Quando Harmonia fecha os olhos
vê o céu do fim de tarde colorindo o mar
ouve o som das ondas quebrando nas rochas
e da ventania que faz as folhas farfalharem

Sente o cheiro das flores campestres
enxerga o padrão radial, passando pelas raízes de uma árvore
até encontrar os animais marinhos

Risadas ecoando em volta de uma fogueira
Ordem e plenitude se desdobram
além da linha do horizonte

O único pesar de Harmonia
é quando imagina o que Caos vê
quando fecha os olhos

Quando Caos fecha os olhos
vê cacos de vidro e sente cheiro de fumaça

Ouve o som cortante dos gritos
seguindo em todas as direções
e se perdendo no vazio

Vê ruínas imemoriais
cortejos fúnebres e condecorações
Paisagem urbana, muros pintados de vermelho
trânsito infernal, buzine como se funcionasse

Riscos na margem de um caderno
confusão mental jorrando de pulsos abertos

O único alívio de Caos
é quando ele se recorda:
Harmonia não vê nada disso
quando fecha os olhos

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