamos dizer que ele é a puta da casa, mas ultimamente ele tem ficado dias sem falar com a gente, então estamos evitando a brincadeira.

— Você já está melhor? – Disse Flávio entrando no quarto depois de algumas horas.

— Estou sim... Valeu. – Agradeci. – Pode acender a luz, por favor? – Pedi e ele o fez.

— Estamos fazendo pizza. – Ele disse sorrindo. – Tem umas amigas nossas, ai. — Informou. — Se arruma e vem pra sala. – Pediu.

— Ta bem, já vou. – Disse sorrindo maliciosamente e esfregando as mãos de brincadeira.

Flávio riu.

— Depois eu que sou a puta, né?! – Brincou o loiro fechando a porta.

Aqui em casa é sempre, assim: Cheio de gente animada e comida. E ao contrario do que eu imaginei quando vim morar aqui: Não me arrependo de morar com esses caras.

Notas finais
E ai, curtiu?! Espero te ver novamente por aqui.Beijinhos e até logo.