O abismo sem Fim
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Movia-se lentamente pela sala, nos esperando atacar, sempre de olho em nós. Já perdi as contas de quantas vezes já vi essa estratégia, que não me surpreende nem um pouco mais. Assim como as criaturas que nós reduzimos a pó nesta sala, esta também será fácil, afinal, somos escolhidos! Enquanto Jeff descarregava magias no monstro, e Mary, balas de energia, avancei em sua direção, aproveitando que estava ocupado demais desviando dos projéteis. Perfurei o seu torso com toda minha força, o que causou uma reação de severa agonia nele, fazendo com que sucumbisse rapidamente a meu ataque.
Dirigi-me em direção aos dois, sorrindo, triunfando sobre o que aparentava ser uma vitória, mas não era...
Enquanto andava, o ser me apunhalou, havia se fingido de morto! Havia mordido meu braço, sacudindo-me fortemente e me arremessando em direção ao muro esquerdo, separando o meu braço de meu corpo. Dessa vez a dor havia sido mais intensa do que a do Pesadelo, pois além da dor óbvia da mutilação de meu braço, eu sentia uma igualmente intensa dor de queimadura na região, como se estivesse em chamas.
Depois de recuperar minhas forças, ver a reação chocada de Jeff e Mary e me perguntar o porquê das criaturas abissais e não-abissais decidirem atacar justamente meus braços, levantei-me, usando Lavanda como suporte. Sangrando intensamente, tentei acerta-lo com Azanius Ignanimum Meo, porém sucumbi com o esforço, ficando inconsciente por um tempo que não consegui determinar. Vi a criatura expelir jatos de eletricidade de sua boca enquanto caia.
Acordei na sala de Owlazar, onde todos estavam, incluindo, para minha alegria, meu braço.
Zach, ganhamos a batalha! Sinto muito pela sua derrota, mas é algo que acontece. É claro, não deixe acontecer fora daqui, por favor! Enfim, talvez você queira tentar mais vezes, é sempre bom ir aprimorando!—Disse Mary ao abrir de meus olhos.
Derrota é algo que temos que lidar, porém nesse caso, é algo que temos que evitar. Aceitei mais alguns treinos, alguns perdia, outros ganhava. Paramos de treinar no momento em que todos estavam inteiros ao sucumbir da criatura. Estávamos prontos para enfrentar o que viesse do portal da segunda dimensão, e assim, salvar o mundo de um grande desastre. Uma grande responsabilidade como essa deve ser cumprida com zelo, sem erros, apenas vitórias.
Owlazar nos levou até a porta que iria nos levar para o lugar de invocação, nos desejando boa sorte. O túnel que iria nos levar para o lugar era longo, circular e azul. Conforme andávamos nossas formas terrenas voltavam, o que apontava que estávamos chegando perto, minha mochila também havia voltado. Meu coração palpitava de ânsia. Como não iria?
No final havia uma luz, tão brilhante que quase nos cegou ao chegar perto. Cobrindo nossos olhos, nos dirigimos à ela. Fomos transportados para o tal lugar, o tão aguardado lugar...
A primeira coisa na qual percebi foi a repentina presença de Serene ao meu lado, o que me acalmou bastante. Depois tratei de me situar: Era um deserto negro, que meu pequeno conhecimento em geografia não sabia qual era. Podíamos ver uma luz de longe, na qual seguimos esgueiramente, com todo o cuidado para não sermos vistos. Chegamos ao tal local, com seres que eu tinha certeza que fossem Krazuamen (O que mais poderia ser?) em volta de um grande círculo iluminado por velas, no qual Malphas estava no meio, lendo um livro em voz alta, em uma língua desconhecida.
Percebi que a lua estava ficando púrpura, de maneira estranha.
Os escolhidos chegaram para destruir o que seu ritualzinho, suas aves idiotas!–Gritou Jeff.
Cara...- Reclamou Mary.
Malphas olhou para nós. Não parecia nem um pouco surpreso.
Ora, ora, ora...Os escolhidozinhos chegaram! Estava esperando por vocês, sabia que iam estar aqui. Veem aquela lua? Em poucos minutos um portal irá abrir perto dela, e lorde Vazachor irá ser liberado, aniquilando vocês, patéticos humanos!
Malphas, Vazachor não está dentro de si! Ele está sendo controlado por algo mais poderoso! Acredite em mim, lute ao meu lado! Ainda há tempo de se redimir, não guardo mágoa de vocês. Pelo seu lorde, pelo mundo que habitam!-Tentei o convencer.
Nosso lorde é poderoso demais para ser controlado como um manequim da forma que descreves! Estamos fazendo sua vontade, e continuaremos assim! Chega de conversa, cansei desses joguinhos! Hzverolo-Thru!
