O Vizinho

4 Capítulo Quatro


Conexão Silenciosa


Quando chegaram à entrada do prédio, ainda debaixo do guarda-chuva, Lewis e Mackenzie se entreolharam por um instante, com um misto de hesitação e conforto compartilhado, ambos entraram no condomínio e seguiram para os elevadores, lembrando que moravam no mesmo andar, Lewis apenas apertou para o andar deles.

Saíram do elevador foram em direção as suas próprias portas. Mas hesitando, ambos virou-se.

- Bom, eu... acho que amanhã a gente se vê para buscar a gata, então — disse Mackenzie, sorrindo timidamente.

- Isso mesmo — respondeu Lewis, tentando esconder o desconforto na voz. — E seria bom trocarmos contatos, caso precisemos combinar alguma coisa.

Ela concordou, e ambos pegaram os celulares, o dele estava todo quebrado. Após trocarem os números, Mackenzie o olhou.

- E a propósito, meu nome é Mackenzie. Acho que a gente nem chegou a se apresentar oficialmente.

Lewis riu, percebendo a ironia. Depois de toda aquela noite corrida e caótica, só agora trocavam seus nomes.

- Prazer em conhecê-la oficialmente, Mackenzie — disse ele, estendendo a mão. — Eu sou Lewis.

Ela apertou sua mão, um toque breve, mas que carregava uma nova familiaridade. Depois de um último olhar e um aceno, Mackenzie entrou em seu apartamento, sentindo-se estranhamente leve. E Lewis, ainda indeciso sobre seus sentimentos, virou-se novamente para a sua porta e entrou em seu próprio lar.

De volta ao apartamento, Mackenzie encostou na mesa, exausta e ainda absorvendo todos os eventos daquela noite. Curiosa, ela abriu o contato salvo e decidiu dar uma olhada no perfil de Lewis. Ao ver a foto, ela não conteve uma risada: um gatinho de cabeça para baixo, com as orelhas caídas e olhos esbugalhados, encarando a câmera de forma desajeitada.

Ela balançou a cabeça, sorrindo. Nunca imaginaria que ele usasse uma foto como aquela. E eu achando que poderia encontrá-lo no grupo do condomínio…, pensou, lembrando das vezes em que navegara pela lista, tentando desvendar quem era ele entre os vizinhos.

Era um detalhe bobo, mas ver o lado descontraído de Lewis ali a fez sorrir ainda mais, ele sempre parecia tão fechado e com um aviso no rosto: não chegue perto. No fundo, aquele gesto pequeno e despretensioso dava-lhe um vislumbre da personalidade dele, e Mackenzie sentiu que, pela primeira vez em muito tempo, talvez tivesse conhecido alguém especial.

Naquela noite, antes de dormir, Mackenzie e Lewis trocaram algumas mensagens, combinando de buscar a gata na manhã seguinte. Ele parecia genuinamente preocupado, tão diferente de quando estavam no Mercado ou na rua. Talvez por mensagem fosse mais dócil, porque pessoalmente ele era um pouco assustador.

Na manhã seguinte, Mackenzie estava terminando de se arrumar quando ouviu uma batida leve na porta. Era Lewis, com um sorriso sonolento e uma sacola cheia de itens. Ela ficou surpresa ao vê-lo já com tudo aquilo nas mãos.

- Bom dia! Achei que seria útil trazer umas coisas para ela — disse ele, mostrando a sacola. — Comida, brinquedos… e uma caminha que achei numa loja aqui perto.

Mackenzie olhou para os itens e depois para Lewis, impressionada. Ele realmente estava levando aquela história toda de guarda compartilhada muito a sério. Ela deu espaço para ele entrar na casa.

O apartamento de ambos eram iguais em questões de estrutura, mas totalmente diferente em termos de decoração. Enquanto o dele era minimalista o dela tinha almofadas vermelhas no sofá e uma manta no encosto, cortinas coloridas na janela, bibelôs no painel da TV e uma estante enorme de livros que ia do teto ao chão. Tudo parecia bem decorado e acolhedor, a luz amarela dava um toque quente a sala. Lewis sentiu vontade de se acomodar no sofá e ver TV. Ele guardou todos os seus pensamentos para si mesmo ignorando o sentimento.

- Uau, você acordou cedo, hein? — ela riu o tirando dos seus pensamentos. — Não imaginei que tivesse tanta experiência com gatos.

Lewis deu de ombros, um pouco envergonhado.

- Ah, eu cresci com alguns. Aprendi uma coisa ou outra com o tempo — ele explicou, tirando um pote de ração especial para gatas grávidas. — E acho que ela merece tudo isso. Foi uma noite difícil para ela.

