O abismo sem Fim
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu estava furioso com o fato da criatura ter deixado Mary inconsciente. Disparei três tiros contra ela, dois deles acertando parte de seu cefalotórax. Um deles a criatura tentou desviar, porém ele acertou aquele chocalho que ela carregava em sua cauda.
A criatura gritou agonizada. Aquele chocalho devia ser um ponto frágil dela, se não for essencial. Tendo isso em mente, procurei focar meus tiros naquela parte.
Aproveitando que a criatura tinha pouca mobilidade, decidi me mover para o seu lado, e então para trás dela. Quando eu havia chegado lá, ela percebeu meus movimentos e começou a se virar.
Dei um tiro no chocalho, porém a criatura havia desviado. Ela sabia que eu estava tentando acerta aquele lugar. Furiosa, ela descarregou mais um ataque usando sua cauda. Ele não só acabou com minha mobilidade, mas também com a minha esperança. Ela tinha me derrubado! Eu estava em severa agonia naquele momento, mas eu tinha que lutar! Porém, não havia jeito nenhum de alcançar a Sniper, muito menos usá-la, com uma de minhas mãos severamente machucadas.
Eu pensei que tudo estava perdido.
Minhas esperanças se foram e eu considerei desistir, porém, a ajuda veio dos céus escuros e sombrios. Era Serene! Ela estava com a minha PSTL-49KW em suas garras e voava em minha direção.
Quando chegou alguns metros perto de mim ela deixou a arma cair, eu a agarrei com minha mão funcional e sem pensar muito nas consequências, atirei contra a espécie de chocalho na cauda do monstro, que surtiu um efeito um tanto inesperado e até bonito e gratificante de se ver. A criatura estava obviamente sentindo uma dor intensa, sua cauda estava lançando uma espécie de líquido púrpuro, que supus que fosse o sangue dela, em todas as direções possíveis, enquanto sua cauda mudava alternava rapidamente as mais diversas cores, de azul para amarelo, de amarelo para vermelho, e assim por diante. Depois de alguns segundos agonizando de dor, ela se jogou no chão e começou a rolar descontroladamente sem um rumo aparente. Finalmente, depois de momentos de severa dor, a besta havia morrido. Não sei se foi por perda de sangue ou se algum órgão essencial estava contido em sua cauda, apenas fiquei feliz que tinha acabado.
Com minhas últimas forças, eu me apoiei naquela Sniper com meu braço funcional, como se fosse uma bengala, e andei em direção á Mary. Tentei a agarrar com meu outro braço, no qual estava se recuperando do impacto. A levei para dentro da casa, mesmo com aquela dor intensa de carregar o peso dela, eu consegui. A levei para o quarto e a deixei na cama. Notei que sua testa estava ferida, sangrando, portanto abri minha mochila e peguei um pano que havia conseguido no hospital. Envolvi sua testa com ele e deixei um pacote de biscoito na mesa que ficava ao lado da cama, caso ela acordasse com fome e eu não estivesse presente no quarto.
Depois de certificar que ela ficaria bem, resolvi cuidar de meus ferimentos. Peguei os curativos que também havia conseguido no hospital e os coloquei em todas as áreas no qual eu estava sangrando. Não havia quebrado nenhum osso, pois eu sentia que minha capacidade de andar e usar minha outra mão estava voltando.
Peguei o meu caderno da minha mochila, no qual praticava meus desenhos. Resolvi desenhar as criaturas que havia encontrado até agora, desenhando-as e escrevendo seu nome e sua descrição. Só para passar o tempo.
Eis as descrições que fiz delas nesse momento de tédio:
“Caninus: Uma criatura em forma e tamanho de lobo, seus pelos vermelho-escuro são bagunçados, assim como os de sua estranha juba, de pelos negros. Seus olhos eram completamente brancos. Uma espécie de alta inteligência e organização, notável por isso e por sua mordida dolorosa.
Tribal: Seres humanoides de pouca inteligência. São esguios, altos e brancos. Notáveis por usarem uma espécie de mascara branca, junto com um capacete em formato cilíndrico, que cobria totalmente sua face. Também sabem usar armas brancas, mas com pouco conhecimento delas, sendo que apenas sabem usá-las como armas de impacto.
Crimson: Uma besta colossal vermelha como sangue e violenta como um tigre. Seu corpo tem formado oval, completamente vermelho e seco, sustentado por suas oito pernas grossas. Tem uma cauda ridiculamente grande, com uma espécie de chocalho amarelado no final, que aparenta ser seu ponto fraco”.
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