O amor é cego
56 Ela foi embora, ele não deu adeus
Notas iniciais
Amanheceu. Poderia ser apenas mais um dia idêntico a qualquer outro, mas por uma única razão esse dia iria ficar marcado na vida de Sasuke e Sakura para sempre como um divisor de águas, que separava o inicio do fim. Ela abriu os olhos e viu Sasuke ainda sonhando ao seu lado. Imediatamente olhou para a janela e a luz do sol se fazia presente por detrás da cortina. Espreguiçou-se, procurou pelos chinelos e após calçá-los abriu as cortinas para deixar a luz invadir o cômodo. Sasuke se revirou na cama e cobriu o rosto com o travesseiro, enquanto isso Sakura sorria observando seu amado.
— Acorde Sasuke! O dia está lindo. – disse tentando despertá-lo.
— 5 minutinhos, por favor! – pediu ainda sonolento
— Nem mais um segundo – pulou em cima dele cobrindo-o de beijos.
— Isso não vale – ele finalmente despertou e prendeu os pulsos de Sakura com a mão
— Claro que vale – Sorriu e não disseram mais nenhuma palavra, apenas beijaram-se. Não era apenas um beijo. Era O beijo. E eles nem imaginavam que seria um dos últimos. Esse momento especial ainda pertence ao “felizes para sempre”, mas o problema é o que vem depois.
— Você me acha bonita? – soltou essa pergunta de repente após o beijo e o fitou seriamente.
— Você é linda. – sorriu e acariciou o rosto de sua amada
— Certeza? Não mudaria nada em mim? – arqueou uma sobrancelha e Sasuke fingiu estar pensativo
— Não mudaria nada. – balançou a cabeça em sinal negativo
— Por quê? – sorriu feliz
— Você é perfeita do jeito que é. Pra que mudar?
— Espero que você ache isso pra sempre...
— Não tenho por que mudar de ideia. Eu te amo e você é linda – ela apenas o abraçou e ficaram em silêncio
[...]
— Sasuke me devolve isso? – pediu Sakura já sem paciência, pois era a terceira vez que pedia para que Sasuke entregasse a ela a camisola de ceda para colocar na mala.
— Não dou – se recusou mais uma vez, ainda cheirando o tecido que possuía o cheiro de Sakura.
— Eu preciso dela. Eu gosto dessa camisola. – bateu o pé nervosa e depois se sentou na cama com os braços cruzados.
— Você tem várias camisolas nessa mala. Custa deixar essa comigo? – pediu se sentando ao lado dela
— Você vai querer vestir a minha camisola? – falou irônica, arqueando uma sobrancelha
— Até que eu ficaria bem sexy com ela – deu seu meio sorriso perfeito e Sakura apenas revirou os olhos
— Pode ficar já que faz tanta questão – concordou finalmente, o que fez Sasuke abraçá-la com força
— Obrigado. Isso significa muito pra mim – garantiu depositando um terno beijo em seu ombro descoberto por causa da blusa de alça fina
— É só um pedaço de pano. – disse e voltou ao guarda-roupa para buscar mais alguns pertences para colocar na mala.
— É o seu pedaço de pano preferido – corrigiu – além disso, aqui tem seu cheiro e essa camisola me trás boas lembranças – falou fechando os olhos e relembrando de algumas das muitas noites que dormiu com Sakura e em muitas ela dormiu com aquele pedaço de pano isso quando ele não tinha a tarefa de retirar esse pano para que ficassem como um só.
— Tudo bem – sorriu – Mas eu pensava que o colar já bastasse.
— Entenda... nada é suficiente. – ele a observou colocar a última peça de roupa na mala e fechá-la.
— Eu também vou sentir saudade Sasuke – ela falou, sentando-se em seu colo e bagunçando seu cabelo levemente
— Eu sei – selou-lhe os lábios rapidamente – mas é que eu detesto despedidas.
— Eu só embarco hoje à noite.
— Queria que não embarcasse nunca – resmungou fitando o chão
— Você tinha concordado que eu deveria fazer a minha faculdade para ser independente, lembra?
— Lembro, mas é que a gente vai se ver menos e isso é uma droga.
— Existem férias, feriados e, além disso, você pode me visitar.
— Eu sei. – falou desanimado
— São apenas quatro anos.
— Pra mim é uma eternidade.
— Vai passar rápido – prometeu e beijou-lhe mais uma vez. Queria que Sasuke se sentisse amado em tempo integral. Faz algumas semanas que ele estava deprimido por causa da partida dela. Sasuke não havia se dado conta antes que Sakura iria embora. Ela não moraria mais perto dele, ficaria durante quatro anos em outra cidade e consequentemente eles se veriam menos. Bem menos. E isso o fazia sofrer. Sakura sabia disso e tentava sempre diminuir esse sofrimento mesmo que antecipado. Ela odiava ver Sasuke triste.
