Annabelle sempre fora uma menina muito bonita, que se destacava entre as demais. Tinha o cabelo até a cintura, preto e liso, olhos grandes e azuis, cílios compridos, lábios que pareciam desenhados e nariz empinado. Ela era pálida (talvez por causa da anemia que ela havia adquirido aos 12 anos, e que não conseguiu curar), compacta e vez ou outra esboçava um sorriso. Nunca fora do tipo popular, aliás, nunca teve nenhum amigo. E seus pais sempre estiveram muito ocupados pra perceber a infelicidade da filha.

Seus braços e pernas sempre eram repletos de cortes de navalha feitos por ela mesma.

Annabelle gostava de usar o vestido branco que sua mãe havia lhe dado apenas em ocasiões especiais, portanto o escolheu com carinho para aquela noite.

Vestiu-o, hesitando. Uma lágrima escorreu por seu rosto.

Trancou-se no banheiro e ficou em pé, parada, observando com repulsa seu reflexo no espelho. Pegou a navalha e fez cortes em seus pulsos.

"Já é tarde demais..." ela balbuciava repetidamente.

Pegou uma faca – a qual seu pai costumava usar para cortar carne – e pressionou contra o próprio pescoço com força e rapidez. Caiu no chão.

O vestido de Annabelle agora encontrava-se encharcado de sangue da própria.

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