O Violinista.
1 O dia em que o conheci.
Notas iniciais
Eu forçadamente me arrumava para um casamento. Digo "forçadamente", pois o casamento pertence a minha mãe. Ela ia se casar com um cara rico chamado Daniel. O mesmo é pai de duas crianças de sete anos, uma menina chamada Skyler e um menino chamado Josh, eles são gêmeos.
Eram 19h30 quando eu finalmente estava pronta. Usava um vestido roxo festivo — ele não era curto — batia um pouco acima do meu joelho. Minha mãe me mataria se percebesse que eu não usava um salto, mas sim, um tênis, embora não importasse, já que ela não perceberia de qualquer forma. Estaria ocupada demais com seus novos filhos e seu novo marido.
Saí de casa sozinha; eu até esperaria a todos, que eram meus tios e primos, mas eles demorariam muito, afinal, a cerimônia só começaria às 21h00 e acabaria pela madrugada, mas eu tinha uma mania estranha de ficar pronta mais cedo sem motivo algum.
Decidi entrar logo no local onde seria a cerimônia, ou seja, na igreja. Lá já havia algumas pessoas, não os convidados, é claro, mas havia alguns instrumentistas. Um homem de cabelos grisalhos, sentado ao piano; uma mulher morena, que praticava seu toque na harpa e um garoto loiro de smoking que parecia ter a minha idade, tocava um violino, tal instrumento em que eu tinha o sonho de aprender a tocar. Sempre adorei o som que ele transmitia, porém, nunca tive a oportunidade de aprender a tocá-lo.
Eu não conhecia aquele loiro, porém, era tentadora a vontade de ir falar com ele. Era muito tentadora, mas resisti. O que alguém pensaria se uma garota maluca como eu chegasse nele e falasse "Pode me dar aulas de violino?".
Ok, ok, talvez eu fosse um pouco mais delicada ao falar como ele, mas este fato não poderia mudar o meu receio para criar um diálogo.
***
Eram as horas se passando e os convidados chegando. Já eram quase 21h00. Neste exato momento, eu encarava o violinista, ele não parecia estar desconfortável ao meu olhar nele, era muito pelo contrário, ele às vezes até desviava a atenção de seu violino para mim, pelo que percebi.
Ficamos apenas nisso até o início da cerimônia, quando minha mãe finalmente chegou.
Os noivos ouviam o homem que estava junto a eles no altar, e no fim, fizeram aquelas típicas promessas que nem sempre são cumpridas. Logo após, acabaram tudo em um beijo, como em qualquer casamento.
Todos os convidados se levantavam. Ou eles iriam voltar para suas devidas casas ou iriam para festa de casamento, pelo menos eu, estava com o plano de voltar para casa, mas não antes de falar com o Violinista, nem que seja para dizer um "oi".
Corri até próximo do altar, que era onde ele estava guardando seu violino.
– Ahn... oi — falei, meio tímida, coisa que certamente eu não era.
– Oi — ele retribuiu, dando um risinho.
– Olha, desculpe-me se estou tomando seu tempo ou se minha pergunta é tão indelicada quanto eu acho que seja, mas... Pode me dar aulas de violino? Desculpa a pergunta, mas é que eu... — iria continuando, mas ele me cortou.
– Tudo bem, seria um prazer — ele pegando de seu bolso uma caneta e um bloco de notas — Meu número é este — falou ele apontando para os números escritos no papel arrancado do bloco de notas.
– Sério? Obrigada mesmo! Quanto você quer pelas aulas?
– Eu não cobro, já dou aulas ao meu irmão menor e já dei aulas para uns amigos. Gosto de ensinar as pessoas. A propósito, meu nome é Austin, Austin Moon.
– Meu nome é Ally, Ally Dawson — disse.
– Então Ally, o que acha de amanhã à tarde em minha ou na sua casa? — ele pergunta. Admito, não era muito recomendável aceitar ir para a casa de desconhecidos, mas como dizem: É pegar ou largar.
– Pode ser na sua casa e às 16h00, o que acha?
– Está ótimo. Bem, agora eu tenho que ir, até amanhã, Alls — ele disse. Eu havia acabado de conhecê-lo e já tinha um apelido?
– Até amanhã, Aus — decidi entrar na história dos apelidos também.
Logo o loiro havia saído. Assim decidi sair também, já não havia mais ninguém na igreja.
Voltei caminhando, até porque, a igreja é bem perto da minha casa. Como suspeitei, ela estava vazia. Nenhum empregado, ninguém da minha família, nem da família do meu padrasto.
Subi até o meu quarto e troquei de roupa para algo confortável, ou seja, um pijama, porque eu não faria nada além de comer e assistir TV no meu quarto. Coloquei num filme aleatório que passava, parecia já estar no fim, mas assisti do mesmo jeito. De alguma forma, o protagonista do filme me lembrava o Austin, talvez pelo jeito do personagem. Só não entendi por que eu lembrei do "Loirinho Violinista".
Em algum momento, o sono se apossou completamente de mim e eu adormeci.
***
Acordei ao meio-dia, nada fora do comum. Depois de todas as minhas higienes matinais feitas, desci e fui até a cozinha. Encontrei a cozinheira já fazendo o almoço; Josh e Skyler desenhando juntos, sentados nos bancos em frente ao balcão que dividia a cozinha da sala de jantar; minha mãe mexendo no seu celular e Daniel resolvendo no Notebook o que era bem provavelmente alguma coisa do trabalho.
Algo que eu detestava era esperar. E neste caso, eu esperava o almoço ficar pronto, pois eu nunca ficava em casa durante o dia inteiro, eu nunca fui muito próxima dessas pessoas que dizem ser "minha família" seria mais simples se eles fossem pessoas que se importassem um pouco mais. Eu antigamente era muito próxima da minha mãe, mas as coisas mudaram assim que ela começou a namorar o Daniel. Tudo que tinha de boas qualidades em minha mãe pareciam ter sido jogadas fora.
Apenas saí de casa. Eu comeria em outro lugar.
Caminhei até a loja de sorvete chamada "Tonny's" que tinha inaugurado poucos dias atrás. E bem, para minha surpresa: O atendente era Austin, o violinista.
O mesmo abriu um sorriso assim que me viu. Ele usava o uniforme da loja. E tenho que admitir: ele ficava sexy naquele uniforme. Comecei a ficar mais ansiosa por aquelas aulas, e não era porque eu queria aprender a tocar violino...
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