O Voo Do Passarinho

7 Capítulo 7 - Ciúmes


Notas iniciais
Contém conteúdo sexual.

Os cavaleiros e plebeus ali presentes continuaram a beber e a tagarelar; Alguns desses homens ainda trajavam suas armaduras sujas, outros já usavam roupas mais casuais, mas todos brindavam a vitória dos Lannisters na Batalha de Blackwater. Aliria junto com Sally e mais duas garotas que não conhecia iam de mesa em mesa, preenchendo copos e servindo mais cordeiro; A estalajadeira, dona da pousada, era a única pessoa que demonstrava curiosidade para com o homem encapuzado que abordava Yros e Sansa.

– O que pensa que está fazendo, Passarinho? — Sandor perguntou, limpando os lábios sujos da cerveja que acabara de beber no dorso da mão. Seu rosto, coberto pela capa com capuz que utilizava escondia a fúria de sua face, já a sua voz, ela não conseguiu esconder tão bem suas emoções.

– Cão... — Sansa chamou com sua voz fraca de surpresa e medo. A palavra serviu apenas para enfurecê-lo ainda mais.

– Que você quer com ela? — Yros interveio por Sansa, pondo-se na frente da mesma.

Sua mão direita fechou-se sobre o cabo do punhal que carregava em sua cintura; A arma era discreta e sabia que poderia matar aquele vagabundo sem chamar muita atenção. Estranho não estava muito distante, em todo o caso, poderia pegar o seu passarinho e sair de Felwood até que percebam o que aconteceu, julgando em quão bêbados os cavaleiros presentes estavam. O único problema seria que fazendo isso não conseguiria nada de Sansa a não ser temor, e não era isso que ele queria dela.

– Saia da minha frente — Ordenou ao ranger os dentes, mas sem tirar a mão do punhal. Se ele não me der escolha, o farei. Pensou para consigo mesmo.

O bardo tremia como vara verde. Bom de papo, ruim nas armas, heh. Um pequeno sorriso amarelo brotou em seus lábios. O menestrel mesmo tremendo não se moveu.

– Não! — Bradou Yros.

Sandor ergueu o braço e o empurrou com facilidade. Sansa retornara ao seu campo de visão... por pouco tempo. Yros se recompôs e voltou a se colocar entre os dois.

– Eu disse para sair da minha frente! — Urrou, grudando-o pelo colarinho. Algumas pessoas depositavam o olhar sobre os dois, Aliria e suas garotas tentavam distrair a audiência com outra coisa, até a cantora aumentou a sua voz. Sandor não percebia o que ocorria ao seu redor, estava cego de ódio, sabia que não deveria ter deixado a garota Stark ali, ele sentiu que esse homem viria a ser um problema.

– Sandor, por favor, o solte! — Implorou Sansa ao depositar a mão no braço que segurava Yros.

Aquilo soou como um soco no estômago. Eu estou fazendo isso por você! Quis gritar seu cérebro enquanto o seu corpo desejava destroçar o pescoço daquele passarinho junto com o do bardo. Queria que ela reconhecesse as coisas que faço. Seu inconsciente lamentou.

– O quê? Por quê? — Questionou, de certo modo sentia-se propenso a reagir de forma involuntária dependendo da resposta.

– Ele sabe. — Sansa disse, sugestionando.

Sabe o quê? — Sua voz era de zombamento. Yros começava a sentir dificuldade de respirar, as mãos do protetor de Sansa se fecharam ainda mais em suas roupas, apertando o pescoço do homem.

– Quem nós somos — Sussurrou, olhando com desespero de Sandor para Yros. — Por favor... — Tornou a implorar.

– Você sabe quem nós somos? — Voltou-se para o menestrel que balançava freneticamente a cabeça. — E mesmo assim a obrigou a se arriscar ser descoberta dessa forma!? — Suas mãos se fecharam ainda mais contra o pescoço dele.

– Por favor! Pare! — Sansa exclamou, fincando suas unhas no braço de Sandor.

– Deveria abrir sua barriga como um porco — O não-cavaleiro hesito. Satisfazer o meu prazer ou atender ao pedido do Passarinho? Em outros tempos já teria agido sem pensar, entregando-se aos seus instintos, mas agora tudo era diferente e ele estava começando a detestar esse dualismo.

