O Vizinho Perfeito - Leonetta
20 CAP. 20 - Uma viagem?
Como já passava da meia-noite quando Sebastian foi embora para o hotel, Violetta achou melhor tomar um banho e ir direto para a cama. Não havia dormido o suficiente na noite anterior, e nem León. Portanto, a coisa mais prática e sensata a fazer no momento seria tentar ter seu me¬recido descanso.
Porém, quando deu por si, já havia atravessado o corredor e estava apertando a campainha do apartamento em frente ao seu. Estava começando a pensar que León já havia ido dormir quando ouviu a chave girando na fechadura.
– Oi, não quer tomar um último drinque antes de ir dormir?
Ele olhou por cima da cabeça dela, tentando enxergar o interior do apartamento em frente.
– Onde está seu irmão?
– A caminho do hotel. Abri uma garrafa de conhaque para ele e...
Violetta não se surpreendeu quando, antes mesmo de terminar a frase, León puxou-a para dentro do apartamento, trancou a porta e enlaçou os bra¬ços em torno da cintura dela. E também não se surpreendeu quando os lábios dele esmagaram os dela em um ávido beijo.
– Pelo visto, não vai querer tomar conhaque — falou ela, ofegante. Sem se importar com o fato de León já haver começado a tirar sua blusa, acrescentou: — Ou alguma outra bebida.
A força do desejo que sê apoderara dele no mo¬mento em que vira Violetta era quase incontrolável. Saber que poderia tê-la novamente para si dei¬xara-o ansioso, impaciente para amá-la outra vez.
Violetta também se deixou levar pelo desejo, co¬lando seu corpo ao dele com gemidos de prazer, enquanto sentia León deslizar sua calça para baixo, por sobre seu quadril. Sim, queria pertencer a ele mais uma vez. E por isso não perdeu tempo em se livrar do restante das peças que cobriam seu corpo.
Sentiu as mãos de León acariciarem seus seios, segundos antes de ele tomar um dos ma¬milos entre os lábios, sugando-o e mordiscando-o sensualmente. Ofegante, Violetta foi deixando linhas avermelhadas nas costas de León, causados pelo efeito de suas unhas, em meio ao enlevo de prazer.
A pele acetinada de Violetta era como um convite ao toque e à carícia. Um convite irrecusável para um homem atormentado pelo desejo. Devagar, ele foi deslizando os lábios sobre o corpo dela, até alcançar o ponto mais sensível do corpo de Violetta e sentir os dedos dela se cravarem em seus om¬bros. Gemidos de prazer começaram a soar pelo ambiente.
Não era possível que alguém pudesse sobreviver a todo aquele prazer, foi o último pensamento coe¬rente que passou pela mente de Violetta, antes de ela se deixar levar completamente. León afun¬dou os dedos em suas nádegas, enquanto a levava à loucura com os lábios e a língua.
Um grito de prazer logo irrompeu em sua gar¬ganta, enquanto, por um instante, o ar pareceu su¬mir de seus pulmões. Rendida, encostou-se à porta, ainda entregue aos lábios ávidos de León.
Sua postura pareceu acender ainda mais a cha¬ma do desejo nele. León deslizou as mãos pela pele úmida de León, enquanto continuava sua doce tortura com os lábios, exigindo mais, mais...
Até sentir-lhe o corpo recomeçar a estremecer e se mover com cada vez mais sensualidade, em busca do novo êxtase.
Deixando-a quase no limiar do clímax, León levou-a até a única cadeira que havia na sala. Livrando-se das próprias roupas, sentou-se e pu¬xou-a para si de maneira quase selvagem. Então guiou-a até seu membro pulsante e ambos final¬mente se tornaram um. Sem deixar de fitá-la nem por um instante, maravilhou-se ao ver o âmbar intenso dos olhos dela se escurecerem de prazer.
Então, com um gemido erótico, ela começou a se mover. Dessa vez, seria Violetta quem ditaria o ritmo do prazer. E ela o fez melhor do que ele poderia esperar. A cada movimento daqueles qu¬dris perfeitos, León sentia como se fosse explo¬dir de prazer a qualquer momento. O gosto da sensualidade de Violetta permanecia em sua boca, enquanto o excitante aroma de seus corpos unidos lhe invadia as narinas, nublando os sentidos e fazendo-o ansiar pelo alívio final.
