Notas iniciais
Olá! Como estão? Espero que gostem do capítulo de hoje.

Levantei bem cedo na manhã seguinte, as 5:30, tinha que fazer meu dever de casa antes de ir para aula. Já havia tentado fazer a noite, mas sempre chegava muito cansada. Depois de terminar, arrumei minha mochila e fui tomar um banho.

Havia decidido que não iria pensar em Patrick e muito menos em Derek, iria esquecer o acidente e seguir minha vida.

Eu tinha planos para o futuro, mesmo pagando algumas contas e meus livros, eu guardava algum dinheiro. Dentro de um ano e meio eu iria terminar o colégio e iria embora. Não tinha nada que me prendesse naquela cidade e tinha um Uno antigo que foi do meu pai. Bastava consertar o carro que poderia dar o fora dali e recomeçar.

Enquanto preparava meu café da manhã, eu escutei os passos de minha mãe descendo as escadas e respirei fundo, para adquirir paciência.

Como era normal, ela não me cumprimentou, apenas foi em direção a geladeira e pegou agua gelada, provavelmente tentando curar a ressaca.

— Vou ficar uns dias fora, a filha da Senhora Angry vai viajar e tenho que ficar com ela. – Mamãe disse, colocando a garrafa vazia na pia.

Ela era cuidadora de idosos, e fiquei aliviada em saber que ela iria trabalhar afinal este era o único momento em qual ela não bebia.

— Tudo bem. – Respondi, comendo minhas torradas.

Ela me encarou por alguns segundos e saiu sem dizer mais nada, nem sequer ofereceu uma carona, nunca oferecia.

Terminei de lavar a louça, coloquei a mochila sobre os ombros e fui para escola.

Hoje já era sexta feira, e teria todo um fim de semana de trabalho pela frente, que me deixava animada. Como não tinha muitos amigos, era com trabalho que me distraia.

Eu estava na metade do meu segundo ano do colegial, era uma aluna mediana, não tinha ambições de entrar em uma faculdade. Apenas queria trabalhar e me virar sozinha.

— Bom dia Anna! – Max me cumprimentou, enquanto pegava meus livros em meu armário.

Max era o típico atleta imbecil, daquele tipo lindo e sem cérebro que as meninas amavam, era tão mimado que me enojava.

— Bom dia! – Digo e começo a caminhar.

— Então, você já pensou com carinho em minha proposta? – Ele perguntou, me seguindo.

— Eu já disse, eu não tenho tempo. – Respondi sem graça. Havia uns minutos antes da aula começar, e eu realmente queria adiantar meu trabalho de matemática para a próxima semana.

— Nem na sua folga? – Max podia ser realmente insistente, ele agora estava segurando meu braço e começando a me incomodar.

— Minhas folgas são sempre segundas, e geralmente tenho coisas em casa e da escola para fazer. Desculpe. – Digo sem me mover, esperando que ele me solte.

Ele aperta meu braço e me empurra contra os armários, de modo que fique presa entre os armários e ele.

— Sabe de uma coisa, eu curto uma gatinha difícil, mas você está passando dos limites. – Ele diz encarando-me.

Algumas pessoas no corredor nos encaravam, mas ninguém fazia nada, claro, afinal quem iria me ajudar?

— Não é questão de se fazer de difícil, é só que eu não estou interessada! – Retruco, tentando empurra-lo.

Max estica um dos braços e eu automaticamente fecho meus olhos esperando pelo tapa. Não seria a primeira vez, nós havíamos ficado juntos uma vez, a um ano, ele forçou a barra para transarmos e acabou me batendo, depois disto não quis mais saber dele. Mesmo assim, como esta escola era a única da cidade, era impossível não esbarrar com ele de vez em quando.

— Você perdeu a cabeça? – uma voz conhecida pergunta. Abro os olhos e me deparo com um Derek furioso.

— Isso não é assunto seu. – Max responde sem me soltar.

— Você bater em uma garota no corredor da escola é assunto de qualquer um que veja isto. – Derek responde, soltando a mão de Max que eu nem havia notado que ele segurava.

— Porque não vai cuidar da vida da sua irmãzinha? Ou vai me dizer que gosta de saber que o namoradinho está com ela apenas por interesse? – Max disse em tom de deboche.

