O Verão que Você me Deu
2 Segundo Sol
Notas iniciais
14 de julho de 2016
Um suspiro escapou de seus lábios em puro tédio. Era seu sétimo dia ali no país do Sol nascente e nada de interessante havia feito até agora.
Estava hospedada na casa da irmã de sua mãe, Kagawa Harumi, a adorada tia Mi. Ela e seu marido eram seus responsáveis ali, mas a deixavam o dia inteiro sozinha, pois tinham que trabalhar, ou seja, a casa ficava apenas para ela. Então Sakura acordava, comia algo, se jogava de qualquer jeito no sofá e assim permanecia até se cansar e ir buscar algo para ler ou ouvir. Às vezes, ligava para os pais pelo Skype para amenizar a falta que eles faziam, devia ser por isso que tinha a impressão de que havia trocado seis por meia dúzia, afinal, em sua casa no Brasil ficava sem fazer nada e sozinha, ela apenas trocou de país e ambiente.
Apenas a noite, ela tinha companhia do casal, ao jantarem juntos enquanto a perguntavam se já havia ido se aventurar por Tóquio. Prontamente, ela respondia que não, pois se sentia insegura em andar sozinha, seja a pé, de trem ou de ônibus. Porém, estava decidida a superar o medo e andar pelo bairro naquela tarde, já estava cheia de ficar entediada dentro de casa.
Desligou o seu I-pod e no mesmo instante sua barriga roncou, pedindo pelo almoço daquela quinta-feira. Levantou-se do sofá e andou em direção da cozinha a passos lentos, imaginando o que teria para matar sua fome.
...
Escolheu um short jeans e uma blusa amarela de alças finas, para poder suportar a temperatura do verão japonês, que diferente do calor que estava acostumada, a sensação era de estar abafado. Agora, fazia sentido a quantidade de avisos e orientações que os canais de comunicações realizavam, para que todos tomassem cuidado com a insolação.
Veio ao Japão para se divertir e era exatamente o que faria agora. Colocou em sua bolsa seu celular temporário, sua carteira, protetor solar e uma toalha de mão. Em seguida desceu as escadas e trancou a porta apressadamente.
Naquele horário, jovens de sua idade estariam na escola, então para os japoneses seria estranho vê-la andando pelas ruas de Tóquio despreocupadamente. Ela seria facilmente vista como uma criança naturalmente japonesa entre os cidadãos, pelos traços orientes em sua feição, e por isso não se surpreendeu quando um guarda se aproximou dela olhando-a significativamente.
— Mocinha, não deveria estar na escola? Seus pais sabem que você está matando aula? O que planeja fazer? – Disparou uma pergunta atrás da outra, analisando-a dos pés à cabeça.
— Desculpe seu guarda, mas eu estou de férias aqui no Japão. – Encolheu os ombros enquanto o respondia e, ao mesmo tempo, pegava seu passaporte dentro da bolsa.
Estendeu o pequeno caderno azul na direção do guarda, que o pegou desconfiado.
— Vim do Brasil visitar minha tia que mora aqui. Sou apenas descendente. – Explicou em seu japonês fluente.
— Desculpe pelo incomodo mocinha. – Devolveu o passaporte.
— Sem problemas, você só estava fazendo seu trabalho. – Respondeu com um pequeno sorriso. – Com licença. – Abaixou a fronte e saiu dali indo em direção à estação de trem com um receio crescendo dentro de si.
Diferente da cidade onde mora no Brasil, onde conhece tudo como a palma de sua mão, era a primeira vez que saia da casa da tia para conhecer o lugar onde passaria suas férias do meio do ano e, ao perceber que não sabia nem qual trem pegar para ir ao centro, um medo começou a crescer dentro de si.
Tia Mi, me ajuda! – gritou em pensamento enquanto encarava o painel de compras de passagens sem saber em que opção encostar o dedo.
— Você parece perdida, posso ajudar em algo? – Seus ouvidos captaram a voz masculina atrás de si, e levemente envergonhada, virou sobre os calcanhares se deparando com um sorriso alegre.
