O Vizinho
7 Capítulo Sete
Às Sombras de Lewis pt. 2
Na manhã de sábado, o sol já estava alto, mas Mackenzie ainda estava deitada, com os olhos apertados contra a luz que se infiltrava pelas janelas. Sua cabeça doía intensamente, e o ar parecia pesado e o estômago estava revirado, há tempos se não se sentia assim. Ela tentou se mover, mas sentiu a vertigem subir imediatamente. Suspirando, ela se virou para o lado, lembrando-se vagamente da noite anterior: o pub, a música, o sorriso de Lewis... e a bebida.
Eu sabia que não devia ter bebido tanto. pensou, segurando a cabeça com as mãos enquanto tentava sentar-se na cama.
O som da porta se abrindo a fez virar-se, e Lewis entrou no quarto com um olhar curioso, mas quando viu sua expressão de dor, o sorriso desapareceu rapidamente.
- Ei, como você tá? — perguntou abaixando a voz, sabendo que ela estava com ressaca.
Mackenzie não conseguiu responder de imediato. Ela estava tentando processar a dor que pulsava em sua cabeça e, ao mesmo tempo, estava envergonhada por parecer tão vulnerável diante dele. De novo.
- Eu... — Ela suspirou, e sua voz foi abafada pela dor. — Eu acho que... morri. Acho que nunca mais vou viver.
Lewis se aproximou dela, rindo baixinho, com cuidado para não incomodá-la.
- Você deve estar se sentindo horrível. Eu trouxe algo pra você. — ele entregou uma garrafinha de água e um comprimido em suas mãos.
Mackenzie olhou para ele, um sorriso cansado surgindo em seu rosto, agradecida pela gentileza. Ela pegou a água e o remédio, tentando se manter o mais imóvel possível.
- Obrigada... — disse ainda rouca. — Eu acho que não vou me recuperar dessa.
Ele se sentou na beira da cama, observando-a com um olhar atento.
- Você vai ficar bem! — ele a observou por um momento, antes de adicionar. — Você realmente é péssima com bebidas!
Ela riu baixinho, sem ânimo para responder mais do que isso.
Ele sorriu e ficou em silêncio por um momento, deixando-a descansar. No fundo, ele sabia que a noite tinha sido mais do que apenas uma diversão, ela estava começando a se abrir mais, mesmo que fosse lentamente. O cuidado com ela naquela manhã era uma maneira de lhe mostrar que ele estava ali para ela, mas sem exigir nada. Até porque ele mesmo não tinha muito o que retribuir.
Enquanto ela voltava a dormir, ele ficou por perto, não dizendo nada, mas com uma presença reconfortante. A gata, por sua vez, fez uma visita silenciosa, subindo na cama e se acomodando ao lado de Mackenzie. O som suave de suas ronronadas parecia ajudar a aliviar a tensão, e, por um breve momento, Mackenzie se sentiu um pouco mais tranquila, sabendo que ela não estava sozinha naquele momento, ela apenas se deixou levar.
Ela acordou no meio da tarde, com a luz suave entrando pelas janelas, Lewis preparou um prato simples, para Mackenzie. Sabia que a comida certa podia ser a cura para uma ressaca, e ele queria que ela se sentisse melhor. Quando colocou o prato na mesa, ela saiu do quarto e olhou para ele com uma expressão grata, como se estivesse maravilhada com a dedicação.
- Bem na hora!
- Eu... eu não sei como agradecer. Isso deve ser o paraíso! — Mackenzie sorriu, ainda com a cabeça um pouco pesada, mas aliviada pela comida quente que Lewis havia feito.
Ele se sentou à mesa com ela, com uma expressão descontraída. Ele não tinha a intenção de ser excessivamente cuidadoso, mas algo sobre aquele momento o fazia querer fazer mais por ela. Ele não dizia nada, mas sua presença era um tipo de conforto silencioso.
- Agradeça por ser sábado e não ter que ir trabalhar. Porque, trabalhar de ressaca da bebedeira só perde para a ressaca de sono depois dos vinte e cinco anos. — Lewis brincou, tentando quebrar a tensão do momento.
Ela riu, um som suave e cansado, mas que transmitia a sensação de estar começando a se recuperar.
