O acordo Dramione
3 Capítulo 3
Hermione não acreditava em seus ouvidos. Ele realmente fez aquela proposta? Fazer tudo o que ele mandar? Não era possível. Era um sonho. Um sonho do qual ela iria acordar em breve.
— Você não pode estar falando sério – ela disse, engolindo a seco. Até mesmo engolir era um incomodo.
— Ah, não. Estou falando bem a sério – ele zombou. Os olhos cinzentos faiscando. Exibindo aquela face odiosa e bela, com cabelos platinados e perfeitos – Quero que faça o que eu mandar. Inclusive, preparar meu café. Assim como você faz para seu amado chefe.
— Você só pode estar brincando – ela quase gritou – Não sou sua empregada.
— Agora vai ser – ele replicou, com um sorriso malicioso – A não ser que queira que eu conte o que você fez aqui. Ai, você perde seu emprego medíocre.
— Você é um monstro – ela exclamou.
— Já fui chamado de coisas piores. Mas, obrigado – ele riu, então, passando a mão pelos cabelos, bagunçando-os – Não me contrarie, Granger, ou irá se arrepender. Eu disse que você iria pagar.
— Fez de proposito, não foi? – Ele a fitou sem entender – Empunhou a varinha para que eu o atacasse primeiro, para então me controlar.
— Pense o que quiser – ele deu de ombros – Agora, vá fazer meu café, Granger.
Ela mordeu os lábios, com força.
— Talvez, eu coloque veneno nele – ela murmurou, saindo de perto dele.
— É melhor nem pensar em cuspir nele, Granger – ele brincou – Ou eu saberei. Nem veneno. Nem vomitilhas.
Ela bufou, irritada, saindo da sala. Foi até a copa e fez o café, com irritação, adoçando tanto que com certeza ficaria com um gosto intragável. Voltou para o departamento, esperando encontrá-lo. Ele conversava com Lewis. Aguardou perto da mesa, deixando a xícara sobre a mesa. Malfoy a fitou de longe, com um olhar indiferente. Mas, que dizia que ele estava de olho nela.
— Parece que você conseguiu a atenção do príncipe mimado – Mary disse, ao lado dela, fazendo a pular.
— Mary, que susto.
— Desculpa. É que não pude deixar de notar o quanto o Malfoy olha pra você. É a primeira vez que ele olha pra alguém aqui dentro.
— Acredite, isso não é bom – ela confessou – Acabei de me ferrar, completamente.
— Sério? – Mary perguntou, com os olhos arregalados.
— Eu o irritei, agora ele está me fazendo pagar na mesma moeda – ela explicou.
— Nossa. Você pode abrir um processo contra ele então. Não o deixe a intimidar.
Bem que ela desejava fazer isso. Mas, ele faria isso primeiro, por ela ter usado um feitiço contra ele. E duelos dentro do Ministério era punidos com demissão.
— Ele está vindo – Mary cochichou, saindo de perto da mesa da colega.
Malfoy andava de cabeça erguida, com um olhar pairando sobre todos. Suas vestes negras o deixavam elegante, como se ele realmente não fosse um funcionário do Ministério, mas um homem poderoso.
Ele se aproximou da mesa, olhando-a com indiferença e fitando o café com um nariz enrugado.
— Esqueça, não quero mais isso. Aposto que você cuspiu – ele disse, em tom baixo.
— Eu não fiz isso – Mas, ela fez questão de deixá-lo com um gosto integrável.
— O que você fez? Colocou alguma poção aí? – ele acusou, mas seu tom era humorado – Nem pense em fazer isso – ele a fitou sério – Bom, sua tortura vai ter que ficar para outra hora. Espero encontrá-la na saída.
— O que? – ela exclamou.
— Sem discussão – ele lhe deu as costas então, sem olhar para trás.
**
Hermione passou a tarde toda tentando entender o que Malfoy poderia querer com ela. E pensando em várias maneiras de se livrar dele. Como ele poderia ser tão arrogante e prepotente?
