Draco não estava no seu melhor humor. Na verdade, estava irritado, arredio. Parecia mais uma bomba prestes a explodir. Logo que o efeito da poção passou, ele sentiu um vazio dentro do peito e desorientação. Algo mais também parecia rondar seu intimo, mas, ele preferia não pensar nisso. De maneira alguma pensaria. Claro que confrontou seu colega de apartamento Camus, as seis horas da manhã, com sua nada sutil forma de lidar com os problemas.

— O problema não é meu. Você que aceitou uma bebida de uma desconhecida — ele respondera, de forma irônica — Ou nem tanto, não é assim? Granger, não é? — Ele parecia saborear o nome dela, como se fosse algo muito bom. Como se estivesse muito interessado na sabe-tudo irritante.

Draco se irritou ainda mais pelo tom de Camus. Como ele se atrevia a ser tão petulante? Bateu a porta do quarto dele com força e depois, saiu do apartamento, para espairecer. Tentava se lembrar do que havia acontecido aquela noite, repassando cada instante em sua mente. Tudo aquilo parecia ridículo. Ele se sentiu exposto, fraco e humilhado. Nunca sentiu tanta vergonha em toda sua vida. Não, estava mentindo. Ele sentiu sim, quando precisou substituir seu pai em uma tarefa suicida e impossível. É claro que os comensais da morte zombaram do garoto, dizendo que ele iria fraquejar, que não suportaria um simples homicidio. Claro que não. Ele era tão fraco quanto Lucius, era o que disseram. Mas, Voldemort, em seu tom cortante, lhe disse que ele deveria desempenhar seu dever, pois era uma honra para ele ser escolhido para se juntar ao seu secto. E se falhasse em matar o diretor de Hogwarts, sua família iria sofrer as consequências. Lucius, é claro, parecia perdido, um homem alquebrado, sem fala ou ação. Mas, Narcissa no entanto, intercedeu por ele. Draco, no entato, não soube valorizar isso. Ele dizia a si mesmo, aquele era seu momento de não fraquejar e se mostrar fraco. Afinal, sua família era poderosa e fora reduzida a nada. Precisava recuperar sua antiga glória. No fim, é claro, foram bastante humilhados.

Sempre ouviu de tia Andromeda que deveria ver o lado bom das coisas. E que deveria enxergar o copo meio cheio. Claro que ela diria naquela situação que sua recente humilhação com a amortentia era pequena perto do que sofreu na presença do Lorde das Trevas. Mas, Draco não conseguia enxergar daquela maneira. Ele estava com raiva e queria descontar em alguém. Então, fez algo que não deveria fazer, como ir até a casa de Granger e questiona-la, pressiona-la a lhe dizer a verdade. Se lembrava de cada momento que passou ao lado dela na noite anterior, é claro. Lembrava-se vagamente que a bebida oferecida era de uma tal Mary. Mas, por mais que tentasse, não se lembrava. Ele não era bom de guardar nomes ou rostos. Ainda mais com pessoas que nem convivia. Desconfiou a principio, que fosse uma peça pregada por Granger, mas ela não parecia que faria algo assim. Parecia ser muito puritana. Suas ameaças eram tão insignificantes, que parecia brincadeira de criança. A única coisa que poderia fazer, então, era procurar essa tal de Mary e encurrala-la. Mas, Granger parecia ávida em protege-la. E por que faria algo assim? Ele teria que inferniza-la até saber o motivo para esconder a identidade de Mary, ou procura-la pelo Ministério. Afinal, sabia que o pessoal se reunião para beber no bar naquela noite. Fora convidado por David. Ele se lembrava vagamente do rapaz. Poderia perguntar a ele quem era Mary.

Voltou para seu prédio, sem o desejo de entrar. Ficou dentro do carro, batucando os dedos sobre o volante. Havia tantas coisas para se preocupar. Uma missão para organizar, já que seu pai parecia pouco interessado em ajuda-lo com isso. Ele estava furioso, é claro, por ver Draco ajudando o Ministério. A visita que fez a ele foi uma grande piada, porque de fato, Lucius ainda parecia o mesmo de sempre, cheio de soberba e nem um pouco interessado em ajudar o próprio filho.