— Não sei como comprar uma passagem para ir ao centro. – Falou em voz baixa.
— Para uma japonesa até que você é estranha. – E ele não estava se referindo ao cabelo rosa da Haruno. – Mas olhe, é bem simples. Se você quer ir ao centro, é só pegar essa linha e parar nesta estação. – Explicou passando o dedo sobre a linha que ela faria. – Que tal irmos juntos? Estou indo para lá também. – A convidou com um sorriso estendendo o pedaço de papel que a levaria para uma tarde de aventuras.
— Se não for atrapalhá-lo.
— Que nada, será legal ajudar uma garota do interior.
Sakura desviou seu olhar para o rapaz a sua frente, pronta para explicar que ela era de outro país, mas quando seus olhos viram os riscos nas bochechas e o cabelo loiro espetado para cima, algo dentro de si se agitou em animação.
— Então tá’. Mas eu não sou do interior, vim passar uma temporada em Tóquio Naruto. – Contrapôs com um sorriso.
Os olhos azuis, que ela pôde finalmente ver que são brilhantes, se arregalaram em pura surpresa, como aquela garota baixinha e de cabelo rosa, que era muito familiar, sabia o seu nome?
— Não faça essa cara U-zu-ma-ki-kun! – Soletrou o sobrenome do rapaz em um tom brincalhão, fazendo com que uma expressão de entendimento tomasse conta do rosto masculino.
—Não acredito que você realmente está aqui Sakura-chan! – Os olhos azuis estavam arregalados. — Eu pensei que o teme estava zoando quando disse que você viria para cá. – A ficha finalmente havia caído para Naruto que a encarava surpreso. – Cara, eu não estou acreditando! – Exclamou a pegando pelos ombros. – A menina que assistia nossos ensaios pelo Skype está aqui em carne e osso.
Sakura baixou a cabeça tentando se esconder dos olhares das pessoas que caminhavam pela estação, pois a voz elevada de Naruto, em pura alegria, despertava a atenção dos outros presentes.
— Dentro do trem a gente conversa, Naruto, você está chamando muita atenção. – Murmurou só para ele ouvir.
— Desculpa Sakura-chan. – E ganhou um leve acenar de cabeça. – O nosso trem chegou, vamos lá, porque já estou atrasado.
Sem aviso prévio, o Uzumaki agarrou seu pulso esquerdo e começou a andar para dentro de um dos vagões que estava consideravelmente cheio, então tiverem que ficar em pé.
— Quando você chegou?
— Há pouco tempo, uns sete dias atrás. – Respondeu apoiando as costas na parede metálica.
— O teme já sabe que está aqui?
— Não sei, a nossa última conversa foi um dia antes de eu embarcar e não lembro de ter falado o dia que viria para cá.
— Então acho que ele não sabe. – Encaixou o queixo entre o polegar e o indicador, fingindo pensar em algo.
— Naruto. – O chamou contendo o riso pela careta que ele fazia ao ‘’pensar’’ em algo. — Você disse que está atrasado, em quê? – Quis saber com a curiosidade brilhando em seus olhos.
— Bem, o pessoal da banda marcou uma reunião de última hora. Eles saíram da faculdade na hora do almoço e eu tive que ficar lá para fazer a minha última prova desse semestre. – Respondeu, mexendo o ombro direito, onde uma alça preta de mochila estava enroscada. – Deve ser por isso que vocês não se falaram, a gente tava muito ocupado com as provas finais. – Suspirou em cansaço. – Faculdade é foda. – Resmungou.
— Aonde vocês vão se reunir?
— No nosso estúdio.
— O Sasuke-kun vai estar lá?
Naruto não conteve o riso ao observa-la questionar sobre o melhor amigo com expectativa na voz.
— Foi ele quem nos chamou, eu acho que ele tem alguma novidade. Já sabe o que vai falar a ele?
— Como assim? – Franziu o cenho em desentendimento.
— Sakura-chan, eu não vou te acompanhar até o centro e larga-la lá. Agora que está aqui, vai ter de vir comigo.