Yros caiu de joelhos no chão, Sansa se ajoelhou ao lado dele, certificando-se de que ele estava bem. Sandor não podia aguentar aquilo, ela estava preocupada com um vagabundo que acabara de conhecer e não com ele, ele que para dar-lhe um descanso deixou-a na pousada e foi vender as jóias que lhe pertencia e depois retornou enquanto podia ter partido com o dinheiro, ele que não fez com ela nada daquilo que o soldado que matara sugestionou e ele que estava sangrando por defender sua moral. Não vou passar por isso sóbrio!. Esticou-se sobre o balcão e pegou a cerveja que pertencia a Yros e depositou-a em seu estômago. Isso ainda não é o suficiente.

– Não se preocupe, Jonquil, eu estou bem, só ver o seu rosto já me faz ficar melhor. — Yros ousou, abrindo um daquele seu sorriso galanteador. Sandor viu de relance as bochechas de Sansa corarem.

– Vamos embora — Caminhou até a garota e pegou-a pelo braço, pondo-a de pé com brutalidade. Me desculpe, Passarinho. Falou para consigo mesmo assim que ouviu o choramingar da garota que indicava que o braço estava sendo machucado.

– Você a está machucando! — Yros se levantou com dificuldade; Os joelhos ainda tremiam.

– Isso não é problema seu — Respondeu com indiferença, segurando Sansa com firmeza enquanto ela se debatia em busca de liberdade.

– Você está me machucando! — Reclamou a garota.

Sandor viu que Yros partia para cima de si no intuito de libertar Sansa. Sandor foi mais rápido, esticou a mão livre e a depositou no peito do bardo, causando um barulho oco.

– Ela é minha! — Rosnou, agindo como o cão que era ao proteger o seu dono. Pode sentir a jovem Stark parar de se debater assim como o menestrel parou de investir contra a mão depositada no peito.

Merda! Deixou-se levar pelo momento, fazendo com que o seu ponto fraco ficasse exposto. O bardo demonstrou entender o significado por de trás daquelas palavras, embora estivesse desencorajado a usar isso contra o homem. Yros conseguiu sentir que o pseudo cavaleiro estaria disposto a defender o território, mesmo que isso causasse a descoberta de sua identidade por todos os presentes na pousada. Sandor se virou para seu Passarinho, ela permanecia ali, imobilizada, com os olhos assustados a encará-lo, mas não havia nenhum sinal de compreensão. Graças aos Sete ela é ingênua. Agradeceu.

– Vamos embora — Avisou, arrastando-a para fora do salão, sem se certificar se estavam ou não sendo seguidos; Para a sua sorte o menestrel ficou para trás.

Quando chegaram no pátio, Sandor que ainda segurava Sansa direcionou-a até o celeiro onde Estranho se encontrava. Havia feito planos de passar pelo menos mais aquela noite ali, só que os imprevistos recentes, isso não seria possível. Sem dizer palavra subiu sobre o cavalo e em seguida puxou a garota para cima, pondo-a sentada em suas costas. Com um forte chute pôs o garanhão a galopar para fora da cidade.

Sansa segurava nas costas de Sandor com um certo vigor. O cavalo estava indo rápido de mais e o vento frio noturno se tornava agulhas perfurando seus pulmões quando respirado diretamente. Sempre fora um pouco devagar para perceber as coisas, isso era verdade, e só agora, depois de aproximadamente uns trinta minutos de viagem começava a juntar os pontos do que acontecera na pousada de Alíria: Eu me apresentei, cantei a canção de Florian e Jonquil. Sansa sorriu com essa lembrança ao se recordar da reação dos ouvintes. Depois o Yros me levou até o balcão, onde me serviu um copo de cerveja, eu estava realmente feliz, mas aí... Seus olhos encontraram com a nuca do homem sentado à sua frente... Ele chegou. Não sei como o Yros começou a discutir com ele, então o Yros caiu no chão e fui ajudá-lo, mas o Sandor me levantou, e disse que iríamos embora. Retirou suas mãos das costas dele, e mordeu o lábio inferior, algo dolorido lhe veio a mente. Eu nunca mais vou ver o meu bardo de novo... Não é que ela estivesse apaixonada por Yros ou coisa do tipo, depois de Joffrey ela jurara ser mais cuidadosa com quem escolhesse, era só... Eu me sinto tão bem com ele, se auto respondeu. Estava cansando de perder tudo aquilo que gostava, como a sua família, sua loba e sua posição. Em um ímpeto saltou de cima do cavalo. Instantaneamente a condução parou.

