O Voo Do Passarinho
18 Capítulo 18 - Melisandre
Notas iniciais

Quando tornou a abrir os olhos, Sansa encontrou o teto da cabine de um navio, e se a madeira fosse um pouco mais clara, poderia jurar que estava de volta sob as velas do Capitão Timothy. A mulher de vermelho, se recordou daquela figura feminina que lhe causara arrepios à primeira vista. Ela se apresentara como Lady Melisandre e estava viajando em um navio pertencente à Casa Baratheon. Sansa já ouvira falar da presença de uma sacerdotisa que trabalha para Stannis e que tem uma forte relação com o fogo. Agora tudo faz sentido, pensou. A mulher parecia uma labareda, uma extensão da grande fogueira que queimava no convés.
– Sandor! — Sentou-se depressa na cama e viu-se tonta com a ação.
Sandor Clegane temia o fogo, isso ficou claro para ela durante a batalha de Blackwater, quando ele veio libertá-la de sua gaiola dourada. Um pouco antes de sua visão se tornar negra pôde visualizá-lo se debatendo contra as amarras que o prendiam. Talvez ele estivesse preocupado com ela, mas isso não importava agora, o mais importante era arranjar um meio de sair daquela embarcação, mesmo que significasse ter de saltar novamente para mar aberto. Ela sabe, murmurou para si mesma em sua cabeça. Lady Melisandre sabia quem ela era, o que justificava o fato de Sandor ter sido tratado daquele modo.
Sansa engoliu em seco. Aos poucos as lembranças sobre os últimos acontecimentos voltavam à memória. A mulher de vermelho disse tê-la visto no fogo e se fosse a mesma visão que a garota teve em sua inconsciência, então a sacerdotisa saberia de tudo. Abraçou a si mesma. A coragem que juntara para procurar o seu protetor esvaiu-se de seu corpo. Em pose de proteção, abraçou os próprios joelhos no peito.
As imagens de si mesma que vira nos reflexos dos espelhos daquela torre não lhe faziam muito sentido, exceto a parte de seus eus passados. Se tudo aquilo era real, então ela estava vendo o seu futuro ali e isso a assustava. A velha ama que se responsabilizara por encher sua cabeça de histórias de terror teria algo para lhe dizer sobre o que sonhara, mas a velha não estava ali e provavelmente estava morta. Em contrapartida, levou as mãos até a barriga e as depositou sobre a região por alguns instantes, esperando que algo se manifestasse, porém nada aconteceu. Sua barriga continuava lisa e reta como sempre fora. Desde que dormira com Sandor não sentira nada estranho, pelo menos nada físico. Já em seu campo mental, dera uma maior atenção nos atributos físicos do pseudo-cavaleiro e era constantemente atormentada pelas lembranças do toque dele em sua pele. As mãos dele é como fogo, consome tudo o que toca e me esquenta de fora pra dentro, comparou. Aquela última sombra se revelou como minha filha, recordara do que lhe fora dito. Era bem possível que estivesse grávida, o seu amante liberara a sua paixão dentro dela. Sansa ainda se lembrava do líquido pegajoso que escorrera por entre suas pernas quando tomou coragem para se limpar.
– Sansa Stark — O seu nome foi pronunciado por uma voz feminina.
A jovem contorceu-se na cama na direção de onde o chamado viera, deixando os devaneios para trás. Na escuridão da noite que adentrava o quarto, dois olhos rubros cintilavam na luz artificial da lareira que queimava em seu máximo esplendor. Lady Melisandre estava no mesmo cômodo que ela e Sansa não soube dizer quanto tempo esteve na companhia da mulher. Mesmo com tudo o que passara na Corte de Porto Real, Sansa não aprendera muito bem a avaliar as pessoas a partir da primeira impressão, entretanto havia um instinto dentro de si que a alertava para não confiar em sua salvadora. Sandor há muito tempo atrás lhe ensinara a dar uma boa fungada ao seu redor para descobrir uma mentira, e este ensinamento de Clegane serviu para deixá-la mais atenta neste momento.
