O apartamento

2 Capítlo 1 - Isabele


Notas iniciais
Esse capítulo tem algumas emoções.... Tandandan *morta*

Acordei cedo hoje para ir à escola. Roger e Flávio ainda estavam dormindo quando sai.

— Bom dia, Rique! – Disse Paola me dando um selinho.

— Bom dia, linda. – Retribui abraçando-a.

— Passa o intervalo comigo? – Pediu-me a loira.

— Como sempre... – Sorri fraco.

— Não, amor, hoje quero passar o intervalo sozinha contigo. – Disse ela segurando minha mão pelos corredores da escola, o sino já havia tocado. – Tenho uma surpresa. Atrás do bloco de ciências.

— Até lá, então. – Sorri e entrei na sala.

As aulas passaram voando, aquelas aulas depois das provas finais... Quase sem nada para fazer. Quando fomos liberados para o intervalo despistei meus amigos e fui procurar Paola onde havíamos marcado.

— Paola... Você está linda, hoje... – Elogiei.

— Tudo por você, bebê. – Ela disse se pendurando em meu pescoço, dando-me um beijo longo e intenso.

— Você é incrível. – Elogiei novamente. – E estou curioso... Onde está a surpresa?

Ela colocou a mão no decote e tirou, de entre os seios, duas alianças.

— Namora comigo, bebê? – Pediu-me a garota sorridente.

Fitei seu rosto reluzente por alguns instantes e dei alguns passos pra trás.

— Desculpe, Paola, mas não quero nada sério agora. – Expliquei. – Eu gosto de ficar com você, mas não pra namorar, saca?!

Seu rosto ficou sombrio e ela ‘’voou’’ pra cima de mim, me estapeando e chorando.

— Você é um monstro! Me iludiu, me usou! Eu fiz tudo que você pediu! Coisas que tinha jurado fazer só depois que me casasse! Você é um verme, nojento! Eu odeio você! – Ela berrava.

Num instante parecia que a escola inteira estava ali, alunos, professores e até meu coordenador, que convidou à sua sala.

— O que está acontecendo com você ultimamente, Henrique? – Perguntou o Sr. Albuquerque, meu coordenador. – Por que anda fazendo isso com essas garotas? Não tem vergonha de se aproveitar delas assim?

— Não fiz nada, senhor... Nós estávamos ficando e eu sempre fui muito sincero sobre minhas intenções. – Expliquei.

— Tive que chamar o professor Flávio, pois sua irmã estava indisponível. – Disse ele olhando para a porta.

— O que houve, Sr. Albuquerque? — Perguntou Flávio entrando na sala e se sentando ao meu lado.

— Henrique é um ótimo aluno. As notas dele são muito acima da média e os professores, seus colegas, gostam muito dele, mas são inaceitáveis os escândalos que as pretendentes vem fazendo por causa dele. – Explicou o coordenador.

— Desculpe senhor, mas que culpa ele tem nisso? – Perguntou Flávio, muito sério. – Ele é um rapaz bonito e muito gentil, essa gentileza às vezes é confundida, com amor, por garotas de mentes fracas. – Ele disse olhando pra mim e depois sussurrou em meu ouvido: – Roger andou te dando dicas, não é?!

— Por favor, senhor, passe para senhorita Alanis que venha me ver, para conversarmos sobre como controlar os hormônios deste rapaz! – Disse Albuquerque, bravo, para Flávio. – Podem ir. E não me traga mais problemas, garoto!

Nós saímos da coordenação e Flávio me acompanhou até minha sala.

— Você tem que parar de ouvir as baboseiras românticas do Roger! – Disse o loiro.

— Ele não tem nada a ver com isso, cara, relaxa, não vai brigar com ele. – Expliquei e pedi.

— Relaxa? – Perguntou-me. – A gente conversa em casa. – Disse ele irritado.

Quando entrei na sala todos olhavam pra mim e alguns cochichavam alto demais sobre o que tinha acontecido. Eles estavam me condenando. Nunca havia pensado que ser sincero não funcionaria. Paola não era lá uma santinha como fazia parecer, mas o meu nome já estava meio sujo por causa de problemas como este.

— Então você comeu a mina e jogou fora? – Disse Isabele, virando-se pra mim.

Isabele é minha melhor amiga e sabe muito bem de tudo que faço ou deixou de fazer.

— O que, você está me zoando, né?! – Irritei-me. – Você sabe que eu nunca... Ah, você sabe! – Sussurrei.

