O amor é cego

45 Bem me quer. Mal me quer.


Minha vida amorosa era um sucesso até eu conhecê-la. Destruidor de corações. Garanhão da escola. O garoto mais bonito da sala. O mais disputado em festas. O melhor par em bailes. Mas do que tudo isso me servia agora que a única mulher por quem meu coração bateu verdadeiramente prefere um canalha que já a enganou a mim? Não sei bem nem como reagir. Embora esperasse que Konan voltasse a ceder ao traste do Itachi, nunca pensei em ver eles se dando realmente bem como vi agora a pouco. A cena foi tão melosa que senti náuseas. Nunca vi Itachi sendo tão cuidadoso, amoroso e fiel como agora. Ele tinha vindo buscar Konan na hora do almoço para ir a um restaurante com ele, ela sorriu encantada com atitude e saíram daqui de mãos dadas. Sinceramente, eu esperava que ao ver uma mulher de vestido curto e decote grande ele viraria o pescoço para admirar como sempre fazia e Konan se irritaria com isso e eles brigariam, mas o canalha não prestou nem atenção na bela moça que passou por eles. Seus olhos eram fixos em Konan como se ela fosse a primeira e última mulher sob a face da terra. Esmurrei a mesa com força ao ver tal cena. Será que ele havia mesmo mudado? Se isso aconteceu de fato estou perdido, pois a única chance que eu teria tinha acabado de voar para longe, para um lugar que eu não poderia alcançar por mais que tentasse.

— Sua cabeça está onde? – disse Sasori chamando minha atenção para o trabalho

— Longe – disse enquanto avistava Itachi abrir a porta do carro para Konan como um cavalheiro.

[...]

— Que bom que aceitou almoçar conosco Konan – Sasuke disse enquanto me cumprimentava apertando minha mão

— Não poderia recusar almoçar com meu namorado, meu cunhado e a Sakura. – sorri e logo depois dei dois beijinhos na bochecha de Sakura. Não éramos amigas, mas simpatizava incrivelmente com ela.

— Se ela não aceitasse; eu a raptaria – Itachi disse brincando, sorriu pra mim e puxou a cadeira para que eu pudesse sentar. Sasuke fez o mesmo com Sakura.

— Que bom que não precisou usar a força bruta – Sakura disse gentil. O almoço foi bom, alegre e cheio de conversas maravilhosas. Pude conhecer um pouco mais de Sakura, ela era realmente fascinante. A história do acidente e da superação da deficiência era impressionante assim como Sasori havia me contado um dia desses.

— Você tem sorte de ter a Sakura como namorada Sasuke, ela é um tesouro precioso – falei sorrindo

— Sou mesmo. E Itachi também é um homem sortudo, pois para você aceitá-lo só sendo um milagre – ele riu

— O amor tudo perdoa – Sakura falou sabiamente

— Nem tudo. – Itachi disse

— Perdoa sim, se for amor perdoa. – ela insistiu e então entendi o que ela queria dizer

— A Sakura quer dizer Itachi que é mais fácil perdoar quando se ama, não é?

— Sim, eu mesma só consegui perdoar o Sasuke porque o amo. Se fosse diferente não estaríamos aqui agora.

— Você perdoou o Sasuke logo Sakura. Konan levou dois anos para me dar uma segunda chance – Itachi disse olhando pra mim

— Você não merecia antes essa segunda chance

— Eu concordo com a Konan – Sasuke falou em meu favor

— Não foi só por isso. Aquele Deidara dificultou as coisas, sempre rondando Konan como um urubu. – Itachi resmungou

— Não fale do Deidara desse jeito – falei me chateando com o que ele dissera

— Mas é a verdade Konan – Itachi insistiu e fechei o rosto. Definitivamente estava chateada com ele.

— desculpe Itachi, mas Konan está certa. Você não deveria se referir assim ao Deidara. Ele assim como você tem sentimentos pela Konan e a Konan por ele. Mesmo que ela ame você, ela é amiga do Deidara. – Sakura disse tudo que eu estava pensando no momento

— Mas ele não quer ser só amigo dela – Itachi falou

— Não importa. Ela só o quer como amigo, você tem que confiar. Você gostaria que se ela tivesse escolhido o Deidara ele se referisse a você como um urubu que a cerca? Ele está lutando por um amor e isso não é vergonhoso. – Sakura declarou segura

— Eu concordo com cada palavra que você disse Sakura – sorri e segurei na mão dela para que ela saber o quanto estava grata

— Minha namorada tem sensibilidade Konan, Itachi não – Sasuke disse após dar um gole em sua água

— Algumas coisas nunca mudam – falei meio decepcionada com a atitude dele

— Tudo isso só porque eu não simpatizo com o Deidara? — Itachi disse

— Você tem que aprender que a Konan não é uma propriedade sua e se realmente quiser ficar com ela vai ter que estar preparado a lutar por ela a cada dia. Pessoas como o Deidara existem para mostrar que você tem que valorizar quem te ama. Se não Itachi, você perde – Sakura sorriu.