- Verdade, sou grata por não ter compromisso hoje... Eu realmente não sei como seria encarar o trabalho com essa dor de cabeça. — Ela levou a colher à boca, sentindo o sabor reconfortante da sopa. — E você, foi um anjo, a sopa está ótima. Ressaca é péssimo!
Lewis sorriu, fazendo uma careta ao lembrar das vezes em que ele mesmo já tinha enfrentado uma ressaca.
- Eu já vi muitas, acredite. Por isso, resolvi cozinhar algo que ajude. — Ele se acomodou na cadeira, observando-a comer.
Comeram em silêncio, como sempre, o conforto de estar um com o outro era o melhor remédio. Mackenzie sorriu de volta, com um olhar mais suave agora, como se tivesse se permitido um momento de vulnerabilidade que não costumava mostrar.
Lewis, feliz por vê-la um pouco mais animada, ficou por perto enquanto ela terminava de comer. Havia algo nas pequenas coisas que fazia por ela que sentia que, de alguma forma, os aproximava mais. Talvez fosse o cuidado nos gestos simples ou o fato de, mesmo na ressaca, ela estivesse disposta a rir e conversar.
A semana passou e o ocorrido da bebedeira ficou esquecido. E os dois voltaram para sua amada rotina. Os dias estavam esfriando e a estação estava mudando.
No fim do dia, Lewis parou na porta do apartamento de Mackenzie segurando a gata nos braços. Ele parecia um pouco inquieto, como se estivesse hesitante.
- Eu preciso sair amanhã — ele disse, ajeitando a gata nos braços. — Tem como você ficar com ela por um dia?
Mackenzie piscou algumas vezes antes de responder.
- Claro, sem problemas. Posso trabalhar de home office amanhã, então posso ficar de olho nela.
Lewis relaxou um pouco com a resposta, mas ainda parecia um pouco distraído.
- Obrigado. Ela já se acostumou a ficar comigo, mas qualquer cisa, me avise.
Mackenzie pegou a gata com cuidado, sentindo-a se aninhar contra seu peito.
- Pode deixar. Vai tranquilo.
Ele assentiu, hesitou por um instante e depois sorriu de leve.
- Então... te vejo amanhã à noite.
No dia seguinte, Mackenzie organizou sua mesa de trabalho na sala, com a gata dormindo tranquila ao lado do teclado. O dia foi calmo, com poucas reuniões e um fluxo constante de trabalho. De vez em quando, ela olhava para a gata e sorria ao vê-la se aconchegar em diferentes lugares do apartamento. Parecia estar sentindo falta de Lewis.
No fim do expediente Mackenzie foi ao mercado e descobriu que o elevador estava em manutenção, na volta ela subiu os degraus para seu andar com as compras com dificuldade quando avistou uma figura parada em frente à porta do apartamento de Lewis.
Lym estava ali, os braços cruzados e a expressão abatida, como se estivesse esperando há um tempo.
- Oi, Lym. — Mackenzie chamou, diminuindo o passo.
Lym se virou ao ouvir a voz dela e tentou disfarçar o cansaço e a tristeza em seu rosto.
- Oi, Mackenzie. Você sabe se o Lewis está em casa?
Mackenzie olhou para a porta fechada e balançou a cabeça.
- Acho que não. Ele me pediu pra cuidar da gata hoje porque tinha um compromisso, disse que voltava a noite apenas.
Lym suspirou, parecendo desapontada.
- Ah... tudo bem. Eu só... precisava conversar com ele. — ela disse. — Eu deveria ter ligado...
Mackenzie notou o tom abatido e, sem pensar muito, fez um convite espontâneo.
- Quer entrar? Eu posso fazer um chá.
Lym hesitou por um instante, mas depois assentiu.
- Obrigada. Vou aceitar.
As duas entraram no apartamento de Mackenzie, e a gata logo apareceu, se espreguiçando antes de se aninhar novamente no sofá. Enquanto Mackenzie preparava a água, Lym se sentou na mesa, parecendo distante.
- Você quer falar sobre isso? — Mackenzie perguntou, pegando duas xícaras.
Lym olhou para ela, como se ponderasse a pergunta.
- Acho que sim. Mas é meio complicado.