— Não é o que estão espalhando por ai. – Ela me disse com ar de decepcionada. – Achei que tínhamos combinado de contar um ao outro quando perdêssemos a virgindade.

— E esse acordo ainda está de pé. – Eu disse segurando um de seus ombros.

Ela sorriu.

— Eu nunca esconderia nada de você, Bel. – Expliquei. – Você é minha melhor amiga no mundo, a única pessoa que confio inteiramente.

— Jura? – Ela sorriu.

— Juro. – Disse.

— Já ta tentando desvirtuar outra, Henrique?! – Riu desgraçadamente Vinicius, do outro lado da sala.

— Sim, mas não a Bel. – Sorri malicioso. – A próxima é a vadia da sua irmã.

O garoto se levantou em fúria e tentou chegar até mim, mas seus amigos não deixaram.

— Ah é, tinha me esquecido, já fiz isso meses atrás. – Ri e bufei.

Todos na sala riam e o garoto emfim abaixou a cabeça e voltou ao seu lugar.

— Quem diz o que quer ouve o que não quer. – Disse a intrigante professora Ágata de filosofia.

— Eu não fiz nada com a Paola. Nós só ficamos e eu jamais desrespeitaria uma garota. – Eu disse para todos da turma. – Não sou desse tipo, porque eu tenho uma irmã e se alguém a tratasse mal, eu mataria. – Expliquei. – Quanto a sua irmã, Vini... Eu nem sabia que você tinha uma irmã até aquela sua reação. Desculpe.

Ninguém mais falou disso na sala, mas na escola toda já estava rodando o vídeo desse meu ‘’discurso’’, que alguém da sala gravou e enviou em vários grupos de chat pelo celular.

Quando saímos da aula entrei no carro de Flávio sem nem olhar para os lados e fomos em silêncio para casa. Pensei que ele brigaria comigo, mas ele só me pediu pra deixa-lo conversar com Roger.

Pelo pouco que ouvi do meu quarto ele só pediu para Roger não me dar mais conselhos que pudessem atrapalhar meus estudos e esse tipo de coisa. Depois almoçamos, batata recheada que Roger havia preparado em casa e Flávio voltou para a escola.

— Como você está, Rique? – Perguntou Roger se sentando no sofá do meu quarto.

— Não estou muito bem. – Disse me sentando ao seu lado. Talvez a Paola esteja certa, sobre eu ser um monstro e usar as garotas.

— O que?! Claro que não, Henrique, tu é um cara mó gentil e responsável. – Disse o moreno.

— Mas então porque eu não encontro alguém, porque não me apaixono por alguém? – Perguntei.

— Talvez, você esteja olhando pra garotas erradas, só porque elas são mais bonitas que as outras. – Respondeu ele com um sorriso.

— Não é isso. Com certeza. Nunca conheci uma garota que achasse realmente muito bonita. – Contei.

— Entendo. Nem uma é boa o bastante! – Roger pareceu estar com a mente longe.

— Não é isso, Rog. Elas eram incríveis, eu só não quero nada demais com elas. Beijar é bom, é legal e ta certo que ganho uns ‘’brindes’’ as vezes, mas não sei. Falta alguma coisa em mim, saca?! Porque elas são realmente muito perfeitas comigo. – Expliquei.

Rog ficou em silêncio. Seus olhos fitavam minha boca e sua face era neutra de um jeito estranho.

— Roger?! – Chamei.

— Desculpe, estou cansado das aulas que dei hoje e o Flávio disse pra eu não te dar conselhos. Acho que ele não podia ter dito isso em melhor hora. – Ele disse desviando os olhos e estalando os dedos.

— Ta bem... Eu vou fazer meu trabalho de francês e assistir um filme. – Comentei. – Se quiser ver o filme comigo... Ia ser legal, não ficar sozinho. – Convidei habitualmente.

— Claro, claro. – Ele disse sem olhar para mim. — Se precisa de ajuda com o francês, é só pedir.

— Ta bem, obrigado. – Sorri e ele corou.

Roger estava muito estranho hoje. O dia estava muito estranho hoje. O trabalho foi longo e só terminei no final da tarde. Flávio já havia chegado e Roger ainda estava trancado no quarto, só saiu para tomar banho e fazer um café, que agora já estava frio.

— Terminei o trabalho. – Disse alto depois de bater a porta de Roger.

— Não estou passando muito bem, deixa pra outro dia? – Disse, Rog, baixinho do outro lado da porta.

