Um momento de paz, era tudo que Hermione queria. Mas, quando se escolhia trabalhar no esquadrão de aurores, não era algo que teria. Havia tantos problemas a serem resolvidos, que ela sabia naquele instante que não deveria ter reclamado tanto por estar trabalhando para Lewis. O chefe do esquadrão de aurores, Keith Walsh, delegou a ela e Malfoy a missão de cuidar de ocorrências como problemas relacionados a trouxas que virão magia sendo executada. O que significava que poderia acontecer em qualquer hora. E eles deveriam estar no local, o mais breve possível, para obliviar o trouxa. Pois, se isso não acontecesse, teria problemas muito maiores a lidar, como uma notícia sobre isso ser espalhada no mundo trouxa. O que implicaria em problemas sérios ao Ministério da Magia. Afinal, havia uma lei a ser cumprida. O mundo trouxa nunca deveria saber sobre o mundo mágico e deveria permanecer assim. Caso houvesse casamento entre um trouxa e um bruxo, esse trouxa assinaria um termo que o comprometeria a manter silêncio sobre o mundo bruxo.

Hermione estava cansada. Os olhos cobertos de olheiras. Duas semanas de missões, obliviando trouxas e contendo caso de magia adolescente, não era fácil. Ela e Malfoy atenderam um chamado de madruga, quando um jovem de doze anos estrunchou, no momento de aparatar. É claro que ele não sabia o que estava tentando fazer. Fora algo involuntário. Seus pais, é claro, entraram em pânico ao ver o filho com um pedaço da orelha faltando e a perna cortada, até o osso. Hermione fez de tudo para socorre-lo, mas o menino fora mandado ao St. Mungus as pressas. Ele precisaria tomar uma poção para fazer crescer a cartilagem da orelha perdida no momento da aparatação.

— Sinceramente, não suporto mais isso – Hermione murmurou, passando a mão no rosto coberto de suor. Estava cansada, com fome e queria sua cama. Ainda nem era nove horas da manhã, quando chegaram ao Ministério.

— Eu te disse que você não suportaria isso – Malfoy disse, em tom de deboche e Hermione deu um tapa no ombro dele, de raiva – Ai, Hermione, isso dói.

— Vai doer mais, Malfoy. E não me chama de Hermione. Você não está merecendo tanta intimidade.

Ela deu as costas para ele, seguindo para o elevador. Escutou ele bufar atrás dela.

— Por que está tão irritadinha? A culpa não é minha.

Hermione o ignorou. Quando dormia mal, começava a ter sérios problemas com humor. E sabia que aquilo não acabaria bem. Ficou um ano usando um vira-tempo, no terceiro ano de Hogwarts, porque queria cursar o máximo de matérias possível. O que gerou no final foi estresse e fatigada, além de surtar por não dormir o suficiente. Não conseguia conciliar aquela agenda maluca. A mesma coisa aconteceria a qualquer instante, se ela não dormisse.

— Ei, acho que talvez essas ocorrências sejam apenas de momento – Malfoy disse ao lado dela – Talvez, isso pare e você possa descansar de novo.

Ele estava tentando anima-la, é claro. Às vezes, ela a irritava muito, quando queria seguir uma lógica que ela quebrava rapidamente, com argumentos sólidos. Ou quando não queria escuta-la, na tomada de decisões, mas ele estava tentando ajuda-la. Contudo, Hermione não estava no seu melhor dia.

— Malfoy, fica quieto – ela resmungou, massageando as têmporas.

— Ok, Granger, eu não tento mais falar com você, já que você sempre está certa. Sempre toma as decisões melhores e mais sábias...

Ela fingiu não o ouvir, quando entraram no elevador vazio. Recostou na parede do elevador, fechando os olhos. Precisava ficar quieta um segundo. Acordara quatro horas da manhã, quando recebera o chamado. Era assim, ultimamente. Acordar muito cedo e ir até tarde dentro do Ministério. Teve momentos em que passou a noite inteira acordada, em uma missão para prender comensais da morte vistos na região Lake District, no Lago Windermere. Eles tinham uma base na região, camuflada para que nenhum trouxa pudessem vê-los. Estavam começando a recrutar bruxos para a causa deles. Hermione naquele momento, junto a outros aurores, quase desistiu da própria missão, pois eles mantinham eles mantinham corpos de um casal trouxa, dentro do porão da casa que tomaram.

