O Voo Do Passarinho
12 Capítulo 12 - Você Não Me Machucará
Notas iniciais

Yros gemia de dor e sua respiração estava ofegante, Sansa pode jurar que algumas vezes o seu bardo parara de respirar. Willem percorreu o navio até os aposentos destinado aos homens o mais rápido que podia com a ruiva ao seu encalço.
– Aguente firme — Choramingou Sansa, ajoelhando-se ao lado da cama onde o cozinheiro do Vara Grande colocara o colega gravemente ferido.
– Onde está Aliria? — Willem correu até o corredor, sem ver sinal da mulher que os acompanhavam — Ela sabe o que fazer com ele. Merda! — Gritou o homem, socando a parede. Sansa percebeu que ele estava tão preocupado quanto ela. Durante a batalha que Willem, Yros e Sandor travaram na praia a jovem não conseguiu evitar que o pior acontecesse. Ela temera que o confronto entre eles ocorresse e de fato os seus temores se concretizaram e da pior forma possível. Se Sandor tivesse pego a espada... Seus músculos se contraíram com o pensamento.
– O que eu devo fazer? — Virou-se para o viajante que estava lúcido. Lágrimas brotavam de seus olhos e escorriam pelas maçãs do rosto involuntariamente, embaçando a sua visão. Sua determinação era salvar a vida de Yros e apenas isso importava no momento — Por favor, me diga! — Soluçou como um bebê — Eu não quero que ele morra! — Já perdera tantas pessoas nos últimos tempos que toda a vida que pudesse salvar faria a diferença. Agora ela percebia que tudo o que aprendera com a Septã Mordane não lhe tinha utilidade alguma. Aprender a arte da espada e da cura teria sido muito melhor se pelo menos isto lhe tivesse sido uma opção. Seus irmãos que tiveram sorte de ter aprendido, Se Arya tivesse sido treinada, ela provavelmente ainda estaria aqui. Lamentou o destino da irmã junto com o seu próprio.
– Veja se ele não quebrou nenhum osso! — Ordenou Willem.
– Como eu vejo isso!? — A garota agitava as mãos pela pressa que tinha e a falta de conhecimento.
– Não seja burra! Passe a mão pelo corpo dele e veja se ele reclama de dor em algum lugar específico! Vou procurar Aliria ou alguém que possa ajudá-lo, retornarei em breve — Dito isso, o cozinheiro deixou-a sozinha com o enfermo.
Sansa observou o corpo de Yros horrorizada. As feridas que o bardo carregavam não estavam tão expostas, ainda que o rosto exibisse visíveis hematomas e cortes, a vestimenta ocultava as feridas que Sansa deveria procurar e o que lhe causava terror era ter de apalpar o corpo de um homem, ainda mais de um que ela demonstrava possuir sentimentos. Pondo-se em pé, a jovem estendeu o seu braço trêmulo sobre o corpo do enfermo e com muita delicadeza deslizou os seus dedos pelo peitoral dele, porém não conseguiu sentir nada, não estando usando uma força recomendada para a procura de fraturas. Ele deve estar com frio. Constatou, ao vê-lo tremer. Estando ainda com as roupas molhadas sua condição poderia piorar drasticamente. Devo ajudá-lo. Pensou para consigo mesma e seus dedos agiram tão rápido quanto os seus pensamentos, desabotoando a blusa do homem. Todavia, quando Sansa se deparou com o peitoral desnudo de Yros a sua boa ação foi esquecida. Não posso fazê-lo, simplesmente não posso. Sua face estava completamente vermelha. Sentia vergonha de despi-lo e simplesmente não conseguia se esquecer da noite em que Sandor cuidara dela e a vira nua. Eu não deveria estar pensando nele agora. Se reprimiu por deixar-se ser levada pelas memórias.
– Jonquil... — Yros a chamara com a voz mais fraca que ela já ouvira.
– Estou aqui — Segurou a mão do bardo para que ele ficasse ciente de sua presença. O olho direito do homem estava inchado e impossível de ser aberto, enquanto o esquerdo possuía um corte na sobrancelha.
– Jonquil, por favor... — Implorou, com o rosto franzido em expressão de dor.
– O quê? — Sansa apertou com mais força a mão dele, sentindo-se angustiada com o que poderia vir a seguir.
– Você poderia... Por favor... — Começou, com a voz cada vez mais fraca até que não passasse de um sussurro — ... Não, esqueça... Deixe pra lá... — Concluiu, virando o rosto pro lado oposto ao de Sansa.
– O quê? Yros! — Chacoalhou-o, pensando que havia desmaiado. Quando o bardo reagiu, ela insistiu — O que é?
– Você poderia...
– Sim?
– Chegue mais perto.. — Pediu, demonstrando estar fraco de mais para gesticular. Sansa o obedeceu, ficando com a três cabeças de distância da dele — Mais perto — A garota o obedeceu, agora ficando meros dez centímetros de distância de Yros — Me beija — O bardo segurou com toda a força que lhe restava nos ombros da moça, mantendo-a próxima a si. Sansa se desvencilhou dele e voltou a distância de outrora, chocada com o pedido.
– Como você se atreve! — Esbravejou, sentindo-se insultada.
– Dizem que um beijo cura tudo e vindo de uma bela donzela como você, será capaz de levar essa dor embora — O sorriso amarelo que caracterizava o bardo retornara. Com muito custo se apoiou sobre o cotovelo e virou-se para a jovem e com a outra mão tocou os lábios com o dedo indicador, sugestionando um beijo — Seja boazinha e me dê um beijinho.
A garota se pôs em pé, o seu rosto estava rubro, não de vergonha e sim de raiva. Sua testa estava franzida, acentuando a expressão de seus sentimentos no momento.
– Você mereceu o que ganhou — Respondeu ao pedido.
– Aonde você vai? — Yros perguntou, preocupando-se com a intensidade de sua brincadeira.
Sansa não o respondeu, caminhou até a porta e ao abri-la deparou-se com a imagem não familiar de um marujo do Capitão Timothy.
– D-disseram-me que há um ferido... — Começou o marujo.
– Ele não está tão ferido assim — Dito isso Sansa retirou-se do quarto.
Eu me recuso a voltar lá dentro. Comentou para consigo mesma a sua determinação. Todavia, para onde irei? Sansa não estava familiarizada com aquela embarcação ainda, nem com os companheiros de Yros, Willem era muito violento e utilizava palavras de baixo calão, já Aliria era uma mulher de vida fácil em seu conceito, não sendo a melhor das companhias para uma donzela de uma família importante. E Sandor... Clegane no momento não é uma opção. Decidiu por fim. Um homem que ataca outro da forma que o seu protetor atacou Yros foi muito impressionante e desnecessário, ela até poderia vir a perdoá-lo com o passar do tempo, porém no momento sentia-se responsável por ter colocado os dois em ponto de conflito e por mais que se sentisse culpada não conseguia evitar que um sorriso surgisse internamente. Eles lutaram por mim. Ter cavalheiros brigando por sua atenção sempre fora um sonho que cultivara e que lentamente começara a ser substituído quando suas fantasias de galanteria encontraram o seu fim pelos tratamentos que recebera do Rei Joffrey I.