— Você sabe muito bem sobre o assunto Sakura. Compreendeu-me tão bem. – sorri

— Konan, eu já passei por isso, não exatamente igual, mas parecido. Eu não gostaria de ter magoado ninguém, mas nessas coisas alguém sempre sai ferido. Acredito que aqui seja o Deidara, então não acho de bom tom Itachi se vangloriar de uma conquista, afinal você é mais que isso. É amor certo? – ela sorriu

— Certo – sorri. Acho que tinha encontrado uma nova amiga.

[...]

— Bem me quer – arranquei a pétala de uma flor – Mal me quer – arranquei outra – Bem me quer – mais outra – Mal me quer – e outra – Bem me quer – encarei o que restara da flor em minha mão, foi quando ela abriu a porta como um furacão e me abraçou com força.

— Me perdoa, por favor – Konan dizia abalada

— O que foi Konan? – perguntei sem entender

— Eu fui cruel. Tola. Idiota. Eu te magoei. – disse se sentando sobre a mesa da minha sala

— Não me diga que já se arrependeu de reatar com o Uchiha?

— Não – ela balançou a cabeça – Eu apenas me toquei que não fui legal com você. Eu assisti você sofrer; e eu não me importei. Fui desumana e hoje no almoço enquanto a Sakura falava eu percebi que precisava te pedir perdão.

— Você não precisa pedir perdão por não me corresponder.

— Mas por ser má amiga sim. Eu te quero tão bem Dei – a mão dela veio até meu rosto acariciando

— Eu também te quero bem – sorri

— Me perdoa? – insistiu na pergunta

— Claro que sim. Sabe antes de você entrar eu estava consultando a esta flor para saber se você me queria bem ou mal.

— E qual foi o resultado? – perguntou curiosa

— deu que você me queria bem – sorri

— Então a flor está certa.

[...]

— Posso falar com a Sakura? – perguntei a Hinata

— Claro, ela está no quarto ouvindo música – disse me deixando passar

— E onde fica o quarto?

— Ultima porta do corredor – indicou o caminho

— Obrigada – sorri. Segui o caminho e dei três batidas na porta.

— Pode entrar... – ouvi a voz de Sakura após desligar o som

— Sou eu Sakura – falei e ela sorriu

— o que te traz aqui Konan? – disse e eu em sentei ao lado dela na cama

— Eu fiquei muito tocada pelas palavras que você disse no almoço.

— Eu não disse nada demais.

— Disse sim, por causa do que você disse; eu reparei que magoei o Deidara muitas vezes e eu gosto muito dele. Quando ouvi o Itachi falar daquele jeito eu me senti mal.

— Sei como você se sentiu.

— Você se sente assim em relação ao Sasori?

— Não exatamente. O Sasori realmente gosta de mim, mas eu conversei com ele e com Sasuke claramente pedindo para ambos se comportarem. Meu passado que me fez conviver com uma situação pior.

— Como o que?

— Meus dois melhores amigos do mundo me amavam e eu não sabia quem escolher.

— E como foi que escolheu?

— Escolhi aquele que fazia o meu coração bater muito rápido e parar por alguns segundos ao mesmo tempo.

— E como foi para contar pro outro sobre a escolha?

— Pois é... Eu tive tanto medo de lidar com essa situação e magoar o Gaara que optei por esconder; e ele ficou sabendo de uma forma terrível e desse jeito eu o magoei muito mais do que se tivesse falado logo.

— Foi duro ver a reação dele?

— Ele se distraiu com a revelação e o acidente aconteceu por causa disso. Eu nem tive o perdão do Gaara. A última frase dele foi “acho que esse é meu último aniversário” e ele morreu diante dos meus olhos.

— Ele morreu magoado com você e o Kiba?

— Sim. Ele desconfiava já, mas o impacto como ele soube de fato foi algo que eu nunca vou esquecer. Por isso te peço não deixe nada mal resolvido com o Deidara. Ele merece seu carinho, não sofrer.

— mas eu só o vejo como amigo.

— Ele vai entender, tenho certeza. Veja comigo eu conversei com o Sasori e ele entendeu se eu tivesse feito isso com o Gaara provavelmente ele aceitaria com o tempo.

— Tem razão – abracei Sakura – Obrigada pelos conselhos. Foram muito úteis e saiba que já te considero uma amiga.

— Eu também – sorriu