O acordo Dramione
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Correu tanto quanto pode, mas ela desaparecia. Simplesmente desaparecia. Ele não poderia deixa-la escapar, não dessa vez. Mas, assim que a avistou, de costas para ele, tentou toca-la e não conseguiu. Suas mãos simplesmente não a alcançavam. Mesmo que seu cérebro pensasse que havia erguido a mão, não o fizera.
Acordou com um solavanco. Suando frio. Tremulo. Não tinha certeza quanto tempo dormira. Tinha a impressão que apenas fechara os olhos por malditos cinco minutos. Seu coração estava pulsando com força. Ele mal conseguia respirar. O escuro era total em seu quarto. Então, se lembrou. Camus. Hermione. Os dois desaparecidos. O ataque a mansão Nott. Não pode fazer nada por ela. Nada. Ao menos sua mãe estava segura. O perímetro da mansão estava sendo vigiado por dois aurores designados pelo Ministério. E tia Andrômeda estava lá com ela. Ele apenas esperava que ninguém percebesse quem sua mãe estava escondendo dentro de casa. A situação dos dois se tornaria complicada. Ele poderia ir para Azkaban de verdade. E não queria isso. Contudo, não poderia fazer nada a respeito.
Levantou-se da cama, ainda cansado. Draco não dormia direito há muitos dias. Notou no relógio do criado mudo que ainda era quatro horas da manhã. O sol ainda não tinha nascido. Precisou acender a luz do cômodo com um gesto da varinha. Claro que não dormiria longe dela. Sabia muito bem que estava em perigo. Ao menos, os feitiços que Hermione fizera ao redor do apartamento não deixariam ninguém aparatar ali. Somente ele e Camus. E se trouxessem alguém junto, é claro. Ele deixara também que Hermione pudesse aparatar ou desaparatar ali. Nunca imaginou que confiara tanto nela. Mas, confiava. E infelizmente, ele era a causa do desaparecimento dela. Pressentia isso. Sabia que Yaxley não estava brincando. Se lembrando nitidamente das palavras de Pansy, quanto a ele tentar atingi-lo. Não poderia ignorar que Yaxley não fizera uma ameaça vazia. Levara Hermione. E agora, era a vez de Draco jogar. Yaxley dera o comando naquele tabuleiro de xadrez. Era a vez de Draco se mover. E ir atrás dele. Contudo, não tinha a menor coragem para isso.
— Vamos, não seja covarde – disse a si mesmo, mas seu corpo tremia. Seus dentes batiam um no outro. O medo era algo poderoso. Ele sabia disso. E ir até Yaxley era imprudência de sua parte. Mas, Hermione não merecia isso. Não merecia morrer. Ela já sofrera o suficiente, sendo torturada por sua tia. E se não fosse por ela e Potter, nunca teria se livrado de Azkaban. Não se esqueceria que os dois testemunharam a favor dele e de sua mãe, no tribunal. Contudo, ser acusado de tentativa de homicídio deixou sua pena mais pesada do que a de sua mãe. Ele se tornara um lacaio do Ministério.
Conjurou um patrono para avisar Potter, avisando que precisam conversar. Sabia do avançado da hora. Mas, precisava comunica-lo o que pretendia fazer, afinal, se fosse confrontar Yaxley sozinho, não iria vencer de nenhuma maneira. Ele não agiria como o herói naquele momento. Tinha mais do que meio cérebro e era prudente. Sua vida valia muito mais. E mesmo não gostando dos rumos dos próprios pensamentos, a de Hermione também. Ela se tornara algo em sua vida que ele ainda não sabia como definir. Mas, pensar nela morta não era algo que o agradasse.
Potter chegou meia hora depois em seu apartamento. Estava com os olhos inchados, os cabelos revoltos. Colocou suas roupas rapidamente, pela forma com a camisa estava mal abotoada. Vestia uma jaqueta de couro por cima dos ombros, como se não tivesse tido tempo de vesti-la.
