O Vingador Infernal

4 O Rei e um estranho vestido de bobo da corte


Notas iniciais
O Nyah desformatou e bagunçou meu texto como sempre mas beleza. Boa leitura!

— Quer que acreditemos que um estranho vestido de bobo da corte o levou até lá? – O oriental perguntou, ansioso já na forma humana.

— Eu estou ferido, isso não é a prova? – Respondi com outra pergunta, sendo óbvio, deitado na maca da enfermaria sem camisa e com o sangue escorrendo do corte no peito.

— Nós não vimos ninguém, Gary. – Bento afirmou agora.

Agora só eu vi o Coringa. Eu estava enlouquecendo.

— O que estão querendo dizer? Que eu fiz isso comigo? – Um silêncio reinou. — Eu estava desarmado.

— Eu não entendo, esses ferimentos não estão se curando, nem com as ervas mágicas que eu tenho. O que disse mesmo que o cortou? – Marta disse ao meu lado, enquanto manuseava ataduras em meu corpo.

— Uma faca. O Coringa fez isso.

— Olha, se tentou fugir, pode admitir. Mas se não quiser ficar, terá que manter segredo. – Jinrei falou.

— Eu já disse, eu só o segui. Ele sabia o meu nome, e também fez alguma coisa para mim correr bem mais rápido. Eu não tenho para onde ir, então eu quero ficar.

*

— Acorde! – Um grito ecoou na minha cabeça.

Eu estava na cama, deitado no meu quarto provisório do clube de luta.

— Acorda, Gary! – A voz fazia a minha dor de cabeça despertar, e arrancava gemidos de mim.

— Quem falou isso? – Perguntei.

— A voz na sua cabeça. Não quer descobrir mais sobre seus amigos? Aquele centauro e o sereio. Será que são mesmo verdadeiros ou são falsianes? – Quanto mais a voz maldosa se pronunciava, mais a enxaqueca se expandia.

— O que?

— Se concentre, garoto. Use sua mente para aumentar sua audição. Faça ela alcançar um nível maior. Quero que escute a conversa do asiático com o aliado dele.

— Como eu poderia fazer isso? – Fiz a pergunta.

— Relaxe e deixe seus pensamentos vazios. Pense apenas nos seus ouvidos. Ou melhor, pense com eles.

Fiz o que a voz pediu.

No começo, não funcionou. Mas depois, alguma coisa mudou. Como eu escutaria uma conversa só usando a minha mente?

— A dor de cabeça que está sentindo sumirá quando aprender a controlar. – O som continuou discursando no meu cérebro.

“ Já sabemos o que ele é. Está bem óbvio. Nós dois sabemos. ” A voz de bento ecoou na minha mente, e um diálogo começou.

“ Não temos certeza. ”

“ Ele tem tatuagens de cães nos dois braços, duas cabeças desenhadas, ele tem super força, escuta vozes, vê coisas. ” Bento argumentou para Jinrei.

“Ainda é cedo para dizer. ” Minha cabeça esquentava conforme o tempo escutando as vozes dele passava, como um processador de um computador, parecia que iria explodir.

“Um cão infernal, Jinrei. Um Cérbero. ”

“Nunca conhecemos um antes. ”

“Não significa que não existe. ”

Um cão do inferno?

Então é isso o que eu sou?

Isso explicaria o que o Coringa tinha me dito.

— Como eu vou saber se essa conversa não é apenas mais um truque seu?

— Pergunte a eles e saberá a verdade. – Respondeu a voz.

E foi o que fiz.

*

— É verdade então? Sou um cão infernal? – Perguntei a Jinrei e Bento no outro dia, depois de pensar sobre isso por uma noite inteira.

— Não temos certeza. – Jinrei respondeu.

— Se sabiam, por que não me contaram?

— Íamos te contar. Como soube que sabíamos? – Bento questionou.

— Não interessa. Eu preciso saber mais. O que é ser um cão infernal? Como me tornei um?

