O amor é cego
66 Rehab
Notas iniciais
Chovia em Nova York e, enquanto isso acontecia, Nagato observava as pessoas indo e voltando na calçada através da janela. A galeria estava praticamente vazia. Sasori estava trancado no escritório fazendo um relatório e ele estava apenas esperando Konan aparecer para trabalhar. Faz meses que apenas isso o move, vê-la. Observá-la é o que tem o mantido de pé todo esse tempo, mesmo que pensasse em voltar a se drogar quando estava triste, Nagato sempre se lembrava do rosto de Konan e da promessa que tinha feito a ela. Ele pararia para sempre. Ele não precisava daquilo. Ele precisava dela, apenas dela.
— Bom dia Nagato – a voz musical dela chegou ao seus ouvidos espantando-o de seus pensamentos por um instante e ele até ficou feliz, mas o que veio em seguida acabou com o seu dia.
— Bom dia, Nagato. Bom revê-lo. – Deidara falou com ele com o ar de quem tinha vencido uma batalha, então ele notou o porquê daquele tom, porque os sorrisos em ambas as bocas. Nagato observou a mão de Konan segurando a de Deidara. Eles chegaram de mãos dadas e sorrindo, isso só poderia significar que eles estavam juntos. Nagato ficou confuso com o que viu e bateu desesperado na porta de Sasori que abriu zangado, mas ao ver a expressão no rosto de seu irmão entendeu que seja lá o que tinha acontecido era grave.
[...]
— Ah Deidara, fiquei tão feliz por você me dar carona hoje. Foi surpreendente te ver na minha porta tão cedo – disse Konan, enquanto colocava sua bolsa em cima da mesa.
— Não foi incomodo algum. Queria voltar para o trabalho com você. Será que o Sasori vai gostar de me ver?
— Está brincando? O Sasori vai amar te ver. Ele não tinha com quem discutir sem você por aqui. – Ela riu
— Eu sei – Deidara riu – Sabe, até eu senti falta das brigas com ele. Mas não foi só disso que eu senti falta – O loiro se aproximou de Konan que notando o quão perto ele estava ficou sem graça.
— Do que mais sentiu falta? – perguntou mesmo sabendo a resposta
— De você – Deidara então passou a mão pelo rosto dela e nisso Konan sorriu e fechou os olhos esperando ser beijada, mas Deidara recuou.- Vou pra minha ajeitar as coisas e em meia hora te vejo e até lá não fale nada pro Sasori da minha chegada.. Quero surpreendê-lo.
— Claro – Konan falou sem graça, após perceber que ela tinha levado um fora do Deidara.
[...]
Deidara saiu da sala de Konan se sentindo mais forte do que nunca, afinal ele tinha resistido à vontade de beijá-la pela primeira vez na vida. E ficou se perguntando o que Konan teria achado disso. Será que ela tinha ficado surpresa ou decepcionada? Mas Deidara logo pensou que não importava, a única coisa que ele queria era que ela aprendesse a dar valor a ele. E só perdendo para dar esse valor.
[...]
— Ele está aqui – Nagato falou atordoado para Sasori depois de mais ou menos dez minutos dele tentando explicá-lo qual era a situação tão grave que havia presenciado.
— Ele quem? Você ficou falando sem parar. Ele chegou. Ele veio com ela. Ele voltou. Ele, ele e ele. Quem é esse ele. Explica direito! – mandou Sasori já perdendo a paciência.
— O Deidara! – gritou
— Hum, ele voltou de viagem e chegou com a Konan? – Sasori avaliou
— Sim e de mãos dadas. Eles estão juntos! – gritou nervoso
— Calma Nagato. Ele deve ter ido procurá-la, o Deidara é um fraco e mesmo dizendo que ia esquecê-la acabou voltando pro ponto inicial. Mas não se preocupe, mesmo que eles estejam juntos agora não demora uma semana e a Konan cai em si e termina com ele. Eles nunca vão ficar juntos, pode escrevendo aí... A Konan está carente e ele sempre foi bom em mantê-la em juízo perfeito depois de uma desilusão.
— Você tem certeza? – perguntou Nagato já mais calmo
— Absoluta. Confie em mim.
— Agora que a Konan terminou com o Itachi acho que mereço uma chance, por que ela não percebe isso?
— Desculpe dizer isso, mas ela ainda ama o Itachi e vai ser difícil esquecê-lo.
— Então por que ela está com o Deidara?
— Sempre foi fácil pra Konan esconder seus sentimentos, ela está sofrendo e precisa de alguém para amá-la e adorá-la, porque assim ela não fica depressiva. E o Deidara sempre foi bom em dar carinho pra ela sem cobrar muito por isso. Ela sabe que se envolvesse com você seria muito mais difícil dispensar depois. Deidara já está acostumado e ele a acostumou a vê-lo desse jeito.
— Konan usa o Deidara? – Nagato fez a pergunta, já sabendo a resposta.
— Usa e o Deidara sabe disso. Não é segredo para eles esse joguinho.
— Eu não quero que a Konan me use. – Nagato disse se dando conta que no máximo ele conseguiria isso.
— Ela nunca usaria você. E não pense que ela usa o Deidara por querer, é uma fraqueza dela. E o culpado é ele por aceitar essa situação.
— Você convive com isso desde quando irmão?