O aposento que se encontrava não era muito grande, nem possuía muitos móveis. Havia uma cama de solteiro na qual estava deitada, uma poltrona de couro ao lado da lareira, onde Lady Melisandre se encontrava, e um baú do lado oposto da poltrona, próximo à porta, tudo em tonalidade marrom avermelhado. Sansa ficou satisfeita por não encontrar nenhum espelho ali, isso dava a impressão de que poderia fugir daquelas pessoas opressoras de que nunca vira o rosto, apenas ouvira a voz. Foi apenas um sonho, disse para si mesma.
– Uma pena o que fez com o seu cabelo — A mulher comentou de forma amigável — O vermelho lhe caia melhor. É a cor de R'hllor, deveria se sentir abençoada com isso, assim como eu me sinto.
Sansa engoliu em seco. O cabelo da sacerdotisa era rubro, mais escuros do que o seu e por sua vez também mais intenso.
– Não há nada o que temer — Melisandre se colocara em pé e encurtara a distância entre as duas, tomando a liberdade de se sentar no leito de Sansa, como se fossem amigas íntimas — O Senhor da Luz me mostrou você nas chamas, Lady Sansa, foi assim que eu soube onde encontrá-la no mar.
– O Senhor da Luz...? — Indagou, confusa.
– R'hllor — Disse a mulher vermelha — O único e verdadeiro Deus.
Mais um Deus, pensou Sansa. Esse como os de mais não ouviria as suas preces. Deuses para ela começaram a serem tão reais quanto verdadeiros cavaleiros, do mesmo modo que era para Sandor. Um Deus para cada rei, divertiu-se com o pensamento. Robb, o Rei do Norte tinha os deuses antigos protegendo-o, Joffrey era abençoado pela luz dos Sete, Balon Greyjoy fora batizado pelo seu próprio Deus Afogado e Stannis abraçava O Senhor da Luz. Apenas Renly dividia a crença com o sobrinho.
A mulher sorriu, porém os seus olhos não acompanharam o movimento dos lábios.
– O mundo é dividido em apenas dois grupos: pessoas boas e pessoas más; assim também são os deuses. Existe R'hllor de um lado, representando a luz, o fogo e a vida, e do outro lado temos o Grande Outro, responsável pela escuridão, o gelo e a morte — Os dedos de Melisandre encontraram uma madeixa dos cabelos escuros de Sansa e o pôs atrás de sua orelha. O toque da mulher era delicado como seda, indicando uma posição social elevada à dos plebeus, pelo menos nos últimos anos, visto que o seu passado era desconhecido.
Em uma época de sua vida poderia facilmente acreditar nesta divisão, contudo, atualmente, acreditar nesta teoria ou nesta religião, propriamente dito, era algo impossível. Sem ânimo para discutir a respeito de suas crenças, reservou sua opinião, optando por seguir o rumo do diálogo.
– E em qual grupo a senhora se encaixa? — Desafiou ingenuamente.
A questão para diversas pessoas poderia ter retirado um sorriso do ouvinte, mas não da mulher de vermelho. Lady Melisandre se sentiu extremamente ofendida. Sansa se arrependeu do que perguntara no instante em que as sobrancelhas da mulher se franziram e os seus lábios se contorceram em desgosto.
– Perdoarei sua insolência, chegará o dia em que o meu Deus se revelará para você da mesma forma em que se revelou para mim e então tudo lhe fará sentido. Eu vi nas chamas. Não tardará muito mais — Sua voz era aveludada — O verdadeiro rei será coroado; Stannis Baratheon vencerá esta guerra.
Agora foi a vez de Sansa franzir o cenho. A vitória de Stannis significava a derrota de seu irmão, Robb Stark.
– O fogo, a senhora disse ter visto algo nele... — A frase foi dita com insegurança. Não sabia até que ponto aquilo era real, nem se estava disposta a ter alguma relação com feitiçaria de qualquer tipo.
– Não foi algo — Melisandre a corrigiu — Foi alguma coisa e alguém. Vi você e o Cão de Caça do bastardo Lannister.
– Ele não é o Cão de Caça de Joffrey — Se ele for o Cão de Caça de alguém, ele é o meu, tentou contar, mas a frase que realmente queria dizer foi ouvida apenas por si mesma — Não mais — Completou.