Mackenzie sorriu, observando-o organizar as coisas com uma familiaridade inesperada. Ele ajeitou a caminha em um canto da sala, colocando a tigela de ração e um pote de água ao lado.

- Obrigada, Lewis. Mesmo — disse ela, tocada pelo gesto. — Eu não saberia por onde começar.

- Estamos nisso juntos, lembra? — respondeu ele prático. — Agora vamos buscá-la.

Eles saíram do apartamento e foram para a rua. No consultório a assistente Ruby sorriu para eles entregando a lista de remédios que dessa vez Mackenzie insistiu em pagar. Ganhando com o argumento que a gata era dos dois.

A volta para casa foi rápida, pois sem chuva, o consultório realmente era muito próximo do apartamento.

Em casa a gata, ainda um pouco sonolenta e tímida após a noite no veterinário, espiava os dois do seu cantinho. Mackenzie sentiu que, com Lewis ao seu lado, as coisas pareciam muito mais simples e acolhedoras.

Enquanto observavam a gata se ajeitar na nova caminha, Mackenzie e Lewis começaram a conversar sobre a logística de cuidar dela. A gata ainda estava se acostumando ao novo ambiente, mas com os dois por perto, parecia relaxar um pouco mais.

- Então, já que ela vai ficar aqui na sua casa... — começou Lewis, pensativo. — Precisamos definir quem vai cuidar dela durante o dia. Você mencionou que vai voltar para o trabalho presencial, certo?

- Sim — Mackenzie assentiu, com uma leve preocupação na voz. — Na próxima semana, eu volto ao escritório no horário comercial. Vai ser complicado deixá-la sozinha, principalmente com a pata quebrada e os filhotes a caminho.

Lewis ponderou, coçando o queixo mostrando a barba por fazer e a cicatriz muito evidente. No entanto, Mackenzie estava se acostumando com o rosto e a personalidade dele. Ele era totalmente evasivo e esquivo, nunca falava sobre si ou qualquer outra coisa. Ela começava a associar ele com o cheiro de tabaco, apesar de nunca tê-lo visto fumar.

- Eu trabalho de casa na maior parte do tempo, — ele não revelou muito de si mesmo. — Então posso dar uma passada aqui na hora do almoço para verificar como ela está, trocar a comida, essas coisas. Ou, se preferir, ela pode ficar na minha casa durante o dia. Eu levo a caminha e as tigelas para lá, e depois a trago de volta à noite.

Mackenzie sorriu, surpresa e agradecida pela flexibilidade dele. Ele parecia mais disposto do que ela esperava em dividir as responsabilidades.

- Isso seria perfeito, na verdade — respondeu ela. — Eu posso cobrir os fins de semana e as noites. Mas, durante o dia, seria ótimo saber que ela está com alguém que realmente sabe cuidar de gatos.

Eles trocaram olhares, ambos aliviados por encontrarem uma solução que parecia funcionar bem para os dois. Para Mackenzie, essa colaboração era nova e confortável. Nunca tinha imaginado que acabaria dividindo uma rotina com alguém de maneira tão orgânica.

- Então, temos uma rotina — concluiu Lewis. — E uma pequena responsabilidade em comum. Acho que estamos prontos para ser uma espécie de “pais” temporários.

Mackenzie riu, um pouco tímida com a comparação, mas satisfeita.

- E logo, logo avôs — ela fez piada.

- Pois é, uma família improvisada.

Nos primeiros dias, Mackenzie ficou com a gata em casa enquanto trabalhava se dedicava em sempre verificar se tinha água e comida. Lewis vinha sempre nos mesmo horário, brincava um pouco e depois saia.

Os dias foram passando e, Mackenzie voltou ao trabalho presencial. Todas as manhãs, Mackenzie a levava para a casa dele, com a gata miando suavemente durante o breve trajeto, como se soubesse que os unia de alguma forma. E todas as tardes, Lewis a trazia de volta até o apartamento de Mackenzie.

- Hoje ela miou mais do que o normal. Quase como se estivesse protestando por sair do apartamento. — Mackenzie explicou certa manhã ao deixar a gata com Lewis. — Ela está se acostumando com a gente, mas odiando a rotina de mudança!

- Vai ver ela está se acostumando com o espaço. Dá para ver que ela já se sente mais segura. — disse Lewis pegando a gata com cuidado. — Mas se quiser eu venho para cuidar dela, se você não se importar, é claro.

- Sim, acho que você pode está certo. Mas, de manhã, ela fica me olhando de um jeito que... quase sinto que estou sendo julgada. — disse ela entregando os brinquedos e a caminha.