– Sansa? — Sandor a chamou, sentindo que havia algo errado na garupa. Cessara o galopar de Estranho em tempo exato de ver Sansa correndo de volta pelo caminho que acabaram de traçar. — Maldita! — Bravejou, dando meia volta com o cavalo e a toda velocidade tratou de detê-la, jogando o garanhão em sua frente, barrando-lhe o caminho.

Quando Sansa percebeu que sua fuga fora interrompida, correu para o caminho lateral esquerdo, dando tempo de cruzar apenas um pequeno espaço de chão, porque Sandor, a pé, conseguiu lhe alcançar e lhe atirou contra o tronco de uma árvore.

– O que pelos sete infernos pensa que está fazendo!? — Urrou, expressando a fúria contida e acumulada.

– Eu quero voltar! — Sansa gritou em resposta, sentindo os ombros onde a mão de Sandor estavam amortecerem enquanto suas costas doíam por estrarem em contato com o tronco de cascas desproporcionais.

– Aposto que é por causa daquele vagabundo! — Ousou. Não queria ouvir a resposta, temia por ela na realidade.

– Ele não é vagabundo! Ele é um Lorde! — Retrucou, com os olhos lacrimosos.

Sandor gargalhou com a resposta dela, gargalhou de nervosismo, tranquilidade e ódio.

– Um Lorde!? Um Lorde que fez isso com o seu cabelo!? — Pegou um punhado de mechas do cabelo de Sansa e as colocou bem próximas ao rosto da moça. Sandor não gostara nem um pouco do resultado, preferia o antigo vermelho do que o novo castanho. — E que te vestiu dessa forma!? — Segurou a barra do vestido dela que ia até dois palmos abaixo da cintura cobrindo uma parte da calça de couro colada que o seguia, era uma típica roupa de bardo, mas o decote dele, um vê até um pouco abaixo dos seios trespassado por laços, despertava a sensualidade ao se assemelhar com a parte superior da vestimenta de meretrizes, claro que Sansa não tinha conhecimento a respeito disso, mas Sandor tinha e o achou bem ofensivo.

– Ele me disse que eu estava bonita! — A insegurança não a fraquejou — Ele me levou até o septo e me cantou uma música! Ele fez com que eu me apresentasse em público e eu gostei! — A voz de Sansa começou a ganhar maior intensidade — Também gostei da forma que ele me vestiu, ele disse que me protegeria!

Eu é que lhe protegerei! — Sandor urrou mais uma vez, forçando a estadia dela contra o tronco da árvore.

– Eu não sou sua! — Rebateu, lembrando as palavras que ele dissera lá na pousada.

Disse algo errado! Sansa constatou. O rosto de Sandor parecia queimar e a frase que ele disse após a de Sansa estava densa e com uma emoção visceral:

– Você quer pertencer à ele?

Sansa não conseguiu responder rápido como fizera anteriormente. Eu quero pertencer a mim! Era o que tentou gritar. A resposta veio tarde demais. Uma mão pesada lhe atingira o rosto jogando-a ao chão devido o impacto. Não entendeu o que acontecera. As lágrimas que vinha segurando escorreram pelo local quente onde o tapa lhe atingira. O soluço não demorou para seguir, estava chorando como uma criança que se ferira em uma brincadeira, exceto que ela não era mais uma criança e aquilo estava longe de ser uma brincadeira.

Sandor arfava e sua mão que acertara o rosto da jovem tremia. Ele estava vendo-a caída no chão, ela estava bem abusada, aquele vagabundo com certeza tinha relação com aquilo. Você deveria fazer o que tem vontade de fazer com ela, olhe ela ali, com os seios quase visíveis, ela com certeza já não é mais uma criança, as pessoas já falam que você a fode, porque não o faz de uma vez? Você a quer, viu o corpo dela despido enquanto ela se banhava, pôde ver melhor aqueles seios redondos e durinhos, aquela bunda perfeitamente desenhada e as curvas... Você quer sentir sua pele de porcelana, seu cheiro inebriante... Quer ouvi-la gemendo e chamando por seu nome enquanto lhe arranca a virgindade e lhe leva ao orgasmo. Quando fizer isso ela será sua e sua, ninguém irá tirá-la de você, ninguém, nem um bardo, nem um Lorde e nem um Rei. O seu membro começara a enrijecer-se sob o calção, o choro dela parecia excitá-lo ainda mais. Quando ainda trabalhava como membro da Guarda-Real nunca, mesmo quando mandado, levantara a mão contra ela, essa fora a primeira vez e estranhamente, o fez porque quis. Tinha um certo arrependimento que começava a aparecer sobre ação realizada, mas fazer isso foi a única alternativa para que ela mudasse de ideia.