— Você deveria proteger nosso legado — Lucius dissera — Deveria arranjar uma maneira de me tirar daqui e devolver nossa glória.

Draco segurou-se no tampo da mesa, naquele momento, desejando estrangula-lo. O pensamento não parecia ser bom, afinal, ele era seu pai. Não deveria desejar mal a ele, mas em nenhum momento de sua vida, Lucius lhe deu razão para ter respeito por ele, apenas Narcissa. Sua mãe sempre frisava o quanto era importante respeitar seu pai, a tradição da família, sangue e o nome. E ela era gentil com ele, sempre por perto. Contudo, Lucius se mostrava frio, distante, como se a presença do próprio filho fosse um fardo.

Deitou a cabeça no banco, cansado. Muito exausto para fazer qualquer coisa. Era cedo demais para qualquer coisa. O céu estava cinzento, como se uma tempestade estivesse a caminho. Fechou os olhos, somente por alguns instantes. Então, viu olhos castanhos avelã, um sorriso envergonhado e bochechas coradas. Granger. Engoliu a seco. Abriu os olhos, esfregando-os com força. Já sabia para onde ir. Para a casa de Andromeda. Ela saberia como ajuda-lo

*

Hermione passou o domingo em um estado nervoso e caótico. Sua cabeça estava uma bagunça. Tanto que Bichento, seu gato de estimação, evitava a dona a qualquer custo. Até mesmo a visita de Gina não parecia acalmar a amiga.

— Você parece ter tido uma noite péssima – Ginny disse, enquanto servia um chá de camomila a Hermione na cozinha da casa dos Black.

— Imagine só, Gin – Hermione disse, em tom ácido – Encontrar a doninha em um bar e ter o azar de atura-lo por um bom tempo. Isso arruína qualquer noite.

Gina riu, sentando-se ao lado da amiga.

— Olha, até que não foi tão ruim assim, não é? Ter a atenção daquele loiro de olhos azuis, hum..até mesmo eu queria isso – ela brincou.

Hermione a fulminou com o olhar, mas isso não teria o sorriso maliciosa de Gina. Ela passou o último ano escolar inteiro com Hermione, provocando-a por causa de Malfoy. O fato era que Hermione tinha um coração mole e teve pena de como os alunos estavam tratando o rapaz. Todos os ignoravam até mesmo o pessoal da Sonserina. Ninguém queria ter relações com um ex comensal da morte. Hermione, no entanto, tentou ajuda-lo. Ser amiga dele. Até mesmo notou que algumas pessoas ao redor tentaram fazer o mesmo, sem sucesso. Malfoy era uma concha fechada. E é claro, Hermione se cansou das grosserias dele e resolveu colocar vomitilhas em seu chá, apenas devido a raiva que sentia. Claro, fora uma péssima decisão.

— Não quero ter a atenção dele, Gina. Santo Deus – Hermione suspirou, cansada, passando a mão pelo rosto. Estava sentindo como se tivesse areia nos olhos, por ter dormindo tão mal – Essa droga de poção vai me gerar problemas. Mary é uma irresponsável.

— Deixe-a sofrer as consequências, Mione – Gina aconselhou – Se Malfoy perguntar novamente quem é a garota, diga a verdade.

— O que me preocupa Gin, é o modo implacável como os Malfoy tratam as coisas. Lembra do que aconteceu com Hagrid, não lembra? – No caso de Bicuço, o Ministério intercedeu a favor da família Malfoy, devido ao fato de o animal ter ferido Draco Malfoy, durante uma aula de Trato das Criaturas Mágicas. É claro que Lucius desejava tirar Hagrid do cargo, quem sabe, manda-lo a Azkaban. Se não fosse pela intervenção de Dumbledore, Hagrid estaria em uma situação bem mais difícil. Então, foi decidido que Bicuço seria executado. O que era injusto, afinal, Malfoy fora um tolo por se aproximar da criatura, insultando-a como fez. Hagrid havia frisado que hipogrifos tem temperamento forte e orgulhoso.

