O amor não tira férias
7 Em que furada fui me meter?
Notas iniciais
Megumi se levantou da cadeira que estava, afirmando ter que voltar ao trabalho em auxiliar alguns passageiros. Nos despedimos brevemente e eu continuei deitada na cadeira de olhos fechados enquanto tentava pegar uma corzinha, o que era meio difícil, pois mesmo passando protetor solar eu não podia ficar por muito tempo em baixo do sol porque sempre me queimava.
Estava me preparando mentalmente para o "jantar" de amanhã, quando levei um susto ao escutar meu celular tocando, peguei-o da mesinha que estava ao meu lado e atendi as pressas ao ver de quem se tratava.
— Ino! – fiquei feliz ao receber a ligação da loira mais doida que eu conhecia e que sempre me arrastava para boates.
— Hina, sua chata. Porque não me ligou? Fiquei esperando você me ligar para contar como foi o voo e como está sendo no cruzeiro... Já encontrou algum gatinho? Estão no primeiro encontro? Passaram das preliminares? – perguntou afobada enquanto me bombardeava de perguntas, tirando uma gargalhada de mim.
— Calma! Em primeiro lugar eu ia ligar, mas estava muito cansada e confesso que havia esquecido. – respondi ouvindo-a se queixar do outro lado da linha, porém continuei respondendo as perguntas. – O voo foi tranquilo. O cruzeiro está sendo ótima fora aquela aberração loira e não, eu não encontrei nenhum gatinho. Não estou em encontro algum e não tem preliminar alguma. – comentei com tranquilidade.
— Aberração loira? – Ino pareceu confusa, então decidi por fim explicar de quem se tratava.
— O capitão do navio...
— Ui e ele é gostoso como dizem ser? – Ino indagou despudoradamente soltando um risinho malicioso.
— Sim ele é, mas a gostosura não compensa a chatice e nem a arrogância daquele ser.
— Você falando assim? Pelo jeito ele anda te provocando, você está dizendo que não gosta agora, sua mentirosa, mas sei que mais tarde você vai ceder e dar uns pegas nesse loiro. – previu demonstrando-se animada demais.
— É mais fácil eu dar uns pegas no Kankuro do que nesse loiro. – me irritei um pouco com as insinuações dela.
Não sei de onde Ino tirou essa ideia de que vou ceder á ele, isso jamais vai acontecer, pelo menos não enquanto eu estiver pensando com clareza.
— Duvido, agora preciso desligar, se meu chefe me pegar no celular novamente, vou estar em uma enrascada. Até mais. – despediu-se e sem esperar respostas desligou na minha cara.
Revirei os olhos quando ouvi a linha ficar muda, Ino realmente tinha desligado. Aquela loira nem esperou eu me despedir direito. Afastei o celular da orelha e o segurei nas mãos.
Peguei minha bolsa pronta para voltar para meu quarto e colocar uma roupa, não queria ficar andando por ai de biquíni.
Mas no momento que me levantei um pânico invadiu minha cabeça. Qual era o meu quarto mesmo? Ou melhor onde ele ficava? Direita ou esquerda? O número é 302, mas qual era o caminho? Olhei ao redor em busca de algum guia e por azar não encontrei nenhum.
Suspirei frustrada, porque sempre quando eu precisava de algo nunca tinha alguém para me ajudar, agora quando eu não precisava...
Eu já estava procurando há 30 minutos meu quarto e nada, acho que estou dando voltas em circulo no navio.
— Senhorita Hyuuga, parece perdida, você se importaria se eu me oferecesse para ajuda-la? – me assustei ao ouvir aquela voz grossa e ao mesmo tempo zombeteira perguntar.
Olhei imediatamente para Naruto, comecei a me sentir envergonhada por tal fato e me envergonhei ainda mais ao vê-lo analisar meu corpo demoradamente, seu olhar parou em meus seios.
Pervertido, baka!
Quem se perde em um navio? Eu! Isso aqui é enorme, não lembro onde fica meu quarto. Trinta minutos e nada de achar meu dormitório e para piorar esse loiro oxigenado vem rir da minha cara, além de praticamente me comer com os olhos.
Nunca vou admitir para ele que não lembro onde fica meu quarto. Eu não mereço ter que aturar esse chato até mesmo em meu descanso.
— Eu não estou perdida, capitão. Estou apenas passeando, não percebeu? – tentei parecer irônica e fitei-o com um olhar zangado, mas Naruto nem notou, pois continuava com os olhos fixos nos meus seios.
Dei um tapa em sua cabeça e ele reclamou pela pancada enquanto passava as mãos no lugar dolorido com cara de dor. Ri internamente por isso. Ponto para mim.