No andar de cima ao qual a garota Stark estava vários barulhos de passos eram ouvidos juntos com o arrastar de objetos cujos quais ela não conseguiu identificar apenas escutando. Talvez eu devesse explorar esse lugar. A ideia não soara tão má, uma boa aventura era o que ela estava precisando, na realidade, ela precisava de algo para passar o tempo que não estivesse relacionado com nenhum dos nomes mais populares em sua cabeça naqueles tempos.
– Rápido, seus vermes! — A voz do Capitão Timothy se sobressaia a de seus tripulantes — Qualquer peso morto será lançado ao mar! — Havia algo naquele senhor que era impossível levar a sério, tanto que os marujos não responderam a ameaça.
– Uma garota! — Um jovem de mais ou menos quinze anos exclamou, apontando para Sansa como se ela fosse uma assombração — Tem uma garota abordo!
– Tem duas — Outro rapaz aparentando ter seus vinte anos respondeu — Eu as vi entrarem com mais três desconhecidos.
– Não! — O primeiro gritou horrorizado — Elas não podem estarem aqui! Elas dão azar!
– Calem a maldita boca — Surgiu um terceiro marujo, bem mais velho do que os outros dois — Olhe bem para ela, como é que ela pode dar azar a alguém? Ela é tão bonita que eu trocaria numa boa a pata de coelho por ela — O senhor abriu um sorriso maroto no rosto, observando-a como se fosse uma presa que ele gostaria de caçar.
Sansa caminhou de costas, receosa com o que poderia vir a seguir e esbarrou em um caixote de madeira que estava sendo arrastado para dentro do navio.
– Cuidado, moça! — Pediu o responsável pelo caixote.
– Me desculpe...
– Mantenha as desculpas para si, pois elas não serão úteis se você estragar o conteúdo — Recomendou o indivíduo e não mais voltou a dar-lhe atenção, retomando a tarefa de transportar o caixote.
– Recolham as velas, lancem a ancora! — Exclamou o Capitão.
– Recolham as velas, lancem a ancora! — Repetiu um marujo para dar maior ênfase na ordem de seu comandante e fazer com que toda a tripulação o tenha ouvido.
– Desculpe-me, Capitão, mas o que o senhor quis dizer foi para recolher a ancora e içar as velas, não? — Questionou um homem do mar de cabelos cobre — I-Isso mesmo... — Encabulou-se o dono da embarcação — Recolham a ancora e icem as velas! — Tornou a ordenar e o seu porta voz repetiu o comando.
Alguns minutos após o comando ser passado cinco grandes velas cinzas foram içadas em três mastros diferentes e vários homens correram para o interior do navio. Quando Sansa questionou em voz alta o porque foi lhe dito que os homens iriam remar até que saíssem da zona de perigo.
– A Donzela nunca falha! — Um tripulante que permaneceu no convés lhe confessou.
'A Donzela' era o nome dado para a galé a qual estava. Sansa achou o nome divertido por fazer referência a um dos Sete Deuses Novos e não conseguiu pensar em nada além de um bom sinal para a viagem que estava fazendo. O navio estava começando a se distanciar da costa de Ponta Tempestade quando a garota se encontrou com Aliria que veio ao seu encalço trazendo um sorriso no rosto.
– Eu te procurei em tudo quanto era canto! — Arfou a mulher, cansada da jornada que travara até encontrá-la.
– Eu estava aqui o tempo todo — Não sabia explicar a razão, mas havia uma grande antipatia que sentia em relação a Aliria e não se cansava de se lembrar disso toda vez que a encontrava.
– Quando vi que não estava no quarto de Yros senti medo que tivesse descido do navio — Avisou.
– Eu não o fiz, como pode ver — Respondeu com grosseria.
– Fico feliz que não o tenha — Aliria arqueou uma sobrancelha, reconhecendo o desprezo na voz da donzela — Sandor a procura — Disse em voz baixa, tendo certeza que ninguém as ouvia.
Os olhos de Sansa se arregalaram e sua boca entreabriu-se pela surpresa.
– Você sabe...?
Aliria concordou com um menear de cabeça e um sorriso discreto.
– Não irá se encontrar com ele?
– Não devo — A expressão de Sansa se fechou instantaneamente — Não depois do que ele fez com Yros.
– Ele não fez de propósito — Defendeu-o Aliria — Se você estivesse no lugar dele teria feito a mesma coisa; eu teria feito a mesma coisa.
– Bater em outro indivíduo sem razão é atitude de pessoas não civilizadas, eu nunca o teria feito e é lamentável que pense dessa forma — Sansa atacou, mostrando-se indiferente a causa de Sandor.
– Você não o entende — Disse a mulher com o semblante franzido, incriminando a resistência de Sansa.
– E por um acaso você o entende? — Sansa a estudou, sentindo-se profundamente incomodada com o que ouvia daquela mulher que pra ela não representava nada. Se fosse Shae quem estivesse lhe passando um sermão seria diferente, por mais inferior que fosse a posição de Shae em comparação com a sua própria. Agora, em seu conceito, era um abuso o que a mulher lhe dizia. Aliria não passava de uma completa estranha tanto pra ela quanto para Sandor, então como é possível que esta desconhecida o entenda? Tinha certeza do que o que ela dizia era mentira, todavia inconscientemente Sansa se preocupou com o fato de estar perdendo espaço na vida de Sandor.
– Eu o escuto — Aliria se defendeu, abrindo um sorriso amarelo — Você deveria escutá-lo também. Por que não vai ouvir o que ele tem a lhe dizer?
A donzela se remoeu. Gostaria de ter dito a mulher que Se você sabe quem sou eu, então você sabe que eu não aceito ordens de uma qualquer, mas ao formular a frase ela a escutou com a voz de Joffrey e por mais que quisesse, se recusava acima de tudo a se parecer com o seu ex-noivo. Talvez fosse essas atitudes de teimosia infantil que expressava que a impedia de entender o seu protetor e por isso que Aliria alegou saber mais a respeito de Sandor do que ela própria. Se Shae estivesse aqui ela diria para eu ir ao encontro de Sandor... Para Sansa, sua ex-dama de companhia e criada era o exemplo de mulher madura; Cersei fora o seu primeiro exemplo, mas como esta resolvia tudo a base do vinho, ela procurou novos exemplos a serem seguidos e Shae era o mais próximo relacionado a vida na Corte.
– Talvez — Respondeu, sentindo-se contrariada consigo mesma por não manter-se resignada em sua primeira decisão. Mais cedo ou mais tarde ela iria realmente ter de confrontá-lo e agora era um momento propício, assim como os barulhos que vinham do convés foi propício para afastá-la do quarto de Yros — Mas Yros... — A expressão de Sansa se suavizou por um breve instante até que a preocupação a afetasse.
– O que tem ele? — Aliria questionou, não entendendo porque a conversa mudara de rumo.