- Se quiser só reclamar da vida, também serve. — Mackenzie brincou suavemente, tentando aliviar a tensão.
Lym sorriu de leve, mas logo seu olhar se tornou sombrio novamente. Algo a estava atormentando.
- Sabe aquele tipo de dia que parece que te joga para trás em tudo que você conquistou? Como se todo esforço que você fez para seguir em frente não valesse nada?
Mackenzie a observou atentamente.
- Sim, eu entendo.
Lym mordeu o lábio inferior antes de continuar.
- Hoje foi um desses dias. Algumas coisas do passado voltaram para me assombrar, e eu só queria... — ela suspirou, passando a mão pelo rosto. — Queria falar com Lewis porque ele me entende.
Mackenzie colocou o chá na frente dela e sentou-se do outro lado da mesa.
- Talvez eu não entenda tão bem quanto ele, mas se quiser desabafar, estou aqui.
Lym ficou em silêncio por um momento, segurando a xícara como se buscasse conforto no calor da bebida.
- Eu perdi alguém muito importante para mim. Há alguns anos. E por mais que o tempo passe, às vezes parece que a dor volta com tudo.
Mackenzie sentiu um aperto no peito.
- Eu entendo isso mais do que gostaria.
Lym a olhou nos olhos, como se percebesse algo não dito ali.
- Você também perdeu alguém, não é?
Mackenzie desviou o olhar por um segundo, mexendo na alça da xícara. A culpa vindo em ondas.
- Sim. E às vezes, o passado pesa mais do que deveria.
Lym assentiu, como se finalmente sentisse que estava diante de alguém que poderia compreendê-la.
- Obrigada por me ouvir, Mackenzie.
- Sempre que precisar.
As duas ficaram ali, em silêncio, tomando chá e compartilhando uma dor que, de alguma forma, as conectava sem dizer qualquer palavra.
Lym parou enquanto segurava a xícara de chá entre as mãos, olhando para o líquido como se tentasse encontrar respostas ali. Mackenzie percebeu a hesitação em seu rosto antes que ela soltasse um suspiro profundo.
- Eu estou grávida. — Lym disse, quase num sussurro.
Mackenzie piscou algumas vezes, processando a informação.
- Uau… isso é… bom?
Lym soltou uma risada curta e amarga.
- Eu não sei. Eu deveria estar feliz, não é? Mas… — ela respirou fundo, fechando os olhos por um instante antes de encará-la novamente. — Ainda me sinto culpada pelo que aconteceu com o Sean.
Mackenzie sentiu um aperto no peito ao ver a dor no olhar de Lym. Ela não conhecia a história completa, mas era evidente que a perda de Sean a assombrava.
- Lym… — Mackenzie começou, escolhendo as palavras com cuidado. — Você não precisa ter todas as respostas agora. Mas o que aconteceu antes… não significa que a mesma coisa vai acontecer de novo.
Lym desviou o olhar, apertando os dedos ao redor da xícara.
- Eu sei. Pelo menos, é o que tento me dizer. Mas a verdade é que estou apavorada. Tenho medo de não ser uma boa mãe. Tenho medo de… não conseguir protegê-lo como aconteceu com Sean.
Mackenzie se inclinou um pouco na mesa, tentando transmitir alguma segurança.
- Você não está sozinha nisso. Você tem o Lewis, tem seu marido, tem pessoas que se preocupam com você. E talvez… talvez você só precise de tempo para aceitar isso.
Lym mordeu o lábio inferior, claramente lutando contra as emoções.
- Eu não contei para ninguém ainda. Nem para o pai do bebê.
Mackenzie arqueou levemente as sobrancelhas.
- Você acha que ele não vai reagir bem?
- Eu... Eu não sei. Ele é… complicado. Mas acho que antes mesmo de contar para ele, eu precisava entender o que estou sentindo.
Mackenzie assentiu, compreendendo.
- Bom, então você pode começar por aí. Dar um tempo para si mesma. Ninguém pode te apressar nisso.
Lym olhou para Mackenzie por um longo momento antes de esboçar um sorriso fraco.
- Obrigada por me ouvir. Eu não esperava contar isso para alguém hoje, mas… foi bom falar sobre isso com você!
Mackenzie sorriu de volta, tentando transmitir apoio.
- Sempre que precisar, estou por aqui.
