Acabei caindo no sono e dormindo por uma quantidade de horas que não conseguia determinar. Fui acordado por Mary, que aparentava ter se recuperado. Eu estava me sentido melhor, apesar de quase ter morrido, estava confiante em seguir em frente.

Bom dia dorminhoco! Vi o corpo daquele bicho lá fora, devo dizer que foi surpreendente, mesmo eu não tendo visto! Eu gostaria de lhe agradecer por cuidar de mim enquanto eu estava inconsciente. Agradecer muito mesmo!

Bem, eu fiz o que parecia ser lógico no momento. Além disso, eu não podia negar socorro para alguém que salvou minha vida.

Com um lindo sorriso no rosto, ela disse:

Você ia me falar algo antes daquela criatura aparecer... O que era mesmo?

Bem... Tenho certeza que você não deve gostar nenhum pouco de ficar presa nesse lugar sombrio e hostil, então pensei que nós poderíamos tentar escapar desse lugar. Assim como você disse, procurar por sobreviventes.

Ela olhou para o chão, dando uma pausa, voltou a olhar para mim com um olhar bem alegre e disse:

Você é de fato muito corajoso! Eu aceito, acho melhor nós começarmos a preparar os suprimentos, os curativos, comida, bebida, armas, munição, entre outras coisas.

Balancei minha cabeça, concordando com ela.

Os próximos minutos se resumiram em nós dois pegando suprimentos para a longa e tortuosa jornada que nos aguardava. Depois que tudo estava pronto, saímos pela porta daquela casa e fomos em direção ao shopping, no centro da cidade. Agarrei minha PSTL-49KW, que ainda estava ao lado da besta morta. Eu tive certeza que criaturas mais poderosas iriam aparecer em meu caminho. Criaturas cuja força é indescritível, criaturas cuja aparência causa até os mais corajosos a gelarem a espinha. Uma longa e difícil jornada por essa terra hostil e sombria, cuja recompensa seria o direito de viver.

Nós chegamos ao shopping e continuamos a ir em frente, para o norte, pegando munição em suas lojas, entre outras coisas, como comida. Achei mais munições para minha PST-49KW, 10 balas! Também achamos uma katana, na qual eu dei para Mary. Eu já havia duas armas brancas, portanto não precisaria de outra. Mas devo dizer que fiquei meio triste por não ter ficado com a espada, sempre achei essa arma tão cativante e poderosa, mas tudo bem, contanto que ela esteja decapitando as bestas que surgirem em nosso caminho, estou bem com isso.

Seguindo mais em frente e saindo do shopping, encontramos uma estrutura um tanto interessante: Uma larga mansão construída de sólidos tijolos e pintada de cinza. Ela estava, como grande parte das estruturas da cidade, as ruínas. Era um lugar bem habitável. Existiam muros ao seu redor, que impossibilitariam invasores. Talvez algum sobrevivente esteja abrigado nela, desde que é um local tanto seguro para se conviver, comparado com o resto das estruturas da cidade.

Nós três entramos nela, estava um pouco escuro. Ligamos uma lanterna na qual havíamos achado no shopping. O lugar estava empoeirado e como eu havia dito, em ruínas. Algumas salas estavam bloqueadas pelos tijolos que havia caído. O salão central ainda estava acessível, portanto fomos para lá.

Uma das escadas estava inviável, portanto usamos a outra, na qual levava a uma sala de jantar, na qual não teria chamado minha atenção se não fosse a um objeto um tanto peculiar e curioso: Uma estátua dourada de uma estranha criatura. Uma espécie de monstro com cinco cabeças de corvo e longos pescoços. Ela tinha a forma de um réptil, um dragão para ser mais preciso. Suas patas tinham garras longas e afiadas. Sua cauda era longa para aquela criatura. E por último, suas asas. Elas eram imensas, em formato de morcego. Embaixo da estátua havia algo escrito em um alfabeto estranho, porém seus caracteres eram bem semelhantes com o nosso alfabeto, portanto, aparentava estar escrito isso: “Malphas, imperador ancião, herói dos Krazuamen, governador das sombras, aquele que espreita na escuridão, a encarnação das sombras, o escolhido para trazer o caos de volta”.

Espero que nós não encontremos essa criatura em nosso caminho, com certeza é mais forte do que aquele monstro que encontramos!

Disse Mary. Eu olhei para ela e disse:

Temo lhe dizer que ela já me encontrou... uh, esqueça o que eu acabo de dizer, vamos em frente.

Com um olhar confuso e fazendo certo esforço em concordar comigo ela disse:

Ok?