Ao sair do escritório, as seis horas da tarde, estava acompanhada de Mary, que parecia avida em saber cada detalhe sobre Malfoy e o motivo para ele estar dando atenção a ela. Se ela soubesse...
E falando no diabo, lá estava ele, no saguão, olhando para seu relógio de pulso, impaciente. Hermione se despediu de Mary e se aproximou dele, de forma cautelosa. Não queria estar perto dele, na frente de conhecidos. Ainda mais se encontrasse Harry e Rony pelo Ministério. O que fazia dias que não acontecia. Mas, poderia vir a acontecer.
— Está atrasada – ele disse, com um sorriso cínico.
— Sério isso? Você é sádico por acaso? – ela retrucou, cruzando os braços sobre o peito.
— Talvez – ele respondeu, estalando a língua – Agora, vamos as suas atribuições.
— Que atribuições? – ela indagou, fitando-o com desconfiança – Se está pensando que vou fazer algum favor sexual, pode esquecer. Eu te mato em dois tempos.
Ele gargalhou, chamando a atenção das pessoas em volta. Ela o fitou exasperada.
— Me sinto lisonjeado, mas não estou interessado, Granger.
— Como se eu estivesse — ela retrucou.
— Isso é ótimo para nós dois, pois nossa relação será simplesmente para manter minha imagem.
— O que quer dizer com isso?
— Preciso provar que sou digno de confiança nesse lugar — Ele sussurrou a resposta, olhando para os lados — As pessoas me odeiam aqui, se ainda não percebeu.
— E você precisa se sujeitar a isso? Não era você que era podre de rico?
Ele sorriu sardônico.
— Se você esqueceu, por causa da guerra minha família está sofrendo um inquérito. Todos meus bens estão congelados até o ministério decidir resolveu o caso. E isso pode levar anos.
— Oh, eu sinto muito por você — ela falou com ironia. Ele não sorriu, apenas mostrou os dentes para ela — E onde eu entro exatamente nisso, Malfoy?
— Primeiro, quero lhe dar um lição por se meter em meu caminho. Segundo e mais importante, você vai ajudar a melhorar minha imagem. Apareça comigo em lugares públicos. Almoce comigo. Finja que nos damos bem.
— E por que eu? Não dá pra ser outra pessoa? — Ela não aguentaria mais um segundo na presença dele. E se precisasse passar mais tempo ao seu lado, o esfolaria vivo.
— Poderia, mas, veja, você me humilhou, então você é mais fácil. Além do mais, que bom seria para minha imagem ter uma heroína de guerra e ainda nascida trouxa ao meu lado.
Ele parecia tudo menos satisfeito com isso. E ela muito menos.
— E se alguém especular que estamos tendo um caso? Aliás não faz sentido você precisar disso. Mesmo que os outros te odeiem por aqui. O que não é difícil.
Ele lhe dirigiu um olhar enviesado.
— Se alguém especular não importa. Não afirmaremos nada. Logo se cansaram de falar sobre nós. E sobre precisar aumentar minha popularidade por aqui é para não perder o meu cargo. Querem me puxar o tapete.
Ele parecia tão irritado pela situação que Hermione não pode deixar de rir.
— Acho que não vou te ajudar. Vou deixá-lo cavar sua cova sozinho.
Ela se afastou e ele a segurou pela mão a puxando para perto dele.
— Não me teste Granger. Se eu cair, você cai junto.
E com isso, soltou sua mão e saiu de perto. Pelo visto, sua vida não seria fácil, com Draco Malfoy a tiracolo.
**
Hermione acordou cedo no dia seguinte. Mal conseguirá dormir naquela casa. Escutava os estalos do encanamento, o rangido das tábuas e os resmungos vindo dos quadros que continuavam pendurados nos corredores. Ainda eram os retratos dos antepassados dos Black.
Ela tentou tira-los, mas pareciam chumbados a parede, para um olho destreinado. Mas, na verdade, era a magia antiga que fazia parte da estrutura da casa. Eles nunca sairiam, a não ser que se usasse uma magia poderosa. Até o momento, Hermione não havia encontrado em um livro sobre isso.