— Nem pensar! – Negou prontamente, expressando na feição o nervosismo. Não estava preparada para encarar o amigo virtual cara a cara. – Eu só quero conhecer algumas lojas.
— Isso você pode fazer outro dia. Hoje você vem comigo. – Disse firme, sem dar chances à outra negação ao encara-la com um sorriso. – Imagina a cara do teme quando te ver. Sério, vai ser impagável!
Não vendo alternativa, a garota suspirou em derrota. Se resolvesse fugir de Naruto após pararem na estação deles, o mínimo que conseguiria era se perder na enorme cidade, chatear o amigo e preocupar a tia.
— Tudo bem. – Concordou meio incerta.
— Você vai gostar Sakura-chan. Além do Sasuke, as meninas estão ansiosas para te conhecer pessoalmente. – Disse e sorriu, bagunçando a cabeleira cor de rosa.
...
Subiam as escadas em passos ritmados. Desde que deixou Naruto guia-la até o prédio, que o amigo virtual e o grupo de amigos dele os aguardavam, sentia o coração bater descontroladamente, chegando a ecoar em seus ouvidos. Estava em um estado de nervosismo que nunca havia alcançado, seus pés e mãos suavam enquanto que um frio na barriga a agitava.
— Não precisa ficar assim. – O rapaz tentou consolar.
— É surreal. Eu tô tão nervosa. – Falou, passando os olhos pelo corredor, no intuito de se distrair.
— Relaxa Sakura-chan. – E puxou um chaveiro de raposa do bolso da calça.
Pararam em frente a uma porta cinza, onde o número 16 estava pregado. O som de um final de guitarra atravessou a parede para logo em seguida risadas alcançarem os ouvidos dos dois.
— Parece que eles começaram sem a gente. – Comentou Naruto, destrancando a porta. – O prédio é comercial, nos primeiros andares têm estúdios como o nosso, que podem ser usados para ensaiar dança e música, já os três de cima são escritórios. – Explicou para tentar distrai-la.
Porém, um leve acenar de cabeça foi a resposta de Sakura.
— Desculpe, acho que preciso de água. – Murmurou, assistindo a porta ser aberta.
— Você já conhece o pessoal, Sakura-chan. Vem, garanto que ninguém vai mordê-la e tem água aqui. – Falou e adentrou a espécie de apartamento.
Ainda parada no batente da porta, a garota assistia o rapaz tirar os sapatos para calçar os tradicionais surippas.* Ela tentava deixar de lado as sensações de nervosismo.
— Ei Naruto, que demora hein. – Ouviu uma voz feminina e muito conhecida por ela.
— Foi mal, a prova da Anko complicou comigo.
— Fecha logo essa porta, senão o ar gelado vai embora. – Outra voz feminina muito conhecida soou.
Engoliu em seco quando viu o rapaz se virar para si, sorrindo.
— Elas querem que você entre. Vem.
— Está falando sozinho, Naruto? – A primeira voz inqueriu.
— Não, é que eu trouxe uma pessoa para vocês conhecerem. –Respondeu. – Eu acho que vocês nunca adivinhariam quem é. – E começou a andar.
— Olha, se for seu namorado, o Sasuke não vai gostar. – Sakura ouviu uma voz masculina também muito conhecida, sendo seguida por risos.
— Muito engraçado, Gaara. Vou fazer isso quando você resolver trazer o seu primeiro. E pelo contrário, o teme vai gostar muito da pessoa que eu trouxe. – Contrapôs, desaparecendo ao virar para esquerda. – Aliás, encontrei-a perdida na estação.
Respirou fundo, pediu licença mentalmente e entrou, fechando a porta logo em seguida. Fez o mesmo que o loiro com os seus sapatos.
— Você não trouxe nenhuma criança perdida de novo né?
Seus pés se fixaram no chão depois de ter subido o único degrau. A voz masculina, que sempre cantava as músicas que ela pedia, fez com que o frio na barriga aumentasse.
Respirou fundo ao ouvir passos de muitas pessoas.
— Claro que não. Não estou pronto para ser chamado de sequestrador mais uma vez.