— Bom... amanhã então?! – Perguntei.

— Isso, amanhã estarei melhor.... – Disse ele, um pouco rouco.

— O que houve, Rog? – Disse Flávio, surgindo do nada, como de costume.

— Entra aqui, Flávio! Preciso falar contigo. – Disse Roger um pouco mais alto.

O loiro abriu a porta e pude ser Roger sentado no sofá ao lado da janela em seu corpo.

— Feche a porta por favor. – Disse o moreno sem olhar para nós.

Flávio obedeceu, me deixando para fora, e eu me afaste um pouco, mas fiquei perto o suficiente para ouvir Roger contar sobre nossa conversa mais cedo.

— Ele estava tão mal e confuso. – Dizia Roger. – Eu quase morri de vontade de dizer pra ele experimentar uma coisa diferente, como nós fizemos na idade dele e quando percebi, estava prestes a beija-lo.

— Nós combinamos de não fazer isso. Certo que não somos tão velhos, mas ele tem 17 anos, é menor de idade e imagine só o que a mãe e o padrasto iriam pensar. Que estávamos aliciando o garoto. – Essa era a voz de Flávio.

— Eu, você quer dizer, não é?! – Disse Roger um tanto triste.

— Acha que ele também não me atrai? – Perguntou Flávio um pouco mais baixo. – Ele é lindo e muito gentil, sem contar que é inteligente e muito bem humorado. – Disse. – Não é fácil pra ninguém ficar perto dele e não se encantar, mas não vamos influencia-lo, certo?!

— Certo. – Concordou Roger. – Vou ficar aqui hoje, está bem?!

— Leve o tempo que precisar, vou trazer um caldo pra você tomar. Você vai acabar doente com esse ar-condicionado. – Disse Flávio e eu corri para a sala com meu celular.

— Ta tudo bem se a Bel vier jantar com a gente hoje? – Perguntei quando Flávio apareceu na sala.

— Ela é sempre bem-vinda. – Disse Flávio, sorrindo, sem olhar muito tempo para mim.

Eu precisava conversar e nem um dos meus amigos iriam entender e guardar segredo sobre um assunto desses. Liguei para Bel e ela chegou em menos de dez minutos. Quando a campainha tocou, Flávio atendeu, cumprimentou Bel e pediu que fosse ao meu quarto.

— Feche a porta, por favor. – Pedi quando a garota de cabelos quase brancos apareceu.

Ela franziu a testa e obedeceu. Sentou-se no tapete e tirou o celular da minha mão.

— O que está acontecendo, Rique? – Perguntou-me.

— Ah, Isa, hoje está tudo muito estranho e queria te perguntar uma coisa.

— Foi muito tenso lá na escola, não é?! Não liga pro que eles dizem. – Aconselhou.

— Isabele, se eu te disser que o Roger tentou me beijar hoje, o que você diria? – Perguntei o mais baixo possível.

— Diria que é natural... – Respondeu. – Até eu já tive uma quedinha por você, Rique. – Contou. – E não me chama de Isabele, que fica muito tenso, parece que está brigando comigo.

— Mas você acha que eu deveria ter deixado? Não que eu tenha percebido na hora, mas se eu tivesse...

— Rique, eu não sei... Só acho que se você sentir vontade, não tem porque resistir. – Ela disse isso com tanta confiança que até sorri.

— Acho que não vai acontecer de novo. – Disse me lembrando do que Rog tinha dito a Flávio, sobre esquecer o assunto.

— Mas se acontecer, esteja preparado e, por favor, não magoe ele com suas duvidas. Só faça algo se tiver certeza de que é isso que quer.

Nós jantamos e Bel foi embora. Quando Flávio foi dormir, eu fiquei na sala, pensando um pouco. Nunca tinha pensado nessa situação. Quer dizer, eu não sou gay, eu acho que gosto de garotas. Mas eu estava com muita vontade de entrar no quarto de Rog e pedir um beijo, eu só não tinha coragem, nem certeza disso. Só conseguia pensar em como Roger era bonito. Com aqueles cabelos negros na altura dos ombros e aquele corpo típico de esgrimista, como era bonito seu sorriso e seus lábios. Foi uma noite muito difícil para mim, mas eu resisti. Realmente não quero machuca-lo com minha curiosidade.

Notas finais
Que dia... Tudo culpa da Paola que foi surpreender o Rique... Eu acho que agora ele ta surpreso... *risos*