— Granger, está tudo bem? – Ela escutou a voz de Malfoy, suave, como se estivesse realmente preocupado com ela.

— Não sei – ela respondeu, cansada, abrindo os olhos cheios de areia – Eu não sei se consigo ser aurora, Malfoy. Eu não sei se nasci para isso.

O olhar dele se tornou compreensivo.

— Eu sei que é difícil – ele disse, com uma voz suave – Mas, é só o começo. Eles estão testando você, a mim, mesmo eu não gostando disso, para entender se conseguimos lidar com a pressão de sermos aurores. De cumprir a missão que temos em mão, com coragem e valentia. Eu sei que o que aconteceu no Lago Windermere...

— Por favor, nem me fale disso – ela passou as mãos no rosto – Eu só conseguia ver meus pais ali. Como eles puderam ser tão monstruosos a ponto de mata-los? – Não havia mais lágrimas, as ela sentia os olhos queimando. O estomago estava revolto.

— Você quer desistir? – Ela o fitou com raiva – Granger, é sério. Não estou zombando de você. Eu apenas estou disposto a ajuda-la, quanto isso. Podemos conversar com o Ministro...

Hermione negou com a cabeça.

— Eu não posso fazer isso. Não posso ser covarde a ponto de desistir de um cargo que aceitei, sabendo o que poderia ver no meu trabalho – ela mordeu a parte interna da bochecha – Obrigada pela ajuda, mas eu preciso lidar com isso.

Ele não desviou o olhar do dela. Parecia querer dizer algo, mas desistiu. Ela olhou para frente, para as portas do elevador, tentando se aguentar em pé, para mais um dia.

**

— O baile vai ser na semana que vem – Malfoy disse, a Hermione, que organizava a documentação da sua mesa. Os primeiros casos que acompanhava, com relação a bruxos que portavam objetos de artes das trevas por toda Londres. Estava mapeando cada local e fazendo as apreensões – Então, estava pensando...

Ele passou a mão pela nuca. Parecia tenso com o assunto, como se não quisesse convida-la. Era sempre assim com ela. Primeiro, Rony no quarto ano, que apenas disse que ela era uma garota e ele um garoto, que deveriam ir juntos como amigos. Aquilo foi patético. Ela se sentiu indesejada. E ali estava se sentindo assim mais uma vez.

— Vai, peça de uma vez seu favor. Sei que tínhamos um acordo quanto a isso – ela disse, tom ríspido.

— Eu não quis dizer isso...

— Hermione – Harry se aproximou da mesa dela. Suas roupas estavam amarrotadas. É claro que deveria estar com trabalho em dobro, por causa dos ataques dos comensais. Eles estavam agindo em pontos específicos pelo país, causando acidentes, apenas para causar pânico e caos – Malfoy – ele acenou para o loiro – Temos que discutir sobre o próximo local de encontro dos comensais da morte.

Hermione piscou algumas vezes ouvindo aquilo. Malfoy estava com um ar aborrecido, mas anuiu com a cabeça.

— Vamos conversar em outro lugar – ele disse.

— Espera, como assim? Vocês agora estão trabalhando juntos? – O que ela queria saber realmente era como eles se encontravam, sem ela saber e não conseguia compreender como Malfoy já havia se encontrado com os comensais da morte sem ela saber.

— Depois conversamos, Mione – Harry disse, se afastando, sem fita-la.

Malfoy seguiu adiante, com um olhar inexpressivo, sem fita-la. Mas, aquilo não ficaria por menos. Se eles tinham segredos, que ficassem com eles, mas não contassem com a ajuda dela, ou com ela.

**

Draco seguiu Harry para uma sala dentro do departamento, que estava decorada com um arquivo, cadeira e mesa com uma foto do trio de ouro. Potter, Granger e Weasley. Um trio inseparável de amigos, que derrotou a ameaça chamada Voldemort. Ou pelo menos, era isso que parecia ser. Draco pensava naquele momento que a ameaça não havia acabado e não era somente pelo corpo de Voldemort ter desaparecido, mas a sede de sangue que Yaxley tinha demonstrado.

