O amor não tira férias
12 Eu não vou repensar sobre isso
Notas iniciais
Eu tinha acabado de contar sobre toda a confusão da noite anterior. Megumi aparentemente até aquele momento não fazia a minima ideia do que tinha ocorrido na festa.
— Então você quer que eu fale com o capitão? – Megumi perguntou após escutar-me pacientemente.
Confirmei, fazendo-a me fitar com um olhar intrigante.
— Particularmente não acredito que o capitão me dê ouvidos. – respondeu o óbvio.
Megumi ajeitou-se melhor na cadeira, apoiando os braços em cima da mesa do restaurante enquanto voltava a falar.
— Mesmo sabendo que isso não vai funcionar irei tentar. Ja ne, Hinata. – despediu-se, levantando da mesa com uma expressão cansada, porém abrindo um pequeno sorriso para mim.
Soltei um pequeno suspiro enquanto acompanhava-a com o olhar. Megumi já caminhava em direção a saída do restaurante. Ela era a minha única esperança de ajudar o Kyo sem que eu precisasse dar de cara com o oxigenado.
(...)
Depois de escutar pacientemente o que Hinata me dizia consegui finalmente descobrir o motivo que fez o capitão aparecer hoje com um humor terrível. Eu devia ter imaginado que ela não aceitaria as desculpas dele tão facilmente assim e pelo visto a recusa e o ciúmes fizeram ele se irritar o suficiente para surtar em plena festa.
No entanto não culpo a Hinata, pois quem errou foi o capitão. O problema é que acabei enfiando o Kyo nessa confusão toda e por culpa minha ele se deu mal.
Eu devia saber que pedir a ele para ir à festa com a Hinata para fazer ciúmes no capitão seria uma péssima ideia, mas nunca imaginei que Naruto fosse tomar tal atitude. Na hora parecia ser um ótimo jeito de juntar os dois, todavia agora vejo as consequências por ter tentado me meter na relação deles. No final acabei ferrando com tudo.
Toda essa situação acabou se tornando uma lição de vida e tanto. Nunca mais vou me meter na vida amorosa deles e nem vou ajudar esses dois cabeças duras a perceberem que se gostam.
Esses dois vivem implicando um com o outro, eles podem negar, mas sei que por trás de todas as farpas trocadas existe uma atração mutua, afinal essa atitude é bem típica de casais. Esses dois não me enganam. Sinto que há algo a mais entre esses cabeças duras, mesmo que não me digam, eu sei que estão me escondendo algo.
Antes de falar com o capitão tenho que enfrentar o meu pior pesadelo. Conversar com o Kyo, afinal estou me sentindo mal pela demissão dele. Foi tudo por culpa minha.
Caminhei em direção aos quartos dos funcionários, mais especificamente o dormitório dele ao qual eu ainda lembrava do caminho. Ninguém nunca soube disso, mas Kyo e eu namoramos por algum tempo no passado, infelizmente nosso relacionamento não durou muito, pois acabei terminando com ele, eu não aguentava mais esse jeito dele.
Tudo bem que ele era carinhoso e romântico comigo, mas era ciumento e possessivo demais. O Kyo não podia ver os passageiros me olharem ou chegarem perto de mim que já ficava extremamente irado.
Por pouco ele não foi demitido. Sua irritação e ciumes começaram a atrapalhar tanto nosso relacionamento quanto sua postura no trabalho. Os funcionários cochichavam sempre que nos viam passando e logo essas fofocas chegariam aos ouvidos do capitão, foi pensando nessas consequências que decidi terminar. Era o certo a se fazer ou Kyo acabaria perdendo o emprego.
Na última vez que fui até o quarto dele decidi terminar nosso relacionamento alegando que não estava dando certo. Meu coração se quebrou em vários pedacinhos quando seu sorriso morreu em seus lábios. Me doeu vê-lo triste todos os dias, eu sentia saudades de vê-lo alegre ao me ver e do seu sorriso amável quando conversava comigo.
