O amor não é uma batalha

1 Mas vale a pena lutar por ele


Notas iniciais
Saudações, leitores

Recomendo ler ouvindo a trilha sonora
O link está nas notas finais.

Aproveitem a leitura, titãs!!

Love is not a place/ Amor não é um lugar

To come and go as we please/ Para ir e vir quando quisermos

It's a house we enter in/ É uma casa que entramos

Then commit to never leave/ E nos comprometemos a nunca partir

♣ Jump City ♣

Koriand´r estava voando pelos céus noturnos sem nuvens de Jump City, apreciando a sensação da brisa de verão quente em seu rosto. Ela não estava usando o traje. Em vez disso, ela estava usando um vestido branco de verão, com detalhes florais, elegante, para um coquetel, mas um tanto sedutor, como seu amigo Wally havia lhe dito.

Ela tinha acabado de acompanhar Donna em uma convenção na Embaixada de Themyscira, em Nova York. Kori sorriu ao lembrar como Diana, embaixadora e conhecida mundialmente como a heroína Mulher Maravilha, chocara o mundo ao apresentar o playboy bilionário Bruce Wayne como noivo na ocasião, fazendo a alegria de paparazzi e tablóides.

Bruce a fazia lembrar Dick. E muito... O que também a fez lembrar porque não estava com ele agora, em virtude do compromisso com Tróia.

Ela sentiu um sorriso se formar automaticamente em seus lábios quando ela pensava nele. O amor que eles compartilhavam era mais do que ela jamais pensou que fosse possível, quando começou a buscar um relacionamento com aquele que parecia ser o homem mais mulherengo do mundo.

Apesar de suas recusas iniciais e dos obstáculos que ela tentou colocar para um possível romance com ele, sua atração se transformou em mais, muito mais. Sua amizade floresceu. Ela faria qualquer coisa por ele e ele faria qualquer coisa por ela. Como companheiros de equipe e como amantes. Ambos tinham provado isso ao longo dos meses que eles estavam juntos.

Kori voou em looping, fazendo a malha do vestido farfalhar com o vento. Seus pensamentos vidrados em Dick ergueram seu espírito e encheram o coração, fazendo seu corpo se contorcer em acrobacias pelo céu da cidade.

O vento soprava contra suas pernas e braços nus, ondulando seu imenso cabelo cor de algodão doce, fluindo pelas suas costas, dando-lhe uma sensação de liberdade total.

Ela tinha ouvido outros muitas vezes descrevendo o que era amar alguém, mas essas descrições eram ínfimas em comparação ao sentimento que ela sentia por Dick.

A primeira vez que ela pensou em como o amava, eles estavam no calor da batalha, um momento que poderia significar a diferença entre a vitória e a derrota, a vida e a morte. O desespero de seu coração vendo-o em perigo. Foi um esmagamento. Era como perder o fôlego. Ela só tinha permissão para respirar após vê-lo vivo.

Ela precisava dele tanto quanto ela precisava de ar para respirar. Ela o queria como jamais quis nada em sua vida. Ela o amava... perdida e intensamente.

Ela havia ouvido as pessoas descreverem como era ser amada, mas novamente, nada se adequava ao sentimento. Nada!

Ela sabia que ela estava o tempo todo em seus pensamentos e que ele a queria há muito tempo, mas... Era como se ele dissesse que a amava em silêncio. Quase nunca verbalizando! Ela teve que aprender a lê-lo nas entrelinhas, no que ele dizia-lhe através do brilho de seus olhos, nos gestos, nos abraços, no calor do corpo, nas batidas aceleradas do coração dele quando está com ela.

Certa vez ele disse a ela, à sua maneira, após uma briga com seu pai adotivo, quando deixou a mansão Wayne para o resto da vida, que seu amor por ela dava-lhe um raio de esperança, em um mundo cruel. Tinha sido uma conversa longa e dolorosa para ele, especialmente considerando que o que ele estava tentando dizer era tão simples. Mas Kori viu como doía dentro dele. Ela viu o fogo atravessar os olhos de Dick, cheios de lágrimas, como se implorasse que alguém o amasse, porque pra ele, Bruce – seu exemplo, seu heróis, seu pai – nunca o amaria.

So lock the door behind you/ Então feche a porta atrás de você

Throw away the key/ Jogue a chave fora

Work it out together/ Vamos resolver isso juntos

Let it bring us to our knees/ Nos deixar ajoelhar

Starfire o amava por algum tempo e nada mudou sobre o seu sentimento de desolação, relativa à virtude desse homem. Ela sabia que era seu amor por ela que lhe dera um fôlego novo ao seu interior machucado. Permitindo-se amar, abrindo o coração à possibilidades. Saber que ele a amava o fizera ainda mais especial.