– Eu o odeio... Eu o odeio... EU O ODEIO! — Sansa gritou entre choros, com as mãos na bochecha estapeada.

Sandor ajoelhou-se ao lado dela e ela se encolheu. Tinha algo na aura dele, a mesma coisa que já sentira em algumas ocasiões em Kingslanding, mas agora estava diferente, mais intenso, mais palpável.

– Passarinho... — Ele a chamou, arrastando-se até junto dela. Segurou-lhe o tornozelo quando ela se encurralou em uma árvore, deslizou sua mão até a coxa da mesma.

Sansa estava arrepiada, os soluços diminuíram de intensidade e as lágrimas ainda brotavam. Estava com medo, muito medo.

– Tire suas mãos de mim! Me largue! — Gritou, se debatendo, mas as mãos de ferro de Sandor a manteve no local.

Sandor fez silêncio e a mata ao redor deles também fizera. Sansa se sentiu completamente sozinha, não havia para quem gritar nem para quem correr, o homem com a mão em sua coxa e que acabara de lhe estapear era tudo o que tinha para lhe proteger e ele estava fora de si. Sentiu um frio no estômago e um calor no corpo.

Não é assim que eu a quero. Sandor falou para consigo mesmo em pensamento. Eu a quero mais do que do que quero levá-la de volta para a família. Eu não sou o meu irmão, eu não posso obrigá-la a me satisfazer, não enquanto ela estiver nesse estado. Ela não confia em mim, ela me teme... Ela é esperta, ela sabe o que eu posso lhe fazer.

– Você sabe por que estou fazendo isso, Passarinho? — Seus olhos cinzas encontraram com os azuis de Sansa.

– Não! — Sansa balançou a cabeça de forma rígida em sinal negativo — Me solta! — Tornou a pedir.

– Você sabe o que vou fazer, Passarinho?

Sansa ficou em silêncio e parou de se debater. Seus olhos não estavam mais ao encontro do dele, encará-lo só aumentava ainda mais o pânico que crescia em seu interior.

– Não... — Respondeu, com um nó na garganta, passando-se por sonsa. Ela desconfiava o que viria a acontecer, Cersei a prevenira disso quando em situações semelhantes a essa, a Rainha Regente durante a Batalha de Blackwater a informou que os homens iriam atacá-la assim como Lollys fora atacada na partida de Myrcella para Dorne. As bochechas de Sansa estavam coradas e as lágrimas escorriam por seu rosto, não queria perder a virgindade antes de se casar, nem queria que Sandor Clegane, o Cão de Caça, fosse o seu primeiro homem, principalmente que isso acontecesse no meio de lugar nenhum.

– Venha cá — Ele ordenou, retirando sua mão da coxa de Sansa e depositando-a no rosto da jovem, com cuidado e delicadeza. Apesar da ordem, ela não precisou se mover, ele mesmo veio em sua direção, colocando o rosto bem próximo do dela — Deixe-me ver o que fiz — Sansa fechou os olhos em sinal de dor e soltou um baixo gemido. Estando mais próximo do rosto da moça e utilizando as pontas dos dedos para tocar a área ferida, ele sentiu uma umidade que determinou como sendo sangue, mas havia outra umidade ali... Lágrimas... Constatou — Você me odeia, Passarinho? — Questionou-a. Eu me odeio. Se martirizou pelo o que fizera.

De ímpeto, logo após ser estapeada no rosto, ela gritou que o odiava e realmente sentiu ódio por ele, só que parando para pensar melhor, ela não o odiava, também não gostava dele, Sandor era sempre tão odioso. Sua personalidade sempre era rude, sempre ofendendo as pessoas e fazendo uso da violência para solucionar os problemas. Ocorre que foi essa violência que a retirou de Kingslanding e Sansa era grata por isso e se ele cumprisse o que prometeu e de fato a levasse até sua família em Winterfell, então ela até poderia a vir gostar dele. Ele prometeu que também não me machucaria. Sua maçã do rosto do lado esquerdo parecia estar em chamas.

– Não... — Murmurou baixinho.