A cada novo dia eu me sentia ainda mais triste. Kyo já não era mais o mesmo. Ele estava frio, sério e irônico demais, aquele não era mais o meu Kyo. Eu tinha destruído o único homem que me amou verdadeiramente.
Ele nunca foi perfeito, no entanto era a personificação do homem que eu tanto procurei durante minha vida toda. Kyo tinha sido o único pelo qual me apaixonei verdadeiramente.
Ele era tudo para mim e tomar a decisão de terminar nosso relacionamento foi a escolha mais dolorosa que tive que tomar. Ter ciência de que eu era o motivo pelo qual Kyo havia se transformado em outra pessoa doía ainda mais.
Nunca tive a intenção de machucá-lo, pensei que com nosso término ele não teria mais motivos para ser tão ciumento e briguento com os outros homens que se aproximavam de mim, assim seu emprego estaria a salvo.
Quando terminamos e me deparei com o olhar magoado dele, isso acabou com o meu psicológico, por um momento senti vontade de voltar atrás na minha decisão. Kyo se fez de forte enquanto tentava esconder a tristeza em sua voz, simplesmente dizendo que estava tudo bem e que estava mais do que na cara que nosso relacionamento nunca daria certo.
Depois disso sai correndo do quarto dele antes que ele chorasse... Quem eu estava tentando enganar? A verdade era que corri sem mais nada a dizer porque quem começaria a chorar seria eu. Nunca fui forte quando o assunto se relacionava a sentimentos.
Fazia um ano que nosso relacionamento tinha terminado e ainda assim eu continuava a sentir falta dos nossos momentos e de quando ele me olhava com aquele olhar carinhoso dele.
Kyo ainda estava ressentido comigo, ele deixava explicito em seu olhar cada vez que me olhava com mágoa e eu continuava a sentir minhas pernas bambas cada vez que o via passar ao meu lado. Meu coração continuava a reagir, batendo acelerado sempre que nós ficávamos no mesmo ambiente.
Mesmo que Kyo não me cumprimentasse mais e evitasse olhar na minha direção, mesmo que me ignorasse quando passava ao meu lado ou que tenha mudado, eu ainda o amava como antes.
Posso ter tomado uma decisão estúpida quando decidi terminar nosso relacionamento, mas se continuássemos juntos ele teria perdido o emprego devido seu jeito ciumento e olhe só que ironia do destino...
Eu tentei com tanto empenho me afastar dele para que nossa relação não fizesse com que Kyo perdesse o emprego, no entanto de todo jeito ele acabou sendo demitido. O destino tinha sido totalmente irônico conosco. No final das contas a causadora de sua demissão acabou sendo eu. Em fim o que tanto temi tinha acontecido.
Bati levemente na porta do quarto dele. Eu sabia que Kyo estava lá dentro, afinal após a demissão ele não tinha aparecido pelo navio em momento algum. Na verdade, após nosso término ele se isolou completamente.
Agora Kyo apenas saia do quarto para trabalhar. Quando namorávamos ele saia a noite comigo para darmos algumas voltinhas pelo navio, me levava para jantar e às vezes íamos a algumas festas.
A porta a minha frente abriu-se de repente. Lá estava ele. Vestindo um pijama. Olhando-me totalmente deprimido. Desviei o olhar, não queria vê-lo daquele jeito.
— O que você quer? – perguntou, dando passagem para que eu entrasse em seu quarto e sem hesitar entrei.
O quarto estava todo desarrumado. Sentei em uma cadeira que ficava ao lado da porta e de frente para a Tv, era o único lugar onde não havia bagunça por cima.
— Esse quarto está uma bagunça, não é? – indaguei, ignorando a pergunta dele.
Kyo bufou e aproximou-se. Ele empurrou a bagunça que estava ao meu lado para o chão e sentou-se no sofá.