— Cérbero é um personagem da mitologia grega, era um monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo inferior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. – O rapaz branco explicou. – Você é o primeiro que conhecemos, as suas tatuagens de cabeça de cachorro provam isso, além da sua superforça e visões.

— Ainda não sabemos se precisa sair do inferno para ser um cão infernal, e nem porque você ainda assume a forma humana, mas estamos pesquisando. – O asiático afirmou, de pé no centro de seu escritório.

Uma figura masculina surgiu no salão da Academia, um homem alto de cabelos compridos e barba feita, não parecendo apenas pelos faciais, mas sim parte do rosto em tons claros que eu consegui identificar, ele era loiro, como se fosse uma pintura todas as cores nele tinham vida e nenhuma era em escala de cinza.

Uma coroa coberta de joias adornava sua cabeça, brilhando a cada movimento conforme andava, e sua roupa era da realeza, não uma fantasia boba como a do Coringa, porem a de alguém importante. Falando no Coringa, ele seguia os passos do outro, o acompanhando na caminhada em minha direção.

— Olá, Gary, eu sou o Rei.

— Olhe para o rosto de Bento, Gary, ele mente. Ele ainda duvida que você não sabia ele acha que está mentindo sobre ser um cão infernal, ele duvida que isso é novidade para você. – Disse o Coringa, sorrindo com maldade.

— Eu posso imaginar o que o oriental pensa, ele o acha perigoso. – O Rei pronunciou em seguida.

— Eu não pedi por nada disso. – Revelei. “E gostaria de saber por que fui escolhido. ” Pensei.

— Queremos te levar a um lugar. – Bento avisou, me levando de novo até o local da arena de lutas.

No final do corredor, tinha uma extensa grade que fazia o lugar parecer uma prisão, mas era mais como uma jaula. Um auditório com muitos assentos em volta daquela gaiola.

Os bandidos que tinham me agredido ainda estavam sendo mantidos ali.

Estavam algemados; um era o mais alto e forte, o que fora chamado de Golias, e o outro mais velho e baixo, magro e feio.

Do outro lado da cela, a dupla me lançou a pergunta:

— Precisamos de uma resposta definitiva sobre o que fazer com esses dois. – O garoto crespo soou. – Não podemos gastar comida com eles para sempre.

Primeiro pensei que estava blefando.

— Leve-os a polícia. – Respondi.

— A justiça o soltaria sem provas para incriminar. Não temos tempo, os dois são perigosos. – O oriental completou.

Agora estava passando pela minha cabeça que os dois eram agentes do Coringa e do Rei, que por acaso estavam presentes entre nós, mesmo quietos.

— Essa é a sua nova chance, Gary. O seu novo teste. Você precisa se vingar deles. – O bobo da corte foi o primeiro a se pronunciar.

As vozes na minha cabeça estavam caladas, mas a dolorida enxaqueca não.

— Prove que está do nosso lado e tudo mudará, sua vida será melhor. Pela primeira vez será parte de alguma coisa. Será adotado finalmente, nós seremos sua nova família. – O Rei discursou, revelando que sabia muito mais sobre mim.

A expressão no rosto dos dois meliantes que me agrediram naquela noite entregava que não eram mais os valentões de antes, e sim animais assustados.

— Não! – Gritei. — Eu não vou fazer isso, nunca...e não me peçam de novo! – Ao exclamar isso, minhas tatuagens brilharam e minha voz ecoou na arena, engrossando mais do que o habitual.

— Por favor, me deixe viver, eu nunca mais cometo um crime, eu volto para a casa da minha mãe. – O tal Golias desesperado implorou.

— Me deixe ir! – O amigo dele já estava chorando.

— O destino deles é a morte. Mesmo que não tenha sido você que o matou. – Jinrei afirmou.

— Você fez a escolha errada, Gary. – O Rei avisou.

— E a nossa paciência com isso está acabando. – O Coringa advertiu.

Notas finais
Comentem por favor e favoritem, se puderem, obrigado pelos acompanhamentos, digam o que acharam, até o próximo capitulo!