– Ele ficará bem? — Havia se esquecido de como o seu bardo estava depois de todos os ataques que recebera na praia. Se ela fosse escutar o que Sandor tinha para lhe dizer, talvez isso significasse algo na cabeça de Yros, não que ele estivesse errado, mas também não estava certo, não completamente nos dois casos. Isto é, ela de fato se importava com Sandor, não tanto assim, mais do que admitiria com certeza, porém também se importava com Yros e entre os dois, não conseguia definir quem estava na frente, tudo era uma questão de momentos, quando Sandor bateu em Yros ela deu prioridade ao ferido, depois de seu escolhido ter tendado roubar-lhe um beijo, ela estava dando preferência para Sandor, mas isto tudo era o que ela acreditava e não necessariamente o que os outros veriam.
– Isto vai depender — Disse a mulher com voz de sabedoria.
– Do quê? — Sansa não compreendeu o que ela queria dizer.
– Você quer que ele fique bem? — A pergunta soou com tranquilidade e um longo minuto em silêncio ocorreu em seguida.
O que eu quero? Suas mãos transpiraram. Ela possuía todas as respostas, todavia estava com preguiça e medo de pensar nelas. O que tomava como certo era apenas uma desculpa para não olhar mais profundamente os seus sentimentos e as coisas ao seu redor. Eles me desejam. A verdade ecoou em seus pensamentos e o seu coração bateu em descompasso. Sentia medo do que viria a seguir. Eu só devo alimentar um deles. Meneou a cabeça em sinal negativo, ignorando o fato de estar em público e somente ela saber a respeito da epifania que estava tendo. Não, eu não devo alimentar os sentimentos de nenhum deles. Eu sou uma lady, quando eu for entregue para a minha família eu continuarei sendo uma lady, talvez até a Princesa do Norte, enquanto Yros será um bastardo e Clegane, um fugitivo. A última frase ecoou em sua cabeça. Oh, pelos Sete Deuses! Sansa não havia parado para pensar o que ocorreria com Sandor depois que ela reencontrasse com a sua família. Sandor deixara Porto Real em má situação com os Lannisters com impossibilidade de conseguir cair nas graças deles de novo por ter sido responsável pelo sequestro dela, a noiva do Rei. Robb poderia aceitar recompensá-lo monetariamente, mas jamais com títulos e posição em sua guarda. O que foi que eu fiz? Se questionou. Se não estivesse o tempo todo preocupada apenas consigo mesma, Clegane poderia ainda ser um alguém. Dando prioridade a esta constatação, ela ignorou completamente as anteriores, mostrando-se ser capaz de lidar apenas com um assunto por vez.
– Onde ele está? — Sansa perguntou, mordendo o lábio inferior pela ansiedade que sentia. Aparentemente Aliria conseguira enxergar nela algo que nem ela mesma conseguiu ver em seu mar de sentimentos. Ainda que isso fosse verdade, ela evitaria pensar em seus próprios sentimentos para com ele, pelo menos antes de estar em segurança em algum lugar.
– No nosso quarto — Aliria respondeu com simplicidade — Gostaria que eu a acompanhasse?
– Não será preciso.
Com um misto de ansiedade e de receio Sansa deixou o convés e foi para o andar onde se encontrava a cabine do capitão e os dois aposentos que os convidados de A Donzela estavam. Assim que a jovem chegou no corredor ela pode ouvir os gritos de Yros vindos da porta ao lado do quarto onde Sandor estaria. Bem feito. Pensou quando se recordou que ele tentara lhe roubar um beijo momentos atrás, porém hesitou quando passou por sua porta. Talvez eu devesse entrar só para me certificar como ele está. A sua determinação de outrora rapidamente começava a abrir espaço para o desconforto do confronto que teria com o seu protetor. Suas mãos estavam na maçaneta de onde os gritos vinham quando um barulho na porta ao lado lhe chamou atenção. Sandor estava deixando o quarto e murmurava insultos referentes ao barulho e quando os dois se encontraram no corredor, ambos pararam o que estavam prestes a fazer.
– Sandor, eu... — Sansa foi a primeira a falar — ... Aliria, ela... — Tentou formular frases, mas todas saiam com incoerência. Ela não havia pensado em como começaria o diálogo e agora que fora pega de surpresa estava sendo impossível expressar tudo o que queria e sentia em palavras — Ela disse que queria falar comigo.
– Não tenho nada a tratar com você — Dito isto, Sandor deu meia volta. A expressão que trouxe no rosto demonstrou explicitamente o que ele estava pensando e Sansa foi capaz de lê-la.
Ele pensa que estou saindo do quarto de Yros! Constatou.
– Espera! Não é o que está pensando! — Sansa o seguiu, adentrando o quarto cujo qual ele tornara a entrar.
Sandor estava silencioso e o ar ao redor dele estava carregado de uma densa hostilidade. Por fim, o homem se manifestou.
– E o que é que eu estou pensando? — Indagou, a voz não passava de um rosnado. Sansa se recordou da personalidade do Cão de Caça, quando ele ainda estava trabalhando para os Lannisters e era obrigado a fazer coisas que não aprovava ou gostava de fazer.
– Q-que... — Sansa gaguejou, sentia vergonha de pronunciar as suposições do homem a sua frente — Que eu e o Yros... Nós...
– Você nega? — Sandor não a esperou terminar a frase para lhe atirar uma pergunta de volta.
Sansa não tinha nada com Yros, mas por que ela não conseguia dizê-lo? Suas mãos voltaram a transpirar e seus lábios secaram. Sentia vontade de deixar os aposentos, ocorre que o seu corpo não obedecia o comando que lhe era dado. Não conte, não conte, não conte... A razão martelava as palavras em seu cérebro, em vão, pois no fim ela acabou falando de qualquer forma.
– F-foi só uma vez... — Gaguejou em um murmúrio. Pare de falar! A consciência mandava, sem resultado — ... Eu não queria, m-mas... B-bem, o-ocorreu...
Um longo silêncio foi implantado no quarto e mesmo o barulho vindo de todo o navio fora ignorado por ambos. Sansa conseguia ouvir o seu coração bater em seus ouvidos e fazer contato visual com Sandor era praticamente impossível, a rápida troca de olhares revelou uma labareda na forma na qual ele a olhava. Sentia-se culpada, mais culpada do que nunca. Não deveria ter se deixado levar pelos flertes de Yros, sabia disso, mas como poderia resistir aos encantos daquele bardo sendo ela uma apreciadora das coisas belas? Tentando escapar deste clima de hostilidade ela se recordou da razão de porque aceitou ter ido ao encontro dele.
– Me desculpe... — Murmurou em um fio de voz que quase desapareceu.
Sandor rompeu o seu silêncio com uma gargalhada fungada. Ele estava sendo irônico e cruel, era esta a forma que ele amenizava as dores que sentia. Sansa aprendera a conhecer. No fim, eu o entendo em alguns aspectos, pensou.
– Você diz que teve algo com aquele bastardo e me pede desculpas!? — Sandor gritou a plenos pulmões e bateu a porta do quarto com violência, fazendo com que um painel de tema náutico viesse ao chão. Em seguida, trancou a porta atrás de si.
Sansa se deu conta do perigo ao qual estava entrando. O seu pedido de desculpas foi entendido de forma errada. Ela não estava se desculpando pelo o que ela teve com Yros, mas sim pelos sacrifícios que Sandor fez por ela e que ela não conseguiu perceber anteriormente.