Ela suspirou quando percebeu o quanto sentia falta dele. Kori decidiu, com um aceno confiante, um pequeno sorriso carregado de sedução, fazer um vôo rápido em direção à Blüdhaven para vê-lo.

Estelar tinha acabado de alterar seu percurso de vôo quando uma dor aguda atravessou seu peito. Uma dor familiar...

Ela parou no meio do céu escuro, lembrando-se da última vez que ela tinha sentido algo parecido. Ela arregalou os olhos e as lágrimas começaram a cair, como se os olhos estivessem queimando, da mesma forma que arderam há seis meses.

Ela estava de serviço com os Titãs, monitorando possíveis problemas. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo até que ouviu a voz dele através do comunicador. Ouvir seu nome, em uma linha que apenas ela poderia ouvir fez o coração disparar e o estômago se contorcer.

Sua voz – Kori estremeceu quando lembrou-se – estava cheia de agonia. Ela poderia apostar que tomou toda a força que ele tinha para falar com ela. Foi assim que ela reconheceu de onde vinha a dor que ela estava sentindo. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas ela sabia o porquê de sua angustia. Era a conexão espiritual de almas que se amam. Eles estavam conectados por um fio invisível que se chama amor.

Ela traçou a rota de onde vinha o sinal de seu comunicador e foi buscá-lo, com os olhos verdes flamejando e a velocidade de uma bala de rifle, deixando os companheiros em seu caminho, mistificados pelo olhar determinado em seu rosto e sua partida abrupta.

Ela sacudiu a cabeça para limpar a memória e percebeu com um sobressalto que a dor em seu peito ainda estava presente e a percepção do sentimento enviou ondas de choque por todo estômago. Ela estava prestes a entrar em contato com a Torre Titã quando ouviu a voz de Victor no comunicador.

"Kori... Ele está ferido", ela o interrompeu. Levou um tremendo esforço de sua parte para impedir a voz de rachar com a emoção. "Cyb, você poderia...".

Ela podia ouvir a pergunta em sua voz.

Estou enviando a última localização conhecida. Eu não consigo entrar em contato com ele”. Houve uma hesitação na voz de seu amigo. “Esteja preparada, Kori... Eu lamento”.

Ela o ouviu fechar o canal de comunicação e as suas palavras levaram-na a murchar lentamente. “Esteja preparada”. Como? Ela pensou. Como se preparar para isso? Para a morte do homem que ela amava.

Ela estava nos céus de Gotham e um enorme incêndio no distrito de Blüdhaven iluminava o céu da noite escura. Bombeiros gritavam, sirenes se tornaram estridente e luzes vermelhas dos caminhões passavam uma e outra vez em seus olhos desesperados. Em sua mente a única coisa coerente que ecoava era o som do nome dele “Dick”.

Quando ela se aproximou do fogo, ela podia ver vários membros da Liga da Justiça ajudando a combater as chamas, que já haviam engolido metade dos armazéns da área. Ela viu Superman de pé com o Flash perto de um grupo de carros de bombeiros de Gotham City. Eles foram falar com o chefe dos bombeiros. O Batman tinha uma expressão levemente cabisbaixa e um tanto mais sombria que o normal. Ela sabia que a situação era terrível quando o Flash, o único que acenou para ela, teve seu habitual sorriso despreocupado substituído por uma expressão triste.

Sua atenção voltou-se para a lareira na frente deles, e não demorou muito para ela se tornar hipnotizado pela dança em tons alaranjados, amarelados e vermelhos das chamas.

Não há sobreviventes”, disseram-na.

Eles tinham desistido de Dick.

"Ele não está morto", ela gritou. Ela podia ver a surpresa nos olhos do Super-Homem, embora ela não tinha certeza se era por causa de seu tom confiante ou por causa do que ela estava dizendo.

"Ele não está morto", ela declarou firmemente entre os dentes cerrados. Superman fechou a boca e olhou para ela com um olhar que ela só poderia dizer que parecia duvidosa. Ela olhou para o Batman e, embora seus olhos estivessem escondidos sob a máscara, ela podia dizer que ele estava devastado, pensando que seu filho havia morrido.

Ela voltou-se para seu amigo Wally: “Ele não está morto. Eu sinto. Ele está ferido, mas está vivo", quando Koriand’r piscou, uma única lágrima se derramou sobre sua bochecha. Ela sacudiu de suas mãos e deu um passo em direção a chama intensa.

