O amor é um mistério
12 Capítulo 11
Notas iniciais
P.O.V Derek
Sábado eu trabalhei muito, percebi porque fui contratado para ajudar Anna, aquilo era muito trabalho para uma pessoa só, mas não reclamei ao invés disso fiz meu melhor.
A senhora Jones me liberou às 21h, para que eu fosse me aprontar para o baile e ficou com Billy cuidando da lanchonete. Àquela hora da noite o movimento já diminuirá, a maioria dos adolescentes que freqüentavam ali à noite iria ao baile.
Quando cheguei a minha casa após tomar um banho, fui direto ao meu quarto e coloquei o terno preto italiano que minha mãe havia deixado em minha cama, odiava usar aquilo, era caro e desnecessário, mas Anna merecia o melhor. Um sorriso bobo tomou meus lábios enquanto ajeitava minha gravata, era o que acontecia toda que vez em que pensava nela.
Sem a menor cerimônia Joyce abriu a porta e entrou em meu quarto.
— Está bonito irmãozinho. – Ela diz cínica.
— Você também. – Digo olhando-a através do espelho.
Joyce esta de pé próxima a porta, com um vestido verde água, na altura dos joelhos e saia de tule.
— Porque vai com aquela desclassificada? – Ela perguntou. – Era pra ser uma noite entre amigos.
— Anna não é desclassificada, é honesta e trabalhadora. –A defendi irritado.
— Está mais pra ordinária. – Joyce resmungou.
Virei-me e encarei minha irmã de frente, ela desviou o olhar dos meus olhos e fitou o chão.
— Se quer me tirar do sério está conseguindo. – Digo impaciente.
— Ela não é adequada, você sabe disso, nunca iremos aceitar ela. – Ela retrucou.
— Se esse nós for você, Patrick e sua amiguinha, eu não faço a menor questão que aceitem. – Digo friamente.
— Papai... – Ela começou.
— Ele se casou com uma humana e nos teve, e até onde eu sei foi muito feliz em seu casamento com nossa mãe. – Digo e meu tom sai mais áspero do que eu gostaria.
Joyce suspira impaciente, enquanto eu recolho minhas chaves e carteira na mesa do quarto.
— Divirta-se e não nos incomode hoje à noite. – Despeço-me e vou embora deixando Joyce parada em meu quarto.
Dirijo rápido para buscar Anna e procuro esquecer sobre a conversa com minha irmã. Para os nossos antigos sangue valia mais que valores, poucos como eu pareciam não ligar para isso.
Quando cheguei, desliguei o carro e toquei a campainha. Estava ansioso para vê-la. A mãe de Anna abriu a porta sorridente.
— Nossa... – Ela comentou com olhar de aprovação. – Você está lindo Derek! – Me elogiou.
— Obrigado senhora. –Eu agradeci sem graça.
— Me chame de Kate. Pode entrar. – Ela diz afastando-se para que eu possa entrar.
Ela ficou me olhando e ainda sorrindo, me fazendo corar.
— Quer tomar algo? – Ela pergunta educadamente.
— Não obrigado, estou bem. – Agradeço.
Anna não me deixou esperando, ouvi seus passos vindos em direção a escada, então a vi. Com um vestido vermelho deslumbrante, os cabelos presos em um coque elegante e alguns fios soltos envolta de seu rosto. A maquiagem leve realçando sua beleza. Eu estava de boca aberta, havia valido a pena aquentar a irritação de Joyce pela minha escolha de parceira para o baile.
— Oi. – Ela cumprimentou, dando-me um sorriso tímido.
— Você está deslumbrante. – Digo logo de cara, e ela cora lindamente.
— Obrigada. – Ela agradece e ficamos nos encarando. – Você também. – Emenda.
— Crianças, me esperem vou bater umas fotos. – Kate diz e sobe correndo as escadas.
— Mãe! – Anna resmunga envergonhada. – Desculpe. – Ela desculpa-se comigo sem graça.
— Vou adorar. – Digo e continuo a sorrir encarando-a.
P.O.V Anna
Minha mãe voltou correndo com sua câmera e eu me aproximei um pouco de Derek para tirarmos a foto. Ele me surpreendeu esticando um de seus braços e colocando ao redor de minha cintura. Sorriu com naturalidade para a câmera e eu tentei fazer o mesmo.
— Lindos! – Mamãe diz após quase nos cegar com o flash.
— A senhora pode bater uma com meu celular? – Derek pediu entregando o celular para minha mãe.
— Claro! – Ela respondeu animada. – Sorriam!
Ainda com o braço a minha volta, sorrimos novamente para a foto.
— Obrigado. – Ele agradeceu quando mamãe devolveu-lhe seu celular.
Olhamos juntos a foto e fiquei chocada em como ele era fotogênico. Parecia que estava ao lado de um modelo profissional na foto.
— Vamos? – Ele perguntou abrindo a porta para sairmos.
— Sim. – Sorri e segui em direção a saída.
— Se cuidem, por favor, e não se preocupem com horário. – Mamãe diz piscando um olho para mim e Derek.
— Mãe! – Ralhei com ela.
— Obrigado Kate. – Derek riu e saiu antes de mim.
— Quer me matar de vergonha? – Cochichei para minha mãe assim que tive certeza de que ele não poderia mais me ouvir.
— Deixa de ser boba e aproveita esse gato maravilhoso. – Ela diz como uma adolescente.
— Menos mãe. – Digo revirando os olhos. – Boa noite. – Despeço-me.