– C-Clegane, e-eu... — Cambaleou para trás conforme ele ia se aproximando dela. A jovem sentia que estava em risco desde o momento em que o seguira; deveria tê-lo deixado em todas as oportunidades que surgiu, se o tivesse feito, as coisas não teriam se transformado dessa forma.
– Ah! Você foge de mim! — O homem continuou a rir e cada vez soava mais desesperado e insano — Não tem nem coragem de me olhar nos olhos! — Suas mãos fecharam-se nos pulsos de Sansa e a trouxe facilmente para si — O que foi? Não gosta do que vê!? — Questionou, forçando-a a se manter imóvel junto a ele.
– Me solte! — Ordenou — Está me machucando! Por favor! — Choramingou enquanto se debatia em busca da liberdade. O homem que prometera protegê-la estava sendo violento para com ela pela segunda vez, sendo que a primeira foi logo após que deixaram Felwood, só que naquela ocasião, apesar dele ter sido rude, ele não fora tanto quanto agora.
– Foi o que você disse quando estava com aquele maldito!? — Esbravejou, usando mais força para segurá-la — Você pediu para que ele parasse enquanto trocava galanteios com você!? — Rosnou — Pediu para ele parar quando estava lhe tocando!? — A fúria na voz de Sandor aumentava.
– Pare, por favor.. — Sansa conseguiu sentir o cheiro de álcool vindo dele. Eram essas malditas bebidas que despertava o pior dele, ou talvez fosse eu. Incriminou.
– RESPONDA-ME! — Gritou, prendendo-a contra a parede e obtendo o controle total sobre a donzela Stark.
Sansa sentiu o impacto com a parede, mas suas costas doíam menos do que os seus pulsos. Estando agora totalmente imobilizada, apenas a coragem e suas canções poderiam salvá-la.
– Não! — Disse-lhe, mantendo a cabeça abaixada — Esses não são modos de tratar uma lady, Sor!
– Tem toda razão — A voz de Sandor ficara séria — O único problema, é que não há nenhum Sor e nenhuma Lady presente.
Os olhos da garota se arregalaram e por instinto procurou o rosto de Sandor para tentar ler em sua expressão o real significado do que estava dizendo. Que ele não adotava qualquer referência como cavaleiro era verdade, mas dizer que ela não era nenhuma Lady ele já estava indo longe demais. Quando seus olhos se encontraram ela percebeu que o rosto dele estava carrancudo e os seus olhos acinzentados estavam com as pupilas dilatadas e mais escuros do que o normal. Ele me olha como se eu fosse uma caça e age como se fosse o caçador. Os lábios de Sandor rasgavam-se em um sorriso malicioso para a reação que ela tivera com os dizeres dele. Ele me deseja. Foi o último pensamento que teve antes dos lábios de ambos se encontrarem em um beijo. Toda a ternura do primeiro contato com os lábios de seu protetor fora esquecida, era como se outra pessoa a estivesse beijando. Sandor a desejava e fazia questão de devorá-la neste contato, não respeitando a inexperiência dela nem o fato de a jovem ser de berço nobre. Os lábios da donzela foram abertos pela língua de Clegane que ansiava encontrar a sua e quando o fez um gemido vindo do homem foi ouvido. Os lábios de Sandor pressionava os de Sansa com força, ela nunca vira um beijo dessa forma, muito menos fora beijada assim, sendo esta a terceira experiência que tivera nesta arte. Sansa fora pega de surpresa pela aproximação de Sandor e não teve reação a princípio, foi apenas quando teve consciência do que estava acontecendo que lutou para afastar-se dele. A defesa foi em vão, o homem não precisou de força para convencê-la ao contrário, ocorre que ele era bom de beijo e conseguiu induzi-la a segui-lo nos movimentos e embora a língua da moça fizesse uma dança tímida, a dele a envolvia em um ritmo mais acelerado, causando uma febre interna na jovem que não soube explicar a razão. Sandor por outro lado também foi vítima do calor alimentado pelo beijo, ainda que a febre já estivesse com ele por um tempo, todavia ele sabia o que lhe causava isto e estava disposto a demonstrar os efeitos que ela proporcionava sobre ele e induzi-la a sentir o mesmo.
Estando inebriada com o beijo, Sansa parou de prestar atenção nas coisas ao seu redor. Todos os planos que haviam sido elaborados para conversar com Sandor foram esquecidos, apenas os seus sentimentos vieram a tona. Yros havia lhe pedido um beijo ainda neste dia e ela negara, se Clegane lhe tivesse pedido, talvez ela também lhe tivesse negado, mas agora, ela não saberia se teria forças para recusar ser beijada por ele. Para muitas mulheres um beijo era apenas um beijo, mas para Sansa, que ainda sonhava com histórias de donzelas e cavaleiros ainda que negasse todo o floreio que existisse sobre o verdadeiro caráter do cavaleiro, um beijo só deveria ser dado se houvesse sentimentos, se o cavaleiro realmente merecesse o reconhecimento da donzela. Ele realmente merece o meu reconhecimento? Se questionou e a resposta teria sido sim se ele não tivesse feito o que fez. Clegane, deixando-se levar pelo momento e tendo certeza que Sansa estava entregue a ele soltou os pulsos da jovem e depositou uma de suas mãos sobre o seio da mesma, massageando-o por sobre o vestido. Os dedos viciosos do homem exerceram uma pressão que a machucou além de assustar. Imediatamente Sansa tentou romper o beijo, mas a outra mão de Sandor segurou-lhe pelos cabelos mantendo-a com os lábios colados aos seus. A mão dele continuou a massagear-lhe o seio e o seu quadril a prendeu na parede, passando uma perna pelo vão das dela e roçando o joelho no ventre da jovem por sobre a calça de couro que trajava. Sansa sentiu o calor aumentar junto com a sensação de perigo. Ela estava compreendendo as ações do homem, a real intenção do que ele esperava dela e ela seria induzida a isso a menos que conseguisse trazê-lo a razão. Desesperada e com medo, mordeu o lábio inferior de Sandor para quebrar o beijo. Clegane afastou o seu rosto do dela e levou a mão que utilizava para massageá-la aos lábios.
– O que está fazendo!? — Sansa exclamou, tampando os próprios lábios para que ele não voltasse a beijá-la.
–Retirando todo o traço dele de você — Sandor retrucou com simplicidade, retirando do bolso traseiro de sua própria calça uma adaga que utilizou para rasgar o vestido de Sansa, começando pelo decote do mesmo e terminando em sua costura que se estendia até a coxa da garota — Se me morder de novo, prometo que não serei gentil — Sussurrou-lhe no ouvido, terminando de livrá-la da vestimenta superior.
Sansa teve como reação imediata impedir que o vestido lhe escorresse pelo corpo e segurou o tecido rasgado de modo que lhe cobrisse os seios. Seu rosto estava com uma tonalidade púrpura de raiva, vergonha e incredulidade. Não conseguia acreditar que Clegane a estivesse colocando nesta situação e muito menos a razão que ele dera para tal.