Sandor pegou um pedaço da vestimenta e a umedeceu com saliva e em seguida passou pelo local no rosto da garota onde sentia o sangue escorrer.

– Eu não a culpo se me odiar. — Incentivou.

– Eu não o odeio... — Tornou a responder — ... Só... — Ficou quieta.

– O quê?

– ... Não gosto de você no momento...

Sandor abriu um sorriso amarelo e ao terminar de secar o sangue tornou a segurar o rosto da garota em sua direção mais uma vez, no intuito de que ela o olhasse, o que não foi feito.

– Eu também não gosto de você no momento, Passarinho — Confidenciou com um ranger de dentes. Sempre que ela desviava o olhar do rosto dele ele ficava consciente de quão asquerosa era sua aparência e compreendia que ela jamais poderia a vir a amar uma fera como ele, e isso o feria — Olhe para mim — Ordenou. Sansa forçou-se a encará-lo. Seus olhos encontraram-se com os dele e sentiu que a onda de mau presságio passara, mas ainda havia algo lá.

– Você não vai me machucar... — Disse, mais como uma pergunta. Essa promessa já fora quebrada, mas ainda estava apegada a ela, seu problema era confiar de mais nas pessoas.

– Prometeu-me uma canção, Passarinho — Relembrou, desviando o assunto — Já se esqueceu?

Os lábios de Sansa secara, aquele não era o momento e nem o local para ele pedir-lhe isso e mesmo que cantasse, não conseguiria cantar como fizera horas antes.

– Não posso — Respondeu — Largue-me.

– Cante, Passarinho — A voz de Sandor se tornou ameaçadora e impaciente, seus dedos afundaram no rosto dela.

Sansa dolorida e sem desviar o olhar começou a cantar com a voz trêmula e falha à princípio:

"Gentil Mãe, de clemência fonte,

nossos filhos livre da disputa,

pare espadas, pare flechas,

deixe-os ver um melhor dia.

Gentil Mãe, das mulheres força,

ajude nossas filhas nesta luta,

acalme a ira, dome a fúria,

ensina a todos outra via."

Terminara de cantar, não conseguia se lembrar do resto da canção, esperou que isso fosse o suficiente para acalmar o homem e de fato o fora. O rosto de Sandor estava mais brando, a claridade era pouca, a noite naquela região devido ao inverno estar chegando deixava-a escura como breu, Sansa esticou suas mãos e tocou o rosto dele. Sentiu-o ficar surpreso com a ação dela. O rosto dele está úmido. Notou. Tudo indicava que eram lágrimas silenciosas, mas ela se recusou a acreditar nisso.

– Essa não é a canção que me prometera — A informou e logo após cessou a distância que havia entre eles. Sansa fez menção de abrir os lábios, mas foi tarde de mais. Sandor colara os seus lábios contra os dela e os pressionou.

Cerveja, vinho, pão e queijo. Pensou nos sabores que estavam presentes no hálito o homem. Rudes, ásperos e secos. Descreveu a textura que sentia para si mesmo. Naquele mesmo dia havia sido beijada por dois homens diferentes, seus primeiros beijos foram dados, e as duas pessoas beijavam de forma diferente.

Quando colou os seus lábios ao de Sansa, Sandor retirou a sua mão do rosto da jovem. Ela não o recusara, estava imóvel. Seus lábios relaxados não demonstravam resistência. Ele deslizou suas mãos até as costas dela, trazendo-a ainda mais para si, sem saber se isso era possível ou não. A boca entreaberta da garota Stark se tornou muito irresistível e sua língua, levada pelo momento, a penetrou, encontrando em seguida a primeira objeção à ação. Sansa que ainda tinha as mãos segurando o rosto de Sandor tentou afastá-lo de si, falhando drasticamente. Ele estava determinado a fazer aquilo ela pôde dizer a partir da forma cuja qual a língua dele percorria-lhe a boca, a princípio se entretendo com a língua dela e em seguida explorando todo o espaço. Quando ele passou a mordiscar-lhe o lábio inferior uns barulhos engraçados de saliva e língua eram ouvidos pelos dois. Sansa se envergonhou e quis sorrir, mas Sandor não a permitiu, permanecendo sério com aquilo que fazia, isso porque ele já passara por isso anteriormente, ao contrário da jovem que só beijara de lábios fechados e ainda nesse dia, a sorte era que ele não desconfiava disso.