Os olhos da mulher a estudaram por um breve momento em silêncio. Sansa sentiu-se invadida, as pupilas vermelhas pareciam queimar a sua carne e chegar à sua alma. Ela sabe, suas mãos se agitaram em seu colo e teve de segurar uma na outra para esconder o nervosismo. Por fim desviou o olhar na esperança de que os seus verdadeiros sentimentos pudessem se manterem ocultos; se nem ela os aceitava, por que aquela estranha deveria?
– Você quer saber o que R'hllor me mostrou? — Melisandre rompeu o silêncio. Seu rosto era uma máscara inexpressiva. Se ela conseguiu captar a mensagem na frase de Sansa, então preferiu guardar para si, não dizendo palavra alguma à respeito.
– Se não se importar... — A voz de Sansa saiu falha. O coração palpitava na boca, dominada pela ansiedade.
– R'hllor me presenteou com a visão de cabelos cobres com promessas de amizade, amor eterno, e pureza, mas era o príncipe encarnado que imperava entre todas elas. Também vi sangue na neve e sangue no rio, vi lágrimas brotarem do rosto de uma mulher e suor pingar da testa de um homem, como pingos de chuva em uma tempestade, e esta tempestade me levou até vocês; vi-os no mar, cansados fisicamente e mentalmente, e então compreendi o que o Senhor da Luz desejava de mim, Ele me mostrou vocês porque vocês tem algo que será de muita importância para a causa de Stannis — A mulher sorriu.
Sansa só conseguiu compreender o fim da visão de sua salvadora. O alivio que sentia por não ter compartilhado a mesma previsão que Melisandre não pôde ser comemorado, visto que a certeza de que estava condenada à assolou. Ela me quer, seus lábios se abriram e fecharam rapidamente. Tinha plena consciência de sua importância nas mãos de qualquer pessoa com alguma ambição. Nas mãos de Stannis ela seria a chave para ganhar o Norte, podendo ser através de uma aliança com o seu irmão Robb ou utilizando-a como refém para evitar um ataque direto de seus conterrâneos, caso a aliança seja rejeitada.
– Pedra do Dragão. É para lá que irá me levar? — Foi necessária uma boa dose de coragem para formular a frase — É onde pretende me entregar para Lorde Stannis?
Podia ter perguntado se Stannis estava à bordo do navio, entretanto se o lorde com pretensão ao reinado estivesse ali, seria o mesmo quem a recepcionaria e não a sacerdotisa de R'hllor.
Os olhos rubros de Melisandre se estreitaram por um tempo, como se estivesse com dor e insegurança. Era uma característica muito peculiar para uma mulher com a pose dela.
– Seria traição se não a entregasse à ele — Confessou, deixando Sansa atordoada com a ideia de encontrar o irmão sisudo do antigo rei de Westeros — Embora não seja esse o caminho que o Senhor da Luz me apresentou, mas ainda é uma alternativa que Ele abençoou.
– Então Sandor..? — Não podia deixar de perguntar por ele. Se ao menos o seu protetor fosse junto, seria diferente. Sandor podia ser rude, entretanto ela tinha certeza que ele não deixaria nada de ruim lhe acontecer.
– Não, o Cão de Caça não será levado até Lorde Stannis. Ele seguirá o caminho que R'hllor destinou para ele. Em menos de uma quinzena vocês se despedirão, deveria ficar grata por isso — Melisandre analisava cada expressão corporal de Sansa, por mais ínfima que ela fosse — Por todos os Sete Reinos a história da loba domesticada que foi raptada pelo cão de caça de seu noivo é mais comentada do que a batalha em que o evento ocorreu — A sacerdotisa se enrijeceu e não foi preciso palavras para que Sansa compreendesse a razão. A batalha em que fugira foi o ataque de Stannis à Porto Real, no qual o inimigo da capital, o próprio rei da mulher, saíra perdedor. O fogo que ela tanto gosta foi o responsável por sua derrota, não conseguiu disfarçar a ironia da situação — Devo acreditar que não foi um rapto no final das contas? — A mulher continuou.
