Com a mão nos bolso Itachi andava pela rua. Ele não sabia para onde ia, apenas andava pelas ruas com a cabeça nas nuvens. Quando deu por si estava em frente ao prédio da Konan. Já era tarde e ela deveria estar dormindo, mas ele se surpreendeu ao reparar que as luzes do apartamento estavam acesas e então se perguntou o que ela estaria fazendo. De repente, sentiu necessidade de ir até lá, mas quando chegou perto do interfone não teve coragem de ligar para o apartamento.

Voltou para o outro lado da calçada e sentou-se no meio fio. Ficou observando a janela dela, aliás, não era a primeira vez que ele fazia isso. Ele já tinha vindo outras vezes ali, mas essa era a primeira vez que ele vinha sem nem se dar conta. Só hoje ele tinha percebido o quanto ainda estava ligado a ela, o quanto ela o danificava, coisa que talvez ele nunca tivesse sequer notado.

— Bela hora pra descobrir que a ama de verdade né Itachi? – falou para si mesmo num sussurro e notou Konan ir até a varanda do apartamento. Ela olhou o céu e depois foi abraçada por trás por alguém. Itachi forçou o olhar e percebeu que pela cor dos cabelos só poderia ser Nagato. Ele ainda estava lá, certamente estavam juntos. Ele então levantou e perambulou pelas ruas até amanhecer.

[...]


— Ta na hora de acordar. A nossa programação de hoje está lotada, temos que nos levantar para não nos atrasar! – falou Sasuke assim que Sakura abriu os olhos
— Bom dia pra você também amor. – falou sonolenta e Sasuke apenas a beijou
— Bom dia! – ele se levantou e então pegou uma bandeja com o café da manhã – Pra você!
— preparou tudo isso pra mim? – disse surpresa
— Tudo para a minha amada – ele sorriu sedutor e ela sorriu de volta
— Me belisca? Isso tudo parece sonho!
— Não é sonho. Eu só queria te recompensar por todo o tempo ausente. Não só fisicamente, mas sei que demorei a responder seus e-mails. E você pode me dizer mil vezes que entende que eu sou ocupado, mas eu sei que no fundo parti seu coração. E agora quero recuperar todo tempo perdido e ser o mais atencioso possível.
— Você é perfeito.
— Não. Estou tentando esconder meus defeitos pra você não desistir de mim.
— Eu desistir de você? – ele fez que sim com a cabeça – Isso não vai acontecer NUNCA!
— Você fala isso agora e quando o tempo passar, os meses, os anos. Você vai estar distante e eu não sei se posso ser tão presente quanto quero.
— Eu vou entender cada falta sua e sei que você vai saber me recompensar na hora certa.
— Farei tudo que for possível. – ele a beijou e ela sorriu entre o beijo
— Qual é a programação de hoje mesmo?
— Quase que eu me esqueço sabia? Você tira minha concentração, além disso, ficar no quarto é muito atraente pra mim.
— Já ficamos no quarto muito tempo, hora de curtir o dia. É o meu último.
— Não me lembra disso – fez bico
— Ok. Ok. Não lembro, maaaaas você tem que me falar a programação do nosso dia inesquecível.
— Eu pensei em uma volta pelo central park de bicicleta e pensei em tomar sorvete. Pensei em alugar um filme e comer pipoca. Pensei em fazer um piquenique como quando nos conhecemos. Pensei em muitas opções e agora você decide.
— Podemos andar de bicicleta no central park e no fim do passeio fazer o piquenique e também tomar o sorvete em seguida e quando voltarmos pra casa assistimos a um filme, comemos pipoca e namoramos bastante.
— Definitivamente um programa de casal.
— Um belo programa de casal – sorriu e se direcionou ao banheiro.
— Vai se arrumar?
— Vou tomar banho.
— Acho que eu vou também – ele sorriu malicioso e seguiram para o banheiro.

[...]