Mas, sua noite mal dormida não se referia a isso, mas o simples fato de que teria de colaborar com Malfoy. Ajudando-o a manter uma boa imagem. Saber que ele estava pobre era algo muito gratificante, depois de como ele a tratou em todos os anos de Hogwarts. E quando precisaram estudar juntos no último ano de Hogwarts. Ele pegava no seu pé por qualquer motivo bobo. Desde seus cabelos, roupas, sapatos e a forma como falava. Então, ela resolveu revidar e colocar vomitilhas em seu chá. Fingiu que queria ser sua amiga e o mais estranho era ver como ele pareceu surpreso e até gostar disso.
Espera, ele havia gostado? Ela se sentiu mal. Não se lembrava disso. Estava tão ansiosa para dar o troco, que não percebeu que ela tinha aceitado a trégua. Fazia sentido agora ele querer vingança.
Se levantou da cama, não suportando mais ficar deita e tomou um banho. O barulho do encanamento a assustava sempre. Parecia que a casa estava prestes a cair. Ou talvez o teto cair sobre sua cabeça.
Depois de tomar um banho relativamente morno, ela secou os cabelos quase indomáveis e colocou um vestido preto tubinho, maquiou o rosto de forma discreta e colocou seu blazer cinza com sapatos de dez centímetros preto. Estava pronta para o trabalho e até se sentia bonita.
Resolveu que não tomaria café por ali. Não gostava de ficar muito naquela casa. As lembranças dar ordem da Fênix reunida a deixava melancólica. Lembrar de Sirius, Remo e Tonks era doloroso demais.
Rumou para a saída, pois queria tomar um café pelo caminho. Se assustou ao ver o sedan preto, estacionado do lado da calçada. Ela seguiu adiante e a porta do motorista se abriu. Pode ver Malfoy com seu terno preto e camisa preta, com os cabelos loiros jogados para o lado. Ele estava terrivelmente bonito, como um anjo vingador.
— Granger. Que demora para sair — ele disse, com impaciência — Preciso ir para o ministério logo.
Ela piscou algumas vezes, sem entender. Será que estava falando com ela mesmo?
— Vamos, eu levo você.
— Eu não vou entrar nesse carro com você. Vou a pé.
Ela não queria admitir que não confiava nele dirigindo um carro. E se perguntava como ele havia tirado a carteira. Tinha a estranha sensação que ele devia tê-la comprado. Subornado era palavra certa.
— Vamos Granger. Não tenho o dia todo — ele estava mais do que impaciente. Parecia estar desejando apagar algum incêndio.
— Como sabe onde moro? E ja disse que não entre nesse carro. Vai que você bate o carro e me mata.
Ele gargalhou de repente. Sua risada era agradável aos ouvidos dela.
Agradável?
— Eu sei dirigir. Agora entra. Lembre-se do nosso acordo.
Ah o acordo. Ela teria que fazer tudo que ele quisesse, para não ser demitida.
— Está bem.
Ela se aproximou do carro, abrindo a porta e sentando. O carro tinha bancos de couro e era muito confortável por dentro.
— Por que está indo de carro? — Ela perguntou, quando ele entrou e ajeitou o cinto.
— Tenho que passar em um lugar antes. Normalmente uso esse carro para missões. O ministério me deu. Agora, coloca o cinto.
Ela assentiu e colocou. Malfoy deu a partida, mas o carro morreu antes mesmo de andar. Hermione mordeu o interior da bochecha, tentando controlar o riso. Ao que parecia, ele ainda era principiante naquilo.
Ele tentou mais duas vezes, ficando vermelho de frustração e a fitou com um ar enviesado.
— Vai, ria. Eu sei que você quer.
Ela negou com a cabeça, sorrindo sem querer.
— Eu não. Vai que você se vinga de mim.
— Até que não é má ideia — ele disse em um tom soturno.
Ele tentou mais uma vez e conseguiu. Soltou o ar que prendia. De fato, se ele tivesse prestado atenção, veria que Hermione usou a varinha murmurando um feitiço, para que o carro pegasse.
De nada, ela pensou.