— Não estou muito no clima de ficar arrumando o meu quarto, ainda mais agora que fui demitido. Só preciso arrumar as minhas malas e em seguida descer no lugar onde o navio parar. – murmurou fitando a Tv desligada com uma expressão irônica. – Por que veio aqui? Sentiu-se culpada? – perguntou soltando uma curta risada. – Pois saiba que não fiz isso por você. Eu aceitei convidar sua amiga para a festa porque precisava sair um pouco daqui. – respondeu sem me olhar. – Então não precisa pedir desculpas por nada.
Pelo modo como Kyo me encarava parecia que ele não queria que eu continuasse a me sentir culpada, no entanto eu tinha feito uma burrada, a culpa era toda minha e eu precisava consertar.
Eu tentaria convencer o capitão a repensar sobre a demissão do Kyo, assim como a Hinata tinha pedido.
— Olha Kyo, me desculpe. Eu sei que a culpa foi minha. – olhei-o tentando decifrar sua expressão, mas naquele momento seus sentimentos eram uma incógnita. Sua atenção parecia totalmente voltada para o chão que ele encarava insistentemente.
Puxei a mão dele e a segurei firmemente na tentativa de fazê-lo me olhar. Queria que Kyo soubesse que eu estaria ali se ele precisasse de algo.
— Eu vou falar com o capitão e vou tentar convencê-lo a repensar sobre sua demissão. Você vai ver, as coisas vão voltar ao normal, como sempre foram antes. – falei ainda tentando fazê-lo me olhar.
Kyo fechou os olhos por alguns segundos, talvez na tentativa de se acalmar e logo virou sua cabeça na minha direção.
— Como se ele fosse te escutar. As coisas vão voltar ao normal? Você tem certeza? – rebateu ironicamente.
Me encolhi ao perceber sua indireta, tentei dizer algo, mas Kyo silenciou-me colocando um dedo em meus lábios, com um pequeno sorriso se inclinou em minha direção e me fez recuar até encostar no braço do sofá.
— Pode fazer uma coisa por mim antes que eu vá embora? – sussurrou levemente.
Afirmei um sim com a cabeça, sentindo seu hálito quente em meu rosto. Sem dizer nada ele se aproximou mais de mim e encostou seus lábios aos meus em um breve selinho, não demorando a virar um beijo voraz e cheio de saudades. Kyo tentou arrancar a minha blusa, mas o impedi segurando as mãos dele e me separei de seus lábios.
— Agora não, Kyo. Preciso falar com o capitão. – murmurei meio desanimada.
Eu queria matar as saudades dele, mas era melhor fazer isso depois que soubesse da resposta do capitão, se fosse positiva eu nunca mais largaria o Kyo, agora se fosse negativa eu teria que matar a saudade em apenas uma noite e depois me acostumar com a ideia de vê-lo raramente ou nem isso.
— Tudo bem. – resmungou a contragosto, se recompondo e me pegando de surpresa ao me puxar para um abraço apertado. – Senti saudades. – anunciou dando um leve beijo no topo da minha cabeça, em seguida me soltou com um sorriso brincando em seus belos lábios.
— Podemos continuar nossa conversa depois? – questionei na esperança que ele concordasse. Kyo assentiu e me deu um selinho.
Dei um sorrisinho e me levantei do sofá. Olhei-o, flagrando o exato momento em que seus olhos voltavam a ter o mesmo brilho apaixonado de antes. Ajeitei minha blusa e me aproximei novamente dele. Trocamos mais um beijo e me despedi dele, rumando em direção a cabine do capitão.
Respirei fundo antes de bater na porta, a mesma foi aberta um pouco depois, assim que entrei vi o capitão virar na minha direção e me fitar curioso enquanto pilotava o navio.
— Algum problema? – perguntou voltando a fazer a mesma expressão irritada de antes.
— Eu quero te pedir uma coisa, capitão. – anunciei depois de respirar fundo por pelo menos três vezes.