Semanas atrás, Draco havia sido convocado pela marca negra e um dos homens de Yaxley apareceu em seguida, do lado de fora do seu apartamento, depois que ele enviou o patrono ao Ministério. Era o protocolo. Assim que fosse convocado, teria que avisar o Ministério, pois um auror estaria a postos para acompanha-lo de longe. Claro que seria Potter. O que deixou Draco mais irritado. Mas, ele se calou, ao vê-lo aparecer em seu apartamento.

— Mas, como mil demônios, o que você faz aqui? – Malfoy tinha aberto a porta, minutos antes dos comensais chegarem.

Potter não se deu o trabalho de explicar e foi entrando no apartamento, sem ser convidado.

— Sou eu que tenho a capa de invisibilidade, então, eu vou acompanha-lo.

Draco suspirou, passando a mão pelo rosto. Estava enjoado, com medo e temeroso pela própria vida, mas não deixaria isso transparecer, diante do santo Potter.

— Você está indo pela sua conta e risco, não sabe? – ele disse, em tom ácido. Então, batidas na porta interromperam o que quer que Potter diria em seguida – Coloque a capa – ele sussurrou.

Potter o fez, desaparecendo em seguida. Malfoy destrancou a porta, vendo duas pessoas que não desejava ver em toda sua vida. Dolohov e Greyback. O lobisomen o fitava com olhos famintos, amarelados e os dentes exposto. Já Dolohov, era diferente. Ele empurrou Draco para dentro, puxando-o pelo colarinho.

— Tem alguém aí com você, moleque? – ele perguntou, debochado.

— Sinto cheiro de humanos aqui – O lobisomen disse, cheirando o ar.

— É claro que sim, somos humanos – Draco retrucou, revirando os olhos, para levar um soco no estomago.

Ele se agachou no chão, sentindo o ar falta. Ótimo, estava sendo humilhado bem na frente de Potter. Poderia ficar pior isso? Bom, poderia sim. Dolohov vasculhou o apartamento, fazendo um estrago em tudo, como se estivesse apenas se divertindo. Greyback no entanto...

— Crucio – ele usou sua varinha para atingir Draco com a maldição Cruciatus, com um olhar que parecia desejar arrancar um pedaço do bruxo.

Draco se contorceu no chão, sentindo as agulhadas familiares na pele. Era uma dor intensa, que o enlouquecia. Ele não sabia mais raciocinar, respirar e até mesmo ficar de olhos abertos parecia terrível. Fechou-os com força, tentando controlar a dor, mas era impossível. Ele apenas desejava morrer naquele instante. Então, a dor passou. E mais uma vez, foi atingindo pela maldição. Não sabia quanto tempo ficou assim, sendo torturado. Apenas sentiu que pedia clemencia. Que pedia para morrer.

— Pare – Dolohov havia dito – Ele já tem o castigo que merece por desafiar Yaxley.

Draco abriu os olhos, sentindo o suor escorrer por seu rosto. Empapava também sua camisa. Não conseguiu respirar, se mexer. Sentiu o farfalhar de algo tocar seu rosto. Não viu nada. Deveria ser a capa de Potter.

— Vamos leva-lo agora, ou posso estraçalha-lo? – Greyback parecia ansioso.

— Vamos apenas leva-lo. Esse é apenas um aviso garoto. Contrarie de novo Yaxley e você não terá tanta sorte – Dolohov ameaçou, então riu, de forma sarcástica.

Greyback e Dolohov o colocaram de pé, sem a menor cerimônia ou cuidado. Draco não tinha forças para protestar. Não pensava em mais nada, apenas que preferia morrer ao enfrentar Yaxley novamente. Não queria saber mais disso. Queria apenas sumir. Desaparecer e não ter que ser um espião do Ministério. Era um covarde e sabia disso. Sabia que não tinha forças para enfrentar homens como aquele. Ele não era um herói. Nem um vilão também. Se sentia tão pequeno, débil e frágil. Assim como era quando criança, quando tinha pesadelos constantes. Quando seu pai se enfurecia e o castigava, através de um elfo. Dobby. Quando Draco ia mal na escola, quando Draco não dizia o que Lucius queria que ele dissesse ou até mesmo fizesse, Dobby precisava castiga-lo. E Dobby muitas vezes vinha até ele, pedindo perdão e se machucava por isso, na frente de Draco. Pensar no elfo enchia Draco de remorso em todas as vezes, porque fora por culpa da sua tia que ele morrera. Mas, aquele elfo era um herói, assim como Potter, Granger, até mesmo Weasley. E Draco não era nada. Ele se sentia miserável e impotente.