– Você disse que não me machucará — Recordou-o da promessa que ele lhe fizera quando saíram de Porto Real e de Felwood.
– E não o farei, desde que você não resista — Dito isto, Sandor ocupou a sua adaga em abrir o fecho da calça de couro que Sansa utilizava. A garota se debateu, horrorizada com o que viria a seguir — Se você continuar se mexendo eu posso acabar lhe cortando! — Sandor rosnou, jogando sua adaga sobre a cama mais próxima, que era aquela que trazia os pertences de Sansa. A jovem se debatia em busca da liberdade e ele temia acabar lhe ferindo sem querer, por isso se livrou da única arma que tinha naquela roupa.
– Você prometeu... — Sansa sussurrou, lágrimas escorriam pelo rosto e as mãos se ocupavam em tampar-lhe os seios. A calça, que teve apenas o fecho cortado ainda a vestia, apesar de estar mais solta na parte da cintura.
– Olhe para você! — Sandor ordenou, empurrando-a na direção da porta fechada onde havia um espelho de corpo inteiro pregado. Sandor estava segurando-a pelos cabelos da nuca, pois se ela tentasse fugir de sua posse, como tentara, teria os cabelos puxados e seria imobilizada — Vê? Você não é mais uma criança, seu rosto está mais maduro, seus seios estão volumosos, suas curvas estão definidas e você já teve o seu sangue da lua — Sandor a tocava em cada região que mencionava. Primeiro tocou-lhe o rosto, depois os seios, percorreu a lateral do corpo dela até o quadril e quando falou a respeito do sangue da lua tocou-lhe o ventre por cima da calça. Em cada região sua mão deslizava como se fosse uma serpente, apreciando cada segundo que estava em contato com o corpo da donzela, agindo como se fosse o amante da mesma.
– Por favor... — Sansa chorou, sentindo o seu corpo ficar estranho com as palavras e o toque que recebia.
– Olhe para mim! — Sandor ordenou, levantando a cabeça dela para que olhasse o reflexo de ambos no espelho — Diga-me o que você vê! — Cuspiu as palavras — Além do monstro, além do Cão e do seu salvador, diga-me o que você vê!
Sansa não precisou pensar muito para responder-lhe.
– U-um homem! — Confessou, com dor na raiz do cabelo onde Sandor a segurava — Eu vejo um homem!
Sandor tornou a fungar uma risada.
– Muito bem, e você por um acaso sabe o que um homem quer? — Sandor questionou-a, posicionando a sua mão livre na barriga de Sansa, em uma atitude possessiva e ao mesmo tempo sedutora, trazendo-a de costas para si. Pela primeira vez, para dar uma dica a pergunta que ele fizera a jovem, ele deixara-a sentir a sua ereção.
Sendo puxada de volta para ele, suas costas se apoiaram no peito do homem. A respiração de Clegane estava ofegante e os batimentos cardíaco dele estavam na mesma frequência que os seus próprios, acelerados e fora de compasso. Sandor estava com o corpo quente, ela pode sentir por sobre o seu vestido rasgado que ainda lhe cobria as costas e um pouco mais para baixo, na altura de sua cintura que batia no quadril de seu protetor ela sentiu algo roçar-lhe, algo que a princípio ela julgou ser uma arma, mas no fundo soube que era o membro viril dele que de certa forma seria utilizado para rasgar-lhe no futuro mais próximo.
– P-por favor.. — Sansa implorou, transformando o seu choro controlado em soluços intensos que chacoalhavam o seu corpo. Conforme os soluços se intensificavam, suas costas tornavam a bater contra a ereção de Sandor e fosse o seu contato ou o seu desespero, o pseudo-cavaleiro se excitava cada vez mais e segurar os seus impulsos estava cada vez mais distante de se tornar possível.
– Homens, passarinho — Sandor partiu do princípio que a jovem não sabia o que um homem queria, ainda que soubesse que ela suspeitava do que ele desejava — Eles querem coisas simples de obter, uma ocupação durante o dia, um bom vinho e uma boa refeição para quando chegar cansado em casa e uma mulher voluntariosa para esquentar a sua cama quando anoitecer — A mão que Clegane posicionara na barriga de Sansa começava a se movimentar, primeiro os dedos fizeram pequenos círculos naquela região até que, tomado pelo desejo, eles desceram alguns centímetros para dentro da calça da garota, parando próximo ao local onde o fecho da calça encostava antes de ter sido cortado — Hoje eu já tive a minha ocupação diurna, bebi um bom vinho e agora eu desejo minha mulher — Sussurrou as palavras no ouvido da donzela e quando terminou de falar, beijou-lhe a orelha dando pequenas mordidas no lóbulo da mesma.
As mãos de Sansa se puseram em cima da de Sandor que estava descendo em direção ao seu ventre, impedindo-o que ele avançasse ainda mais o percurso que almejava. Se as suas palavras não conseguiam obter a misericórdia do homem, talvez conseguisse obter sua liberdade pela resistência, visto que a força não era nem mesmo uma opção.
– A sua resistência apenas me excita — Clegane lhe confidenciou com a voz rouca e suas palavras saíram macias como as de um amante — Não precisa sentir vergonha, eu já a vi nua anteriormente, se recorda?
Como ela conseguiria esquecer? Fora uma das vezes que mais sentira vergonha em toda a vida e ocorrera a poucos dias atrás e no local que estavam deixando. Era engraçado pensar que com Clegane ela vivera mais experiências do que todo o tempo anterior a sua saída de Winterfell. A mágica acontece fora de sua zona de conforto, ela já havia ouvido estas palavras em outros tempos, todavia a mágica que estava prestes a acontecer e que a estava retirando de sua zona de conforto violentamente, ela estava descartando. Sansa se debateu, mais uma vez tentando se livrar dos dedos opressores do homem e mais uma vez a luta foi em vão. O seu couro cabeludo estava dolorido e sentia que iria perder uma grande quantidade de cabelo junto com um escalpo se continuasse lutando.
– Você não tem noção de quanto eu a desejei naquela noite — Sandor a puxou mais para si, diminuindo a distância que a donzela conseguiu ao tentar escapar dele — O quanto eu fui bom e não me aproveitei de você, toda fragilizada e nua na minha cama; deitada ao meu lado; em baixo de mim... — O homem salivava e o seu pênis quase era capaz de fazer um buraco nas costas de Sansa devido a rigidez que adquiria conforme as recordações lhe vinha a memória. Sandor não era o único que se sentia afetado com as lembranças, Sansa também se lembrava de todos os ocorridos, de como eram os músculos dele e os lábios do homem sobre o seu, como as mãos dele se fechavam perfeitamente ao redor de sua cintura e todo o toque que seu protetor lhe dava no momento apenas a ajudava a sentir-se embriagada pela forte presença de Clegane. Porém ela não queria ser dele, não queria que seus pensamentos fossem conturbados junto com o conceito de certo e errado e muito menos que a masculinidade dele se sobressaísse as cicatrizes do mesmo. Tendo Sansa presa e imobilizada mais uma vez ele aprofundou suas carícias, deslizando os lábios na extensão do pescoço da garota, massageando-o com a sua língua e dando longos chupões intensos na jugular dela — Façamos o seguinte: se você demonstrar que não está afetada ao meu toque eu lhe deixo ir, mas se mostrar que anseia as minhas carícias eu arrancarei a sua flor.