Aqueles sons sensuais e quase selvagens emi¬tidos por Violetta o estavam deixando louco, assim como o arrebatamento erótico presente na expres¬são do rosto dela e naqueles lábios entreabertos.
León sentiu que estava muito próximo do clí¬max e teve de se esforçar para conseguir se conter mais um instante, só mais um instante, até sa¬tisfazer Violetta completamente.
De fato, não teve de esperar muito, pois logo a viu inclinar a cabeça para trás, com uma concen¬trada expressão de êxtase, ao mesmo tempo em que um gemido mais alto e mais prolongado anun¬ciou a força de seu ápice de prazer.
Então León também fechou os olhos, arre¬batado por uma intensa onda de prazer. gemeu, ao sentir os lábios e a língua de Violetta em seu pescoço, o complemento perfeito para aquele mo¬mento tão especial.
Lembrou-se do que ela havia lhe dito antes, que ninguém a havia tocado como ele. Também ninguém o havia tocado como ela. No entanto, por mais que fosse hábil com as palavras, não conseguia imaginar uma maneira de dizer a Violetta quanto ele a considerava especial.
– Passei a noite inteira querendo fazer isso com você. — Pelo menos isso ele podia dizer, sem arriscar o futuro de ambos.
– E pensar que eu quase fui dormir. — Com um longo suspiro pleno de satisfação, Violetta passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os. — Eu sabia que esta cadeira era perfeita para você.
León sorriu com charme.
– Eu estava pensando em mandar restaurá-la, mas agora acho que vou mandar pintá-la de dou¬rado, como uma espécie de troféu.
Ela riu inclinando a cabeça para trás, então voltou a olhá-lo e segurou o rosto dele entre as mãos.
– Adoro quando você tem esses surtos de bom humor.
– Não estou brincando — declarou León, com expressão séria. — Isso vai me custar uma fortuna.
Queria vê-la rir, fazendo aquele som, do qual ele se tornara quase dependente, soar pela sala.
Mas Violetta se limitou a sorrir, com um brilho de divertimento no olhar.
– León — disse, antes de beijá-lo nos lábios.
O beijo suave, mas intenso, foi como uma es¬pécie de compartilhamento de algo muito especial. León estremeceu. Aqueles dedos carinhosos en¬trelaçados a seus cabelos e os lábios doces de Violetta o fizeram ansiar por algo que ele se recusava a admitir.
Algo muito intenso estava acontecendo em seu ser, tornando suas mãos trêmulas no esforço de se manter imune àquele turbilhão de sensações. Mas Violetta era encantadora demais para ele con¬seguir resistir. Havia cruzado aquela tênue linha entre querer e precisar, sentindo-se perigosamen¬te próximo do limite de amar.
Violetta suspirou, encostando o rosto junto ao dele. Se pelo menos León pudesse amá-la tanto quanto ela o amava...
– Está com frio? — perguntou León, ao notar a temperatura do rosto dela.
– Um pouquinho. — Ela manteve os olhos fe¬chados por mais algum tempo, lembrando a si mesma que nem sempre era possível se ter tudo que se queria.
– Estou com sede. Também quer um pouco de água?
– Sim, eu vou pegar — respondeu ele.
– Não, não precisa se incomodar. — Violetta ficou de pé, deixando León com uma incômoda sen¬sação de perda. – Sebastian gostou de você — comentou, indo em direção à cozinha.
– Também gostei dele. — León respirou fun¬do, recuperando o autocontrole.
– Aquela escul¬tura cor grená (vermelho ferrugem) em seu ateliê é trabalho dele?
– Sim. Maravilhoso, não? Sebastian tem uma visão muito singular das coisas. E vê-lo trabalhar, quando ele está de bom humor e não ameaça ma¬tar quem o estiver observando, é uma experiência incrível.
Violetta abriu uma garrafa de água, encheu um copo alto até a borda e bebeu quase um terço de seu conteúdo, antes de entregá-lo a León. Não notou o olhar surpreso que recebeu quando se ani¬nhou feito uma gata manhosa sobre o peito dele.
– O que acha de fazermos uma viagem? — perguntou ela, de repente.
– Uma viagem?