- Ela deve achar que estamos meio perdidos. — disse ele com um meio sorriso. — Amanhã mudamos a rotina.

Pontualmente às cinco da tarde Lewis bateu na porta de Mackenzie, ela chegou do trabalho às quatro, e ele sempre cumpria o horário combinado de devolver o bichano. Mackenzie pensou que era prático ter alguém que seguia os horários tão fielmente. Uma pena que estava mudando a rotina deles.

- Hoje ela estava bem mais quieta. Acho que a pata ainda incomoda um pouco. — explicou ele. — Ou está sentindo que estamos mudando sua rotina.

- Ah, é o jeito dela. Às vezes, ela só quer um canto calmo, sabe? Aquele canto perto da janela parece o favorito dela. — apontou ela para a gata que já estava indo para o canto próximo da janela.

- Faz sentido. Ela sempre se aninha perto da minha janela de manhã e fica só observando. — disse ele.

- Acho que ela é um pouco como você, observadora. — apontou ela.

- Talvez sejamos. — disse Lewis surpreso.

Na manhã seguinte, Mackenzie acordou atrasada e com pressa. A gata estava sumida e ela estava estressada por ter perdido o horário, ela se arrumou o mais rápido que pôde, tinha uma reunião na primeira hora da manhã, que beleza acordar atrasada, sem alternativa ela pegou o telefone e sem pensar ligou para Lewis.

- Bom dia! — disse ele sonolento.

- Bom dia, eu te acordei? Estou precisando de ajuda...

- Não, estou acordado e prestes a bater na sua porta! — disse ele e ela ouviu uma risada abafada.

- Ah, vou abrir. — ela desligou o telefone e foi até a porta.

Ele estava parado com um saco de ração nas mãos e a outra o telefone. Ambos riram, mas Mackenzie abriu espaço para ele entrar.

- Estou atrasada, tenho uma reunião e a gata está sumida! — ela pegou a bolsa e uma maleta em cima da mesa. — A senha da porta é 0423 me liga de precisar de alguma coisa, ah já ia me esquecendo... Ela tem consulta marcada para às 11h para tirar o gesso da pata.

Dito isso Mackenzie saiu e deixou Lewis, que ficou parado por um momento, com o saco de ração no meio da sala. Ele, deu um leve suspiro e começou a organizar o que faria em seguida. A gata, claro, estava escondida, provavelmente em algum canto estratégico do apartamento, como fazia todas as manhãs.

- Certo, onde você se meteu agora? — murmurou ele, andando pelo apartamento.

Enquanto procurava, seus pensamentos voltavam para Mackenzie. A maneira como ela sempre parecia um pouco apressada, mas nunca desorganizada. A confiança com que o deixava cuidando da gata e o jeito como ela dizia as coisas, como se soubesse que ele daria conta, que confiava em seu julgamento, quando ele mesmo duvidava.

“0423.” Ele repetiu mentalmente a senha que ela lhe deu, achando graça de como isso já significava um nível de confiança que ele não esperava há algumas semanas.

Finalmente, depois de alguns minutos, ele encontrou a gata enfiada em um espaço apertado atrás do sofá, os olhos brilhando enquanto o observava.

- Aí está você, madame — ele a chamou esticando a mão para puxá-la. — Não adianta se esconder, temos um compromisso importante hoje.

A gata soltou um leve miado de protesto, mas não lutou muito, ela gostava muito dele.

- Você está dando trabalho para sua mãe? — perguntou ele a gata.

Ignorando-o a gata passou entre suas pernas miando e foi até o saco de ração, onde passou seu corpo insistentemente, sabendo exatamente o que tinha ali. Ele abriu o saco e colocou alguns grãos no pote enquanto ela miava e passava entre suas pernas novamente.

- Seja uma gatinha boazinha... — ele conversava com ela. — E não seja birrenta, pois irei te levar ao veterinário daqui a pouco.

A gata soltou um miado manhoso em resposta. Ele já havia alimentado a gata, que agora cochilava tranquilamente no sofá, aproveitando o momento de paz.

Lewis deu uma outra olhada ao redor do apartamento, lembrando-se das palavras de Mackenzie. Ele riu baixo, ela era prática e direta, mas sem deixar de ser gentil. Pegou o telefone novamente, olhou para a tela por um momento e digitou:

Lewis: Gata encontrada e alimentada... Boa sorte na reunião!

Não houve resposta, como ele já esperava. Guardou o celular no bolso da calça e passou a mão pelos cabelos.