Ninguém poderia pará-la. Nem o filho de Krypton.

Ela o viu em meio aos escombros.

Sozinho.

Demorou alguns minutos olhando para o corpo dele em seus braços, envolvendo-o em um abraço protetivo. Ele sabia que ela viria... Porque ele sentia-se da mesma forma.

Você vai ficar bem, meu amor”, ela sussurrou.

Mas não houve resposta.

Love is a shelter in a raging storm/

O amor é proteção em uma feroz tempestade

Love is peace in the middle of a war/

O amor é paz no meio de uma guerra

If we try to leave, may God send angels to guard the door/

Se nós tentarmos partir, Deus envie anjos para guardar a porta

No, Love is not a fight/ Não, o amor não é uma luta

But its something worth fighting for/ Mas vale a pena lutar por ele

♣ Gotham City || Batcaverna ♣

Batman tinha pedido que ela o levasse para Batcaverna, discretamente.

Ela ainda estava sem chão quando viu Alfred passar vestido com um avental cirúrgico e luvas. Vendo a preocupação em seus olhos, Alfred olhou para ela com afeto. Nada mais precisava ser dito. Ele ia cuidar de seu menino, como sempre cuidara de seu mestre Bruce, que era como um filho.

Estelar respirou fundo, com medo do que ela poderia ver quando levantou-se para ver como ele estava. A adrenalina do resgate foi como um véu, nublando sua visão antes. O traje de Nightwing foi queimado em um ponto que mal dava para identificá-lo. Parecia ter derretido. Havia buracos causados ​​por estilhaços. Havia cortes profundos onde os detritos atingiram-no.

Por um milésimo de segundo, ela sentiu a dor do mundo ao ver as várias feridas abertas sangrando e o que parecia ser, pelo menos, uma dúzia de contusões muito profundas. Mas ela se levantou rapidamente, com uma força que ela não sabia que tinha até aquele momento. Uma força maior que sue poderes, porque era a força de seu coração. A força de um coração que se agiganta por amor, ao ver que seu amor precisa dela.

Alfred olhou nos olhos da princesa de Tamaran. Um olhar reconfortante que a desarmou completamente.

— Não se preocupe, senhorita. Ele já passou por muito pior que isso. Ele vai ficar dolorido por algum tempo, mas ele vai se recuperar. Ele tem duas costelas quebrada, mas sem lesão nos órgãos. E o sangramento não é tão ruim quanto parecia. Ele só inalou muita fumaça e tem muitas queimaduras. Mestre Bruce queria que ele usasse um cinto de utilidades para colocar uma máscara de gás, mas o mestre Richard é tão teimoso quanto mestre Bruce.

Ela abraçou Alfred e jogou os braços ao redor de seu pescoço em um abraço amoroso.

— Obrigada, Alfred.

He will ask nothing from us, If we'll only call /

O amor nos salvarás se nós apenas chamarmos

Love will come to save us but demand we give our all/

Ele não nos pedirá nada, mas exige tudo de nós

♣ Bludhaven || Seis anos depois ♣

— Você sabe que eu preciso ir, Kori – Ele falou com a esposa.

— Você devia ficar em casa hoje. Podia pedir ao Tim para patrulhar. Só hoje... Você ainda não está em condições, Dick. – Kori refutou.

Richard Grayson podia sentir a irritação da princesa de Tamaran queimando um buraco na parte de trás da cadeira. Finalmente, ele se virou para olhar para a esposa.

— A cidade precisa de mim.

— Sua filha também!

— Ela está dormindo – Ele lembrou-lhe calmamente – Eu vou estar aqui quando ela acordar.

Kori bufou. Não porque sentia-se negligenciada, mas porque ele ainda estava machucado da luta com Slade.

— Princesa... – Dick suspirou novamente, levantando-se e cruzando a curta distância entre ele, para ficar na frente dela. – Eu amo você. Eu adoro Mar’i, mas eu tenho que ir.

Koriand’r o abraçou antes de sair.

— Boa noite... Asa Norturna. – Ela despediu-se – Vejo você mais tarde. Traga o Dick inteiro!

Nigthwing estava no processo de verificar suas armas antes de sair e ouvir passos em sua direção. Os passos não eram suficientemente graciosos para serem de sua esposa, nem suficientemente silenciosos para pertencerem à Damian ou Tim. Logicamente, só podiam ser dela.

— Mar’i – Ele a repreendeu suavemente, pegando a menina de cinco anos sonolenta nos braços. – O que você está fazendo acordada?

