Notas iniciais
Eii, espero que gostem! Pfvr comentem e me digam o que estão achando.

Acabei trocando minha folga de segunda por sábado. Quando contei a Senhora Jones que precisava fazer isto porque iria ao baile, ela ficou mais entusiasmada que eu. Mesmo assim, na quinta-feira quando ela me chamou em seu escritório, fiquei chocada ao ver o vestido maravilhoso que estava lá para mim.

Olhei do vestido para ela e dela para o vestido em choque. Não consegui conter o enorme sorriso em meus lábios.

— Se acalme, é apenas um empréstimo de uma amiga. – Ela me alertou, enquanto eu tocava a enorme saia rodada.

— Não acredito, nem sei como agradecer. – Digo emocionada.

— Querida, você já agradece todos os dias com sua dedicação no trabalho. – Ela retruca com um sorriso amável.

Eu fiquei muito emocionada, sempre considerei a Senhora Jones como uma avó, eu trabalhava muito porque eu precisava do dinheiro e também porque faria de tudo para não decepcioná-la.

— Obrigada. – Agradeço, dando-Lhe um forte abraço.

Durante aquela semana, havia evitado Derek ao máximo, me sentia bem tímida toda vez que o encontrava por algum corredor ou quando sentia seu olhar sob mim durante alguma aula.

Na sexta-feira antes de ir para o trabalho, fui até a oficina Scorpions (a única da cidade) para conversar sobre o carro do meu pai que queria consertar.

Estive evitando esse momento por muito tempo, o pai de Max era dono de lá e seus dois irmãos mais velhos trabalhavam com ele. Eram homens bonitos, mas todos sabiam que eram do tipo “barra pesada” com quem ninguém deveria se meter.

Depois de acertamos tudo, eu teria que contratar um reboque para levar o carro da garagem da minha casa para a oficina. Eu odiava gastar minha grana, mas sabia que seria para um bem maior.

A casa da família de Max ficava ao lado da oficina e fiquei surpresa ao ver Max chegando com Joyce em seu carro. Ele sorriu com malicia a me ver e eu continuei caminhando apressadamente, Joyce ao contrário pareceu assustada.

Se ela e Patrick estavam dando um tempo não havia motivo para se assustar, pensei.

Fui para o restaurante em seguida e procurei esquecer tudo aquilo, afinal de contas eu não tinha nada haver com isso mesmo.

Conversei com o Billy nosso cozinheiro e ele me passou o contato de um reboque para meu carro, iria aproveitar o sábado pela manhã para resolver isso. O dia na lanchonete foi calmo, à noite Derek chegou para lanchar e se sentou em uma mesa afastada dos demais clientes.

— Oi, o que vai querer? – Perguntei educada, mantendo o sorriso profissional em meu rosto.

— Oi, quero só umas batatas fritas com queijo e uma limonada. – Ele respondeu retribuindo meu sorriso.

— Já trago. – Digo, voltando para a cozinha.

Quando voltei trazendo o pedido das duas outras mesas que estavam ocupadas, vi Joyce entrando a procura do irmão provavelmente. Voltei para a cozinha e coloquei o pedido de Derek sobre a bandeja, respirando fundo para aturar os deboches de sua irmãzinha.

Quando volto ao salão principal, Joyce ainda está de pé próxima a entrada. Derek a está encarando de seu lugar desconfiado. Quando tento passar por ela, ela bate com uma de suas mãos em minha bandeja derrubando batatas e suco em mim.

Fico chocada e constrangida, e olho para minhas roupas ensopadas.

— Porque você se mete onde não é chamada? – Ela berrou.

Os clientes nos olharam entretidos, como se assistissem a um programa de TV.

— O que eu fiz para você? Está louca?- Pergunto encarando-a.

— Você nos viu e contou a ele sua sonsa. – Ela agora berrou.

Respirei fundo, sabia que não podia brigar em meu trabalho, precisava daquele emprego.

— Não sei do que está falando. – Disse o mais friamente possível.

A raiva de Joyce não apareceu aplacar com minha resposta, ele levantou uma de suas mãos e esperei pelo tapa em meu rosto, sabia que quando ela encostasse em mim, eu iria jogá-la para fora dali e que se dane o emprego.