Malphas... ele era o ser no qual eu havia tido o pesadelo... Mas por que logo eu? O que eu tenho de especial que os outros não têm? Talvez ele não tenha me selecionado por algum motivo específico, foi apenas aleatório. Eu não tenho nada de especial e certamente nunca terei. Enfim, esqueci-me disso e continuei a exploração na mansão, encontrando mais objetos bizarros ligados com Malphas, entre eles algumas estátuas, quadros e até mascaras! Eu me pergunto se o sobrevivente que vive nesse lugar não se incomoda com toda essa bizarrice pela casa, se é que existe algum sobrevivente aqui...

Voltei para o salão principal, tendo acabado de explorar a parte direita da mansão e convencido que não existia nenhum sobrevivente lá, pensei em sair dela. Porém, antes de continuar minha busca com Mary por sobreviventes, encontramos uma porta abaixo da escada que estava inviável. Uma porta de formato diferente das outras da mansão. Talvez ainda haja esperança...

Adentrando nela havia uma escada longa em espiral para as profundezas daquele lugar. Descemos todas elas em o que eu diria uns dois minutos. Outra porta de formato estranho, alta, construída de um metal negro e desconhecido que me deixava inquieto ao olhar. Era uma sala bem larga e alta. No seu centro havia um estranho círculo, com quatro velas e desenhado com um líquido que aparentava ser sangue. O fundo daquela sala me deixou perplexo: Era muito escuro, e não importava se eu apontasse a lanterna para ele, continuava sendo escuro. Algo um tanto bizarro, mas talvez seja até comum nesse lugar.

Não havia ninguém naquela sala, portanto demos meia volta e caminhamos em direção à porta. Porém algo nos surpreendeu totalmente...

A porta não abria, nós forçamos, mas ela não abria! O ambiente se iluminou estranhamente, sendo que não havia nenhuma fonte de luz na sala. Mesmo com essa iluminação repentina, o fundo continuava escuro. Foi então que eu a vi...

Dois daqueles homens-corvo, que pelo que eu tenho conhecimento se chamam Krazuamen, surgiram daquelas trevas, eles eram diferentes dos outros Krazuamen que eu havia encontrado, aparentavam ser mais magros e baixos. Eles arrastavam consigo uma grande jaula feita daquele metal negro, nela continha uma aberração ameaçadora.

Uma criatura humanoide de tamanho imenso. Seus 5,25 metros me deram calafrios. Ele tinha músculos ridiculamente grandes e densos, com veias expostas. Ele era negro como a mais escura noite, o único brilho que surgia daquela besta eram seus olhos: Rubros e brilhantes. Ele carregava uma marreta igualmente grande, prateada e suja de sangue das criaturas que tiveram o infortúnio de encontrar com essa besta. Sua força aparentava ser imensa, mesmo com uma marreta imensa a besta a carregava em uma só mão sem fazer o mínimo esforço. Sua cabeça não era a de um corvo, ou a de um humano, e sim a de um puma. Suas duas presas eram largas e pontudas, também manchadas de sangue. A reação de Mary foi imediata, puxando sua Sniper e disparando dois tiros em direção a os Krazuamen. Eles agarraram os tiros disparados por Mary com suas próprias mãos, jogando as balas no chão como se não fossem nada.

Uma risada sádica ecoou pelo ambiente. Era Malphas.

“Vi o que você fez com Crimson, se é assim que o chama. Nada mal, devo dizer que você luta bem. Você ainda acha que não tem algo de especial, Zach? Todos seus movimentos foram acompanhados minuciosamente por mim. Você reduziu Crimson a pó, vamos ver o que pode fazer com o nosso amigo, Umberg. Solte-o!”

Os Krazuamen abriram a jaula que continha a besta e desapareceram misteriosamente, deixando uma fumaça negra em seus lugares.

Vejo-lhe depois, Zach. Preciso cuidar de assuntos importantes.

Disse Malphas, desaparecendo em uma nuvem de fumaça negra.

Que canalha!

Foi o que disse Mary, antes de ser interrompida por Umberg, que quebrou ferozmente e respondendo:

Chame o meu chefe de canalha, mas ao menos ele é um canalha vivo, diferente de vocês dois, que serão golpeados por mim até virar presunto!

A criatura inteligente! Não só inteligente quanto forte! Isso de fato seria uma difícil batalha! Os Caninus são inteligentes, porém não são tão fortes. Já os Tribals são estúpidos, apesar de fortes. Essa criatura era a junção de inteligência e força elevadas a um nível superior. Estava com Lavanda em minha mão direita, enquanto na minha mão esquerda estava a PSTL-49KW. Chegou a hora de usar os músculos e o cérebro!