- Estou virando um idiota — comentou com a gata, que o observava calmamente. — Sorrindo feito bobo só porque ela confia em mim com você.

A gata miou, e Lewis riu outra vez.

Com o tempo livre e percebendo uma pilha de louça acumulada na pia, Lewis decidiu se ocupar. Sem pensar duas vezes, arregaçou as mangas, ligou a torneira e começou a lavar os pratos. A água e o cheiro do detergente lhe davam uma sensação quase terapêutica. Quando terminou, olhou ao redor, satisfeito com o resultado.

- Está tudo em ordem, chefe? — brincou ele, recebendo um leve miado em resposta.

A gata abriu um dos olhos preguiçosamente, como se estivesse supervisionando o trabalho dele.

Dez horas em ponto, o celular de Lewis vibrou. Ele pegou o aparelho e viu uma mensagem de Mackenzie.

Mackenzie: Correu tudo bem na reunião. Não esqueça que a gata tem consulta hoje às 11h. Pode levá-la, por favor?

Lewis leu a mensagem e suspirou.

- Sim, senhora. Ordem recebida — murmurou para si mesmo com humor enquanto se preparava para sair.

Ele pegou a gata e a colocou na caixa de transporte, no começo ela foi relutante, mas sua força de vontade era maior, certificando-se de que ela estava confortável antes de checar o horário. Ainda faltava algum tempo até a consulta no veterinário.

- Certo, vamos passar no pet shop depois que sairmos do veterinário. Mais um dia sendo a babá de uma pequena rainha.

No consultório, o Dr. Miller o recebeu com seu habitual sorriso tranquilo e logo começou o procedimento de retirada do gesso. A gata, agora acostumada ao veterinário, comportou-se bem, soltando apenas um ou dois miados de leve.

- Tudo certo agora — explicou o Dr. Miller enquanto removia a última camada de gesso.

Lewis escutou atentamente, anotando mentalmente os detalhes enquanto acariciava a gata. Quando saiu, enviou uma mensagem rápida:

Lewis: Missão cumprida. Gata livre do gesso e com novas ordens do Dr. Miller. Vejo você mais tarde.

Ao lado do consultório havia uma lojinha de pet shop. O ambiente era tranquilo, com o som suave de um aquário borbulhando no canto. Ele olhou em volta e seus olhos pousaram em uma prateleira cheia de brinquedos para gatos: ratinhos de pelúcia, bolinhas coloridas e arranhadores pequenos.

Ele se aproximou da prateleira, avaliando as opções.

- Hmm... o que você acha? — murmurou para a gata na casinha de transporte.

Pegou um ratinho de pelúcia com um guizo na cauda e uma bolinha com luzes piscantes. Sorriu enquanto imaginava ela brincando com aquilo, talvez até correndo pelo apartamento de Mackenzie e jogando os brinquedos para debaixo do sofá.

Lewis pagou pelos brinquedos, colocando tudo na caixa de transporte junto com ela.

- Bom, garota, parece que sua vida vai ficar um pouco mais divertida — disse ele enquanto saía da loja e seguia de volta para o apartamento de Mackenzie.

Durante o trajeto, olhou para a caixa e riu sozinho.

- Isso é completamente ridículo. Estou comprando brinquedos para você como se fosse um pai babão.

A gata, não respondeu, mas seu olhar parecia vagamente aprovador.

Ele olhou para a gata, que agora explorava o apartamento com um pouco mais de liberdade, e sorriu. Mesmo com a rotina ocupada, cuidar dela parecia cada vez mais natural. Lewis tirou da sacola os brinquedos e ela apenas os ignorou e preferiu brincar com a sacola.

Já era início da noite quando o celular de Lewis vibrou novamente. Ele estava sentado no sofá do apartamento de Mackenzie, enquanto digitava em seu computador e dividia a sua atenção com a gata, que ele lembrou que ela não tinha um nome. Ela andava pelo tapete, testando sua pata liberta do gesso. Ele pegou o telefone e viu a mensagem de Mackenzie.

Mackenzie: Oi, Lewis. Vou me atrasar um pouco hoje. Não precisa ir embora, tá? Levo comida pra gente. Só espera por mim.

Ele sorriu para a tela, balançando a cabeça.

Lewis: Sem problemas. Eu e a nossa chefe vamos estar aqui. Quer que eu faça alguma coisa enquanto isso?

A resposta veio rápida.

Mackenzie: Não. Se quiser ver um filme fique a vontade. Só não escolhe algo assustador. A gata pode não gostar.

Ele soltou uma risada e olhou para a gata, que o encarava como se soubesse exatamente sobre o que eles estavam falando.