Então as exclamações de surpresas tomaram conta do ambiente. Todos olhavam fixamente a pequena figura de cabelo cor de rosa, tendo a impressão de que já a conheciam de algum lugar.
— Olá. – Disse Sakura com a palam da mão direita erguida. A timidez estava evidente nas bochechas avermelhadas.
— Vindo do Brasil para aproveitar o verão do Japão e conhecer pessoalmente o nosso amigo Sasuke, aqui está a Sakura-chan, a fã número um da banda. – Apresentou Naruto em um tom divertido.
As quatro garotas não perderam tempo e avançaram para cima da Haruno, formando uma roda ao redor da mesma com expressões alegres estampadas nos rostos femininos.
— Você em carne e osso é mais bonita!
— Ela me faz lembrar o ensino médio.
— Sakura-chan, seja bem-vinda.
— Quantos anos você tem mesmo?
Por um breve momento, seu mundo girou. As garotas ao seu redor disparavam frase atrás de frase, fazendo com que seus olhos passassem de um rosto para o outro no instante que ouvia uma voz diferente.
— Obrigada e eu tenho dezesseis. – Respondeu sem jeito, sentindo toda a atenção em si.
A primeira que falou foi Mitsashi Tenten, Sakura identificou pelos dois coques que sempre prendiam o cabelo dela; a próxima foi Yamanaka Ino, a loira que sempre lhe pede para ser sua filha de mentira; a terceira a cumprimentou gentil e educadamente, com toda certeza era Hyuuga Hinata, a garota com aparência mais delicada que Sakura já viu por ter o cabelo num tom preto azulado e franja; e, por último, a mais velha entre elas, Sabaku no Temari, loira de pavio curto.
— Ai gente! – Exclamou Ino, abraçando-a. O ato foi imitado pelas três. – Nem estou acreditando que é ela.
— Ok, garotas. Acho que está na hora de soltar, nosso amigo aqui está impaciente. — Disse Sabaku no Gaara.
— Que ele fique com ciúmes mesmo. O problema não é nosso se a Sakura é tão gostosa para abraçar, irmãozinho. – Falou Temari, mostrando uma careta ao irmão ruivo.
— Vocês podem abraçar a Sakura-chan pelo resto do mês, agora a deixem ver o teme.
Resmungos foram soltos pelas garotas.
— Eu preciso respirar. – A Haruno sussurrou envergonhada.
— Se vocês não a soltarem agora, vão matá-la. E ainda vamos cancelar a partida. – Ameaçou uma nova masculina, que era familiar para Sakura.
— Seu primo é chato, fala sério hein Hinata! – Ouviu Tenten reclamar para em seguida a ver mostrando a língua, num ato infantil, a Hyuuga Neji. — Vamos lá garotas, temos que vencer aquele jogo.
Em um piscar de olhos, braços não a sufocavam mais. Suspirou aliviada e deu três passos para frente, se aproximando do grupo de rapazes. Sorriu.
— Olá para vocês também. – Os cumprimentou da mesma forma anterior, recebendo acenos de cabeças de volta.
—Agora são vocês que vão demorar? Poderão conversar com a Sakura o resto do mês, agora a deixem falar com o Sasuke. – Disse Temari maldosa.
Apesar de ouvir um ‘’Vá à merda’’, a Haruno acompanhou com o olhar os seis rapazes passarem pelo arco que levava a sala, restando ela e o amigo virtual no curto corredor. Jamais passou pela sua cabeça que conheceria os amigos de Sasuke daquela maneira.
Sua atenção foi desviada para ele quando o sentiu encurtar o espaço entre eles, dando dois passos, ficando bem na sua frente com um sorriso. O seu coração disparou.
—Sasuke-kun. – Murmurou num fio de voz e levantou a cabeça para poder olha-lo nos olhos.
Atendendo ao chamado, o Uchiha abaixou a cabeça, cruzando o seu olhar com o dela, e assistiu as bochechas ficarem mais avermelhadas. Em sua imaginação ela parecia ser mais alta.