**
Depois de alguns furos de sinais vermelhos e uma duas vezes em que Malfoy fez o carro afogar, finalmente eles chegaram aonde precisavam. Era um bairro mais afastado do centro de Londres. Hermione saiu do carro, cambaleando, enjoada e com uma dor de cabeça terrível. Malfoy era um péssimo motorista. O que demonstrava que só poderia ter subornado o departamento de trânsito trouxa para ter aquela carteira.
— Você...- ela respirou fundo, sentindo muita vontade de beijar o chão. Mas, é claro, ela sabia que não seria uma boa ideia. Malfoy já estava do lado de fora do carro, com uma maleta de couro marrom na mão esquerda – Você é péssimo motorista.
— Isso, talvez, seja parte do seu castigo por me desafiar – ele a fitou com um olhar irônico. Um meio sorriso nos lábios finos e pretensiosos – Ok, Granger. Agora, quero que você fique em silêncio. Não quero sua tagarelice agora, estamos conversados? Dentro do carro você não parava de fazer perguntas impertinentes que não lhe dizem respeito algum!
Ele parecia irritado. O rosto normalmente pálido, parecia cinzento. Ele também deveria estar enjoado, como ela. O cenho franzido demonstrava o quanto isso estava fazendo mal a ele. Ela poderia indicar alguns chás milagrosos para indisposição estomacal e dores de cabeça, contudo, ele era tão prepotente e grosseiro, que ela não faria isso. Além do mais, ele nem respondeu uma pergunta sequer que ela fez. Ela apenas queria saber o porque de ele ter escolhido o mesmo departamento que ela para trabalhar. E o que onde eles iriam e por que estavam indo. Mas, isso, como ele havia dito uma três ou quatro vezes, ela não estava contando, não lhe dizia respeito.
— Então, me esclareça uma coisa. Eu estou atrasada para meu trabalho – Ela olhou em seu relógio de pulso, com tira marrom. Era um presente de aniversário de sua mãe, quando ela completou dezoito anos. Antes de embarcar em uma missão suicida com Harry, para destruir as horcruxes – Já são nove horas. Quero saber que desculpa vou dar para meu chefe por chegar atrasada.
— Você não tem que se preocupar com isso – ele a fitou, indiferente ao seu desespero de chegar atrasada, depois de quase um mês de trabalho. O cargo no Ministério poderia ser vitalício, contudo, ela precisava demonstrar responsabilidade. E claro, não agredir seus colegas de trabalho – O senhor Lewis me incumbiu de leva-la comigo agora as missões de campo. Pelo menos, em algumas delas. Você vai ser minha retaguarda. Não que eu esteja muito feliz com isso. Acredite, eu não aprecio sua companhia tanto quanto você, Granger.
Ela revirou os olhos. Era inacreditável. Lewis estava passando dos limites. Acaso ele não sabia que Malfoy era um sangue puro e que pessoas como ele não se misturavam com pessoas com o ela? Uma nascida trouxa. Pelas barbas de Merlin. Ou por Deus. Ela não aguentaria trabalhar em equipe com ele. Com certeza, Malfoy faria de tudo para tortura. Psicologicamente, é claro. Ele deveria saber que não deveria tocar nela para feri-la, afinal, era uma regra no Ministério. Agressão era considerada um motivo para demissão. E nenhum dos dois queriam isso.
— Agora, vamos – Malfoy bateu a porta do carro, travando e ligando o alarme pelo controle – Precisamos seguir para lá – Ele apontou com o dedo, para o outro lado da rua. Os dois lados daquela rua vazia tinham prédios de cores sem graça. Em tom marrom terroso – Vamos bater na porta e esperar sermos atendidos. Você vai ficar em absoluto silêncio. Fingir que é minha esposa e que vamos comprar algumas criaturas raras.
— Espera, o que? – A parte de ser esposa de Malfoy era absurda. E parecia assusta-la mais do que entrar no covil de contrabandistas de feras, ou animais fantásticos – Não posso ser sua esposa.
— Tem alguma ideia melhor e brilhante, senhorita sabe-tudo? – ele retrucou.
