O amor não tira férias
4 Baka
Notas iniciais
Queria que Ino ou Hanabi estivessem aqui comigo. Sozinha e sem conhecer ninguém nesse imenso navio era algo meio assustador.
Senti minha barriga roncar alto. A solução estava bem na minha frente. O enorme e luxuoso restaurante. Entrei no local e me sentei no canto, pegando o pequeno cardápio que estava em cima da mesa.
Dei uma lambidinha em meus lábios ao avistar um prato que me deixou com água na boca. Ergui a mão ao avistar um garçom na minha frente.
— Sim, senhorita? – perguntou educadamente, com um sorriso, deixando a mostra os dentes bem cuidados.
— Vou querer salmão gratinado com espinafre e queijo mascarpone. – parei de falar, voltando a analisar o cardápio. – E um suco de laranja.
— Daqui a 20 minutos te trago o seu prato. – anunciou, se retirando com um bloquinho em mãos.
Se tem uma coisa que odeio nos restaurantes é ter que esperar, ainda mais sozinha, sem ninguém para conversar. Se as garotas estivessem aqui, aposto que o tempo passaria mais rápido.
Sorri ao pensar nas meninas. O que será que elas estavam fazendo agora? Com certeza trabalhando, saindo com os namorados ou viajando...
Arfei ao avistar certa cabeleira loira adentrar o restaurante, com um sorriso radiante. Ele estava com as mesmas vestes de antes.
Instintivamente abaixei a cabeça, evitando que nossos olhares se cruzassem. Naruto me deixava um pouco desconcertada quando me fitava.
Levantei a cabeça ao ouvir um barulho. Naruto estava puxando a cadeira vazia da minha mesa e se sentando nela. Ele me encarava com um belo sorriso.
Por um momento me senti perdida nesses lábios perfeitos. Sentado na minha frente e com as mãos em cima da mesa, Naruto parecia a vontade na minha presença.
— Oi. – cumprimentou, como se fosse natural sentar na mesa de alguém que nem conhecia direito.
— Por que sentou aqui? – indaguei, tentando soar natural, fingindo que não me importava com a presença dele.
— Porque me deu vontade. – respondeu, concentrado em ler o cardápio.
— Há varias mesas livres por ai... Por que decidiu se sentar justo aqui? Eu não te convidei para sentar comigo. – reclamei, tentando tira-lo da MINHA mesa, ao mesmo tempo em que tentava não desviar os olhos do rosto dele para o abdômen definido a mostra. – E por que você anda vestido assim? Com esse blazer aberto... Isso é uma... Calamidade para os meus olhos.
— Me deu vontade de sentar aqui. – repetiu. Ele parou de ler o cardápio e levantou os olhos azuis. Parecia decidido a me encarar profundamente. – Se continuar me olhando desse jeito vou ficar envergonhado, senhorita. – comentou debochado e para minha infelicidade, esse loiro tornou a falar. – Oh! Que dó de você. Ser obrigada a me olhar desse jeito deve ser realmente horrível. Muitas mulheres até entortam a cabeça quando chego perto, só não consigo descobrir o motivo. – Naruto começou a se gabar, abrindo um sorriso sínico. – Me sinto mais confortável andando assim, então infelizmente vai ter que aguentar. Lamento.
Bufei para mostrar minha indignação. Que homem mais metido! Ele pode ser bonito, mas a beleza não compensa o jeito convencido.
— Garçom! – Naruto chamou, após avistar um rapaz passar por nossa mesa. – Eu quero o de sempre.
— E de bebida, capitão?
— A melhor garrafa de conhaque que temos. – murmurou após pensar um pouco, com os olhos vidrados em mim.
— Por que ficou todo esse tempo olhando o cardápio se já sabia o que ia pedir? – indaguei assim que o garçom se afastou, não conseguindo evitar minha curiosidade.
— Não quero ficar olhando para a sua carranca. – explicou casualmente, como se aquilo fosse um elogio.
— Baka! Sai da minha mesa! Agora! Me deixe comer em paz. – resmunguei, ficando vermelha, mas dessa vez de raiva.
Esse loiro estava começando a me irritar profundamente e ele parecia ter consciência disso.
— Te deixar comer em paz? Desculpe, mas... – ele parou de falar e pareceu procurar algo na mesa. – Não vejo sua comida em lugar algum? Por que será?
Naruto estava realmente querendo me tirar do sério. Se antes falei que ele me desconcertava, estava totalmente enganada. Na verdade esse baka me irritava até demais. Já não suportava olhá-lo mais.
Com um sorriso nervoso, virei o rosto, tentando me controlar. Não iria perder o controle por causa desse baka. Definitivamente não, afinal, depois de hoje não o veria mais. Esse navio é grande demais. Seria impossível voltar a encontrá-lo. Tudo o que teria que fazer seria almoçar, jantar e tomar o café da manhã mais tarde, assim não teria a infelicidade de topar com ele.
Esse é definitivamente um ótimo plano para não encontrá-lo mais. Sou realmente muito esperta por ter encontrado a solução dos meus problemas em menos de dois segundos.
— Olha, vou fingir que você não está aqui e você vai fingir que não estou aqui. Finja que está jantando sozinho. Apenas não fale mais comigo e nem puxe nenhum assunto. Estamos entendidos, capitão? – propus após ficar mais calma.
— Se você prefere assim, tudo bem...
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