O abismo sem Fim
14 Capítulo 14
O ambiente era sombrio, perdi-me de vista de Mary e Serene algumas vezes, mas nada semelhante ao acontecimento ocorrido naquele pesadelo. Encontramos no meio da escuridão uma pequena construção, feita de pedras brancas com um leve tom de azul-claro que só poderia ser percebido com a luz da lanterna. A construção triangular era pequena, havia apenas dois metros e meio! Mesmo assim, resolvemos vasculhar o local. Dentro dele não havia nada além de uma escada, na qual resolvemos descer.
Surpreendentemente, nos encontramos em um grande lugar iluminado por tochas. Seu chão, seus muros e até mesmo seu teto era composto de rochas rudimentares, que indicavam sinal de civilização. Naquele ponto eu já havia Azmarol em mão, com sua forma de lança. Mary estava com sua Katana em uma mão e Parain em outra. Havia quatro portas naquele lugar, indicando que isso podia ser uma espécie de hall. Entramos na porta à nossa esquerda. Demos de cara com uma espécie de sala que continha várias estátuas dos mais diversos seres abissais, nos quais alguns eu reconhecia, como os Caninus e os Tribals.
Percebi uma certa organização nas estátuas, com os predadores, como os Caninus, Tribals e Crimson no leste da sala.Já os herbívoros, com o Unicórnio e outros demais ficavam no oeste. Interessantemente, no norte havia um grande quadro que retratava um ser que me dá arrepios quando olho: Era colossal, fazia com que os seres humanoides nos quais não consegui identificar parecessem formigas. Uma grande nuvem formada de carne cinzenta pairava sobre a multidão de criaturas. Sua forma era irregular, o que apenas acrescentava ao horror de ter centenas de tentáculos, nos quais alguns seguravam corpos já sem vida. Múltiplos olhos achatados e grandes bocas famintas eram apenas o começo do horror: Uma parte sua estava caindo sobre o solo, que talvez seja a forma de reprodução desse horror.
De repente, enquanto estava distraído com aquela blasfêmia colossal e macabra que havia sido pintada realisticamente naquele quadro, fui atacado em minha cabeça por uma entidade, que, seu ataque foi tão rápido que nem pude identificar-la. Ouvi o grito de Mary e vi o susto de Serene antes de apagar. Acho que essa situação está ficando excessivamente normal...
Acordo em um quarto feito das mesmas pedras rudimentares. Havia dezenas camas de madeira pelo quarto, como se fosse um dormitório. Ao abrir meus olhos me deparo com Serene e Mary ao meu lado, com olhares preocupados, apesar de que Serene não pode fazer feições humanas, sei o que está sentindo. Para minha surpresa havia várias daquelas criaturas pelo quarto, os Gárgulas de quatro braços, ou seja, lá o que for. Eles estavam usando uma armadura, feita de um metal, que eu deduzo que seja ferro, e em seus braços carregavam lanças, alabardas, espadas, marretas, bestas e grandes porretes espinhosos. Entre eles destacava-se um, que estava com um martelo em sua mão,ajoelhou-se e disse:
Perdoe-me, herói, achei que fosse o inimigo. Prometo que não farei de novo!
Herói? Do que esses seres estão falando? E mais importante: O que são esses seres?!
O que são vocês?
O ser que aparentemente havia sido o meu agressor, no qual havia me deixado em estado inconsciente, me respondeu:
Nós somos os Hagoheikers, mas refira-se a nós apenas como Hagos. Vagamos nesse lugar desde sua criação. Rejeitados pela trindade divina, somos uma raça que sobrevive através do uso de Unimatter e tecnologia.
Os seres, ou melhor, Hagos, diziam estar nesse abismo desde sua criação. Então a pergunta é:
E desde quando esse abismo e essa cidade existem?
O Hago que havia se ajoelhado respondeu:
Desde que os Krazuamen começaram a vagar pela terra. Além do mais, não é exatamente uma cidade, apenas um resultado da avançada magia dos Krazuamen. Malphas é quem mantém essa cidade sólida, mudando sua estrutura a cada cem anos.
Então as criaturas tinha certo conhecimento sobre Malphas? Talvez eu consiga extrair alguma informação de valor deles...
O que vocês sabem sobre Malphas?
Bem, sabemos que ele é o maior babaca que vaga pela essa terra. Dizem que ele já matou oito milhões de homens. Sua magia é a mais avançada que qualquer ser que vaga nessa terra pode usar. Ele é favorito de Vazachor. Também sabemos que ele não gosta exatamente de matar as pessoas... Todas as suas supostas milhões de mortes não foram diretas. Ele não se importa em tirar a vida com suas próprias mãos, ele prefere que a pessoa mesma faça isso, torturando-a a ponto de deixa-la completamente louca.
Ótimo, estou enfrentando um demônio que já matou oito milhões de pessoas indiretamente! Mas ele não me afeta, nem um pouco! Irei achar o último sobrevivente, voltar para Hawter e então farei o que for preciso para ter a cabeça desse corvo em minhas mãos! O farei sofrer em minhas mãos o mesmo sofrimento que ele causou para todas essas pessoas!
Depois de uma pequena reflexão não tanto saudável, quis saber sobre os tais de Unihacks e onde estava o último sobrevivente. Mas antes dessas duas cruciais questões, ainda tinha uma igualmente importante:
Como vocês sabiam que eu era o escolhido?
Mantemos contato constante com Zhen-Athoth, o Deus da terra. Ele faz parte da corte de Mazaphilhis, o Deus do Destino, que faz parte da corte de Hawter, que se certificou que todos os deuses soubessem sobre você.
Não muito surpreso, mas bem aliviado, fiz as duas últimas perguntas que me restavam:
O que é Unihack e onde está o terceiro escolhido?
Ah! Bem, o terceiro escolhido está naquela porta, que fica entre aqueles dois beliches. Lá você poderá achar as duas respostas. — Disse o Hago apontando para uma porta
Tendo todas as informações que precisava, levantei-me da cama como se nada tivesse acontecido, perfeitamente bem. De fato, esses poderes concedidos por Owlazar são incríveis! Ou ao menos, espero que sejam dele...
Dirigi-me a porta, enquanto Mary fazia perguntas para os Hagos e Serene descansava em uma cama, deixando-a cheia de penas. Entrei em uma sala pouco iluminada, com apenas quatro tochas em seu centro. Entre elas estava uma figura encapuzada, virada de costas. Seu manto amarelo escondia completamente sua face, e a iluminação apenas piorava isso!
Zachary Axis, não?–Disse o ser.
Não me surpreendi nem um pouco com isso. Todos nessa localização estavam cientes de quem eu era e porque estava lá.
Então, diga-me. Você quer aprender sobre Unihacks, não?–Disse a criatura, virando-se para mim.
Apenas acenei minha cabeça, com o sinal de que eu queria. A criatura então me respondeu:
Hehehe, isso vai ser bem divertido.
De forma bem rápida, ela jogou seu manto fora, que revelou um homem que aparentava ter trinta anos. Ele tinha uma grande cicatriz em seu olho esquerdo, no qual estava cego. Cabelos longos e bagunçados. Usava um peitoral metálico e duas cimitarras em suas mãos. Moveu se rapidamente em minha direção e com um movimento que nem alguém com os mais rápidos reflexos poderia ver. Ele havia deixado Azmarol em meu lado, voltou rapidamente ao centro e disse:
Lute!
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