O amor é um mistério
1 Epílogo
Notas iniciais
— Aqui está Anna. – Senhora Jones colocou em minhas mãos o pagamento daquela semana. – Vá com cuidado. – Despediu-se.
A rotina na lanchonete era sempre a mesma, após ajudar a Senhora Jones a fechar no domingo à noite, ela me dava o pagamento da semana e eu tinha dinheiro para aproveitar as minhas segundas feiras de folga.
Naquela noite, sentia um frio descomunal, era uma caminhada de cerca de 30 minutos até em casa, pela a rodovia escura e com arvores a toda volta. Riverside era uma cidade pequena, porém não muito perigosa, todos se conheciam entre si.
Um pouco a frente escutei o barulho de alarme e vi um brilho que pareciam ser de faróis. Eram quase meia noite e como sempre não havia uma alma viva no local. Não havia outro caminho para chegar em casa, então respirei fundo e continuei em direção as luzes.
A cena em minha frente me pegou completamente de surpresa, liguei a lanterna do celular e vi uma picape capotada, com a porta do motorista sobre o asfalto. O cheiro de gasolina era forte, mas não havia som algum além do alarme que continuava apitando sem parar.
Aproximei-me pela frente do veículo, e para minha surpresa havia um homem preso ao cinto de segurança, no banco do carona. Ele estava desacordado e com sangue escorrendo de um ferimento na testa.
— Senhor? Senhor? – gritei tentando acordá-lo, mas nem sinal de vida ele deu.
Sempre comigo, pensei. Havia pouco menos de 1.000 pessoas que moravam nesta cidade, mas claro que tinha de ser eu a encontrar um acidente.
Respirei fundo novamente e tomei a primeira providencia adequada, liguei para a polícia e informei tudo o que tinha observado ali.
Logo em seguida, escalei a picape e estiquei a mão encostando no rapaz. Ele estava quieto, mas respirava.
Como que tendo um reflexo rápido e quase me derrubando, ele segurou meu braço e me encarou dizendo:
— Me ajude, por favor. – Implorou.
— Calma, já pedi ajuda. Você consegue se soltar? Acho melhor sair daí, tem gasolina pra todo lado.
Ele me soltou, e desafivelou o cinto. Esticou as mãos em direção a janela onde eu estava e eu me afastei para que ele pudesse sair. Ajudei-o a descer e caminhamos juntos alguns passos para longe do carro.
O deitei no chão e apoiei sua cabeça em meu colo.
— Pat? Onde ele está? Você precisa ajuda-lo também. – Ele pediu com a voz fraca, parecia questão de tempo até que desmaiasse novamente.
— Calma, não tem mais ninguém aqui, só nos dois. – Eu disse para acalmá-lo.
Ele me olhou com um misto de descrença e incredulidade, logo em seguida seus olhos se fecharam.
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