A jovem Stark não teve tempo de se manifestar, assim que Sandor terminara de fazer sua proposta, sua mão deslizara para dentro da calça de Sansa, passando por sua roupa íntima e chegando com os dedos em seu clitóris, o homem se ocupou um tempo ali naquela região, a hipersensibilidade da donzela o incentivou a fazê-lo. Com o dedo indicador e o médio fez pequenos círculos e prendeu a vulva dela entre os dois dedos, fazendo uma leve pressão no local. Sansa gemeu ao toque e jogou o corpo para trás sendo amparada pelo peito de Clegane que a deteve no lugar. Desesperada para se livrar dele, mas sem força para o fazer, cravou suas unhas no braço de Sandor que estava estendido até o seu sexo. O homem arfava pesado em seu pescoço e gemeu quando foi ferido pelas unhas dela. Ele ainda não sabia com certeza se ela estava reagindo positivamente ao seu toque, ele precisava de provas mais concretas e por razão disso empurrou os dois dedos que utilizava para acariciá-la em seu canal vaginal. Os pequenos lábios de Sansa estavam tão próximos um do outro indicando que a vagina dela era intacta, apertada como se era o esperado de uma donzela e por isso foi necessário colocar um dedo de cada vez até que os dois estivessem bem lubrificado e fosse possível inserir ambos ao mesmo tempo sem machucá-la, claro que essa lubrificação só foi obtida porque a garota estava excitada e sua vagina já liberara o lubrificante natural. Sansa sentiu sua vagina arder com o toque, ela estava se alargando para que os dedos dele pudessem passar por ela e estava tão molhada que se não fosse a aspereza da mão de seu protetor ela mal teria sentido o seu toque. A jovem gemia e cravava com mais força as suas unhas na pele de Sandor e isso não o impedia de continuar a tocá-la, enfiando e retirando os seus dedos da vagina dela, indo até onde fosse possível, tomando o cuidado para medir o canal vaginal da mesma, sem querer romper-lhe o hímen com a sua mão. Ambos gemiam, todavia Sansor ria com o rosto escondido no emaranhado de cabelos escuros de Sansa.
– Você perdeu — Sussurrou, exalando felicidade. Retirou por fim a sua mão de dentro da calça dela no mesmo instante que ela parara de arranhar-lhe e ergueu até o rosto da jovem — Vê isso? — Mostrou-lhe os dedos úmidos com a substância que se encontrava entre as pernas dela — Isso significa que você quer ser fodida por mim, esse é o seu mel, meu passarinho — Levou os dedos a própria boca e os chupou, como se estivesse chupando doce dos dedos. Sansa o observava pelo reflexo no espelho, com os olhos marejados. Tinha vergonha e medo do que ele estava fazendo e dizendo, sentia uma onda de calor e frio percorrer-lhe o corpo e o seu genital respondia a um comando que desconhecia. A vagina ardia e pulsava levemente, o calor naquela região de seu corpo era o maior que sentia, parecia que havia algo faltando ali, ainda que tivesse a sua flor preservada — Você tem um gosto muito bom — Disse-lhe — Eu quero prová-la, tomar o seu mel direto da fonte. Retire a sua calça para que eu possa prová-la — Ordenou.
– Não, por favor! Não! Pare! — Sansa exclamou e se debateu, mas Sandor ainda a prendia pelo cabelo de costas para si.
– Eu lhe dei a sua chance e você a perdeu — Avisou-lhe com a voz rouca de desejo. Cada momento que se passava ele se tornava mais predador e o pouco que ele experimentava dela era o suficiente para fazê-lo desejar por mais — Retire a sua calça ou a tirarei por você.
– Você prometeu que não me machucará — A donzela o recordou aos prantos.
– De fato não a machucarei se você for uma boa garota e me obedecer, vou falar pela última vez, tire as calças — Seu comando saiu com autoridade, mas Sansa estava tão horrorizada que nem se quer deu atenção aos seus dizeres, a única coisa que ela entendeu é que ele não pararia de avançar para cima dela até obter o máximo do prazer com a mesma.
Cumprindo as suas promessas, Sandor soltou o cabelo dela e pondo-se na frente da donzela, ficando de costas para o espelho, começou a retirar a calça de couro que Sansa utilizava junto com sua roupa íntima, arrancando-a completamente do corpo dela. seu rosto, mesmo ajoelhado, ficava na altura do quadril da moça. Suas mãos, grandes e pesadas segurou-a pela cintura para imobilizá-la a sua frente, após ter separado as pernas da mesma alguns centímetros. Sem mais nada separando-o do sexo da garota Stark seus olhos se deliciaram com o ventre dela. Os pelos pubianos que possuía eram rubros e ralos e a pele da região era a mais branca de todo o corpo dela. Seus dedos, atraídos ao sexo dela como imã deslizaram pela coxa macia da jovem até chegarem nos grandes lábios e os abriu. Sansa gemeu nessa hora e não ousou se mexer. Mesmo as mãos dele tendo se deslizadas para a sua coxa, ela era incapaz de fugir dele. Olhar para baixo lhe causava grande vergonha, para frente uma maior ainda, se ver no espelho naquela posição que julgava humilhante era um castigo para o seu orgulho, a sua única escolha foi olhar para o teto e dessa forma as lágrimas com muito custo chegavam a escorrer pela sua maçã do rosto, a maioria ficavam presas em seus olhos formando uma poça. A visão do sexo de Sansa era tão fascinante para Sandor que a primeira reação dele foi aproximar o seu rosto dos grandes lábios dela e os cheirar. A vagina dela tinha um cheiro cítrico e amadeirado e estava brilhando pelo líquido lubrificante que soltava. Após identificar os cheiros ele usou o sentido do paladar para experimentá-la e ao estar com os lábios próximos do clitóris dela, colocou a língua para fora e o lambeu. Sansa gemeu mais alto dessa vez e teve de se segurar nos ombros de Sandor para se manter em pé. A vontade dela era de se jogar no chão, só que estando caída, a defesa dela diminuiria e apesar de tudo, ela tinha a esperança de que a sua virgindade fosse poupada. Clegane pressionava o clitóris de Sansa com a língua para dentro de sua boca, aplicando demorados chupões na região que fazia um barulho estranho e úmido. Sandor arfava com o contato com um dos centros de prazer da donzela, mas ele ainda não estava satisfeito, ele queria prová-la ainda mais e por isso percorreu com sua língua o sexo dela até o canal vaginal da mesma e forçou a entrada de sua língua ali. Dois músculos diferentes se encontraram e Sansa soltou um grito de prazer. Sandor gemeu junto com ela, a vagina da moça estava se contraindo contra a sua língua e mais líquido vaginal era expelido e engolido por Clegane, ele sabia que ela havia tido o seu primeiro orgasmo e um misto de orgulho e excitação o arrebatou. Sua língua entrava e saia da vagina dela, como os seus dedos fizeram e a enchia de saliva conforme o fazia. Ele a queria muito úmida e lubrificada para quando o seu pênis a entrasse; seu membro era largo e grande e sabia que a machucaria por ser a primeira vez dela, mas ele gostava assim, ele registraria a sua marca nela, havia um comentário de que a mulher sempre seria fiel ao seu primeiro homem e era isso que esperava dela depois que a deflorasse. Após ter tomado todo o tempo que julgou necessário para prepará-la, ele se pôs de pé e secou os lábios com o dorso da mão, mantendo agora os olhos fixos ao rosto de sua donzela.