— Desde a faculdade o relacionamento de Konan e Deidara é assim. Sempre se lembre que ela não faria isso com você. – Sasori então abraçou o irmão – Ela se importa com você e sabe que a única coisa que te mantém longe das drogas é ela. – depois disso Nagato saiu da sala do irmão e foi para sua mesa.
[...]
— E aí Nagato? – Perguntou Deidara assim que saiu de sua sala e parou na porta de Sasori.
— Tudo bem e você? – falou sem qualquer vontade
— Ótimo – o loiro sorriu e então entrou na sala do sócio sem sequer bater
— Não adianta reclamar, pois eu sei que você sentiu minha falta – Deidara abriu os braços esperando um abraço do amigo que nem levantou da cadeira.
— Você acha que eu vou abraçar você? – perguntou com cara de deboche
— Claro que vai – Deidara respondeu e foi até Sasori e o abraçou na cadeira mesmo.
— Me solta. A galeria estava muito melhor sem você e duas irresponsabilidades.
— Mentira. A Konan falou o quanto ficou pior sem mim isso daqui. Como o trabalho aumentou. Confesse, eu faço falta e as minhas obras de arte também.
— Só um pouco – confessou e depois sorriu
— Eu sabia – riu
— Chegou quando?
— Antes de ontem. Cheguei e fui para a casa da Konan, dormi lá e ontem fui pra casa da minha namorada, aí hoje resolvi que queria trabalhar e passei na casa da Konan para oferecer uma carona e cá estou eu.
— Pera aí, você tem uma namorada? – perguntou surpreso
— Tenho. Arrumei na viagem. – falou brincalhão
— Quem diria, mas se você tem uma namorada por que dormiu na casa da Konan?
— Ela estava mal, não tive coragem de deixá-la sozinha, mas não pense besteira. Não fizemos nada. Eu juro!
— Não faltou vontade – Sasori denunciou o amigo que riu
— Talvez...
— Você não tem jeito mesmo. Você não resiste a Konan.
— Estou mais forte, você vai ver. Minha namorada é uma garota legal e tem me dado força pra esquecer a Konan...
— Espero que seja mesmo.
— E você? Conseguiu esquecer a Sakura?
— Parece que sim, é mais fácil sem ela por perto. Nem penso nela.
— Que bom, viu conseguimos nos livrar de nossos fantasmas.
— Muito bom.
[...]
— Vamos almoçar os três juntos, o que acham? Assim colocamos o papo em dia. – Sugeriu Deidara.
— Eu acho uma excelente idéia. Vamos Sasori? Perguntou Konan
— Eu adoraria almoçar com vocês, mas tenho um almoço de negócios e vou levar o Nagato comigo. Quem sabe amanhã almoçamos juntos?
— Por mim amanhã está ótimo – combinou Deidara.
— Então nos vemos amanhã. Até. – despediu-se Sasori.
— Agora somos só nos dois, restaurante de sempre?
— O de sempre – Konan sorriu e estendeu a mão e Deidara a segurou.
[...]
— Eu amei almoçar com você. Dei, você fez muita falta por aqui.
— Você sentiu mesmo minha falta ou só começou a sentir depois que terminou com o Itachi?
— Eu já sentia sua falta antes. Eu peço desculpas se você achou que eu apenas vou te usar mais uma vez, eu não quero fazer isso.
— Você não vai fazer isso, porque eu não quero. Eu cansei de ser um brinquedinho seu.
— Você ainda me ama? – arriscou a pergunta sabendo que aquele não era o momento certo e recebeu como resposta um beijo, que correspondeu. Eles ficaram na porta do edifício dela.
— Respondi sua pergunta? – Deidara disse olhando Konan nos olhos
— Sim. – Konan disse e voltou a beijar Deidara que a afastou.
— Agora que você tem a sua resposta, eu quero que me prometa que só vai me beijar outra vez se estiver disposta a nos levar a sério. Se não Konan, eu quero que fique o mais longe possível, não pegue na minha mão, não me abrace, nada. Eu encontrei uma pessoa que está disposta a me ajudar a te esquecer.
— A sua namorada?
— Ela é incrível e está sendo paciente comigo.
— Ela tem sorte, porque você é incrível. E prometo que vou pensar bem.
[...]
O que Konan não poderia imaginar era que Nagato depois do almoço comprou uma rosa e ia levar para ela com um bilhete, marcando um encontro. Mas quando chegou perto do prédio viu ela e Deidara aos beijos e recuou. Nagato ficou atormentado e sem saber o que fazer parou num bar e começou a beber. Além da bebida, Nagato não resistiu e fumou maconha para anestesiar a dor de vê-la com outro.
Nagato passou mal, desmaiou e o dono do bar chamou uma ambulância que o levou ao hospital mais próximo. No bolso de Nagato tinha apenas o número de Konan num papelzinho. Então ela recebeu a noticia que ele estava mal e voou para o hospital, lá a médica que atendeu Nagato disse que ele teria de passar por uma bateria de exames e que ela chamasse algum parente, pois assim todas as providências seriam tomadas.
Chorando Konan ligou para Sasori que ficou muito preocupado assim que soube que seu irmão estava mais uma vez no hospital. Lá Sasori conversou com a médica que disse que os resultados dos exames demorariam algumas horas para sair e que seu irmão estava desacordado, mas que ficaria bem e fez um pedido a ele:
— Interne seu irmão na reabilitação. Ele precisa de acompanhamento médico integral. Ele consumiu muita bebida alcoólica e drogas. Ele poderia ter tido uma overdose. É preocupante o estado dele.
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