— Eu tive um sonho ruim, papai – uma pequena mãozinha esfregando os olhinhos verdes e outra permanecera apertando firmemente o animal de pelúcia feito à semelhança do Mutano, dado a ela por seu tio Gar. Dick revirou os olhos. De todos os brinquedos que ela poderia ter amado, era logo a imitação do Mutano que ela amava.

— Está tudo bem, querida. Foi apenas um sonho – Ele esfregou o nariz no nariz dela, em um beijinho de esquimó – A mamãe sabe que você está acordada?

Outro bocejo veio dela: – Não!

— Oh, eu aposto que ela não sabe mesmo! – Ele resmungou. – O que você me diz de voltarmos para a cama? – Ele perguntou, acariciando o topo da pequena cabeça da menina.

— Eu não estou... – Um grande bocejo interrompeu o argumento dela – com sono, papai.

Dick riu quando viu o olhar mal-humorado no doce rosto da filha antes de levantar da cadeira e dirigir-se para o quarto dela.

— É hora de dormir, pequena!

— E por que você não está dormindo?

— Porque eu comprei todas as regras.

— Com o dinheiro do vovô?

Dick riu para o comentário perspicaz da filha.

Eu a encheu de pequenos beijinhos ao longo das bochechas e pescoço, provocando risadas. Ela manobrou seu corpo pequeno fora do aperto do pai, caindo de seus braços na posição de agachamento que ele a estava ensinando. Enquanto suas mãos grandes e calosas alcançavam-na, ela se dirigiu para a escada que levava à pessoa que ofereceria um santuário livre da tortura de seu pai: sua mãe.

Ele puxou um pequeno telefone da mesa ao lado dele e rapidamente discou um número.

— Bruce?!... Sim, sou eu. Você poderia enviar o Tim e o Damian para patrulha por aqui hoje? – Veio a voz familiar da outra linha.

— Vá cuidar da sua filha, Dick.

Ele quase engasgou. Aquela voz... Bruce parecia tão resignado, quase como se estivesse feliz por ele.

— Bruce?... Obrigado!

Depois disso, como um acrobata, ele saltou o corrimão das escadas, gritando, “melhor você voar pra sua mãe, sua pequena raposa, porque eu vou te pegar”.

Sua ameaça se apagou no escuro enquanto seus olhos se ajustavam à falta de luz. Misturando-se nas sombras, ele teve que reprimir uma risada quando ouviu o pingo de pés pequenos tentando se esconder atrás das cortinas. Uma pequena silhueta poderia ser vista através do brilho fraco de seu quarto quando sua vítima correu até a porta do quarto da mãe.

"Mamãe!" Ela gritou em tom de pânico. "Ele vai me pegar! Vamos, mãe, me ajude! Eu sou a único filha que você tem”, Mar’i gritou.

Ela teria que enfrentar essa ameaça sozinha, porque sua mãe estava rindo. Ela estava do lado de seu pai. Muito injustamente!

Os ombros largos de seu pai vieram à vista quando ela abriu os dentes e rosnou. Ele pegou a pequena raposa de Tamaran, segurando-a no comprimento dos braços, dando-lhe mais beijinhos e fazendo cóssegas.

No fim da brincadeira, os três se colocaram embaixo das cobertas, contando as aventuras dos Titãs para sua filha.

Dick reprimiu uma lágrima de cair de seu rosto. Se alguém tivesse sugerido que este seria seu futuro há seis anos, eles provavelmente teriam que ser raspados do pavimento de BludHaven.

Ele tentou evitar pensar muito no futuro, sabendo como as pessoas ainda olhavam ansiosamente para a esposa. Seus punhos apertaram-se com raiva do pensamento de que rastejariam por sua filhinha.

Ele sacudiu a cabeça e suspirou, baixando-se no colchão. Assim que a parte de trás de sua cabeça tocou o travesseiro, os pensamentos do sono se infiltraram na mente, dando boas vindas ao inconsciente.

Ele foi rapidamente retirado de seus pensamentos quando sentiu algo em movimento contra ele. Olhando para fora de um olho, ele viu Mar’i se encolher em seu lado, como a raposa de sempre.

Sua mão encontrou a de Starfire, apertando seus dedos suavemente, dizendo tudo sem falar. Amando-a em silêncio. Como sempre amou.

Yes, I will fight for you/ Eu vou lutar por você

Would you fight for me?/ Você lutaria por mim?

It's worth fighting for/ Vale a pena lutar

Notas finais
https://www.youtube.com/watch?v=J9BAb3fau7E

Love is Not A Fight - Warren Barfield (Legendado)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!