Não sabia o que dizer sobre isso. Tinha medo de que qualquer resposta que desse levasse à descoberta de que ela não era mais uma donzela. Se eles me utilizarem como a chave de um acordo com Robb, talvez meu irmão não me aceite de volta se descobrir que fui deflorada. Robb não era tão doce quanto o pai, Lorde Eddard, ele puxara a rigidez da mãe sobre assuntos de honra. Podia ser que Robb forçasse Sandor a se casar com ela para reparar os danos, Sandor não aceitaria isso, pensou. Os dias de Cão de Caça de Sandor haviam terminados, ele não acataria as ordens de mais ninguém, tinha certeza disso. E se ele me respeitasse, me desejasse como sua esposa, não teria me forçado à me deitar com ele sem ter feito nenhum juramento, concluiu. E eu não desejo ser a Senhora Clegane, então não tenho motivos para pensar sobre isso, o seu orgulho a obrigou a ignorar as possibilidades que a feriam.
– Foi contra a minha vontade — Respondeu de forma ambígua.
A sacerdotisa de R'hllor abriu um pequeno sorriso de compreensão e tocou o rosto de Sansa, como se ela fosse a sua filha.
– Você não deve confiar em homens, minha querida. Se Lorde Stannis tivesse confiado em minha visão, ao invés do antigo capitão deste navio, a vitória de Porto Real teria sido dele e Sor Davos não estaria confinado nas masmorras de Pedra do Dragão.
– O capitão deste navio? — Não sabia se deveria ou não demonstrar estar a ouvindo, pois a segunda parte do diálogo pareceu ser mais um monólogo do que qualquer outra coisa.
Melisandre franziu as sobrancelhas e retirou sua mão da pele facial de Sansa antes de responder.
– Davos Seaworth, vulgarmente conhecido como o Capitão das Cebolas.
O nome lhe era familiar, mas nunca teve interesse na história de valentia do ex-contrabandista. Ele não é um cavaleiro, era a resposta que dava para Meistre Luwin e sua Septã sempre que a forçavam a aprender sobre a História de Westeros. A literatura em seu ponto de vista era muito mais fascinante do que a realidade, o que explicava a sua ingenuidade sobre os assuntos políticos e a natureza do ser humano.
– Qual é o nome deste navio, senhora? — Questionou, desinteressadamente.
– Black Betha — Respondeu de imediato.
– E para onde ele vai? — Lentamente inclinava a conversa para o rumo que desejava. Se Sandor não estava sendo levado para Stannis, então deveria haver algum lugar que a mulher de vermelho tivesse em mente para deixá-lo. Se eu conseguir fugir de Pedra do Dragão, talvez possa encontrá-lo.
Melisandre abriu um sorriso ao perceber onde Sansa desejava chegar.
– Você verá quando chegarmos.
Os lábios da garota entreabriram-se. Isso era melhor do que esperava. Não iria precisar esperar muito tempo, nem encontrar com o rei daquela mulher, ela podia elaborar um plano de escape quando o navio atacasse. No entanto, ainda havia uma última pergunta que não conseguia conter.
– Onde está Sandor? Posso vê-lo? — A mulher lhe dissera que Sandor possuía algo que poderia ser utilizado para a causa de Stannis, se não era a própria Sansa Stark, então temia o que poderia ser. Precisava se certificar que o seu protetor estava bem.
– Hoje não — Melisandre se pôs em pé e a sua voz estava isenta de emoção — Já está tarde e o dia de ambos fora cansativo. Coma algo, pedirei para que lhe tragam uma comida quente e vinho. Teremos mais uma quinzena de viagem em mar aberto e o dobro a menos a pé. Aproveite para recuperar suas energias. Terá muito tempo para passar com ele antes que... — Hesitou — ... As chamas façam a sua justiça.
Melisandre não esperou resposta, já se colocara em pé e rumava em direção à porta.
– Poderei vê-lo amanhã? — Não conseguia compreender a angustia que crescia dentro de si por não poder vê-lo agora mesmo.
A mulher não lhe respondeu, nem ao menos parou para ouvi-la, deixando Sansa sozinha em seu quarto, talvez pela primeira vez desde que embarcara no Black Betha.