– Sim. Passar alguns dias em Carliste. Sebastian vai visitar nossos avós, os Blake, e pensei em fazer o mesmo. Vovô adora reclamar que não os visitamos o suficiente. O lugar é lindo e a casa é... Bem, é impossível descrevê-la. Mas tenho certeza de que você vai gostar tanto dela quanto dos meus avós. E então? Está interessado em deixar a loucura dessa cidade um pouquinho, León Vargas?
– Isso está me soando a reunião familiar.
Ele se surpreendeu com a súbita sensação de tristeza que o invadiu diante da idéia de ter de passar alguns dias longe de Violetta.
– Com os Blake por perto, tudo soa como uma reunião de família. Vovô adora conversar e fazer novas amizades. Está com mais de noventa anos e tem uma energia invejável.
– Eu sei. Ele é fascinante. Aliás, os dois são. — León sorriu quando Violetta franziu o cenho. — Eu já os conheço. Eles são conhecidos de meus pais.
– É mesmo? Eu nunca imaginaria isso. Eu lhe falei sobre todas aquelas ligações familiares meio complicadas, não falei? Blake com Gregor. Gregor com Grandeau. Grandeau com Castilho. Castilho com Blake... Não necessariamente nessa ordem.
– Não comece com isso de novo, por favor. Só de ouvir essa porção de nomes já estou sentindo a cabeça doer.
Violetta riu e o beijou.
– Bem, se já os conhece e também já foi apre¬sentado a Sebastian, pelo menos não vai se sentir em meio a um grupo de estranhos. Venha comigo. — Ela mordiscou a orelha dele. — Será divertido.
– Poderíamos continuar bem aqui, nesta ca¬deira, e nos divertirmos muito mais...
Violetta riu, lisonjeada.
– Há muitos e muitos quartos no castelo Blake — murmurou ela, junto ao ouvido dele. — e, em vários deles, camas enormes e macias.
– Quando partiremos?
– Oh, está falando sério, León? — Ela se afastou para olhá-lo, entusiasmada com a idéia. — Que tal depois de amanhã? Tenho uma reunião pela manhã, mas poderemos partir depois do al¬moço. Oh, e posso alugar um carro para viajarmos.
– Eu tenho carro.
Violetta inclinou a cabeça, estreitando o olhar.
– Hum, é um carro sexy?
– O que acha dos sedãs de quatro portas? — Ela hesitou.
– Bem, é um carro que tem uma certa presen¬ça... Gosto de carros assim.
– Que pena, então acho que não vai gostar do meu Porsche.
– Um Porsche?! — Violetta arregalou os olhos.- Oh, não me diga que é conversível?
– Que outro modelo poderia ser?
– Sim, claro. Oh, e diga que ele tem cinco marchas.
– Sinto muito, mas são seis. — Ela ficou boquiaberta.
– É mesmo? Verdade? Posso dirigi-lo?
– Claro. Se depois de amanhã o inferno de repente resolver congelar, deixarei você se sentar ao volante dele.
Com uma careta de desagrado, Violetta começou a brincar com os cabelos dele.
– Mas sou uma excelente motorista.
– Tenho certeza de que sim.
León achou que seria mais produtivo tentar distraí-la do que continuar ouvindo-a e deixar que ela acabasse fazendo-o mudar de idéia. Encostou o copo frio sobre as costas dela, fazendo-a arquear o corpo levemente, em um arrepio, enquanto seus seios roçavam o peito dele.
– Hum... O que acha que conseguiremos fazer se reclinarmos essa cadeira um pouco para trás? — indagou ele, em um tom sensualmente sugestivo.
Um brilho sedutor surgiu nos olhos de Violetta.
– Hum... Uma porção de coisas loucas e deli¬ciosas... — murmurou, inclinando a cabeça para que os lábios de León tivessem mais acesso a seu pescoço. — Sabia que meu avô é o dono desse prédio? — falou, por acaso, mantendo os olhos fechados.
– Sim, eu sei. Aliás, foi ele quem me falou sobre este apartamento quando eu estava procu¬rando um lugar para ficar temporariamente.
– Ele lhe falou sobre este apartamento?
León moveu-se de modo a ficar por cima dela, distraindo-a momentaneamente de um vago pen¬samento que começara a se formar na mente dela.
– Quando ele... Oh, Deus, você é tão bom nisso...
– Obrigado. Mas pretendo ficar ainda melhor.
Um sorriso se insinuou nos lábios de Violetta. Seria possível León conseguir fazer amor de maneira ainda melhor? Era o que iria tentar descobrir.
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