[...]
— Promete que não vai me esquecer nem me trocar por alguma atriz? – Sakura perguntou enquanto segurava Sasuke pela gola do casaco
— Prometo. Você sabe que eu sou seu, mocinha – sorriu e beijou o nariz de sua rosada
— Naruto e Hinata, por favor, cuidem dele pra mim ok? E assim que o meu sobrinho estiver para nascer eu largo tudo e venho acompanhar o parto entenderam? Então não se esqueçam de me avisar! – Intimou seus amigos
— Não seriamos loucos – afirmou Naruto que abraçava Hinata e sorria para a amiga em sinal positivo
— Não fique preocupada com isso, é claro que será avisada! Foque em seus estudos — disse Hinata
— Pode deixar – sorriu para tranquilizá-los.
— Nós também vamos sentir sua falta – Konan disse falando por ela e por Itachi que estava ao seu lado
— Volte logo cunhadinha, senão meu irmão morre... – disse Itachi brincando
— Eu vou voltar, mas se alguma coisa acontecer ele também pode me buscar – Sakura sorriu e piscou para Sasuke que assentiu com a cabeça.
— Sakura, o Sasori me pediu pra te dizer que ele não vem, mas que deseja uma boa viagem. – Konan avisou
— Por que ele não vem? – Sakura perguntou um pouco decepcionada, queria rever Sasori.
— Ele nunca foi bom com despedidas – avisou
— Diga pra ele que eu vou sentir saudades – pediu
— Claro – Konan afirmou.
[...]
— Por que você não foi lá? – Nagato disse assim que entrou na sala de seu irmão na galeria e o flagrou com um foto de Sakura na mão
— Ela vai embora e o Sasuke está lá. Nem que eu quisesse poderia me despedir como quero. Então melhor não ir. Detesto fazer figuração. – Disse enquanto guardava a foto em sua gaveta, era seu segredo.
— Está doendo? – Nagato perguntou já se sentando em frente ao seu irmão.
— Está, mas é a vida.
— Supere, pois você merece mais do que isso.
— Eu sei, e você com a Konan, como ficou?
— Bem, ela me disse que ama o Itachi e que por mais que goste de mim não é possível ficar com os dois. Ela tinha que escolher e então optou por ele por acreditar na mudança dele.
— E você não está magoado?
— Estou. Mas o que eu poderia fazer? Cobrá-la por se desligar de um drogado que não ia dar nenhum futuro a ela? Ela não tem culpa por se encantar com o antigo namorado.
— Realmente não tem, mas sinceramente eu esperava outra reação de você.
— Que reação você esperava que eu tomasse?
— Esperava que você lutasse por ela, que se declarasse, que se revoltasse, mas não; você está sempre calmo.
— Isso é autocontrole. E Sasori você também é bem controlado, você poderia ter feito loucuras quando a Sakura voltou pro Sasuke, mas o que você fez? Continuou lá pra ela sempre que precisasse.
— Acho que isso é de família. – sorriu
— Somos ótimos partidos meu irmão, apenas escolhemos as mulheres erradas – Nagato afirmou e depois se retirou da sala de Sasori o deixando a sós com seus pensamentos.
[...]
— Chegou a minha hora pessoal – Sakura sorriu, respirou fundo e deu um abraço apertado em cada um dizendo o quanto iria sentir falta deles. Por último abraçou Sasuke que lhe tirou os pés do chão e a rodopiou no ar. Sakura não conteve as lágrimas e começou a chorar. Sasuke então a beijou. O último beijo antes de ela alçar novos vôos. Um beijo apaixonado, intenso e já com gosto de saudade. Afinal ele já vinha sofrendo por antecipação há algumas semanas. Assim que colocou Sakura no chão e abraçou mais uma vez lhe disse suas últimas palavras.
— Você pode estar embarcando pra longe, mas você é parte de mim e nada vai nos separar. Assim que der eu vou te visitar e você sabe que vou te mandar e-mail todos os dias e telefonar. Você não vai se livrar tão fácil de mim – sorriu
— Eu não quero me livrar de você. Nunca. Nunquinha. – abraçou seu namorado mais uma vez e este beijou sua testa fechando os olhos e deixando escapar uma lágrima, a primeira de muitas que ainda viriam.
— Eu vou morrer de saudade – Sakura disse antes de passar pela porta do embarque
— Nós também – responderam todos seus amigos e Sasuke apenas acenou. Era triste vê-la indo embora, mas ele sabia que era por pouco tempo.
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