O surreal ocorreu, ficamos espantados ao presenciar a cena. Era..eu não consigo descrever, não porque era assustador, pois não era da forma medonha, e sim da intimidante. Malphas havia se transformado em sua verdadeira forma, um grande..não, colossal, para ser mais exato, ser quadrúpede. Diferente dos seres do abismo, ele era gigante, creio que o suficiente para engolir Crimsom, Pesadelo e Umberg de uma vez. Corpo reptiliano, como o de um dragão, com escalas negras como a noite, deixando-o visível apenas pelo seu tamanho colossal e pelas pontas de suas escalas, que eram levemente púrpuras e brilhantes.
No fim de seus cinco longos pescoços, cabeças de corvo, todos com olhos brilhantes como o sol, de cor púrpura. Asas gigantescas de morcego, garras longas e afiadas. Intimidante em todo aspecto, principalmente em seus 20 metros de altura. Os Krazuamen que estavam juntos fugiram, voando e desaparecendo no meio da escura noite. A lua ficava mais púrpura e levemente destorcida.
Azanius Mjoldog Hige!—Gritei.
Dirigindo-se rapidamente, a poderosa esfera elétrica atingiu em cheio uma de suas cabeças, causando efeito imediato, porém o efeito não havia sido em Malphas. A esfera simplesmente se desfez, Unihacks eram inúteis contra aquilo, assim como era, obviamente, o combate corpo-a-corpo. Coloquei a mão na frente de Mary, que estava prestes a atirar contra Malphas. A lua ficava mais púrpura...
Acho melhor não....
Mas Zach! Olhe o tamanho daquilo!
É justamente por isso, eu não quero que você se machuque...
Zach....
Mary....depois que tudo isso acabar.... eu gostaria de lhe confessar uma coisa....
Zach...eu...eu acho que também tenho de lhe falar algo...quem sabe não é a mesma coisa que você quer falar?
Ela não disse que morava sozinha? Enfim, com esse forte sentimento correndo pelo meu corpo, similar a uma corrente elétrica, uma forte corrente elétrica, que penetra na alma humana e a dá forças para continuar em sua grande jornada. Esse sentimento....
A força desse sentimento não era forte o suficiente para minha magia surtir qualquer efeito em Malphas, como o de se esperar de um servo de um deus caótico. Suas investidas eram lentas, porém qualquer acerto seria mortal. Joguei-me algumas vezes sobre Mary, a empurrando dos ataques e raios cuspidos por aquele ser, apesar de eles estarem longe de a acertarem.
John havia descoberto uma tática eficiente para parar o ser, mas não para destruí-lo: Ele transmitia sua energia para Serene, que atirava um poderoso raio dessa mesma energia, dessa forma, seus ataques não se limitariam ao solo e também iriam usualmente travar Malphas, nos dando tempo. Era uma batalha impossível de se ganhar, e enquanto perdíamos o nosso tempo, a lua ficou púrpura, completamente.
Malphas, meu fiel.
Uma grande voz podia ser ouvida, Malphas parou imediatamente, se transformou de volta para sua forma normal e retrucou:
M-mestre Vazachor! Estou no meio de uma luta com esses vermes!
Malphas...você está indo bem....seu....trouxa! Hahaha!!
O quê?!—Espantou-se Malphas.
Um grande tremor havia ocorrido a nossa frente. Nós três corremos em sua direção para ver o que era, e Malphas também voou para lá, curioso, nos lembrando durante seu voo “Terminarei isso mais tarde”!
Tratava-se de um imenso buraco que havia aparecido entre as dunas. Perto dele havia um ser jogado, um Krazuamen...
Mestre!—Gritou desesperadamente Malphas.
Correu em direção ao Krazuaman, que ele dizia ser Vazachor, que estava no chão. Aparentava estar fraco, com uma expressão triste e miserável. Hawter estava certo....
Mestre! Fale comigo! O que ouve?
Malphas...não há necessidade de lutar com Axis. Ajude-o, não é ele o seu inimigo.
Eu não o entendo ,mestre! Como pode esse macaco patético ser aliado nosso?!
Nyxta ...ele é o seu verdadeiro inimigo!
Mestre! Você está fora de si!
Cansando da ignorância de Malphas, Vazachor o golpeia com uma tapa na face, usando suas últimas forças. Malphas afasta-se do deus, que gritou:
Saia daqui seu corvo ignorante! Vá para Hyvah e traga o maior exército que puder, com as bestas mais poderosas que conseguir! Axis, aproxime-se.
Sim, senhor!—Respondeu Malphas, voando rapidamente, desaparecendo na escuridão da noite.
