O Verdadeiro Valor
1 O verdadeiro valor
Ele segurava as mãos frias dela.
- Eu só queria te pedir perdão. – ele disse a ela. – Por todas as vezes que te disse não.
** FlashBack **
- Você tem um minuto? – ela perguntou entrando na sala.
- Eu estava de saída. – ele disse se levantando.
- É, o horário diz que você está de folga esta noite. – ela disse.
- Estou. – ele confirmou.
- Eu também. – ela sorriu.
- Você devia estar de licença. – disse mostrando preocupação.
- Eu estou bem! – disse feliz por ele mostrar preocupação.
- Você teve sorte, e eu não estou falando da explosão! – ele deu seu corte.
- Você... hã... Falou com o Brass? – ela perguntou.
- E com Nick. – ele informou.
- Nós pegamos o cara... – Grissom se dirigiu a porta para sair.
- Isso é tudo o que você tem pra me dizer? – perguntou a ela.
- Você gostaria de sair para jantar comigo? – disse com um sorriso irresistível.
- Não... – ele disse tentando ser forte e resistir a tentação de sair com aquela que dominava seu coração.
- Por que não? Vamos jantar... Pra ver o que acontece?
- Sara... – suspira. -... Eu não sei o que fazer a respeito disso... – diz apontando para eles.
- Mas eu sei!- eles se olham. – E talvez quando você souber, já seja tarde demais... – disse isso e saiu deixando Grissom para trás.
** Fim do FlashBack **
- Eu tentei ser forte naquele momento! Tentei com todas as minhas forças não sair correndo atrás de você quando você virou as costas e saiu da sala. – ele dizia a ela ainda segurando suas mãos frias.
** FlashBack **
- Sabe quando você diz que nós somos a ultima voz da vitima? Eu acho que nosso trabalho é falar por Kaye Shelton. – ela falava do caso da moça que fora morta pelo marido, enrolada num cobertor e jogada nas montanhas.
- Não se aperta a evidencia para encaixá-la em uma teoria. – disse em tom enigmático.
- E se você ouve os gritos da vitima? No carro, no mercado... – ela disse parecendo perturbada.
- Você tem empatia por ela, Sara. Você quer que alguém pelo o que foi feito a ela. Isso é normal.
Sara concorda com a cabeça e o silêncio toma conta da sala.
- Você quer dormir comigo? – ela perguntou como quem pergunta ‘que horas são?’.
- Você falou o que eu acho que ouvi? – ele perguntou surpreso tirando os óculos.
- Assim quando eu acordar suando frio embaixo do cobertor, ouvindo os gritos de Kaye, você pode me dizer que não é nada! Que é só empatia... – disse como se fosse normal perguntar a alguém se queria dormir com ela.
** Fim do FlashBack **
- Eu... Você... Você não imagina como eu quis te abraçar naquele momento. Era um momento triste, eu sei. Mas você sempre, em qualquer momento, conseguia me perguntar se eu te queria. Era uma de suas grandes qualidades...
- Grissom! – Catherine o chamou. – Eles têm que levá-la agora.
- Eu não vou deixá-la Catherine! Não vou deixá-la sem dizer o que eu devia ter dito a ela em vida.
- Só mais cinco minutos Grissom! – Catherine disse e foi se juntar aos rapazes.
- Olha Sara... Eu te amo! – ele olhava para ela ali deitada, imóvel e fria. – Eu devia ter te dito isso antes! Assim você sofreria menos... Poderíamos ter aproveitado mais. Eu só queria tê-la em meus braços agora... Quente, ofegante e... Viva! – suspirou em meio às lágrimas que constantemente caiam.
- Grissom! – Catherine o chamou de volta.
- Tudo bem Catherine... – ele disse.
Grissom beijou a face fria de Sara.
- Agora eu sei Sara. Agora eu sei que só damos valor depois que perdemos... – chorava. – Talvez seja necessário perdemos alguém que amamos para percebermos o quanto precisamos dessa pessoa. Infelizmente só com o sentimento de falta é que percebemos como as pessoas são importantes para nós... – essas foram suas ultimas palavras a ela.
Logo seguiram para o cemitério, e com a cova já aberta o caixão foi depositado lá dentro.
O céu estava nublado e uma chuva fina caia. Era assim que Grissom se sentia triste como se sua vida acabasse aos poucos, como a chuva fina e insistente que teimava em cair.
Grissom se ajoelhou ao lado da cova. Encheu suas mãos de terra e jogou sobre o caixão que ainda não recebera terra.
- Eu te amo Sara! E sempre te amarei... – e se levantou enquanto Catherine, Greg, Nick, Warrick, Brass, Robbins, Archie e Sophia repetiam o gesto de seu supervisor. Enchiam suas mãos de terra e jogavam sobre o caixão enquanto diziam a amiga suas palavras de adeus.
Ele sabia que não era o fim. Um dia a encontraria de novo, mas enquanto este dia não chegava ele a levava em sua memória. Tratava os outros assim como tratava Sara.
Não era o fim era apenas um recomeço sem a presença física de alguém importante. Sem a presença física, porque ele sabia que ela olhava por eles.
FIM
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