O amor que não me pertence
1 Capítulo 1 - Olá independência
Era sexta feira a tarde. Eu estava ajudando Beatrice a terminar de empacotar suas coisas. Ela foi aprovada para faculdade de Nutrição em outro estado, e agora sua casa estaria sob meus cuidados. Havia tempo eu estava planejando me mudar. Queria me tornar independente. Experimentar a ideia de morar sozinha, cuidar das minhas próprias coisas. Mas na verdade era uma ideia um tanto quanto irrealista. Meu salário não daria para pagar um aluguel, contas e alimentação. Eu teria que escolher apenas uma das opções. Ou eu alugava uma casa e morria de fome, ou eu me alimentaria bem, porém debaixo de uma ponte. A escolha mais sensata de fato era a segunda. Calma! Brincadeira! A ideia mais sensata era continuar vivendo com meu pai. O problema é que morando com ele eu não teria a tal independência mencionada. E mais do que independência, eu também queria um pouco de paz. Cada semana meu pai tinha uma namorada nova, uma mais louca que a outra. Ele trabalha em um bar e passa a maior parte do tempo lá, mas quando está em casa realmente é muito difícil. A casa está sempre tão bagunçada, não importa o quanto eu faça minha parte. E não importa o quanto eu abra as janelas e borrife minha mistura de amaciante concentrado e água, a casa sempre tem uma catinga de cigarro que está impregnada nas cortinas. Ele não gosta que eu faça barulho. Não que eu faça. Mas ele odeia meu estilo musical, que convenhamos é melhor que o dele. Mas ele sim pode ouvir suas músicas, na hora que bem lhe a provém. Incluindo de madrugada. Resumindo: nossa relação não é horrível. Os problemas em nossa convivência não são gigantescos. Mas eu já tenho 21 anos e quero viver a minha vida. Do meu jeito!
— Será que não estou esquecendo nada? — Beatrice me pergunta enquanto observa a pilha de caixas no chão.
— Acho que você está esquecendo de deixar algumas coisas para trás. Você vai mesmo precisar de tudo isso?
— Não sei, mas não quero correr o risco. Estou indo para outro estado afinal de contas. Não quero correr o risco de ter deixado algo muito importante para trás. E também estou deixando mais espaço para você, mocinha. Não reclame.
— Isso é verdade, seu guarda- roupa ficou praticamente vazio. Vou encher essa casa de coisas minhas muahaha.
— Isso mesmo. Espero que cuide bem dela. Nas férias eu estarei de volta e conferirei se minha paredes não estão riscadas. — ela diz balançando o dedo para mim
— Claro, porque eu sou uma criança que escreve em paredes com giz de cera. — tento me mostrar indignada
— Nunca se sabe ora bolas.
Nós rimos e ficamos em silêncio. Ela olhando para a casa que deixará para trás. E eu olhando pensando em como preencher os espaços vazios com minhas coisas.
— Você vai morrer de saudades, não é? — ela me diz com um olhar convencido.
— Claro que não, não vejo a hora de você ir embora e ter esse lugar só pra mim — brinco passando o braço pelo seu pescoço. Ela se finge de magoada. E eu finjo que acredito.
— É claro que vou sentir sua falta! Você mal foi embora e eu mal posso esperar para você voltar.
— Humm...melhor assim. Mas chega de sentimentalismo vamos comemorar a minha ida a faculdade e a sua independência.
— Fazendo o que?
— O que fazemos de melhor: comer.
Rio e concordo.
— Que tal uma pizza?
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