— Eu adorei nosso dia – Disse Sakura enquanto tomava sorvete
— Eu também, mas não se esqueça que nosso dia ainda não acabou. Ainda vamos assistir a um filme, comer pipoca e namorar o resto do tempo. – lembrou enquanto tomava seu sorvete de chocolate
— Não vou esquecer-me de nenhum detalhe. – sorriu
— Sakura, você ta gostando mesmo das suas aulas de teatro? – Perguntou antes de se sentar na grama e ela então se sentou ao lado dele
— Estou, tem me ajudado muito a me expressar melhor. A minha arte tem que transmitir o que penso e o que sinto e o teatro aflora tudo.
— E você acha o seu professor bom?
— Ele é incrível. Ele tem experiência com o teatro e tem uma paixão visível pelo o que faz. As aulas não são chatas, são sempre descontraídas. Lembro que no ensaio geral para os pequenos diálogos ele foi muito atencioso com todos, além de se disponibilizar em horas extras e registrar tudo num caderno além de filmar e fotografar. Ele comenta tudo que você faz em cena, te elogia quando acerta e te incentiva quando erra.
— Ele é um excelente profissional mesmo.
— Claro que é. Yale não o teria escolhido se não fosse. E tudo que eu descrevi só comprova a competência dele.
— Ele ainda é muito jovem, não compreendo muito bem a escolha dele. – sugeriu Sasuke
— Ele tem 26 anos, se formou há dois anos e há um ano viajou com uma peça de grande prestigio pelo mundo. Fora que ele faz teatro desde pequeno e a família dele é de artistas de circo. Eu admiro o professor Suigetsu. Ele é competente e compreende bem os alunos. Além de ter um talento absurdo.
— Tenho que concordar ele é muito talentoso, eu fui assistir à peça dele na última noite em cartaz aqui em Nova York.
— Viu, até você concorda. E sei que a sua opinião conta muito, afinal você trabalha com cinema e conhece bem atores.
— Eu fico feliz que as aulas de teatro te deixem entusiasmada. – Sasuke acariciou o rosto dela e sorriu
— eu tenho que achar algo para pensar no tempo vago, se não a saudade de você me mataria!
— É bom ouvir isso.
— Que a sua falta me mataria?
— É. Assim eu tenho certeza que mesmo sem estar presente parte de mim continua com você.
— Claro que continua – Sakura mostrou o anel no dedo – Toda vez que olho pra esse anel eu me lembro de você e, acredite, eu olho esse anel o tempo todo. Você ainda usa o colar com a esmeralda?
— É meu amuleto da sorte! – disse puxando o colar para fora da blusa
— Eu já sabia, só perguntei pra você confirmar! – riu
— Essa esmeralda me dá a impressão de que você está em vigiando o tempo todo. – Sasuke disse olhando para a pedra em seu pescoço
— E o anel que eu carrego no dedo parece gritar “HEY ESTOU NOIVA ENTÃO NÃO SE APROXIME. TERÁ UMA MORTE LENTA E DOLOROSA SE DESOBEDECER A ESSA ORDEM!”
— Foi exatamente pra isso que eu comprei esse anel!
— Mentiroso – ela riu
— Tudo bem, não foi pra isso, mas já que também tem essa finalidade eu gostei bastante da ideia de ninguém se aproximar.
— Eu sei. O anel é lindo e me diz sempre que eu fico triste que você se importa comigo. E se importa tanto que vai me esperar e casar comigo como os príncipes fazem nos contos de fadas.
— Pelo menos no nosso conto de fadas eu não vou precisar escalar uma torre, enfrentar uma bruxa ou matar um dragão.
— é. E isso é uma pena. Seria muito mais emocionante.
— Você ta doida? – ele respondeu assustado
— To brincando. Assim já ta bom – sorriu e pulou nele o beijando.

[...]

— Pronto. Chegou a hora de partir. – falou depois de guardar a pequena mala no carro de Sasuke
— Nem preciso dizer que o Sasuke vai entrar em depressão né? – brincou Itachi
— Ele vai ficar bem, não vai amor?
— Claro que vou. Sou bem grandinho. Já sei lidar com despedidas.
— Que bom. Não esperava nada menos do que isso – sorriu Sakura
— Ele fala isso agora, mas depois que você embarcar ele vai chorar, colocar uma daquelas músicas melosas e ficar deitado na cama horas lembrando-se de cada mínimo detalhe do final de semana e depois me torrando o saco com o mau humor permanente. Eu já vi esse filme e não to a fim de dar replay.
— Mala – disse Sasuke agressivo e dando um tapa na cabeça do irmão. Sakura riu.
— Só falei a verdade. – reclamou Itachi
— Eu vou em paz sabendo que os dois vão ficar bem na companhia um do outro. – sorriu – Aliás, Itachi eu posso te dar mais um conselho?
— Claro, fala ae. – pediu Itachi
— Eu vi como você ficou mal por causa da Konan, mas não para a sua vida. Faça coisas construtivas como suas aulas de culinária. Você é uma boa pessoa e merece ser feliz. A Konan pode ter errado, mas tudo que ela fez foi procurando acertar. Eu não falo com ela há algum tempo, mas ela se sentiu muito responsável pelo sofrimento do Deidara e do Nagato enquanto vocês estavam juntos, então tudo que ela deve estar fazendo agora é para reparar qualquer sofrimento que tenha causado antes e ela talvez não esteja enxergando que quem ta sofrendo agora é você. Fica a dica. – ela sorriu encabulada, Sasuke ficou boquiaberto com a análise critica da situação e Itachi ficou pensativo.
— Obrigado. Sua preocupação comigo me comove, mas a Konan tinha que ter mais consciência das decisões que toma. Ela muda de ideia toda hora. Eu duvido do amor dela.
— Posso dar minha opinião? – perguntou Sasuke e eles assentiram – A Konan errou, tudo bem. Todo mundo sabe, todo mundo viu. Mas você também errou com ela. Eu vi algumas das ultimas discussões de vocês e Itachi, sinceramente, se fosse comigo você tinha levado um soco. Eu sei que você vai dizer o mesmo discurso de que eu não sei o que é o ciúme, porque confio na Sakura, só que você vivia desconfiando da Konan sem ela nem fazer nada. Eu já te disse que achei infantil a discussão sobre ela ajudar o cara na recuperação dele com drogas. Aliás, você lembra que antes de vocês reatarem ela estava com o Nagato? E ela começou um relacionamento contigo sendo que ele estava na clinica. Imagina como ele se sentiu quando saiu e viu que ela estava com outro?
— Ok! Chega! Já saquei aonde você quer chegar... – reclamou Itachi
— Só estou dizendo as verdades que você não gosta de ouvir. Agora eu e a Sakura temos que ir até o aeroporto, ela não pode chegar atrasada. – disse Sasuke entrando no carro
— Eu não queria me meter, só queria ajudar. – desculpou-se abrindo a porta do carro
— Relaxa cunhada. Foi bom ouvir o que os dois acham. – Disse e acenou antes de Sasuke acelerar o carro em direção ao aeroporto.