Derek esperou pacientemente eu chegar perto do carro, o que com aqueles saltos enormes pareceu demorar uma vida. Ele abriu a porta do carona para mim e eu entrei.
A música tranqüila soava pelos alto falantes do carro e por mais que eu tentasse, não conseguia parar de encará-lo. Ele pareceu perceber o meu olhar e desviou os olhos da estrada para mim me fazendo ruborizar.
— Você está incrível Anna. – Ela me elogia, deixando-me ainda mais vermelha.
— Obrigada, mas não cheguei nem aos seus pés. – Digo honesta, ele era muito mais do que uma garota sem atrativos como eu merecia.
— Você me superou, não vou desgrudar de você está noite, não quero que ninguém te roube de mim. – Ele diz com um sorriso sincero.
Desvio meu olhar para minha janela e ficamos em silêncio o resto do percurso. Quando nos aproximamos do colégio, havia muitos carros por ali e o som alto indicava que já estava lotada a quadra da escola.
Derek estacionou e desceu rapidamente para abrir minha porta, um verdadeiro cavalheiro.
Caminhamos lado a lado em um silêncio confortável, quando chegamos à entrada ele estendeu sua mão e segurou na minha. Eu não consegui encará-lo, apenas aceitei seu toque e não consegui conter meu sorrisinho.
A decoração estava linda, flores de papel por todos os lados. O DJ tocava uma trance bem agitada, mas havia poucas pessoas dançando na pista. A maioria estava atacando o Buffet e alguns sentados nas mesas colocadas nas laterais.
À medida que caminhávamos todos cumprimentavam Derek e para minha surpresa eu também. Era uma sensação estranha ter tanta atenção, mas até que eu estava gostando.
— Olá! – Derek cumprimentou dois casais que estavam sentados em uma mesa ao canto.
Os garotos fazem parte do time de futebol, Adrian e Ethan, e as garotas eram Hillary e Clair suas namoradas. Eles retribuíram o cumprimento e sorriram para mim. Derek puxou uma cadeira e me sentei entre ele e Hillary.
Eu tinha certo preconceito contra lideres de torcida, mas tinha de admitir que Hillary e Clair eram bem divertidas assim como seus namorados. Senti-me a vontade com eles.
Depois que comemos e bebemos ponche, Derek me fez um convite inusitado.
— Vamos dançar? – ele perguntou sorrindo.
Tocava Closing Time, uma música lenta graças a Deus eu pensei.
—Uma lenta eu posso encarar. — Respondi também sorrindo.
Caminhamos de mãos dadas para o meio da pista. Ele soltou minha mão e colocou suas mãos em minha cintura, estiquei meus braços e coloquei ao redor de seu pescoço. Balançamos-nos lentamente no ritmo da música.
— Está gostando? – Ele perguntou, levantei meu rosto e encarei seus olhos.
— Sim. – Respondi sorrindo. – E você? – Perguntei.
— Muito. – Ele respondeu, apertando seus braços a minha volta, colando nossos corpos.
Ficamos ali por um longo tempo, dançamos uma, duas, três, musicas em seguida. Na pista havia vários casais, mas somente ele me importava.
Quando a música agitada voltou, ele me soltou parcialmente e segurou minha mão me puxando em direção a arquibancada.
— Vou ao banheiro. – Aproximo-me de seu ouvido e digo.
Ele acena afirmativamente com a cabeça e aponta para seus amigos na arquibancada indicando que me esperaria ali com eles.
Fui depressa ao banheiro, que por sinal estava imundo. Fiz minhas necessidades e sai dali o mais brevemente possível. No corredor escuro, escutei um cochicho irritado.
— Pensei que estivesse tudo ajeitado. – Parecia ser a voz de Max, os sussurros vinham de uma sala.
— Eu não controlo às vontades do meu irmão. – Uma voz feminina, que achei ser de Joyce retrucou.
Eu não iria me intrometer naquilo, sempre sobrava para mim. Caminhei depressa em direção a porta que dava na quadra. Alguém a abriu no mesmo momento em que eu iria entrar e nos esbarramos de frente. Como eu estava de salto, levei a pior e cai no chão.
— Você está bem? – Patrick perguntou, ajudando-me a levantar.
— Sim, desculpe. – Digo sem graça com seu ato de gentileza. Em um dia normal Patrick me deixaria caída no chão.
— Tudo bem? – Ele pergunta me encarando. – Você está bonita. – Comentou.
— Obrigada. – Agradeci enrubescendo. – Licença. –Digo indo embora dali.
Se Patrick escutasse o que eu ouvi, daria confusão na certa. Devia estar com cara de assustada, pois a me ver Derek se levantou e veio em minha direção.
— O que houve? – Ele perguntou quando estávamos próximos.
— Nada. – Menti.
— Você é péssima mentirosa. – Ele comenta rindo, me fazendo corar. – Desde que esteja bem não precisa me contar. – Ele emenda.
Não vi mais Patrick, Joyce e Max naquela noite, estava tão concentrada em Derek que provavelmente nem os teria me notado se estivessem do meu lado.
A única parte ruim foi ver Sara ser coroada como rainha do baile ao lado do meu acompanhante. Ela o agarrou para tirarem as fotos, mas para a primeira dança ele veio em minha direção. Todos do salão nos encaravam quando ele estendeu sua mão para mim.
Por cima de seu ombro vi Sara de braços cruzados, me encarando numa tentativa de intimidação, mas eu não iria ceder, pelo menos não nessa noite.
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