Eu a desejo. Sandor constatou, a elevação que tinha nas calças aumentara e começava a incomodá-lo. Eu a desejo muito. Estava relutante em soltá-la. Se o beijo continuasse um pouco mais, ele não ficaria responsável pelo o que viria a ocorrer e por isso, brincando pela última vez com a língua de Sansa, ele se afastou, fazendo com que o beijo acabasse da mesma forma que começara, de repente. Os dois arfavam, Sansa olhava para o chão com a mão no peito, Sandor a encarava, com os punhos fechados e apoiados no tronco da árvore atrás dela. Tentou desviar a atenção, pensar em outra coisa para ver se a ereção diminuía, mas foi em vão, seus olhos encontraram o seios da moça por entre o decote e conforme ela arfava os seios alvos erguiam e abaixavam. Soltou um gemido de prazer. Ela o estava excitando sem nem ao menos tocá-lo.

– Nós iremos passar a noite aqui — Avisou, pondo-se em pé — Vou buscar Estranho.

Sem esperar resposta de Sansa ele lhe deu as costas e foi atrás do cavalo. Isso não era bem o que queria. Queria dar continuidade a viagem e procurar um local decente para dormirem, todavia ele não poderia cavalgar naquelas condições, na realidade ele não poderia fazer nada naquelas condições, e foi por isso que deu a desculpa de ir atrás de seu cavalo, ele queria se aliviar. Ao ganhar uma certa distância e certificar-se que não estava em campo de visão de ninguém e sozinho, ele se encostou contra uma árvore, desatou o nó do calção e deslizou uma mão para dentro dele, encontrado rapidamente o seu membro viril. Sua boca abriu e gemeu baixo. A mão que a pouco esteve na coxa, no rosto e nas costas de Sansa agora estava em seu pênis, tentou imaginar como se fosse ela o tocando. Ela nunca faria isso, respondeu ao seu pensamento.

– Maldita seja ela... — Murmurou entre gemidos, conforme sua mão descia e subia a extremidade do pênis, começando por onde seu sacro escrotal estava e descendo até a cabeça do mesmo, dando ali maior atenção, fazendo pequenos círculos com o dedo indicador. Não faltava muito para gozar e chegar ao orgasmo, seu membro já soltava o líquido pré-gozo, ajudando na lubrificação que fazia com que sua mão deslizasse com maior facilidade — Se ela soubesse o poder que tem sobre mim... — Gemeu mais alto, sua mente levando-o de volta para a noite anterior, onde viu o corpo nu dela por entre as treliças que separavam o quarto e a banheira. Foi justamente quando relembrou do quadril dela que a onda de calor o invadiu, começando na nuca e terminando, percorrendo todo o tronco e as pernas até chegar em seu membro, que lançou seu líquido nos pés de Sandor, manchando a grama de um branco leitoso. Junto com o gozo e o orgasmo veio um gemido alto e então, tudo ficou quieto, sua cabeça estava cheia de pressão como se tivesse acabado de virar uma garrafa de vinho, mas sem o efeito da embriaguez.

– Sandor? — A voz de seu passarinho o tirou do transe. Ela estava ali, parada por de trás de uma árvore agindo como se estivesse espiando-o.

Quando ela ouviu e o que ela viu!? Quis saber, entrando em desespero, tratou de apressadamente e discretamente atar o nó de seu calção, que graças ao bom alfaiate não caiu a seus pés, apenas ficou aberto permitindo que o pênis ficasse exposto. Ao usar a agilidade, seu corpo adormecido o fez relembrar do machucado adquirido durante o conflito com aqueles soldados na cidade vizinha e gemeu ao sentir a dor.

– O que quer? — Perguntou enfurecido e desesperado.

– Eu tenho que voltar — Ela disse — De volta para Felwood.

Ela de fato não parecia tê-lo ouvido, estava satisfeito com isso, mas não com o que ela disse, não estava satisfeito de forma alguma com aquilo.

– Tá querendo me foder, é? Depois de tudo isso ainda quer voltar!? — Exclamou, caminhando até ela.

– N-não é por causa de Yros! — Se prontificou, com as bochechas coradas. Ela agora tinha certa consciência sobre o que ele realmente sentia sobre o bardo. Ciúmes. Compreendeu no momento ao qual Sandor a deixara para ir buscar Estranho — Eu deixei todos os meus pertences lá, a boneca que meu pai me deu... — Começou.

– Você está grande de mais para bonecas, não acha? — Ele a interrompeu, usando ironia.

– ...Deixei minhas roupas lá... — Continuou.