Quando desaparataram do apartamento, Draco teve a leve impressão de que alguém segurava em seu casaco. Não sabia que Potter o acompanhava no processo. Quando aparecer em frente a uma casa, ao lado de um lago, Draco não reconheceu o local. Não sabia onde estavam. Apenas foi empurrado com força por seus captores e precisou subir escadas de madeira, até entrar na casa. Foi recebido por um rapaz que não conhecia. Ele tinha a marca negra no pulso e um olhar indiferente. Aquele rapaz não devia passar dos dezessete anos.

Os minutos seguintes foram os piores de sua vida, pois ficou trancado em um porão, onde o ar rescendia a podridão. O cheiro era acre. E uma garota estava com ele. Ela apenas abraçava as pernas, recostada na parede, balbuciando palavras sem sentido. Draco estava amarrado, então não conseguia se mover. Seus braços e pés estavam atados por uma corda mágica. Não poderia ser cortada por nenhum objeto cortante, apenas rompida por magia. E como sua varinha fora confiscada, ele estava em beco sem saída.

Várias vezes, se perguntou se Potter estava lá em cima, pensando em algum plano brilhante para tira-lo dali. Começou a entrar em pânico, logo em seguida, pensando que seria deixado ali, preso, sem chance de fugir ou ter ajuda. Por que Potter iria se preocupar com ele, afinal? Não eram amigos. Por culpa dos seus pais, Potter fora preso na mansão Malfoy, sua amiga, Granger, fora torturada e marcada no braço com a pior das ofensas do mundo bruxo – sangue ruim – e o elfo Dobby estava morto por causa da sua tia. Dobby era amigo de Potter. E deixara claro isso a Draco, que ficou furioso e enciumado. Não queria ver o elfo que se dizia amigo de um bruxo que não fosse ele. Era tão tolo, ciumento e preconceituoso naqueles anos de Hogwarts. Como se sentia tolo por escolher o lado das trevas, do que se preocupar em fazer amigos e ser melhor.

O cheiro de algum animal morto se infiltrava em suas narinas de forma intensa. Era horrível. Ele até mesmo perguntou a garota se estava tudo bem e se havia alguma carcaça morta por ali. A menina não respondeu nada, apenas balbuciando palavras incompreensíveis. Draco tentou não dar atenção a isso. Tentou não pensar o que tinham feito com a pobre garota, mas somente pensava nos pais de Longbottom. Sabia muito bem o que sua tia maluca e seu tio fizeram com eles, ao usar a maldição Cruciatus. E sabia que eles estavam internados no St. Mungus com a mente prejudicada. Se tivessem feito isso com a pobre menina, então, o que não poderiam fazer com ele? Começou a sentir falta de ar. Lembrou-se do tempo de Voldemort, dominando a mansão Malfoy. As torturas incessantes. A dor, o cheiro de sangue. A trouxa sobre a mesa de jantar, suplicando pela morte. Então, jurou, realmente jurou que havia alguém, do lado oposto do porão, deitado. Na verdade, viu dois corpos. Levantou-se, um pouco desorientado, usando a parede como apoiou. Tentou pular, mas caiu no processo. Ele queria ver se quem estava ali, estava vivo. Mas, o cheiro de putrefação era inconfundível. Alguém havia morrido ali.

— Merda...merda – ele murmurou, tentando se mexer para se colocar de pé.

Rolou para o lado e se sentou. Ficaria de costa para os corpos, de costas para a menina. Ficaria assim. Não faria nada. O que poderia fazer? Então, tentou algo que talvez, fosse dar certo. Pensou em um feitiço, disse verbalmente e tentou mexer as pernas e os braços atados. Nada. Nada acontecia.

— Incêndio – sussurrou.

Nada.

— Accio varinha.

Nada.

Estava perdido. Ele não era Dumbledore. Ele não era um bruxo com grande poder mágico. Ele era um inútil. Gritou em frustração. Ele não queria morrer. Não. Ele queria viver. Nunca quis viver tanto em sua vida.

A porta do porão se abriu em um estrondo. Ele escutou o feitiço Bombarda ser pronunciado. Alguém desceu as escadas. Na verdade, mais de uma pessoa.

— Malfoy – Granger. Era a voz dela. Estava alucinando – Malfoy, por Merlin – Ela tocou seu rosto. As mãos tremulas.