A sala ficou em silêncio por alguns instantes, apenas o som baixo da gata se mexendo no sofá preenchia o espaço. Mackenzie não sabia o peso exato da dor que Lym carregava, mas sentia que, de alguma forma, aquela conversa tinha sido um pequeno alívio para ela.
Lym olhava para o celular vibrando sobre a mesa, o nome "Harry" brilhando na tela. Seus dedos tremiam levemente, mas ela não fazia menção de atender.
Mackenzie observava a cena em silêncio, percebendo o conflito interno estampado no rosto da mulher à sua frente. Lym parecia prestes a chorar, e Mackenzie sentiu uma ponta de preocupação.
- Você não vai atender? — ela perguntou com cautela.
Lym desviou o olhar, cruzando os braços.
- Não quero falar com ele agora.
Mackenzie pegou o próprio celular e abriu a conversa com Lewis.
Mackenzie: Lym está aqui e não parece bem. Você pode vir?
A mensagem ficou com um único tique, indicando que ele ainda não a tinha recebido. Mackenzie suspirou e voltou a olhar para Lym, que agora encarava a gata aninhada no sofá, como se buscasse conforto.
- Lym, eu entendo que você esteja confusa e assustada — Mackenzie disse. — Mas você precisa contar para ele.
Lym riu sem humor.
- Contar o quê? "Oi, Harry, estou grávida de novo, mas ainda sou uma bagunça emocional e não sei o quero ter esse bebê"?
- Sim. — Mackenzie respondeu sem hesitação. — Se você ainda está lidando com o passado, ele precisa saber disso. Ele é seu marido, Lym. Você não pode carregar isso sozinha. Ele também é parte disso.
Lym mordeu o lábio, hesitante. O telefone vibrou novamente, e dessa vez ela segurou o aparelho nas mãos, encarando o nome na tela.
- E se ele não entender? — sua voz saiu baixa, vulnerável.
Mackenzie sorriu com gentileza.
- Você só vai saber se tentar.
Lym fechou os olhos por um momento, respirou fundo e, finalmente, atendeu.
- Harry… — sua voz saiu por um fio. — Eu preciso falar com você.
Mackenzie se afastou discretamente para dar privacidade à conversa. Lym falou pouco, mas quando desligou, seus olhos estavam brilhando, cheios de emoções conflitantes.
- Ele está vindo me buscar.
Mackenzie assentiu, dando um pequeno sorriso.
- Vai ficar tudo bem.
Pouco depois, a campainha tocou. Lym se levantou devagar, respirou fundo mais uma vez enquanto Mackenzie foi até a porta. Ela observou Lym mas uma vez, quando ela abriu e encontrou Harry do outro lado. Ele parecia preocupado, os olhos varrendo o lugar em busca do rosto de sua esposa, procurando respostas. Mackenzie deu passagem a ele.
Lym hesitou por um instante, mas então deu um passo à frente e o abraçou.
- Vamos para casa. — Harry disse baixinho, segurando-a.
Mackenzie observou a cena e sorriu. Talvez Lym ainda tivesse um longo caminho pela frente, mas pelo menos agora ela não precisaria percorrê-lo sozinha.
Já era tarde da noite quando ela recebeu uma mensagem de Lewis.
Lewis: Já estou voltando. Lym ainda está aí?
Mackenzie: Não. Harry passou e a levou para casa!
Lewis: Chego em 20 minutos.
Ela se levantou e foi até a cozinha para preparar um novo chá. Enquanto esperava a água ferver, percebeu que estava ansiosa para vê-lo. Algo sobre o jeito de Lewis estava diferente nos últimos dias, e ela não sabia dizer exatamente o que era.
A noite estava silenciosa no apartamento de Mackenzie. A gata dormia encolhida no sofá, e o único som era o do vento soprando contra a janela entreaberta.
Pouco tempo depois, a campainha tocou. Mackenzie abriu a porta e encontrou Lewis parado ali, ainda vestindo a jaqueta, parecendo exausto, e a cicatriz no rosto dele hoje parecia assustadora.
- Oi. — ele disse, passando a mão pelos cabelos, bagunçando-os um pouco suavizando a expressão fechada. — Como foi o dia?
