O abismo sem Fim
2 Capítulo 2
Acordei dentro de uma casa bem simples, ela era feita de tijolos, pintada interiormente de branco e exteriormente de vermelho. Ela estava em ruínas, com alguns cômodos inacessíveis devido a portas emperradas e algumas vezes completamente bloqueadas por tijolos que haviam caído. Uma coisa interessante que percebi foi que minha coruja ainda estava do meu lado. Isso amenizou bastante meu pavor e me deixou mais calmo. Resolvi então sair da casa e tentar descobrir em que lugar eu me encontrava. A luz do sol mal alcançava o solo no qual eu pisava. Era escuro, porém, não completamente. Percebi também que eu estava em uma cidade, ela aparentava ter sido destruída por algum impacto forte, pois havia carros e curiosamente casas virados de lado ou até mesmo de cabeça pra baixo.
Já fora da casa avistei um prédio em sua frente, nele havia uma grande placa escrita em russo. Sim, russo. Os rumores eram verdadeiros, os russos estavam por trás disso, pelo menos era o que aparentava. Mas o que seriam aquelas criaturas negras, meio corvo e meio humanas? Seriam elas as tais armas biológicas criadas pelos russos? Uma onda de perguntas atingiu minha mente com um impacto tão forte quanto aquela facada que eu havia levado.
Não sou uma pessoa medrosa, minhas atitudes corajosas, entre aspas, costumam resultar em coisas hilárias para alguns e ridículas para outros, porém eu estava paralisado de medo naquele momento. Depois de quarenta segundos olhando fixamente para aquela placa resolvi prosseguir. O prédio no qual estava olhando era um hospital, coisa bem perceptível e óbvia devido à cruz vermelha naquela placa. Dirigi-me em direção a ele, afinal, nunca se sabe que tipo de criatura pode habitar esse abismo infernal. Chegando à construção, ainda fora dela, reparei que a porta frontal do hospital estava cheia de insetos. Não, eu não tenho medo de insetos, porém, não eram insetos comuns. Eu nunca havia visto algo assim, era uma barata de aproximadamente 12 cm. Ela havia oito longas pernas que se assemelhavam a das aranhas. A criatura raramente encostava seu cefalotórax no chão, apenas quando fosse para se alimentar do resto de outros daqueles insetos grotescos.
Serene parecia indiferente em relação a os insetos, que resolvi dar a nomenclatura de “Aracnoseto”, com certeza não e o nome mais criativo, mas será bem mais fácil identificar essas criaturas.
Adentrando no hospital abandonado, depois de passar por aquelas criaturas, percebi que os muros estavam ensanguentados, sujos e quebrados. Nada muito surpreendente, porém, não e algo que se vê todo dia.
O hospital tinha seis longos andares. Minha primeira atitude dentro dele foi procurar algo para me defender. Subi para o quarto andar e comecei minha procura na sala de cirurgias. Eu achei uma ferramenta familiar, ela se assemelhava com uma espada de esgrima, porém sua ponta era mais afiada e a ferramenta era menor. Lembro-me de ter sido operado com ela quando eu quebrei meu braço. Peguei-a e coloquei dentro de minha mochila, que eu sempre carregava comigo. Infelizmente, tudo que eu havia era meu caderno no qual eu praticava meus desenhos, meu videogame portátil, um estojo cheio de ferramentas de desenho e uma embalagem de biscoito.
Obviamente aquilo não seria o suficiente para minha sobrevivência naquele lugar hostil e escuro, porém, elas seriam bem uteis. Eu também havia algumas baterias, grande parte não funcionava. Enfim, resolvi procurar suprimentos medicinais naquele hospital. Analgésicos, curativos e outras coisas do gênero seriam uteis.
Depois de uma procura de mais ou menos trinta minutos eu já havia uma boa quantidade de suprimentos. Resolvi então retornar para as ruas e procurar comida. Eu estava no último andar, então a descida foi longa, chegando ao quarto andar começo a ouvir passos lentos. Eu sabia que era mais uma aberração que habitara esse abismo. Com a ferramenta cirúrgica que havia pegado me preparei. Serene estava de novo na sua posição de ataque, olhando para todas as direções ao nosso redor. Os passos pararam. Uma porta de um corredor que eu estava se abriu, revelando uma criatura grotesca de aparência infernal. Ela era quadrúpede, seu corpo se assemelhava a um lobo. Seus pelos eram vermelho-escuro, seus olhos eram vazios e misteriosos. Suas patas continham garras longas e afiadas sujas de sangue, indicando uma possível vitima dessa besta. Ela havia uma espécie de juba, não como a de um leão. Essa juba era formada de pelos negros e firmes. Com a ferramenta cirúrgica que apelidei carinhosamente de “Lavanda” em minha mão, devido a sua cor, me preparei para a batalha em uma posição defensiva, enquanto a besta corria em minha direção e Serene planava ao meu lado.
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