— Oi – ele disse, com a voz rouca – Será que pode me desamarrar?

Ela o fez, com as mãos tremulas, enquanto isso, alguém verificava os corpos, os corpos que ele não queria ver. Depois, foi uma confusão. Os comensais foram presos. Apenas Dolohov no caso, já que Greyback conseguiu escapar e ainda arranhou o rosto de um auror. Se descobriu que havia mais comensais na casa e que dois trouxas, donos da cabana, haviam sido mortos. E que a filha deles, sofreu tortura por três dias.

Ao que parecia, ele devia a vida a Potter. Mas, não queria admitir isso. Porém, estava aliviado. Ele não fora deixado para trás. E dessa vez, ele não deixaria ninguém para trás. Pensou em fugir do país, mas não poderia. Granger precisava dele. E ele havia feito um certo pacto com Potter. Enquanto trabalhassem juntos, iriam se respeitar.

— Algum sinal de Yaxley? – Potter perguntou.

— Não. Orlok não o encontrou. Nem mesmo Greyback – Draco disse.

— Sente-se – Potter convidou.

Draco o fez, sentindo-se desconfortável. Estar em relativa paz com Potter era algo novo. Ele ainda se lembrava como tinha raiva do rapaz. Aquilo havia mudado quando Potter intercedeu por ele no julgamento. Mas, não esperavam que eles fossem amigos e sairiam juntos, como se fossem inseparáveis.

— O que podemos fazer é: ou eu envio um patrono para Yaxley e finjo que estou com eles ou esperamos – Draco disse, contudo, preferindo decepar o braço a fazer isso.

— Não sei. O Ministro também está pensando em algo, mas por enquanto, se você não tem mais informações é melhor pensarmos no próximo passo com cuidado. Não sei o que Yaxley pretendia com sua prisão naquela cabana no Largo Windermere. Ele estava recrutando outros comensais, jovens que acabaram de atingir a maioridade, mas não parece ter um plano ou algo definido.

— Não que nós saibamos, Potter – Draco disse – Ele pode estar escondendo seus planos de todos e apenas agindo de forma silenciosa, junto ao seu novo mestre.

— É, pode ser – Potter passou a mão pelo rosto, cansado. Seus olhos estavam cobertos de olheiras – Mas, tenho algo que podemos fazer. Descobri que haverá um baile de máscara na mansão de Nott.

Draco franziu o nariz. Não queria pisar na casa de Theodore. Ele mais falara com ele. Apenas Pansy ainda escrevia para ele e perguntava se podiam se encontrar. Algo que Draco evitava. Não queria prejudicar sua única amiga. A reputação dela já devia estar destruída pelo pai preso e agora foragido.

— E o que tem esse baile, Potter?

— Bom, você pode ir – ele respondeu, como se fosse óbvio – Terá as famílias mais influentes no local. Pessoas que podem ter alguma informação para nós, que estejam financiando Yaxley e seu mestre. E você recebeu um convite.

— Eu recebi? – Draco zombou – Eu sou um paria, Potter. Como acha que vou receber qualquer...- Potter estendeu a ele um convite em papel prateado.

“A família Nott o convida para o baile de máscaras anual de inverno”

O nome da família brilhava em detalhes dourados, como se mexesse. E realmente se mexia.

— Como você conseguiu isso? – Perguntou, surpreso.

— Parece que você ainda tem um amigo. Pansy Parkinson. Ela vai se casar com Theodore Nott.

Draco não estava surpreso pela união dos dois. Mas, não esperava ser convidado por ela.

— Vá, leve uma acompanhante e faça contatos. Precisamos saber se no meio das famílias mais ricas há alguém que esteja financiando uma possível guerra.

Como se fosse algo fácil de descobrir. Mas, ele entendia agora o que Potter estava fazendo. Na verdade, o que o Ministro estava fazendo.

— O Ministro disse a você o que fazer, não disse? – Potter anuiu com a cabeça – Ele quer que eu volte a sociedade, não é?

— Precisamos que você fique em evidencia. Você estará protegido. Mas, as pessoas precisam reconhecer sua volta no mundo bruxo. O nome Malfoy precisa ser conhecido novamente, respeitado. Então, as pessoas virão até sua família e até mesmo, Yaxley.