O capitão voltou a me fitar, sua expressão dando lugar a curiosidade. Sua pose autoritária deixava claro que ele não diria nada enquanto eu não fizesse meu pedido. Seu olhar tornava-se cada vez mais duro conforme meu silêncio se prolongava.
— Peça logo, Megumi. Não posso esperar o dia inteiro. – bufou revirando os olhos.
— Achei totalmente injusta a demissão do Kyo. Será que você não pode repensar sobre isso? A culpa não foi dele, foi minha. Eu pedi para ele ir a festa com a Hinata, pois pensei que não teria nenhum problema nisso, então se alguém tem que perder o emprego, essa pessoa tem que ser eu. – Naruto fechou a cara ao escutar o que eu tinha dito.
— Eu não vou repensar sobre isso, já me decidi. A culpa foi dele sim. Quem mandou ser tão atrevido ao ponto de não permitir que eu conversasse com a Hinata... Kyo pensou que era quem? O namorado dela? – soltou uma risadinha irônica. – Sem esquecer o fato de que aquele babaca me deu um soco. – reclamou áspero e para minha surpresa ele continuou a despejar mais palavras venenosas. – Se não está feliz com a demissão dele porque não se demite também? É claro que eu acho isso completamente desnecessário já que você é uma das funcionárias mais eficientes que temos por aqui, mas a escolha é sua. – finalizou sem me olhar.
Fiquei perplexa pelas palavras proferidas pelo capitão. Sem conseguir pensar direito me ajoelhei aos pés dele e me agarrei a eles.
— Onegai. onegai. onegai, capitão. – pedi deixando que algumas lágrimas escapassem enquanto ele mostrava-se claramente desconfortável com o que eu estava fazendo. – Reconsidere, onegai. Você não pode fazer isso, capitão. Não seja tão insensível a esse ponto. – agarrei firmemente os sapatos dele.
Naruto tentou me levantar do chão enquanto continuava a ignorar os meus apelos, no entanto continuei empenhada a me manter ajoelhada aos pés dele, implorando para que ele me escutasse.
— Ei! Para com isso. Já chega! Eu não vou repensar, agora sai daqui, por favor. – Naruto finalmente tinha conseguido me levantar do chão e sem nada mais a dizer ele me arrastou para fora da cabine e fechou-a na minha cara me deixando parada ali, olhando para a porta sem saber o que fazer.
Hinata! Eu precisava falar com ela. Corri em direção ao restaurante desesperadamente.
Ela já devia ter saído de lá, mas não custava nada dar uma passadinha para conferir. No caminho fui tentando limpar as lágrimas que continuavam a descer pelo meu rosto.
Tentei arrumar meus cabelos que estavam presos em um coque que já dava sinais de que logo se desmancharia. Com um sorriso fraco entrei no restaurante e por kami! Avistei-a sentada no mesmo lugar de antes. Corri até a mesa dela sem me importar com os olhares confusos dos outros clientes, deviam estar achando que eu era louca.
— Hinata. – chamei quase sem fôlego, assim que parei em frente a ela e me apoiei na mesa para descansar.
— Megumi! – exclamou abrindo um pequeno sorriso. – Conseguiu? – perguntou. Percebi certa esperança em seu olhar, fechando os olhos neguei com a cabeça, tentando me controlar para não chorar novamente. – O quê? Não acredito... Eu tinha certeza que ele te escutaria. – Hinata abaixou a cabeça desanimada e mordeu os lábios com força.
— Acho que a única que ele vai escutar é você, senhorita. – falei fazendo-a levantar a cabeça e me fitar com um olhar vacilante.
— E-eu? – sua voz tornou-se fraca e trêmula diante da minha resposta. Eu sabia que Hinata não queria ver o capitão tão cedo assim, mas ela tinha que saber que agora as coisas dependiam unicamente dela.
Ela era a única que podia salvar o emprego do Kyo nesse momento.
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