– Prefere ficar deitada ou em pé? — Perguntou-lhe, tentando ser o mais cavaleiro possível, enquanto se livrara da camisa que vestia e desatava o nó de sua calça.
Sansa aproveitou essa deixa para afastar-se dele. As pernas estavam bambas e leves, formigando conforme ela andava. Todo o sangue do corpo parecia estar localizado em seu sexo e em seu cérebro. Sentia a cabeça pesada e o ventre estava em chamas, desejando por mais. A jovem Stark se arrastou até a sua cama onde a adaga que ele utilizara para lhe cortar a roupa fora jogada e não precisou de muito tempo para encontrá-la em meio aos seus pertences e a roupa de cama.
– Então prefere a cama? — Sandor a questionou, ignorando o fato que ela estava segurando a sua arma e se aproximou dela com um sorriso amarelo no rosto.
– Fique onde está! — Avisou a moça, arfando com a adrenalina que sentia — Ou eu te corto — Ameaçou, apontando a arma na direção de seu protetor.
– Você quer me cortar? Acha mesmo que consegue manejar uma adaga? Acha mesmo que vai conseguir me impedir de ter você? — Gargalhou — Vamos! Me ataque! Eu prometo que só me defenderei — Incentivou-a, batendo no próprio peito em gesto de coragem.
– Você prometeu... — Secou as lágrimas que escorriam com o dorso da mão para clarear a visão — ... Disse que não me machucaria... E ainda assim... Ainda assim... — Soluçou.
– E eu não a estou machucando — Defendeu-se — Olhe como o seu corpo está reagindo, você realmente acha que eu estou te atacando? Você por um acaso está ferida!? — Esbravejou e avançou mais alguns passos na direção dela.
– Não se aproxime! — Tornou a exclamar, mantendo a adaga levantada com as mãos trêmulas. Mais lágrimas tornavam a escorrer de seu rosto, ela sabia que ele estava dizendo a verdade, só que ela não podia aceitar isso como certo. Ser grata a uma pessoa que estava ajudando era uma coisa, mas entregar a sua virtude para ele era algo totalmente diferente. Ela precisava e iria se casar com uma pessoa de berço e Sandor não possuía um berço digno para ela. Se ela se entregasse, ela iria arruinar todas as suas chances de conseguir um bom casamento e ser aceita na sociedade.
Sandor ficou perto demais de Sansa e por instinto ela se defendeu com a arma que tinha em mãos, cortando de leve o braço de Clegane, que gemeu de dor e em um movimento rápido tomou-lhe a adaga e atirou-a do outro lado do quarto, fazendo um barulho de metal ao atingir o chão. Mais lágrimas vieram aos olhos de Sansa intensificando o soluço.
– Sinto muito! — Exclamou — Eu não queria... Sinto muito! — Chorou.
– Garota estúpida! — Sandor esbravejou examinando o corte que recebera — Eu vou fodê-la até arrancar-lhe sangue por isso! — Disse-lhe com severidade para amedrontá-la. Ele sentia prazer ao ver o lado frágil de Sansa; ela era tão delicada que destruí-la proporcionada deleite a qualquer homem de alma bruta. Sandor apesar de não aprovar os modos de Joffrey de a tratá-la, ele entendia o porque que ele tomava essas medidas.
– Não! — A donzela gritou — Por favor! Deve haver algo que eu possa fazer para recompensá-lo — Sugeriu, caminhando de costas para afastar-se dele até que mais uma vez foi encurralada na parede entre as camas — Eu posso... — Pensou — Eu posso cantar para você! — Tornou a secar os olhos com o dorso da mão — Florian e Jonquil, como você queria! — A voz estava estridente pelo desespero e falou mais alto do que gostaria.
Clegane mais uma vez sentiu o ódio ferver em suas veias. A única vez que ele a ouvira cantar a música que lhe prometera fora na apresentação que ela realizara em Felwood sob o comando de Yros. Aquele bastardo de novo viera em seus pensamentos e Sandor se recordar da existência do bardo nunca era um bom sinal. Retirando toda a distância que se formara entre os dois, Sandor em poucos passos chegara até Sansa e a agarrou pelo braço e a atirou sobre a cama que pertencia a ela. Depois de ter sido colocada ali, em um único gesto ele jogou todos os pertences que estavam ali ao chão e subiu em cima da cama e em cima de sua donzela.
– Eu não quero uma canção que você já deu para outro homem, quero uma canção exclusiva sua, passarinho, você irá cantar para mim a sua mais linda canção de amor, irá cantar para mim na cama enquanto lhe arranco cada verso junto com a sua virgindade! — Lhe contou, usando a força para colocá-la na posição que desejava, que era abaixo de si com as pernas abertas ao redor de seu quadril.
Sandor enfiou dois de seus dedos na boca depois de tê-la imobilizado e os pôs no vão da perna dela, procurando o espaço para a vagina da mesma e depois de tê-la penetrado duas rápidas vezes com os seus dedos, retirou o próprio membro de dentro da calça que usava e debruçou-se sobre a donzela prestes a ser deflorada. Ela ainda estava molhada, o que facilitaria a penetração, mas agora sabia que a sua missão ficaria mais difícil, porque Sansa se debatia sem parar e se ela continuasse assim ele poderia feri-la.
– Todas as pessoas que sabem de sua fuga pensam que eu já lhe fodi mesmo, que diferença isso faz? — Sandor contou para Sansa, recordando-se do que os cavaleiros da vila onde fora vender as joias estavam conversando.
– Você prometeu que não me machucará — Sansa soluçou as palavras pela enésima vez, pensando que apenas elas poderiam salvá-la agora.
– Se você ficar quieta e paradinha eu não o farei, já lhe disse — Sandor tentava imobilizá-la com uma mão e com a outra guiava o seu pênis para a entrada do canal vaginal de Sansa. Sempre que ele o encontrava, ela se mexia e ele o perdia. Finalmente, enquanto ela estava distraída ouvindo o que ele tinha para lhe dizer ele conseguiu encontrar a vagina dela e em um único impulso enfiou um pouco mais do que a cabeça de seu pênis dentro dela. Logo na primeira estocada Sansa soltou um grito alto e rouco, uma mistura de dor e prazer. Clegane estava satisfeito e um pouco culpado pela brutalidade que utilizara para penetrá-la e um gemido alto de sua parte ecoou pelo quarto, sendo abafado apenas pelo dela.
– Shiu, passarinho — Ele pediu, colocando o seu dedo indicador nos lábios da jovem para que ela se silenciasse — A primeira vez sempre é dolorida, depois vai melhorando, eu prometo — Lhe garantiu.