A jovem sentia-se abandonada neste lugar estranho. Tinha a sensação de que não podia confiar em Melisandre e sabia que em algum lugar daquela embarcação estava Sandor. A fome que a consumia assim como a sede não eram grande coisa em comparação com a urgência que tinha para vê-lo. Estava inclinada à sair procurando por Clegane até encontrá-lo, mas então a razão falou mais alto; os tripulantes do navio desconfiavam da relação que Sansa tinha com Sandor, ressaltando que esta desconfiança dizia respeito à moral dela. Se fosse ter com o cativo, então nem mesmo a sacerdotisa de R'hllor poderia impedir que a fofoca pelos Sete Reinos espalhasse. Não há nada pior do que a confirmação de um rumor, constatou, ainda mais depois dela ter dito indiretamente que fora raptada por ele.
Sansa voltou a deitar em sua cama a fim de anuviar os pensamentos. Seus olhos estavam estalados, fixos no teto do quarto. O seu corpo estava implorando por descanso, todavia a sua mente recusava a ceder. O que o Senhor da Luz pode ter planejado para Sandor? A pergunta lhe veio a mente. Ou para mim? A dor de cabeça que sentira antes de desmaiar pela segunda vez, agora não era mais do que um leve incomodo, uma sombra do passado.
– Sombras... — Murmurou em voz alta e se permitiu cerrar os olhos.
Ainda podia sentir o calor das chamas de sua visão e o vento frio que chicoteava o ar naquela torre. Os espelhos não lhe causaram tanto medo quanto a grande pira que queimava em sua frente e de onde as sombras se alteravam. Ela disse ser a minha filha, recordou mais uma vez, pondo a mão sobre a barriga, massageando-a. Se eu realmente estiver grávida, eles saberão que menti. Dessa vez, algo não tão estranho aconteceu. Sua barriga roncou, demonstrando o quão faminta estava. As maçãs do rosto se tornaram rubras. Não era uma atitude de Lady permitir que o corpo emitisse suas necessidades, mesmo estando sozinha. Tornou a sentar-se na cama e dessa vez se perguntou quanto tempo mais teria de esperar pela refeição quente que lhe fora prometida. Seus olhos encontraram a lareira, o único ponto interessante no cômodo. Os olhos de Lady Melisandre são como duas fagulhas de fogo, constatou. Ela disse que Sandor encontrará a justiça das chamas, brincou com as mãos em seu colo e aquela voz dupla que lhe dissera a profecia lhe veio à memória, suas palavras ressoando em seus ouvidos da mesma forma quando a ouvira; Apenas o fogo pode purificar o impuro, Sansa teve dificuldade em engolir a própria saliva e os seus olhos duplicaram de tamanho devido a constatação do sentido das palavras de Melisandre.
– Oh, não... — O desespero a dominou. Poucas coisas sabia sobre a fé da mulher, mas o que tinha absoluta certeza era que o Senhor da Luz tinha o costume de condenar ao fogo tudo aquilo que julgava ser impuro.
Eu posso ter ajudado a condená-lo! A alegação de que o que ele fez foi contra a sua vontade era um peso a mais na balança de julgamento de Sandor. Se tivesse dito a verdade, que fugira com ele por vontade própria não estaria se sentindo tão culpada quanto agora.
Na mesma hora que pensara sobre isso a porta de seu quarto foi aberta e um garoto um pouco mais novo do que ela adentrou os seus aposentos trazendo consigo uma vasilha com sopa, um pedaço de pão duro e um naco suculento de costeleta de cordeiro. Sansa sentiu-se enjoada com o cheiro da carne queimada e não conseguia evitar em assemelhar aquele cordeiro com Clegane. Não esperaria até o dia seguinte para ter com Sandor, o homem arriscara tudo para retirá-la de Porto Real e defendê-la no percurso rumo ao Norte, o mínimo que podia fazer era lhe dizer o que a mulher vermelha planejara para ambos e pensarem juntos em um plano de fuga. Quando todos estiverem dormindo, eu o encontrarei, decidiu.
Fale com o autor