Derek perde o controle e empurra Max contra o armário com força e segurando-o pela camisa.

— Não fale sobre coisas que você não entende seu imbecil! – Derek rosna para Max.

O sinal da primeira aula toca e agora estamos sozinhos no corredor. Os dois se encaram, um fuzilando o outro com o olhar.

Eu me aproximo de Derek, e toco de leve em seu ombro.

— Vamos para aula, por favor. – Eu suplico, eu conhecia bem o pai de Derek e se ele fosse chamado ali por algo do tipo uma briga tenho certeza que não titubearia em bater nele na frente de todos igual da última vez.

Ele nem sequer olha para mim, resolvo não insistir, recolho meus livros que deixei cair, e vou embora para sala, nessa briga eu não vou e nem quero me meter.

Mais tarde naquele mesmo dia...

Um forte temporal atingiu nossa cidade naquela noite, o movimento no horário do jantar foi praticamente inexistente por causa disso. Aproveitei e coloquei meus livros sobre uma mesa no canto e comecei a fazer aqueles exercícios de matemática.

Desde que os clientes fossem atendidos, Senhora Jones não se importava.

Tive uma primeira meia hora de foco total, até que o sino da porta balançou alertando-me da chegada de um cliente.

Levantei depressa, pegando meu bloco e seguindo para mesa agora ocupada infelizmente por Max.

Era o cumulo ele aparecer aqui depois daquela cena no colégio.

— Boa noite, o que deseja? — Perguntei o mais profissionalmente possível.

— Um x-tudo e fritas por favor. – Ele respondeu com uma voz esquisita, que me fez encara-lo por um segundo.

— Já trago. – Digo, afastando-me.

Um olho roxo, será que Derek havia feito aquilo? A voz esquisita e o cheiro forte de cerveja indicavam que Max não estava em seu estado normal. Enquanto esperava Billy preparar o pedido, fiquei inquieta com os olhares que Max me lançava de sua mesa. Olhei para o relógio, eram 22:00, faltavam apenas meia hora para fecharmos e algo me dizia que não era coincidência ele ter aparecido neste horário.

Levei seu pedido até sua mesa, junto com a comanda com o valor, ele me deu uma nota de 50,00 e disse que eu podia ficar com o troco. Não questionei, afinal dinheiro era dinheiro.

Recolhi meus livros da mesa e os coloquei em minha mochila, logo em seguida entrei para cozinha, indo em direção ao escritório da Senhora Jones.

— A senhora se importa se eu for embora mais cedo hoje? – perguntei tentando não demonstrar meu nervosismo.

— Não quer esperar a chuva passar? — Ela perguntou preocupada, olhando para o temporal que caia lá fora.

— Não, eu prefiro ir agora, essa chuva não irá passar tão cedo. -Digo.

— Tudo bem, pode ir, amanhã nos vemos. Boa noite! – ela me dispensou, sem mais perguntas, para meu alivio.

Coloquei meu capuz e corri pela rua, nem arrisquei abrir a sombrinha, com aquele vento forte ela não resistiria muito. Tinha uns 30 minutos até Max perceber que eu fui embora, era esse tempo que gastava normalmente para chegar em casa, mas com a chuva contra mim, confesso que corria mais por medo dele me alcançar.

Quando avistei minha casa, um alivio percorreu todo meu corpo. Parei em frente a porta principal e procurei em minha mochila as chaves.

Um farol forte bateu em minha direção, era o carro dele, Max realmente viera atrás de mim, não estava paranoica. Localizei as chaves e abri a porta ao mesmo tempo que escutei ele bater à porta de seu carro.

Corri para a porta dos fundos e a tranquei também, verifiquei as janelas enquanto ele esmurrava a porta principal.

— O que você quer? – gritei tentando demonstrar minha irritação.

— Você sabe meu bem, não terminamos nossa conversa hoje mais cedo. – Ele diz com a voz manhosa.

— Vá embora, antes que eu chame o Xerife. – Ameaço-o subindo as escadas em direção a meu quarto.

Bato a porta com força e tento raciocinar, para quem posso pedir ajuda agora?

Notas finais
E a ação continua...