Ela mordiscou os lábios.
— Posso fingir ser sua irmã – ela fez uma careta – Ter qualquer conexão com você já é péssimo.
— Pelo menos, concordamos em algo, Granger – ele revidou, com um sorriso sarcástico – Agora, coloque isso aqui.
Ele abriu a maleta, que tinha um feitiço expansivo. Ele não era somente bonito, tinha um cérebro. Pensar que ele era bonito a fez querer limpar a mente com sabão. Malfoy colocou a mão dentro da maleta, olhando para os lados e pegou uma peruca de cor loira. Entregou para ela, que a pegou, hesitante, como se fosse um animal perigoso, apenas com as pontinhas dos dedos.
— Coloque na cabeça. Ela se ajustara automaticamente – ele explicou, de forma didática. Ela fez o que ele disse – É, até não está tão mal assim. Vai servir.
— Cala boca, Malfoy – ela retrucou, vendo-se no retrovisor do carro. Estava diferente, realmente. Mas, ainda conseguia reconhecer a si mesma. Com certeza, quem estivesse lá dentro, os reconheceria imediatamente. Ela, uma heroína de guerra. Ele, um ex comensal da morte. Ela se afastou do carro, olhando para Malfoy. Quase teve um ataque de risos. Ele havia colocado um óculos de grau, que o deixava com um nariz aquilino e colocou uma peruca de cabelos castanhos – Você está simplesmente ridículo.
— Nossa missão não é um desfile, Granger – ele retrucou, sem se afetar e passou um óculos para ela – Coloque-o. E não tire. Estou torcendo para ninguém reconhecer você. Nosso infortúnio é que você uma heroína de guerra – ele frisou heroína, com desdém.
— Há, como se isso fosse algo ruim – ela pegou o óculos da mão dele, com força e o colocou. Enxergava em tons rosas o ambiente. Que maldito óculos era aquele? – De onde você tirou isso?
— Luna Lovegood – ele respondeu, dando de ombros – Ela faz algumas fantasias e disfarces que funcionam perfeitamente para disfarçar a aparência.
Ele a fitou com aquele grandes olhos, que não eram mais cinzentos e sim em tom castanho sem graça. Parecia realmente outra pessoa. O único problema era seu terno. Muito refinado. Ainda denunciava o ar de superioridade. Se ele fosse trouxa, compraria na Calvin Klein ou na Hugo Boss, com certeza.
— Não acredito. Você comprando algo da Luna? – ela indagou, rindo de incredulidade.
— Quer parar de rir como uma hiena? Vai chamar a atenção – ele ralhou com ela, irritado – Por que Lewis mandou você? Não era pra você ser o gênio aqui?
— Minha genialidade não está reservada a você...
Ele, com certeza, teria revidado, mas, passos ecoaram pela calçada. Um velhinho andava do outro lado da rua, com um cachorro grande demais, com pelos em excesso. Parecia um pônei, com pelagem cinza.
— Fique quieta agora e atrás de mim – Malfoy murmurou – Me dê cobertura, caso tenhamos problemas.
— Tem alguém está no local? O que faremos exatamente?
— Vamos entrar para investigar. Não se esqueça, somos um casal, procurando animais para nossa coleção. Nosso sobrenome é Taylor – ele explicou — Há uma denúncia anônima que diz ter visto unicórnios aqui nesse prédio, tronquilhos e um cativeiro para fênix. Então, nós apenas vamos confirmar e sair, passando o relatório para o Ministério. Não faça nada heroico. Apenas siga meus passos.
Ela apenas anuiu com a cabeça, ansiosa. Detestava mentir sobre a própria identidade. Quando fez isso, para entrar no Gringotes, se passando de Bellatrix, Rony precisou usar a maldição Imperius para convencer o duende, que com certeza, iria chamar a segurança.
Eles seguiram adiante, atravessando a rua. Hermione apressou o passo para alcançar Malfoy, que tinha pernas mais longas e passos ágeis. Com um salto tão fino, ela sentia que tirar torcer o tornozelo.