- Certo, nada de filmes de terror! — disse ele, recebendo um miado em resposta.

Ele desligou o seu notebook e o levou de volta ao seu apartamento, chega de trabalho. Tinha sido uma tarde totalmente inspiradora, tinha escrito várias página de seu novo livro que estava esquecido por dias. Nesses raros surtos de criatividade ele tinha que aproveitar. Os prazos logo o engoliria.

Quando voltou pra a casa dela, Lewis colocou um filme leve e relaxante enquanto esperava, dividindo sua atenção entre a gata e o som da chuva fraca lá fora. Estava começando a se dar conta de como aquele ambiente, a gata, o apartamento de Mackenzie, as mensagens dela, tinha se tornado reconfortante para ele. Algo que ele genuinamente apreciava.

Quando a campainha tocou mais tarde, ele levantou para abrir a porta. Mackenzie apareceu, equilibrando duas sacolas de comida e com um sorriso cansado.

- Trouxe pizza para nós dois. Espero que você tenha ficado com fome — disse ela, entrando e deixando as sacolas sobre a mesa.

Lewis deu um passo para o lado para ajudá-la.

- Sempre fico com fome para comida boa — respondeu com um sorriso. — Escolhi um filme também. Nada que assuste a nossa gata aqui.

Mackenzie olhou para a gata, que os observava de sua caminha, e riu. Lewis suspeitou que quem não gostava de filme de terror era Mackenzie.

- Ainda bem. Acho que ela já teve emoção suficiente por um bom tempo. — ela não sabia se era a gata ou ela própria.

Sentados no sofá, Lewis e Mackenzie comiam a pizza enquanto o filme corria no fundo. A gata, confortável na caminha, lambia as patas com sua típica calma felina. Lewis parecia perdido em pensamentos, olhando para a gata.

- Sabe, — começou ele, olhando de soslaio para Mackenzie — Acho que já está mais do que na hora de darmos um nome para ela.

Mackenzie parou no meio de uma mordida, considerando a ideia.

- Um nome? — ela repetiu. — Hum... eu nem tinha pensado nisso. Achei que você fosse o especialista em gatos por aqui.

- E eu achei que você fosse criativa com nomes — retrucou ele, brincando, enquanto mordia sua fatia.

Ela riu e olhou para a gata, que agora os observava com aqueles olhos atentos e brilhantes, parecia estar interessada no que eles estavam dizendo.

- Bom, ela é calma, mas tem um olhar... misterioso, meio hipnotizante. Que tal... Pipoca!

- Você tava indo bem... Depois estragou tudo? — a risada de Lewis escoou por todo o apartamento.

Lewis inclinou a cabeça, pensando.

- Que tal Luna... — ele colocou a mão no queixo.

- Por causa da lua? — ela interrompeu seus pensamentos.

- Acho que combina.

- É, combina — sorriu Mackenzie — Ela tem esse jeitinho enigmático, mas também acolhedor.

Lewis olhou para a gata com um sorriso.

- Então, Luna? O que acha?

A gata respondeu com um miado suave, como se aprovasse a escolha.

- Pronto, Luna está oficialmente batizada — concluiu Mackenzie, satisfeita.

A gata que até então não tinha se interessado pelos brinquedos, agora começou a rolar a bolinha chamando a atenção de Mackenzie.

- Você comprou outro brinquedo para ela? Está mimando demais essa menina. — disse fazendo cara de brava e de novo olhando o brinquedo.

- Eu não resisti. Ela parecia entediada com os outros. — Lewis disse defensivo, mas segurando o riso.

- Bom, já que ela passa o dia todo com você, acho justo. Mas logo vai exigir um spa e um buffet personalizado.

- Vamos ver. Quem sabe ela mereça. — brincou ele, e Mackenzie ficou horrorizada.

Depois que o filme terminou, Mackenzie começou a recolher os pratos e Lewis levantou-se de repente, ajeitando a jaqueta e pegando suas coisas.

- Bom, acho que já está na minha hora. Tenho umas coisas pra resolver em casa — informou ele, tentando soar casual. — Obrigado pela pizza!

Mackenzie piscou, um pouco surpresa com a mudança repentina, mas assentiu.

- Oh, claro — respondeu Mackenzie. — Até amanhã, então?

- Até amanhã — ele respondeu com um meio sorriso, parando por um instante na porta. — Boa noite Luna! Boa noite Mackenzie.

E com isso, ele saiu, deixando Mackenzie com um misto de curiosidade e um leve sorriso nos lábios. Olhou para Luna, que já cochilava tranquila.

- Bom, Luna, parece que somos só nós duas novamente.