O amuleto
1 Capítulo 1 (unico)
Notas iniciais
O AMULETO
Sei que não deveria fazer isso, mas vou escrever tudo o que aconteceu, como aconteceu. Muitas pessoas não vão acreditar ou até mesmo não querer acreditar. Mais eu precisava avisar para próximas gerações de bruxos.
Eu tinha 16 anos, eu estava começando a aprender a controlar os meus poderes, todas as noites eu tentava dormir, mais estava tendo uns sonhos com um menino estranho frequentemente, às vezes eram sonhos, outras pesadelos mais não sabia mais diferenciar, pra mim dava na mesma.
Eu comecei a ficar com um pressentimento estranho sobre isso, mas o que teria de errado? São apenas sonhos. E afinal, eu sou a escolhida, a bruxa mais poderosa. O que poderia acontecer comigo?
Em uma terça-feira, 21 de maio, a escola avisou que iriamos em uma excursão para um lugar que se chamava La cueba, e que íamos ficar lá durante nove dias por causa de uma pesquisa, (não haviam nos falado sobre o que seria a tal pesquisa) e com o complemento que eu tinha na EDB (escola de bruxos) eu era uma excelente aluna e não me deixariam faltar.
Ao final das aulas fui para casa, no caminho me distrai e esbarrei em uma pessoa, a reconheci de algum lugar. Não me lembro de como, nem quando, mais tinha certeza de que já havia visto essa pessoa em algum lugar.
Xx: Olha por onde anda.
Mia (eu): Me desculpe, eu estava distraída. Perdão, eu te conheço? Sua cara não me é estranha.
Algumas pessoas que estavam ali perto gritaram Axel e o menino que estava conversando comigo olhou.
Xx: Tenho que ir. E vê se olha por onde anda.
Disse o menino e saiu para onde estava um grupinho de pessoas. “Axel esse nome não me é estranho... É ele. Ele é o menino do meu sonho” pensei enquanto tentava encontrar uma resposta logica para isso. Por que eu havia sonhado com ele? Quem é ele? Por que estava aqui? Eram muitas perguntas e nenhuma resposta. Nem percebi o tempo, e quando vi, já estava em casa. Ao entrar em casa vi uma cena estranha: meu pai (Antônio) no telefone e minha madrasta (Úrsula) chorando desesperadamente. Me atrevi a perguntar o que havia acontecido:
Mia (eu): O que foi? Quem morreu?—Ela não respondeu, apenas continuou chorando e berrando “Minha Matilda”. Matilda era minha meia irmã. A mãe dela se casou com meu pai quando tínhamos 10 anos, e desde então, me apeguei bastante a ela. Fazíamos tudo juntas. Mesmo ela sendo irritante e mimada, eu a amava, e amo até hoje. Matilda havia viajado para a casa de nossos avós, que moravam na florida. Era pra ela ter chegado na aquele dia mesmo, mais então, o acontecido, aconteceu.
Mia (eu): Oque aconteceu com a Matilda?—A esse ponto eu já estava desesperada.
Antônio (pai): Não sabemos ao certo. Só que o avião em que sua irmã estava desapareceu. Era para terem pousado 2 horas atrás, e o mais estranho, é que não estão conseguindo se comunicar com o avião.
A essa fala do meu pai comecei a me desesperar. Matilda, embora não seja a escolhida, é uma bruxa muito poderosa, e tudo isso era muito estranho. Então do nada me lembrei de algumas coisas: “Matilda desapareceu? Mas, se ela estivesse em perigo, ou o avião estivesse em turbulência ou algo assim era só ela usar os seus poderes.”
Lembrei-me de um fato importante, Axel, aquele menino que eu havia esbarrado e sonhado com ele diversas vezes que estávamos em uma ilha, me lembrei de que ele já foi um antigo namorado de minha irmã, e que estudava conosco na EDB até ano passado, ele foi expulso, e os motivos nunca foram revelados. Era estranho eu estar tendo esses sonhos com ele na mesma época em que minha irmã havia desaparecido, e o mais estranho de tudo, eu não me lembrar de nada sobre ele, além, é claro, de ele ser um bruxo mal, e muito poderoso.
5 dias depois, fomos para La cueba,(La cueba era uma ilha isolada do continente, e cercada de florestas).Ainda não havíamos tido noticias de minha irmã e eu continuava com os sonhos, me lembrava da noite anterior da viagem, me lembro até hoje:
“Eu estava sendo perseguida, por um homem, não o reconheci, pois o mesmo estava com uma mascara, ele queria alguma coisa, queria os meus poderes, eu continuava correndo, tropecei em uma pedra e cai, o homem havia em suas mãos algo que se parecia com um colar, nele uma pedra meio avermelhada, ele foi chegando perto e...”.
Eu acordei. Lembrava-me do sonho e do desaparecimento de minha irmã constantemente durante a viagem. Assim que pousamos, montamos as barracas, no dia seguinte íamos começar as pesquisas.
Eu estava quase dormindo, mais algo não me deixava em paz. Decidir ir lá fora para ver o que era. Acabei me distanciando um pouco do acampamento, e vi, ao longe, uma imagem de uma garota que tinha a minha idade, loira de olhos verdes, me pergunto até hoje: como fui tão burra em demorar tanto para perceber que era a Matilda?
Não pensei duas vezes, fui correndo em direção à imagem, o que não foi uma boa ideia porque eu acabei me perdendo. Quanto mais eu me aproximava ela sumia, como se fosse um fantasma. Comecei a ouvir uns gritos, e uma pequena nuvem de fumaça se formava um pouco perto de onde eu estava, fui ver oque era. Ao chegar lá, fiquei espantada com a cena que eu via Axel, com um colar que parecia um amuleto, um totem com umas cordas e, abaixo dele, cinzas espalhadas pelo chão, e a de cabeça de minha irmã ao seu lado, pálida. Não precisei de muito tempo para perceber oque havia acontecido ali, Axel havia roubado os poderes de minha irmã.
Sai correndo para o meio da mata, ele vinha atrás de mim, ele era rápido, mas eu era mais, conseguiria ter fugido fácil se não tivesse tropeçado. Eu cai e ele consegui me alcançar.
Axel: Ponha o amuleto, não vai doer nada.
Mia (eu): Esta bem, eu ponho. Mas antes me fala o que esse amuleto faz?
Axel: Ele vai transferir os seus poderes para mim, e libertar a sua alma de seu corpo frágil e inocente.
Em um movimento rápido, eu peguei o amuleto de suas mãos e conseguir colocar em seu pescoço.
Mia: Você não disse que era em mim que eu tinha que por. —Disse e me afastei e em questão de segundos ele estava no mesmo estado que minha irmã. Percebi que seria mais seguro esconder o amuleto, então fui até a parte mais deserta da ilha, o coloquei em um baú, e o enterrei, para que, ninguém, nunca mais o encontrasse.
Porém, ontem, vi uma reportagem, em que arqueólogas haviam encontrado o baú e o amuleto. Não é possível, que em 30 anos, já haviam encontrado o tal baú. Não pertenço mais a esta terra, eu agradeço por tudo o que passei, coisas boas ou ruins, não me arrependo de nada do que vivi, e por essa carta me despeço. E lembrem-se: cuidado com O AMULETO.
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