— Você não me disse o dia que chegaria, queria me fazer uma surpresa?
— Talvez. – Respondeu, sentindo seu estômago revirar ao ouvir a voz do rapaz. Ela soava mais rouca pessoalmente.
Permitindo que a vontade de abraça-lo, como sempre sonhou, dominar seus impulsos, Sakura desfez o espaço.
— Ou talvez eu me esqueci de dizer por causa da ansiedade, me desculpe. – Disse com a lateral do rosto encostado no tórax masculino.
— Está desculpada pequena. – E correspondeu ao abraço. – Eu esperei para te ver. – Murmurou bem próximo a orelha da Haruno, e para esta ação teve que, praticamente, se curvar para frente.
...
Os olhos verdes brilhavam em fascinação e alegria. O coração batia conforme os últimos acordes da música soavam. Era maravilhoso assistir aos ensaios da banda “Kyuubi” pelo Skype, mas vê-los ao vivo era mil vezes melhor. A forma cuidadosa de Neji tocar o baixo contrastava com a forma enérgica de Naruto com a guitarra; Gaara, atrás da bateria, se movia conforme o ritmo da música para não perder o tempo; e, Sasuke demonstrava todo o amor que sentia pela música, cantando.
O cover acabou e os quatros integrantes se mostravam ofegantes e suados, apesar do ar condicionado estar no mínimo. Tomaram água das garrafas que ficavam perto deles, finalizando o ensaio da playlist que apresentariam na noite do dia seguinte, em um bar universitário.
Como era final do semestre, muitos estudantes da Todai iriam para lá relaxar, após a exaustiva semana de provas e, o dono do bar convidou a Kyuubi para tocar em troca de um bom cachê, sendo esta a novidade que Sasuke tinha para contar.
— A próxima música é original, tá galera? Ela ficou pronta antes de ontem, então já peço desculpas se houver algum erro. – Disse o Uchiha, surpreendendo a todos. – “Taking Off”.
[https://www.youtube.com/watch?v=_1NU-YkY3dk]
Com uma rápida troca de olhares entre os quatros, Gaara bateu as baquetas em uma contagem regressiva, para em seguida Naruto e Neji iniciarem a introdução da música, sendo acompanhado levemente pela bateria.
Em um piscar de olhos, o som da bateria se intensificou, mas a guitarra e o baixo continuavam presentes, trazendo uma melodia contagiante. E, quando Sasuke cantou, a vibração foi geral.
A música tinha grandes chances de se tornar um sucesso.
Sakura piscou os olhos ao perceber que sua visão estava embaçada, por conta das lágrimas de emoção. Já era inacreditável estar ali, presenciar uma música original pronta da banda em primeira mão, então, só podia ser um sonho. Sacou o celular e filmou a canção que já estava na sua segunda parte.
...
Os instrumentos foram devidamente guardados, o sistema de som desligado e os sofás empurrados até encostarem na rack da grande televisão, deixando um lugar espaçoso para que todos se sentassem no chão, em uma grande roda. Em seu centro, havia três sacolas de salgadinhos e doces, uma bacia com frutas da estação e um isopor com isotônicos, refrigerantes e água.
Sasuke estava com o violão apoiado em seu solo, tocando a versão acústica das músicas temas da live-actions de Rurounin Kenshin: “The Beginning”, “Mighty Long Fall”, cantadas entre Gaara, Naruto e Neji, e “Heartache”, que seria cantada pelos quatros.
[https://www.youtube.com/watch?v=eWTFczDuoGE ]
[https://www.youtube.com/watch?v=iYc2a9zvxXI ]
Sakura terminava de devorar um saco de batatinhas aos acordes finais da segunda música. Apesar de ser um hobby, os garotos tinham talento. Passou o olhar pela roda e percebeu que não era somente ela que pensava isso.
[https://www.youtube.com/watch?v=x9v8aNl6Aps ]
Fechou os olhos quando ouviu a introdução da terceira música. Havia encontrado mais uma coisa em comum com os novos amigos, eles curtiam a banda “One Ok Rock” e a franquia de “Rurounin”. Um arrepio lhe subiu a espinha ao ouvir a voz de Sasuke cantar a próxima estrofe, o timbre rouco soou mais alto por ele estar sentando ao seu lado direito.