— Eu sei, Mione. Mas, Mary não fez o certo – Gin argumentou, pegando um biscoito amanteigado na travessa, mordiscando – Imagina só se Malfoy acusa você de tentar envenena-lo? Ainda que ele foi bem razoável.

— Razoável? Malfoy razoável? Isso não existe no dicionário dele – Hermione debochou. Afinal, Malfoy veio a sua casa as sete horas da manhã, exigindo respostas sobre o ocorrido da noite passada – Ele exigiu entrar aqui e foi um trasgo. Um completo imbecil.

Gina gargalhou. É claro que ela riria, afinal não era ela que estava aguentando o mau humor de Malfoy.

— Um trasgo? Hermione – Gina disse, limpando as lágrimas dos cantos dos olhos – Olha, estou pensando que vocês dois estão apaixonados um pelo outro e não sabem como esconder isso.

— Que? – Hermione exclamou, abismada – Eu nunca me apaixonaria por um homem como ele. Ele é um mauricinho, metido a rico, mas está pobre igual a mim – ela riu, sem humor – E também é grosseiro, estupido...eu disse grosseiro?

— Já disse – Gina revirou os olhos, com um sorriso malicioso nos lábios.

— Então, ele é a encarnação de uma besta de três cabeças – ela continuou — Do cão do inferno. De Cérbero, seria o melhor título para ele. E olha que já enfrentei essa besta de três cabeças e te digo, Gina, e ele parece mais bonzinho que Malfoy.

Gina riu ainda mais, parecendo realmente achar graça da situação. O que não era engraçado para Hermione. Se houvesse como dar uma poção para o humor causticante daquele homem e para seus modos grosseiros, ela seria a primeira fazê-la e força-lo a beber. Quem sabe, ele fosse mais agradável, como na noite anterior, quando parecia ter se transformado em outro homem.

— Ok, Mione. Fica fingindo que não sente nada – Gina provocou, se levantando da cadeira – Agora, vou pra casa. Estou exausta dos treinamentos de ontem e amanhã tem jogo de Quadribol. Você precisa ir me ver jogar.

Hermione não era fã de Quadribol, mas não perderia para ver amiga, por nada.

— Ok, Gin. Obrigada por me tolerar hoje – ela agradeceu, acompanhando a amiga até a porta – Você sabe que sem você, eu não sei o que faria.

Gina deu um abraço forte em Hermione, o mesmo abraço que recebia de Molly e se afastou. Os olhos castanhos da jovem refletiram toda amizade que sentia. E era reciproco. Hermione amava Gina como se fosse sua irmã

— Sempre vou estar aqui, Mione – a ruiva prometeu, entregando uma chave de portal a ela. Era uma chave enferrujada – Aqui está seu ingresso. E vê se em me ver amanhã. Leva o Malfoy, se tudo der certo.

— Eu não vou mesmo – Hermione protestou.

Gina deu um sorriso e desceu as escadas, desaparatando em seguida na rua erma. Hermione olhou a chave na mão, pensando que talvez, não fosse tão ruim ir a um jogo de Quadribol. Quem sabe, encontraria o amor da vida dela lá?

*

O dia seguinte foi mais monótono do que Hermione gostaria. Não viu Malfoy em nenhuma parte. Os cafés foram servidos mais vezes do que Hermione gostaria. Lewis estava com convidados em sua sala. Duendes, que queriam algo, com certeza. Devia ser algo sobre alguma lei que o Ministério criou para eles. Se era a favor de seus direitos, ou tirando alguns, Hermione não sabia, porque toda vez que entrava na sala, eles se calavam, lançando olhares desconfiados para ela, com seus olhinhos escuros. Lewis, no entanto, sorria para ela com amabilidade, parecendo sempre feliz em vê-la. Algo estava muito errado. Hermione sentia isso. O comportamento de Lewis beirava a falsidade.