Malfoy foi o primeiro a subir as escadas e bater na porta, antes que Hermione conseguisse alcançar a segundo degrau. Fulminou as costas dele, com raiva. Ele não sabia trabalhar em equipe. Parecia agir sozinho. Ela não queria ter que conviver com ele, mas se era para trabalharem juntos, precisavam ser uma equipe.
Se pôs ao lado dele no momento em que a porta de madeira maciça se abriu. Não conseguiu ver quem era, pois a porta abriu apenas alguns centímetros.
— Senha.
Senha? Isso Malfoy não havia dito. Os segundos que se passaram foram excruciantes até ele responder.
— Acromântula.
A porta se abriu e os dois entraram. Ela não conseguiu ver ninguém atrás da porta. Ou ele era invisível, ou muito discreto. Caminharam em um corredor escuro, mal iluminado. Hermione seguiu Malfoy, tentando controlar a vontade de perguntar como ele sabia se guiar naquele lugar. E como sabia a senha para entrar.
Logo notou que o lugar era enfeitiçado para parecer menor do lado de fora. Pois, seu interior era imenso, como um castelo. Estavam em um saguão, onde havia uma escadaria de pedras em espiral. E havia uma abertura em arco a direita, onde corria um rio. Como eles haviam conseguido isso?
— Apenas me siga – Malfoy murmurou.
Ele seguiu para a escada de pedras em espiral e os dois subiram por uma passagem estreitas, de pedras. Hermione se sentia ansiosa pelo ar viciado que continha aquele lugar. Era úmido e abafado. Depois de alguns lances de escada, que deixaram as pernas de Hermione bambas devido ao esforço físico que fazia, além dos saltos que não eram uteis para isso.
Chegaram em uma sala forrada com tapetes vermelho mogno e uma lareira acesa. Havia duas poltronas e alguém estava sentado ali, na penumbra do cômodo.
— Senhor Malfoy, é um prazer recebe-lo aqui – a voz era rouca, demonstrando que era um homem idoso.
Algo estava errado. Muito errado. Hermione sentiu o alerta, como sinais de sirene em sua cabeça. Malfoy, como se pressentisse isso, ficou a frente dela, servido de escudo. Ela sacou a varinha do bolso interno do blazer, preparada.
— Faz muito anos que não o vejo, filho de Lucius.
— Baltazar – Malfoy disse, em tom indiferente – Não sabia que se escondia aqui. Se soubesse, teria vindo mais cedo.
— É claro que teria – Baltazar ficou de pé. Hermione percebeu a altura dele. Ele media um metro e oitenta, mais ou menos. Na mesma altura que Malfoy – Espero que sua visita seja amigável. Caso contrário, sua amiguinha sofrera as consequências junto com você.
Então, Hermione sentiu algo roçar sua panturrilha. Olhou para baixo, instintivamente, controlando o grito estrangulado em sua garganta. Era uma acromântula bebê. Se Rony estivesse ali, estaria gritando, pulando pelas paredes. Hermione tentou manter a racionalidade. Ela não tinha medo de aranhas. Não mesmo. Mas, era quase impossível não sentir o medo gelado em suas veias.
— Você, então, está contrabandeando feras e seres, Baltazar? Se rebaixou tanto assim? – Draco provocou.
— É o que há, quando se precisa sustentar a própria família – o velho riu, de forma irônica – A guerra nos tornou mais pobres, não acha?
— Concordo – Malfoy respondeu, em tom de camaradagem, que Hermione não gostou.
Seria então, comida de acromântula? A aranha gigante a fitava com seus vários olhos e pinças que se mexiam, como se estivesse sentindo o cheiro do seu medo no ar.
— Malfoy – ela sussurrou – Aran...aranha...
— Ah, não tenha medo dela – Baltazar parecia ter ouvido seu desespero – Ela não faz nenhum mal. Só é um meu bichinho de estimação. E vai atacar se eu me sentir ameaçado. E tenho certeza de que não vou ser, ou vou?
O silêncio pairou sobre eles. Hermione não fazia a menor ideia do que fazer. Nem o que Malfoy faria a seguir.
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