– Arranjarei novas para você — Retrucou, interrompendo-a outra vez.

– E a sua capa da Guarda Real. — Finalizou.

Ele havia se esquecido completamente que deixara a capa branca da Guarda Real quando decidira partir de Kingslanding com Sansa enquanto ela ainda se decidia se iria ou não partir com ele. Sandor elevou a mão na cabeça, não aquelamão, mas sim a outra, em sinal de que estava pensando. Ele não iria retornar para Felwood com todos aqueles soldados e aquele vagabundo lá. A solução veio quase que imediatamente. Elevou as mãos até o fecho da capa com capuz que estava trajando e vestiu Sansa com ela.

– Pronto, Passarinho — Sua voz estava macia — Esqueça aquela capa, fique com essa no lugar da antiga.

Sansa corou com a peça de roupa que acabara de ganhar. Não é que ela queria algo dele, era só que aquela capa branca tinha um significado para ela, significava que ele estava disposto a se tornar o cavaleiro dela, Ele não é um cavaleiro de verdade, e ainda assim estaria fazendo o papel de tal, trocando a Guarda Real de Westeros para ser da Guarda Real dela, já que agora que seu irmão se proclamava Rei do Norte ela seria a Princesa.

– E as outras coisas? — Quis saber.

– Já lhe disse sobre as outras coisas.

– Mas elas tem significado para mim! — Protestou.

– Não aprendeu até agora, Passarinho? — Havia desdém em suas palavras — A não se apegar nas coisas, que elas vão ser tiradas de você sem qualquer motivo aparente? Se gostava mesmo daquelas porcarias, não teria abandonado elas e só se lembrado disso agora.

E lá estava o Sandor habitual de volta. Sansa abaixou o olhar, sentiu lágrimas brotarem e teria até derramado algumas se Sandor não tivesse erguido o seu rosto e feito-a olhá-lo.

– Eu não vou deixá-la — Disse em sua voz áspera de costume — Agora vamos embora — Anunciou, dando-lhe as costas.

– Embora? Eu pensei que tinha dito que passaríamos à noite aqui! — Reclamou, seguindo-o confusa.

– Mudei de ideia– Deu de ombros com um sorriso amarelo nos lábios. Não era de ideia que ele havia mudado, ele estava era se sentindo mais aliviado para continuar a viagem.

– Para onde vamos? — Sansa perguntou, ela não sabia onde estava e queria pelo menos saber o quão distante eles estariam de Winterfell.

– Ponta Tempestade — Respondeu, virando um pouco a cabeça pare tê-la em seu campo de visão — Vamos pegar um navio, Passarinho.

Notas finais
Dois capítulos em uma semana!? Pois é... Me senti inspirada e quis acabar logo com essa parte deles em Felwood. As coisas se apimentaram um pouco, eu senti a necessidade de escrever um pouco de SanSan que não fosse apenas platônico! Agora a Sansa finalmente sabe sobre os sentimentos de Sandor, mas será que sabe mesmo? Será que Sandor conseguiu deixar isso bem claro para ela ao beijá-la? Bom, isso só poderá ser descoberto nos próximos capítulos! E se você gostou do Yros, não se preocupe que ele vai voltar e é só isso que eu vou dizer por enquanto! rsrsAgradeço os comentários, por terem me favoritado e por lerem essa fanfic! Isso foi um dos principais motivos de eu ter escrito esse capítulo tão rápido, então já sabem, meus pombinhos, como fazer a minha criatividade se acelerar!Ah, a respeito do meu TCC: Ele se chama A História por de trás da Estória: A Inglaterra de Elizabeth Bennet e tenho pouca coisa escrita sobre ele. Vou apresentá-lo agora em dezembro e aí, se eu for bem, pegarei o meu diploma! Obrigada por perguntarem por ele! ♥P.S.¹: Eu quis brincar um pouco com o que é apresentado nos livros de As Crônicas de Gelo e Fogo, sobre o pedido de Sandor para uma canção e o fato dele ter conseguido a canção da Mãe no local de Florian e Jonquil, também puxei o 'beijo que não foi', que Sansa conta no volume três e no quarto da obra de Martin, nesse caso o beijo realmente foi.P.S.²: Quero agradecer a @Morteblu, que disse que o Sandor confessa para a Arya no livro três de Martin que desejava foder a irmã, o que foi trabalhado um pouco nesse capítulo para consequências futuras.