- Tranquilo. A gata foi uma ótima colega de trabalho. — ela brincou, abrindo espaço para ele entrar.
Lewis olhou ao redor, vendo a gata se espreguiçar no sofá, completamente à vontade.
- Parece que ela gostou da experiência. — ele disse, tirando a jaqueta e pendurando-a no encosto da cadeira.
- E você? Como foi seu dia? — Mackenzie perguntou, servindo o chá para os dois.
Lewis hesitou por um segundo antes de responder.
- Foi... bom. Resolvi umas coisas que precisava.
O tom dele não dava espaço para muitas perguntas, e Mackenzie percebeu que ele não queria entrar em detalhes. Ela decidiu não insistir, mas a curiosidade ficou ali, pairando entre eles.
Ela entregou a xícara de chá para ele e se sentou ao seu lado no sofá. Por um momento, apenas o som da gata ronronando preencheu o ambiente.
- Obrigado por cuidar de Lym — Lewis disse depois de um tempo, olhando para Mackenzie de um jeito que a fez sentir algo estranho no peito. — Eu não estava com cabeça pra lidar com ela.
- De nada. Pode contar comigo quando precisar.
Ele sorriu, e naquele instante, algo passou entre eles, um silêncio carregado de significados que nenhum dos dois parecia pronto para explorar.
Mackenzie observava Lewis, que encarava um ponto fixo no chão, segurando a xícara quase intocada.
Ele não falava, e ela não o pressionava. Sabia que ele precisava de tempo.
Finalmente, ele respirou fundo e quebrou o silêncio.
- Sean tinha seis anos. — sua voz saiu baixa, quase hesitante. — Ele era um garoto esperto, risonho… gostava de música, de correr pela casa fazendo bagunça. — um sorriso triste passou por seus lábios, mas logo desapareceu.
Mackenzie permaneceu quieta, ouvindo.
- Naquela noite, eu estava com ele no quintal. Minha ex-mulher… nós estávamos brigando na época, e ela tinha vindo buscar algumas coisas. — ele apertou alça entre os dedos. — Ela insistiu que podia dirigir. Eu sabia que não podia. Eu tentei impedi-la, tentei pegar as chaves, mas…
Ele fez uma pausa, fechando os olhos por um instante. Mackenzie viu quando sua mandíbula ficou tensa, como se estivesse se forçando a continuar.
- Sean correu para ela na mesma hora em que ela acelerou. Eu… eu tentei puxá-lo, segurar ele… — Sua voz falhou. -Mas foi rápido demais.
Um silêncio pesado preencheu o ambiente. Lewis passou a mão pelo rosto, como se tentasse apagar a lembrança.
- O carro passou por ele. Eu caí no asfalto tentando segurá-lo. — Ele tocou de leve a cicatriz no rosto. — Foi assim que eu me machuquei.
Mackenzie sentiu o peito apertar.
- Sua ex-mulher…?
- Foi detida. Mas isso não trouxe o Sean de volta. — ele soltou um riso amargo, encarando o nada. — Lym diz que foi um acidente. Acho que, no fundo, ela me culpa tanto quanto eu me culpo.
Mackenzie sentiu os olhos arderem. Sem pensar muito, ela se aproximou e o abraçou. Não disse nada. Apenas segurou-o, tentando passar o mesmo conforto que ele lhe dera dias atrás. Por um momento, Lewis não se moveu. Então, lentamente, ele retribuiu o abraço, descansando o rosto contra o ombro dela.
- Eu não queria te contar isso. — sua voz saiu abafada. — Mas estou tão cansado!
- Você não precisa segurar isso sozinho. — Mackenzie sussurrou.
E ali, naquele silêncio Lewis finalmente sentiu que, pela primeira vez em muito tempo, alguém o compreendia. Ele não respondeu de imediato. Apenas fechou os olhos, absorvendo aquele momento. Era estranho ser confortado daquela maneira. Estranho, mas ao mesmo tempo… necessário.
- Você não precisa dizer nada. — ela continuou, sentindo a respiração dele contra seu pescoço. — Só… deixa eu ficar aqui por um tempo.
Lewis assentiu contra ela, sem forças para argumentar. E pela primeira vez em muito tempo, ele permitiu que alguém o segurasse no meio do caos.
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