O abismo sem Fim
9 Capítulo 9
A criatura não avançou em nossa direção, pelo contrário, ficou parada, nos insultando e esperando que nós fossemos em sua direção.
Cheguei perto de Mary e disse em tom baixo:
Olhe, essa vai ser sem dúvida difícil de derrubar. Portanto, tente acertar suas pernas para reduzir sua mobilidade. Vou distraí-la enquanto você tenta acertar suas pernas, certo?
Tudo bem, mas tome cuidado Zach, ela é muito perigosa!
Eu sei o que estou fazendo, apenas tente acerta-la nas pernas.
Depois disso avancei em direção a criatura, tendo em mente que eu não deveria em hipótese alguma ir para ofensiva com ela enquanto ela estivesse de pé.
Ela tentou me golpear com o martelo, mas falhou em me acertar. Contudo, o golpe foi tão forte que causou um tremor, no qual quase me derruba. Tenho que ir mais rápido!
Vários golpes de seu martelo foram desferidos contra mim, mas nenhum acertou. Mary estava atirando, mas as balas não pareciam surtir efeito, apenas a penetravam e aparentemente não causavam a menor dor nela. Diante disso tive uma grande ideia. Chamei Serene e joguei a PSTL-49KW para ela, apontando em seguida para Mary.
A coruja aparou a arma e em seguida jogou rapidamente para Mary.
Atire nela com isso Mary! Confie em mim!
Por que eu não iria confiar?
Bem... apenas atire!
O primeiro tiro disparado aparentou surtir pouco efeito, mas o segundo havia deixado a criatura mais violenta! Ela estava golpeando com a marreta com mais e mais velocidade! Desviei das pancadas com certa dificuldade.
No quarto tiro a criatura passou a ficar mais fraca. Seus músculos estavam se encolhendo, até que chegou certo ponto em que ela largou a marreta. Tinha sido o quinto tiro, no qual a criatura caiu e disse:
Você não pode derrota-lo, ele é mais forte que você.
Eu não me importo, se eu consegui derrotar você eu posso sim derrotar ele!
Umberg sorriu e disse:
Não estou falando daquele inútil do Malphas, estou falando de Vazachor.
Vazachor?- Perguntou Mary.
Deixe-me contar uma pequena história para vocês. No começo, o mundo era sem vida inteligente, apenas plantas e animais não racionais. Até que certo dia Hawter, o deus-águia criador da vida chegou. Ele viu que tudo estava tão deserto, então decidiu chamar seus irmãos: Owlazar, o deus-coruja criador do tempo e Vazachor, o deus-corvo criador do espaço. Eles três formaram três raças diferentes semelhantes a suas imagens. Os Eazmen, os homens-águia que habitavam as florestas e desertos do mundo, criados por Hawter. Os Snozmen, os homens-coruja-das-neves, que habitavam os lugares frios desse mundo, criados por Owlazar. E então os Krazuamen, os homens-corvo, que habitavam as cavernas, criados por Vazachor.
Eles prometeram deixar suas raças livres para fazer o que quiser, não interferindo em nada. Porém, Vazachor não concordava com isso. Ele deu um nível superior de inteligência para os Krazuamen. Eles ficaram tão inteligentes que se desenvolveram em poucos anos para uma civilização altamente tecnológica, tendo o conhecimento das mais diversas ciências. Conforme o tempo passava novas criaturas surgiam no mundo, muitas atraiam o interesse dos Krazuamen.
Eles estudaram diversos animais e criaram versões humanoides deles, nos quais mantinham em suas cavernas para experimentos. Uma dessas espécies eram os Panthonmen, os homens-puma, que é minha espécie. Algumas delas desenvolveram inteligência, outras não. Certa vez eles pegaram uma espécie de macaco e fizeram a mesma coisa. A inteligência da espécie era mais alta do que as demais. Eles escaparam das cavernas e atualmente dominam o mundo com o nome de “Humanos”.
Hawter ficou furioso com Vazachor, o banindo para uma dimensão escura e sombria, no qual ele atualmente descansa. Owlazar foi nomeado como o chefe do planeta terra, comandando tudo que acontecia nele. De vez enquanto Vazachor interrompia Owlazar, se comunicando com os Krazuamen telepaticamente, o que ocasionava a má conduta humana: Guerras, desigualdade e morte. Owlazar infelizmente não podia fazer nada sobre isso a não ser se lamentar. O tempo havia passado, e nesse ano os Krazuamen estão planejando em invocar Vazachor, trazendo-o de volta de sua dimensão escura e sombria para o nosso mundo.
Ele é disforme. As vezes é uma grande serpente, outras vezes uma nuvem negra, e raramente uma grande e medonha besta composta de medo e de horror.
E acredite, o perigo é maior do que você pensa. Você não está aqui à toa. Você e mais dois sobreviventes, contanto com essa garota com quem você anda estão presos nessa cidade. Dois de vocês nasceram com a benção de Owlazar, o Deus-Coruja, o outro nasceu amaldiçoado por Vazachor. Ele criou vocês justamente para impedir que a catástrofe aconteça, mas Vazachor interviu e criou um terceiro, que seria usado para o mal, e quando ele se acordar, o caos irá dominar o seu corpo. Não fui informado com muita precisão sobre os poderes que vocês têm, ou qual de vocês é o amaldiçoado. Apenas sei que vocês se regeneram mais rápido de machucados, têm uma inteligência elevada e também podem usar algo chamado Unihack, mas desconheço o que isso seja.
Depois de ouvir a longa e convincente história de Umberg, fiz uma última pergunta para ele antes de partir:
Por que você está nos ajudando? Você não estava do lado deles?
Ele, com a resposta na ponta da língua, respondeu:
Eu estou longe de estar do lado daquele verme. Fiz apenas o que fui obrigado a fazer. Por séculos meu povo foi torturado por aqueles seres sem alma, agora vocês tem a chance de acabar com isso! Mesmo sabendo que eles irão voltar para me matar, fico feliz por ajudar o lado que realmente vale ajudar.
Senti pena da criatura, mas não podia fazer nada, apenas me despedi dela, olhei para Mary e disse:
Vamos.
Saímos da mansão, deixando o monstro para trás. Chegamos a ouvir sons estranhos e os gritos do coitado. Espero que ele esteja em um lugar melhor.
Seguimos em frente, indo mais para o norte, ou ao menos o que era norte para nós, desde que não tínhamos sol para nos orientar. Mary desenhava um mapa em uma folha de meu caderno, para garantir que nós não nos perdêssemos.
Fale com o autor