— Diga-me que é importante seu chamado, Malfoy. Não me tirou da cama para nada, não é?
Draco lhe deu um sorriso enviesado, deixando-o entrar. Fechou a porta e passou as mãos pelos cabelos. Cada vez que pensava no que deveria fazer, sentia-se enjoado. Sabia que era um covarde. Mas, se não fizesse nada, sabia muito bem que Hermione morreria.
— Desculpe-me tirar da sua cama e de perto da sua namorada Potter – ele disse em tom irônico – Mas, você me disse para aciona-lo se eu fosse ao encontro dos comensais.
Potter enrijeceu os ombros, com um olhar tenso. Já sacara a varinha de dentro do casaco, como se os comensais fossem aparecer ali mesmo, diante dos seus olhos.
— Não precisava ficar com essa cara de medo – Draco provocou. Então, Potter relaxou e lançou um olhar mortal para ele – Eu apenas sei como contata-los.
— Você sabe e nunca nos disse? – Potter cuspiu as palavras. Realmente, parecia muito irritado. Mas, Draco estava mais preocupado com o que seria dele quando encontrasse Yaxley, do que com a fúria do auror.
— Bom, eu não queria chegar perto de Yaxley nem que alguém me pagasse, Potter. Entende, eu prezo pela minha vida.
O herói de guerra lançou um sorriso cínico para ele.
— Ah, claro que não. O mauricinho não suja as próprias mãos, não é mesmo?
— Tenho senso de preservação, Potter. Não vou me arriscar por nada – Draco retrucou, sentindo a raiva queimar seu estomago.
— E por que agora resolveu contatar Yaxley? Por que de repente isso é tão importante para você?
Draco não queria dizer nem morto. Nem para Potter.
— Eu devo uma a Granger. Ela merece ser resgatada.
Potter o fitou com os olhos estreitos, parecendo não acreditar em sua mentira. Mas, ele não diria o que de fato o movia para um ato tão altruísta, que não tinha nada de altruísta. Era algo egoísta em seu ver, afinal, salvar Hermione era ter a consciência limpa. E não poderia viver em um mundo onde ela estivesse morta. Não iria ter paz com isso.
— Ok – Potter disse, de forma lenta, com um olhar profundo. Ele parecia tentar decifrar Draco e isso era muito desconcertante. Potter demonstrar ser perspicaz, tanto quanto Hermione. Draco não o subestimava. O auror provara seu valor quando invadiu o vagão da Sonserina, no trem de Hogwarts, no sexto ano deles. Sabia que Potter desconfiava dele e ele não estava errado. Suas suposições estava mais do que certas. Ele o acusou de ser um comensal da morte. Contudo, Draco havia se tornado um comensal naquele ano, não por escolha, mas por sobrevivência – E como você pretende fazer isso?
— Preciso apenas tocar a varinha na tatuagem – Draco arregaçou a manga da camisa preta que vestia. Nunca olhava para a tatuagem que o marcara para sempre. O crânio de uma caveira engolindo uma cobra. Lhe causava desgosto. Era o símbolo de todos os seus erros. Erros que ele compartilhava com sua família – Depois, eles chegaram até mim.
— Vamos precisar de reforços – Potter disse sabiamente. Era claro que precisariam – Vou primeiro até o Ministério. Tenho uma ideia que pode nos ajudar. Não faça nada agora. Voltarei daqui duas horas, mais ou menos.
— Enquanto isso, sua amiga pode estar morta – Draco avisou, em tom sombrio – Cada minuto que você estiver perdendo para salva-la, é importante.
Potter fez algo que Draco pensou que ele jamais faria. Sorriu.
— Me preocupe muito com Hermione. É ótimo ver que você também.
— Eu não...- Draco se engasgou com as palavras – Vá embora Potter. Ande logo!
Potter riu, sem se importar. Apenas acenou para ele, abriu a porta e saiu do seu apartamento. Draco praguejou, assim que se viu sozinho. Ele estava sendo tão descuidado assim? Teria que melhorar na arte da dissimulação.
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