Claro que suas investigações quanto ao trabalho dele foram por água abaixo, porque toda vez que entrava nos arquivos, David a seguia. Ou Mary, ou Imelda. Mary, é claro, pedia desculpas, gaguejante, por tudo que havia feito.

— Eu sinto...muitíssimo, Hermione. Não queria vê-la prejudicada.

— Eu sei, Mary, mas onde você estava com a cabeça a tentar isso com Malfoy? Por Merlin, Malfoy – Hermione tentou conter o tom de voz, pois estavam dentro do departamento e seus colegas ainda olhavam Hermione com interesse renovado, como se a vissem ali, de fato. Até mesmo uma colega, chamada Amélia Haydon, queria saber qual era o segredo dela para atrair Draco Malfoy, pois ela estava ansiosa para fisgar um homem milionário e com títulos, se possível.

— Eu sei – Mary disse, de cabeça baixa, espremendo as mãos uma na outra, como se isso pudesse aliviar seu estresse – Mas, eu gosto dele há tanto tempo, Hermione. Desde que ele entrou aqui no departamento, percebi o quanto ele parece solitário e injustiçado. Ninguém gosta dele, sabe? Todos falam mal dele pelas costas. Eu e David tentamos ajuda-lo a se integrar, mas ele é tão arredio. E Imelda, é claro. Parece que ela é a única com quem ele gosta de conversar.

— Você tem sorte de ele nem se lembrar de você – Hermione disse em um tom azedo.

Mary espremeu os lábios, então, em uma linha fina. Os olhos estavam rasos, prestes a transbordar em lágrimas. Hermione sentiu pena dela, então. Não deveria ter sido tão grosseira.

— Me desculpe, Mary – ela pediu.

— Não, está tudo bem. Você tem razão. Eu estou errada...

Ela teria dito mais alguma coisa, se não fosse pela interrupção de uma porta sendo aberta. Ela congelou, com os olhos arregalados. Hermione sentiu a fragrância de cravo, algo amadeirado. Conhecia aquele aroma. Girou a cabeça por cima do ombro. Malfoy entrava, com uma cara de poucos amigos. Passou pela mesa dela, com um olhar cortante.

— Granger...- ele disse, em um cumprimento – Alicia – seu tom se tornou mais brando – Pode verificar para mim a documentação de vampiros? Os da família do conde Orlok?

Então, era ali que estava o problema. Ele nem sabia o nome de Mary. E a chamava por outro nome. Santo Deus! A jovem Mary ficou pálida feito cera, pronunciando palavras incoerentes e acenando com a cabeça. Malfoy a encarava inexpressivo, esperando que ela cumprisse sua ordem. Como se ele fosse seu superior. Então, Mary saiu de perto da mesa de Hermione.

— Você precisa trata-la assim? – Hermione alfinetou, deixando passar o fato de que ele não sabia o nome de Mary. De fato, estava com pena da garota. Ao menos agora ela saberia que não deveria brincar com poções do amor.

Malfoy lhe deu um sorriso irônico.

— E o que você tem a ver com isso, Granger? – ele indagou – Estou tratando-a normalmente, se quer saber.

— Você trata os outros com superioridade – ela rebateu – E você é como nós. Só porque é um agente, não quer dizer que tem que mandar nos outros. Por que você mesmo não procura a documentação?

— Porque eu tenho que falar com Lewis – ele respondeu, em tom cortante – E não tenho que explicar tudo que faço, Granger. Agora, se me der licença, tenho mais o que fazer do que ficar discutindo com o fiscal de boas maneiras que você é.

Era um deboche e tanto, mas Hermione não pode deixar de sorrir. Ela era sim uma fiscalizadora das boas maneiras, da boa conduta e ética. O que a fez perceber como deveria ser chata e enfadonha, mas não se deixou abalar por isso. Ele lhe deu as costas, então, mas se voltou novamente para ela.