Fui em direção ao deus, já sabendo que Hawter estava certo. Se há algo naquela dimensão que é capaz de manipular os poderes de um deus, tenho certeza que essa coisa pode nos destruir com facilidade! Vazachor disse, com certo pavor nos olhos:
Zach....Mary....Jeff...vocês as únicas almas que pode derrotar Nyxta. Imperador da segunda dimensão, ele tem um imenso poder mágico, tenham cuidado! Eu estava sendo manipulado por ele, causando toda essa destruição. Agora que o portal será aberto eu não tenho mais uso para ele. Daqui a meia hora seu exército negro irá sair da púrpura lua, causando destruição por toda terra, e quem sabe por todo o universo! Ou talvez o mundo espiritual... Aquele paspalhão do Malphas está trazendo um exército para segurar o exército de Nyxta, porém apenas vocês têm almas abençoadas, ou seja, podem ir para outras dimensões livremente, sem limitação de seus poderes, apenas melhoras.
E qual de nós você amaldiçoou, oh sábio corvo!—Perguntou sarcasticamente Jeff.
Para seu azar não foi você, seu desmiolado! Zach...você é o amaldiçoado! Você pode pensar que é algo ruim, que eu ia lhe controlar para destruir tudo e todos, mas não, é apenas um mito. Já se perguntou o porquê seu ofensivo é o mais forte de toda equipe? Eu, Vazachor, também sou deus da ofensa, assim como Hawter é da defesa e Owlazar da recuperação. O poder dentro de sua alma é negro, porém isso não significa que é maligno!
Então eu era o amaldiçoado?! Fiquei chocado ao ouvir pela primeira vez, mas me alegrei ao saber de seus benefícios. Não pude concordar mais em relação ao uso de meus poderes. Talvez a escuridão não seja solenemente maligna como dizem...
Depois de um longo papo com Vazachor, muitas explicações sobre nossos poderes, de onde vieram, o que fazer com eles e algumas piadas de corvo, Malphas voltou, ele e seu exército. O maior exército que já vi e que provavelmente vou ver em toda minha vida...
Acho que mil é pouco, talvez dez mil ou mais. Krazuamen, Bestas abissais, Hagos que resolveram se aliar e...Umberg?! O gigante não havia morrido, e sim capturado pelos Krazuamen, que haviam restaurado seus músculos.
Axis, meu amigo! Está na hora de chutar uns traseiros de outra dimensão, haha!
Outra figura que reconheci, e que não havia como não reconhecer foi ele....dei uma pausa para respirar. O gigante de aço, Pesadelo havia retornado, dessa vez com olhos funcionais e uma boca maior! Malphas estava montado nele como se fosse um cavalo, com a maior facilidade. O Krazuamen aproximou-se de mim e disse:
Desculpe pelo mal entendido, Axis. Enfim, eis algo para me desculpar! Programamos 541 para atacar apenas o que humanos, Krazuamen ou Hagos atacarem, ou seja, os invasores! Não é difícil programar quando se usa magia, enfim, pode subir nele, hehe!
Ignorando a estranha risada, subi no Pesa- quer dizer, 541. Era fácil de controlar, pois havia uma pequena cabine em sua costa onde se colocava as pernas, que funcionava como uma espécie de alavanca, além de ser estranhamente confortável. Havia espaço para dois, portanto deixei Mary ir também.... Jeff foi em outro 541, junto com Malphas. Serene, obviamente, não precisava, suas asas eram a locomoção que precisava
De repente aconteceu. Surgindo do grande buraco veio o caos. Todos se prepararam, deixando a conversa de lado e se focando na batalha. Um grande castelo havia surgido do buraco, de aparência arcaica, porém bem chique. Uma grande ponte desceu de lá, possibilitando que as bestas púrpuras saíssem e que a batalha começasse. Vinham nas mais variadas formas, com chifres, asas, presas, garras, etc. Numerosas, assim como o nosso exército. Demônios púrpuros eram decapitados pelos dentes dos 541 que os mordiam, enquanto Hagos eram massacrados pela fúria de dragões púrpuros, que cuspiam raios de ácido.
Depois que os demônios pararam de sair com tanta frequência demandei com que 541 fosse em direção ao portão, assim como Jeff fez. Iríamos nos infiltrar no castelo, destruir o que tiver dentro dele e então triunfar. Rápido como uma bala, o dinossauro mecânico ia em direção ao portão, enquanto eu decapitava os demônios mais desavisados com Azmarol, apesar de que 541 atropelava os menores.
Depois de muita corrida conseguimos entrar no castelo. Deixando os 541 voltarem ao campo de batalha, adentramos o sinistro e novo lugar. Sua geometria era estranha. Algumas portas ficavam nas paredes, enquanto outras no chão. Seus tijolos eram púrpuros, com velas por todo o lugar. Nós três procuramos juntos as escadas, ou seja lá o que for nos levar para o topo. Era hora de acabar com isso....
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