Esperei, esperei, esperei... Mas ele não veio. Derek segurou o braço da irmã e saiu puxando ela em direção a rua. Suspirei aliviada por não entrar nesta briga. Abaixei-me para recolher a comida do chão, senti meus olhos ardendo, mas me recusava a chorar sabendo que os outros clientes me observavam alguns rindo outros com pena.

— Deixe comigo querida. – Senhora Jones apareceu em minha frente.

— Estou bem. – Minha voz saiu baixinho. Ela se agachou em minha frente e começou a ajudar a recolher.

— Vá se limpar. – Ela diz, tomando a bandeja de minhas mãos.

Luto para não sair correndo em direção ao banheiro dos fundos. Caminho olhando para o chão e passo tão rápido da cozinha que Billy nem tem chance de me perguntar o que houve.

Enquanto pegava meu uniforme reserva em meu armário, senti as lágrimas descerem por meu rosto e soluços saírem de minha garganta sem meu consentimento.

Eu sabia que chorar nunca resolvia nada, sabia que não apagava a humilhação que estava sentindo nesse momento. Troquei minha blusa, mas como não tinha calça jeans reserva teria de usar a mesma que estava por sorte não havia molhado muito.

Sentei no banco que havia entre os armários dos funcionários e o banheiro e apoiei meu rosto em minhas coxas, cobrindo minha cabeça com meus braços. E chorei, sabia que se segurasse seria pior, minha cabeça continuaria doendo e não conseguiria trabalhar direito.

Depois de alguns minutos, ouvi batidas leves na porta e em seguida ela se abriu, não levantei minha cabeça para ver quem era. Mas ouvi seus passos em minha direção e senti quando se sentou a meu lado colocando um braço sobre meu ombro. Continuei a chorar, sem olhar quem estava ali.

Quando meus soluços se acalmaram e as lágrimas cessaram, virei meu rosto e o vi. Estava com o rosto triste, me encarava preocupado, eu e Derek nos encaramos por um longo momento.

Desvencilhei-me de seu braço e me levantei imediatamente, entrei no banheiro e lavei com meu rosto. Meus olhos estavam vermelhos e inchados.

Quando sai, ele estava parado agora de pé junto ao batente da porta do vestiário. Eu estava me sentindo humilhada e completamente envergonhada, eu não queria pena dele e de ninguém isso só me fazia sentir fraca. Tentei passar pela porta, mas ele esticou um dos braços ocupando todo o espaço ali.

— Anna, você está bem? – Ele perguntou e pude perceber a preocupação em sua voz. Não responde, nem sequer o olhei. – Eu sinto muito pela Joyce... – Ele começou.

— Não se desculpe por ela, você não tem nada haver com isso. – Ele se desculpar pela irmã me irritou, ele não era como ela e não tinha nada haver com suas loucuras.

— Mesmo assim, estou me sentindo péssimo. – Ele continuou, aproximando-se de mim.

— Não devia, não é sua responsabilidade. – Digo sem me afastar de sua aproximação.

— Eu quero que seja... – Ele diz colocando suas mãos em meu rosto, elas são quentes e macias. – Não quero que ninguém a machuque. – Ele conclui.

Encaramos-nos, olhos nos olhos, seu cheiro a nossa volta, nossas respirações rápidas se misturam com a proximidade.

Ele acaricia minhas bochechas com seus polegares e sinto um arrepio percorrer todo meu corpo.

— Anna! – Senhora Jones chama da cozinha. Dou um pulo e me afasto dele, corando.

— Estou indo. – Digo sorrindo sem graça e passando por Derek, voltando para cozinha.

Quando chego Senhora Jones está colocando pedidos em sua bandeja, eu a ajudo imediatamente.

— Se não estiver se sentindo bem querida, pode ir. – Ela diz com gentileza. Olha por cima de meus ombros e seu sorriso se amplia ao ver Derek ali.

— Não é necessário. – Digo pegando a bandeja de suas mãos. – Qual a mesa? – Pergunto me referindo ao pedido.

— Mesa sete. – Ela responde ainda sorrindo.

Volto ao trabalho e tento me esquecer de Joyce e dá vergonha, agora só quero me lembrar dos lindos olhos azuis que me encheram de esperança.

Notas finais
Próximo capítulo... Baile! Agora vai kkkkkkkkk