— Vai me dizer quem é Mary? – ele indagou, com a voz baixa, olhando para os lados.

O pessoal do departamento parecia avido em saber o que os dois conversavam. Hermione havia notado que ele usou o feitiço abaffiato em torno deles. É claro que ele seria precavido.

— Por que você não pergunta por aí? – Hermione rebateu, com um sorriso insolente. Ele fechou a expressão, trincando o maxilar – Aposto que alguém vai te dizer.

— Você sabe que todos me evitam – ele disse, entredentes – Posso refazer nosso acordo, ou melhor, posso acusar você de ter usado a poção contra mim e ainda a acusar de agressão.

— Você um sujeitinho arrogante e desgraçado – ela disse essa última parte, em voz baixa e perigosa.

Ele anuiu com a cabeça, com um sorriso torto.

— Sou tudo isso mesmo. E pense em brincar comigo Granger, apenas pense nisso e você vai se queimar.

— Estou morrendo de medo, Malfoy. Vai, conta pra quem você quiser o que aconteceu, que terei testemunhas para me ajudar. Imelda, David, Alicia – ela contou nos dedos, com um sorriso presunçoso – E quem vai acreditar em você, doninha?

Isso parecia ter inflamado ainda mais a irá dele.

— Você me paga – ele sibilou – Vou me lembrar de cada insulto, Granger. Nunca mais a chamei de sangue ruim, por reconhecer que isso é errado, mas você me chamar de doninha...

Ele se virou, irritado, pisando duro. Só depois Hermione percebeu que prendia a respiração e apertava os punhos com força demais. Olhou ao redor, vendo como seus colegas pareciam mais interessados na conversa alheia, do que trabalhar.

— O que estão olhando? – Imelda disse, em tom autoritário, da mesa dela – Voltem ao trabalho.

O barulho característico do departamento se fez presente. Hermione desviou o olhar, para a própria mesa meticulosamente organizada. As palavras de Malfoy dessa vez, ficaram imprensas em seu consciente. Ele nunca mais a chamou de sangue ruim. Isso era verdade. E ela o ofendeu, chamando-o de um apelido que ele claramente detestava. Era uma ofensa grave para ele. Sua consciência cobrava que ela fizesse algo a respeito disso. Que se desculpasse. Mas, se recusava a tanto. Não iria se humilhar para ele. Mas, não custava pedir desculpas. Ela poderia dar o braço a torcer, mas só de pensar nisso, sentia o peito opresso e a raiva tomando conta da sua visão.

Precisava sair para tomar um ar, e foi o que fez, se levantando e seguindo para fora do departamento. Ficou no corredor, sentindo que ali não poderia respirar. Precisava sair do Ministério, só por alguns minutos. A última discussão com Malfoy fora desgastante. Ela não suportava mais isso. Se aproximou do elevador, apertando para descer, quando escutou uma porta sendo aberta e depois, fechada. Olhou para o lado. Malfoy seguia para o elevador também. Ele estacou o passo, mas depois, continuou andando, com um olhar impassível.

— Sinto muito por tê-lo chamado de doninha – ela pediu, sem pensar.

— Isso não a absolve – ele disse, em tom indiferente – Você se recusa a me ajudar.

— Espera um pouco, Malfoy me pedindo ajuda? – ela brincou, achando incrível o fato de que ele tinha um tom mais brando para com ela e ainda queria sua ajuda.

Ele bufou.

— Granger, não teste minha paciência.

Ela revirou os olhos. Entrou no elevador, quando as portas se abriram. Estava vazio. Ela se recostou no fundo do elevador, enquanto que Malfoy ficou mais perto da porta, só que de costas. Ele a encarava de forma estranha, o que a deixou ofegante. Estavam sozinhos naquela caixa metálica.

Ele tinha as mãos dentro do bolso da calça cinza riscada. Seu paletó preto contrastava com sua camisa branca e colete de brocado cinza. Era toda elegância e opulência.

