O Véu Da Bruxa

3 Espírito de Porco


Notas iniciais
Demorei mas voltei. :3 Não sei quando postarei os próximos capítulos porque minha internet está de mau comigo. (A zoeira é tanta que eu estou digitando essas notas pela quinta vez -.-). Mas não passo mais de uma semana sem postar capítulo novo. É promessa. Enjoy o/


Quinta-feira.

Emily e Chelsea deram um beijo na testa de Ruby antes de saírem. Ruby fechou a porta atrás delas e se escorou, suspirando. Ela as amava, admirava e gostava muito delas, mas ela não conseguia deixar de se sentir solitária, mesmo estando com elas. Ela era como um lobo, gostava mais de ficar sozinha do que com as amigas.

Mas precisava delas constantemente para não se esquecer da pessoa que ela podia ser.

Amigável, carinhosa, gentil, educada, amável. Não queria se esquecer disso e se tornar fria, como costumava ser aos seus dez anos de idade.

Tinha vezes que ela olhava para trás e sentia falta. Tinha outras vezes, e essas eram mais frequentes, em que olhava para trás e percebia o quão idiota era.

Ruby refez sua maquiagem, arrumou o cabelo e saiu novamente. Para pegar seu vestido de casamento, para o evento de sua vida, que aconteceria naquele sábado.

***

Antes mesmo que se desse conta, Ruby já estava de volta à sua casa, admirando o vestido em sua cama. Ela estava com vontade de experimentá-lo mais uma vez. A falta de mãos para ajudá-la não era um obstáculo, ela tinha suas técnicas. Mas não era com isso que ela estava preocupada.

Seu casamento era em dois dias. Ela podia esperar.

Enquanto ela ainda encarava seu vestido, discutindo consigo mesma se deveria vestir ou não, o telefone tocou. O barulho irritante a incomodava toda vez que tocava. Para o seu alívio, não precisava ouvir aquele barulho frequentemente. Suas amigas sabiam que ela preferia conversar cara a cara. Por isso, estranhou o barulho àquela hora do dia.

Ela atendeu o telefone. A notícia que veio a fez paralisar ao lado do telefone, e, quando lhe fizeram uma pergunta, ela não conseguiu responder.

—Senhora? — A voz do outro lado da linha voltou a chamar.

—Sim, — Ela disse, finalmente voltando à realidade — sim, sim, claro. Eu estou à caminho.

***

Ruby odiava hospitais.

Mas não era por causa de um simples medo enraizado. Era muito mais que isso. Ela odiava os médicos, as enfermeiras, e todos que trabalhavam lado a lado com a ciência para curar seus pacientes e “fazer do mundo um lugar melhor”.

Seu ódio vinha desde o primeiro momento em que chegara à cidade de Yaak, quando tinha apenas onze anos.

Mas hoje, ela tinha que dar uma trégua e deixar essa raiva de lado. Afinal, se não fossem por eles, seu noivo poderia estar morto. E, por mais que ela tivesse as habilidades para trazê-lo de volta à vida, ela prometera para si mesma, dezenove anos atrás que jamais faria isso novamente.

"Um acidente", eles disseram. Nem mais, nem menos. E era essa falta de conhecimento sobre o ocorrido que a deixava irritada e transtornada.

Ruby entrou no quarto do seu noivo correndo, com o rosto vermelho, metade do seu cabelo estava bagunçado. Ela suspirou com alívio quando viu seu noivo inteiro, sentado na cama.

—Oh, meu amor! Eles me disseram que você tinha sofrido um acidente! Você está bem? — Ruby disse as palavras o mais rápido que conseguiu, tamanho era seu nervoso. Ela não conseguia deixar de tocar o rosto do seu amado.

—Eu estou bem. — Frank sorriu, tocando as mãos de Ruby. — Um pouco assustado, só.

—Mas o que aconteceu?

—Não sei. — Frank disse, sua expressão tornando-se preocupada. — Eu estava arrumando o motor do carro e o capô acabou fechando sozinho. O que me salvou foi a caixa de ferramentas que travou antes que me atingisse. — Frank parou, olhando para as mãos brancas de Ruby entre as suas. — O que é estranho, porque isso nunca me aconteceu antes.

Se Ruby não tivesse outras coisas na mente, como por exemplo a saúde de seu noivo, ela provavelmente teria questionado para si mesma se ele teria realmente sofrido um acidente. E, se ela estivesse realmente preocupada com aquilo, era iria procurar a resposta. E ela encontraria.

Mas aquilo não passou pela mente dela. Ruby estava apenas aliviada de que seu noivo estava bem.

Mais tarde naquele mesmo dia, Ruby voltou para sua casa. No instante em que abriu a porta, encarou pegadas de patas lamacentas em seu chão limpo. Ruby não soube como reagir.

As patas surgiam da porta de sua casa e fazia voltas e voltas pela sua sala, sapateando pelo seu sofá e em suas flores preferidas. E depois seguiam de volta ao corredor, conseguindo marcar até mesmo as paredes. Tinha patas até mesmo no teto.

As fotografias de felicidade entre Frank e Ruby estavam jogadas no chão, despedaçadas e quebradas. Aquilo tinha sido pessoal.

A expressão de Ruby mostrava uma certa indignação por sua casa ter sido vítima daquela horrível brincadeira. Porque era mais fácil acreditar que era apenas uma brincadeira do que acreditar no fato de que seu passado tivesse a alcançado.

As patas lamacentas estavam por toda a porta do seu quarto. Só então, Ruby lembrou-se do que havia em seu quarto, mais especificamente, em sua cama. Com temor, abriu a porta com cuidado.

O cheiro a enojou, e, por pouco, não colocou seu café da manhã pra fora.

Mais lama e mais patas. Seguiam reto até a cama de Ruby, subindo pelo lençol branco e por seu vestido. Agora, seu lindo vestido de noiva estava com manchas marrons e avermelhadas. O sangue ainda pingava no chão pelo lençol. Moscas rodeavam o corpo ainda quente de um porco deitado em sua cama, em seu vestido.

Qualquer mulher teria gritado, era a coisa mais sã a se fazer. Ninguém a culparia se ela tivesse gritado. A cena era horrível. O vestido que ela usaria em dois dias estava arruinado. Mas não era nisso que Ruby pensava.

"Justo", ela pensou consigo mesma. Se bem que, comparado com o que ela fez anos atrás, ainda achou pouco de ter apenas seu vestido de noiva arruinado.

Mas não havia nenhum sinal de que aquilo era tudo. Ainda não tinha acabado.

Não.

Estava apenas começando.

Notas finais
Porco aranha, Porco aranha. Porco, porco e mais aranha. >:3