Havia tantas coisas que Sansa gostaria de gritar naquele momento, todavia ela não tinha forças para dizer frase alguma, quando abria a boca o único som que emitia eram gritos e gemidos. Depois da terrível sensação da primeira estocada ela se debateu ainda mais, não se deixando enganar por palavra alguma que ele lhe dizia. Após algum tempo ele não se sentiu desencorajado a parar, ainda que ela tivesse pensado que sim quando o pênis dele saiu de sua vagina, mas foi só para entrar novamente com mais profundidade. A garota não tinha conseguido ver o pênis dele e nem mesmo desejava, mas sabia que os dois dedos com que ele a penetrara eram bem menores do que o seu membro, ela sentia que estava sendo partida ao meio, todo o seu sexo estava dolorido, inclusive o clitóris, pois sempre que ele a invadia o pênis roçava no seu pequeno monte e criava um atrito semelhante ao de uma lixa. Já na terceira estocada o lubrificante natural estava secando e a dor aumentava, foi só então que ela começou a colaborar com ele, parando de lutar pela preservação de sua virtude. As mãos de Sansa estavam fechadas em punho no travesseiro atrás de sua cabeça, seus seios estavam empinados e amostra; o vestido rasgado já não mais os cobriam e nem mais se importava com isto. Depois de ter relaxado o lubrificante voltou a ser produzido e o pré-gozo de Sandor a ajudou a diminuir a intensidade do impacto.
– Sansa... — Sandor chamou por ela, com os lábios próximos ao ouvido da jovem. O chamado foi baixo e carregado de significado. A voz dele o entregava, ele estava gemendo, mas demonstrava estar sentindo dor também. Sansa pode jurar que ele estava chorando, porém recusava a olhar no rosto de seu agressor — Mova o seu quadril — Ele lhe ordenou, com as mãos postas no quadril dela, ensinando-a a seguir a harmonia com os seus movimentos. Foi apenas na oitava vez que ele colocou o seu pênis dentro dela que sentiu que havia chego no hímen da donzela e fazendo um pouco mais de força para abrir o caminho, seu membro a desvirginou.
Quando o seu hímen rompeu Sansa agarrou-se em Clegane e os seus olhos o encontraram e ela percebeu que um filete de lágrima escorria de um olho dele. Ela o abraçara com toda a força que lhe restava, deixando de se segurar no travesseiro. A dor em seu sexo piorara e todo o prazer que começara a sentir com o ato sexual se extinguiu, suas pernas imitaram o movimento dos braços e dobraram-se na cintura do homem como se fosse um pedido silencioso para que parasse de se movimentar por um instante. Como se Sandor estivesse lendo a inocência de seu pedido, ele parou de se movimentar para deixá-la apreciar a dor e o prazer do sexo. Sem o movimento das estocadas, Sansa conseguiu sentir um líquido quente escorrer-lhe pela vagina, sabendo que não era seu próprio lubrificante, nem também xixi e julgando que não era nem mesmo o sêmen de Clegane, só confirmou o que realmente era aquilo quando Sandor lhe contou.
– Eu sinto o seu sangue escorrer pelo meu pau — Disse-lhe próximo ao ápice do prazer — Diga-me quando eu puder voltar a me mexer, passarinho — Pediu-lhe com simplicidade e com grande esforço, dando a falsa impressão de que era ela quem estava no comando da situação.
– Está doendo... — O informou chorosa — ... Está ardendo, está ardendo muito...
– Logo vai passar, eu já lhe disse — Beijou-lhe os lábios em um selinho curto — Mantenha os seus olhos nos meus, me beije se quiser ou se quiser pode me bater também. Irei voltar a penetrá-la, mais devagar agora e não irei parar até gozar. Segure-se em mim e continue a mover o quadril como lhe ensinei — Disse-lhe, não aguentando mais esperar pelo comando dela.
Sandor de fato fez o que dissera que faria. De forma bem lenta retirou o pênis de dentro dela e voltou a colocá-lo com suavidade, chegando até o fim do canal vaginal da mesma, indo mais longe do que o lugar onde o hímen dela fora rompido. O novo caminho estava mais apertado e a parede vaginal de Sansa massageava o seu pênis, tentando impedir a entrada e expulsar aquele membro desconhecido. Na retirada Sandor também fora gentil e nas próximas vezes seguiu o mesmo ritmo, porém voltou a aumentar progressivamente a velocidade quanto mais a penetrava. Cada vez que enfiava mais da metade do seu pênis nela ele gemia junto a ela. Aos poucos o grito de dor de Sansa perdia espaço para o de prazer. A ação continuou por um pouco mais de tempo. O corpo de Sansa estava suado e suas lágrimas salgadas misturavam-se ao suor que pingava no rosto. O cheiro de sexo impregnava o quarto, era um cheiro cítrico e quente de corpo humano, sendo denso e quase palpável. A garota estava extremamente excitava por mais que fosse contra o que estava lhe ocorrendo. A dor em seu ventre ainda estava forte e ouviu o que o seu agressor lhe dissera, arranhando levemente as costas dele enquanto se mantinha abraçada. Seu rosto estava apoiado no ombro de Clegane do lado onde o fogo não o atingira. Ela sentia-se enjoada com ele, cada fibra de seu ser o temia, desejava que ele se satisfizesse o mais rápido possível para que saísse de dentro dela e deixasse-a sozinha com sua dor. Ele a estava ferindo não apenas fisicamente; mentalmente ela também estava machucada. Ele traíra a confiança dela e já não mais sabia se podia confiar nele para reencontrar a sua família e, para piorar a situação, o navio já havia deixado o porto. Talvez eu terei sorte e todos morreremos nessas pedras. Pensou para consigo mesma, desolada, desejando o naufrágio de A Donzela. Ela acreditava que a morte seria a forma de voltar a se purificar.
– Eu o odeio... — Sussurrou no ouvido de Clegane estando próxima a explodir de prazer — Eu o odeio com todo o meu ser — Continuou, e no mesmo instante sentiu as suas paredes vaginais se contraírem uma vez mais sobre o pênis dele, prendendo-o dentro de si. Uma onda de calor a consumiu.
– Sansa... — Sandor tornou a chamar o nome dela com um soluço de arrependimento. Ele estava chorando. As mãos dele estavam fechadas em punho segurando a coberta ao lado do corpo dela, era a forma que ele encontrara para não machucá-la mais do que estava fazendo — Eu irei gozar dentro de você — A informou. A atitude não era a mais sábia possível, ele não conhecia o ciclo menstrual da garota e se apoiaria apenas na sorte para não engravidá-la. Fazer sexo com ela já era algo imprudente e engravidá-la seria totalmente irresponsável, porém ele necessitava suprir os seus anseios e se não gozasse dentro dela não ficaria satisfeito. Com algumas penetrações a mais em um ritmo acelerado ele sentiu que estava pronto para liberar a sua semente e com um gemido alto, abafado pelas madeixas escuras da ex-donzela ele deixou o seu líquido escorrer para dentro dela.
Foi assim, naquela tarde no meio do outono, dentro de uma cabine em uma galé mercante qualquer que Sandor Clegane e Sansa Stark se tornaram apenas um.
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