— Diga-me, Granger, está apaixonada por mim, é isso?

Ela digeriu sua pergunta, sem acreditar. Esperava que fosse um sonho. Que ele tivesse feito outra pergunta. Mas, não, ele a encarava com ar divertido, como se estar apaixonada por ele fosse engraçado. Pobre da mulher que realmente lhe entregasse seu coração, porque ao que parecia, ele o esmagaria. E ele, no caso, não tinha coração, para tratar aquele assunto daquela maneira.

— E como você tirou essa conclusão, se posso saber? – ela zombou, cruzando os braços sobre o peito.

— Ora, porque eu saio do departamento e você está aqui, parecendo me seguir – ele respondeu, com um tom zombador – E depois, você quem me deu aquela cerveja, Hermione. Será que não está mentindo e fez isso de propósito? Pode confessar. Eu sei que sou irresistível.

Ela gargalhou, sem humor algum.

— Claro, você é tão maravilhoso, que não resisti que o enfeiticei. É claro que precisava conquistar você de forma baixa, com uma poção do amor, porque eu não consegui aguentar esperar que você se apaixonasse por mim – Seu tom irônico não passou despercebido por ele, pois Malfoy fechou o semblante.

— Então me diga, Granger, quem foi? Por que sua insistência em esconder a identidade dessa pessoa? Você sabia que alguém assim pode ser perigoso no mundo bruxo? E se talvez, essa pessoa tentar me envenenar por eu simplesmente ignora-la?

— Acho que alguém pode te envenenar por você ser essa pessoa maravilhosa que você é. Eu teria cuidado, sabe? – ela olhou para as próprias unhas.

O elevador parou de forma abrupta, de repente. Malfoy estava muito perto, dessa vez, com um olhar dardejante. O coração de Hermione parecia prestes a sair pela boca. Ele tentaria fazer mal a ela, então? Ali, no elevador?

Malfoy apoiou a mão contra a parede. Seus olhos queimavam sobre ela.

— Granger, você é impossível, irritante, uma...uma pedra no meu sapato...eu...

Ele engoliu a seco, com fechando os olhos. Ela o encarou, por um momento, pensando que ele iria puxar sua varinha e azara-la, ou pior, amaldiçoa-la, mas ele fez o que ela não esperava, ele abriu os olhos e sorriu. Não sabia se o seu sorriso era uma promessa, uma promessa de que faria um inferno em sua vida.

— Tudo bem. Você quer jogar esse jogo comigo, Granger. Quer me irritar deliberadamente. Tudo bem, eu vou fazer sua vontade.

— O que você vai fazer? – ela perguntou, receosa.

Ele não a respondeu. Simplesmente aproximou o rosto bem perto do dela e então beijou seu pescoço. Seu corpo esquentou de uma maneira absurda. Ela pensou em empurra-lo, mas ele se afastou de forma ágil, com um sorriso malicioso e então, puxou a alavanca que travava o elevador. Ele voltou a descer para o saguão, dessa vez, em um solavanco. Ela caiu sentada no chão. Malfoy se aproximou e ela não sabia se era por um cavalheirismo, ou outra coisa, colocando-a de pé. Seus olhos pareciam perfura-la. E ela não conseguia ter qualquer reação, porque estava petrificada. Ele tinha feito alguma coisa com ela, com certeza. Ela não conseguia pensar.

As portas se abriram e Malfoy se afastou, como se ela o queimasse. Ela ficou ali, mais alguns segundos, vendo-o o partir, quando alguém disse na porta do elevador:

— Vai sair?

Ela anuiu com a cabeça, com as pernas bambas, indo para o saguão, deixando o fluxo de pessoas entrarem no elevador. Viu Malfoy seguindo para a lareira mais próxima. Ele não olhou para trás. E ela agradeceu por isso. Não sabia o que estava acontecendo, desde que ele a beijou de forma tão intima. Estava atordoada demais para pensar de forma lógica.