— Claro, talvez, isso dê certo ou eu seja morto. Mas, tanto faz, não é?

— Não seja sarcástico, Malfoy. Você terá proteção. Não estará sozinho nessa noite. Eu irei com reforços. Seu apartamento já está sendo vigiado. Você vem e volta do Ministério, assim como das missões acompanhado por minha amiga. Espero que você retribua toda a ajuda que está recebendo, sendo amigável, sociável e principalmente, não use Hermione para seus propósitos.

Draco engasgou, rindo, mas não com humor.

— Usar sua amiga? Granger é uma colega de trabalho. Não estou a usando. São vocês que estão.

— Não se faça de inocente, Malfoy – Potter replicou, com um sorriso irônico – Eu sei como você olha para ela. Mas, ela tem quem a olha. E esse sou eu. Não admito que brinque com ela.

Draco revirou os olhos, se levantando da cadeira.

— Se não tem mais nada a dizer, tenho trabalho a fazer.

— Pode ir, Malfoy – Potter disse um tom petulante – Estou de olho em você.

— Há, como se já não estivesse.

Draco saiu da sala, tremendo pela raiva. Respirou profusamente, tentando se controlar. Como ele se atrevia a dizer que estava usando Granger? Não estava. No começo, sim, era verdade. Ele queria recuperar sua vida, prestigio e queria impressionar o Ministro, pois se fosse amigo de Granger, poderia ter as portas abertas. E realmente, tinha agora. Ninguém o tratava com hostilidade. Mas, não era por isso que estava perto dela. Ele estava porque confiava nela. Mas, ele não a merecia. É claro que não. Ele era um maldito covarde e egoísta. Ela merecia um amigo melhor, uma pessoa melhor em sua vida. Mas, ele não conseguia se afastar. Não lhe era possível. Não ainda.

— Granger – ele disse, se aproximando da mesa dela.

A morena levantou o olhar e o fitou com raiva.

— Olha o que tenho para nós dois – ele mostrou o convite – Um baile.

— Ah é? – ela desdenhou, voltando a ler um documento.

— Sim. Quero que você vá comigo.

— Peça a outra.

Ele suspirou. Por que ela precisava ser tão temperamental.

— Quero que seja você. Só confio em você para isso. É uma tarefa importante.

— Por que não leva Harry, já que são tão amiguinhos?

Ele gargalhou, chamando a atenção dos colegas que estava no departamento aquela manhã.

— Eu e Potter? Que combinação estranha. Mas, não, eu prefiro você.

Ela o fitou com os olhos estreitos.

— E por que? Você nem confia em mim para me contar como entrou em contato com os comensais.

— Ah, então é isso – ele disse, se lembrando do que houve em Windermere – Escute, eu vou te contar tudo. Achei que já estava subtendido o que houve comigo. Fui sequestrado por eles, não se lembra? Só foi assim que entrei em contato com eles.

Ela abriu e fechou a boca. Parecia contrariada, mas havia entendido a situação.

— Ok, quando é esse baile? Ah, você que paga o vestido.

Draco mordeu a bochecha interna. Como se pudesse pagar por um vestido. Mas, ela precisava estar apresentável. Não poderia ser qualquer vestido.

— Ok. Vou arranjar um vestido para você. O evento será dia 10 de dezembro.

— Isso é um dia depois da nossa missão em Newcasttle. Não vai dar tempo.

— Vai sim. Vamos entrar na biblioteca, pegar o que precisamos e então, iremos para esse baile. Conto com você, Granger – ele piscou para ela e a viu ruborizar. Era um rubor agradável...

Recebeu um tapinha nas costas. Na verdade, um tapa que o fez engasgar.

— Que tal almoçarmos juntos? – Potter perguntou, colocando o braço sobre o ombro dele. Claro, o paizão não poderia ficar longe.

— Mas é claro que...

— Legal, vamos – Granger interrompeu o que ele iria dizer. Ele iria recusar, é claro. Tinha outros planos, como levar Granger no Beco Diagonal. Tinha um restaurante que ela iria gostar, que servia peixe frito. Ela adorava tanto o prato estranho, que ele faria isso por ela. Mas, só Merlin sabia o porquê.

— Encontro vocês ao meio dia então, lá no saguão.

Outro tapa. Aquele doeu de verdade. Ele havia entendido. Nada de mexer com Granger. Mas, quem disse que ele daria ouvidos?