— Oh sim! Pela sua cara de assustada creio que seja isso mesmo. – respondeu debochado enquanto alisava o galo que já começava a se formar em sua cabeça.
Naruto mudou a expressão de debochada para uma de indignado. Se ele estava indignado, eu estava pior do que ele por tê-lo flagrado com o olhar fixo nos meus seios.
— E porque me bateu? Isso doeu. – ele ainda estava indignado enquanto fazia uma cara de santo.
— Porque você é um pervertido. – Naruto apontou para si mesmo em uma pergunta silenciosa, eu apenas assenti, ele revirou os olhos e fingiu olhar para o chão.
— Tsc. – bufou ainda olhando para o chão.
Espera ai! Chão? Reparei melhor e não era o chão que prendia a atenção dele, Naruto estava olhando descaradamente para as minhas pernas. Bufei e dei um peteleco na orelha dele.
Naruto me olhou interrogativo como se não soubesse de nada e reclamou novamente de dor.
— O que eu fiz agora?
— O que você fez? Acha que não reparei que você estava olhando para as minhas pernas? Pare de olhar meu corpo seu baka, pervertido. – reclamei dando outro cascudo nele, mas esse foi apenas por vingança mesmo.
— Eu? Eu não. Você viu errado, precisa usar óculos, senhorita. – Naruto pareceu ter ficado carrancudo devido os petelecos que levou, ele parecia uma criança birrenta agindo dessa forma. – Você vai jantar comigo amanhã? – perguntou de repente, parecendo meio apreensivo.
— E eu tenho escolha? – retruquei deixando óbvio que eu estava sendo praticamente obrigada a sair com ele.
— 302, não é? – Naruto ignorou minha pergunta e eu assenti a contragosto.
Naruto começou a gargalhar e em seguida apontou para um corredor que se encontrava a direita.
— É por ali que os quartos ficam, o seu fica no fim do corredor.
Dei as costas a ele e segui na direção que ele havia apontado, não me preocupei em me despedir, afinal eu o veria amanhã mesmo.
Mas espera... Como ele sabia o numero do meu quarto? Aposto que foi Megumi que falou, aquela loira está querendo me jogar para cima desse oxigenado ou é apenas impressão?
(...)
Dia seguinte, na hora do jantar...
Olhei-me no espelho pela décima vez. Mas afinal, porque eu quero ficar bonita para um encontro com Naruto?
Tudo bem que vou adorar provocar ele, porém porque eu estou me preocupando em parecer bonita aos olhos dele?
Passei um batom rosa de um tom escuro nos lábios. Li em uma revista que os homens são atraídos pelos lábios femininos e que não resistem a batons de cores escuras, tipo o vermelho ou um rosa escuro, vamos ver se é verdade mesmo.
Dei mais uma olhada no espelho e me senti satisfeita, peguei minha bolsa e sai do quarto trancando-o em seguida.
Não sei porque, porém não consegui lembrar até agora onde meu quarto fica, no entanto a cabine do capitão me lembro perfeitamente do caminho, não só da cabine, mas dos outros lugares também...
Dei leves batidas na porta que estava fechada, esta que logo foi aberta por Naruto que agora não trajava mais a roupa de capitão e sim um terno preto, pelo menos ele sabe se vestir bem para um encontro.
— Oi. – cumprimentei ao adentrar o local.
Era uma cabine espaçosa e ao contrario do que imaginei era organizada. Possuía uma pequena mesa de jantar que estava arrumada, por cima dela tinha algumas velas vermelhas e pétalas de rosas jogadas por cima da mesma, também havia os pratos, talheres e copos.
Fiquei surpresa ao observar que havia uma cama de casal na espaçosa cabine.
Então ele dormia ali? Achei que nas cabines não houvesse espaço para camas, se bem que a dele parecia ser a maior de todas que já vi.
Ao lado da cama havia uma portinha que presumi ser o banheiro, na frente de tudo estava a direção do navio, ela estava de frente para a enorme janela.
— Oi, eu já pedi a comida, se não se importar... – Naruto me convidou para sentar junto com ele.
Mal educado, nem para puxar a cadeira para mim.
— E o que você pediu? Lámen? – brinquei, mas arregalei os olhos quando ele assentiu com a cabeça sorrindo. – Está falando sério? – perguntei desnorteada.
Isso só podia ser brincadeira, afinal esse jantar não era chique? Com comidas chiques? Eu nunca experimentei esse tal de Lámen, porém não quero comer algo que eu nem conheço direito... E se eu não passar bem após a refeição?
Eu devia saber que esse jantar seria uma furada...
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