Sentiu um cutucão em seu lado esquerdo, a fazendo virar o rosto. Se deparou com Ino sorrindo de maneira travessa, a respondeu com um balançar de cabeça em negativa, acompanhado de um sorriso desconcertado e voltou a fechar os olhos, para se concentrar inteiramente na música e se balançar conforme o ritmo.
Sem perceber, Sakura começou a movimentar os lábios, cantando mudamente o refrão da música. Fora uma ótima ideia sair para passear naquele dia! Ouviu a voz de Sasuke voltar a cantar na penúltima estrofe e abriu os olhos, cruzando o olhar com o dele.
A sensação de ele estar cantando apenas para si a tomou, acelerando o seu coração. Permaneceu com os olhos fixos nos deles enquanto o acompanhava na estrofe final, o que resultou em um sorriso de canto.
A melodia do violão acabou e uma salva de palmas a despertou do transe.
— Escondendo o talento, Sakura-chan! Que feio! – Exclamou Naruto.
— O quê? – Franziu o cenho em confuso. – Eu só estava movimentando os lábios.
— No começo, sim, mas depois que você olhou para o Sasuke, soltou uma voz, que menina! – Disse Tenten admirada.
— Por que não nos falou que canta? – Questionou Gaara.
— Cantava. – Corrigiu. – Fiz parte do clube de karaokê da minha cidade até o ano passado.
— Por que saiu? – Sai atreveu-se a perguntar.
— Porque decidi me dedicar aos estudos. – Sorriu sem jeito, tentando esquecer o real motivo de ter saído. Eles não precisavam saber que uma de suas amigas do clube espalhava boatos falsos a seu respeito.
Sasuke sabia e era o único que precisava saber.
— Acho que não devíamos ter tocado nesse assunto. – Hinata comentou, reparando na expressão triste no rosto dela. – Vamos mudar de gênero para te animar.
— Que tal pop? – Sugeriu Tenten.
— Vocês também cantam?
As quatro garotas apenas riram.
— Ao menos que você queira seus tímpanos estourados, Tenten, Temari e Ino cantam sim. – Respondeu Sasuke. – Mas, você e a Hinata podem fazer um dueto, acho que ficaria legal. – Falou e passou os dedos pelas cordas do violão. — Apesar do que aconteceu, você tem que continuar, nem que seja fora do clube. – Murmurou, no intuito de só ela poder ouvir.
— Obrigada. – Murmurou de volta com as bochechas vermelhas.
Mesmo que já tivesse passado sete meses desde a sua saída, Sakura ainda se sentia mal, principalmente quando se lembrava do motivo. Foi duro ver que uma “amiga” sua poderia ser tão mal-intencionada e hipócrita.
— O que quer cantar, Sakura-chan?
— Qualquer coisa, menos músicas tristes.
— Vocês duas são tão fofas, por que não cantam Nishino Kana? – Tenten voltou a sugerir.
A Haruno e a Hyuuga trocaram um breve olhar de consentimento e, logo em seguida, riram ao ouvirem resmungos dos quatro integrantes da Kyuubi, pois o estilo menos tocado por eles era o pop romântico.
— Ninguém mandou você pegar o violão, Sasuke! – Exclamou Ino. – Vamos começar com “Darling”.
Com um suspiro, encenando estar decepcionado com a escolha, pegou o tablete estendido pela Yamanaka. Ali estava a cifra da música escolhida. Ajustou o capotraste do violão ao ver a que tonalidade deveria tocar e testou a introdução.
Enquanto isso, Sakura e Hinata decidiam suas partes das músicas.
[https://www.youtube.com/watch?v=6Rv4ne3y2B8]
Após cinco minutos de preparação, as vozes das duas garotas preenchiam o ambiente, acompanhadas do ritmo contagiante do violão.
Apesar de eles erraram vez ou outra, o clima alegre havia voltado ao estúdio.
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