O Verão que Você me Deu
1 Primeiro Sol
Notas iniciais
15 de julho de 2021
O cheiro característico de incenso invadia seu olfato e a fumaça, que resultava de sua queima, subia em direção ao céu azul. Ela queria acreditar que sua prece estava sendo levada junto a esta fumaça, alcançando a alma dele, em qualquer lugar que ela esteja.
Ela havia cumprido a promessa de retornar ao Japão, mas ele não cumpriu a dele.
— Sakura-chan. – A voz masculina em um tom ameno a chamou. – Está na hora de ir.
— Tá. – Murmurou, como se fosse só para ela ouvir.
Olhou uma última vez o túmulo de granito escuro perfeitamente modelado e os kanjis para a identificação do corpo que descansava ali. Eram as provas de que Uchiha Sasuke não estava mais entre eles. Afinal, o seu nome e a data de seu falecimento estavam talhados na parte de trás da pedra.
Ela respirou fundo, contendo o choro que estava entalado em sua garganta.
— Vamos. Ainda temos um lugar para ir.
Então, Haruno Sakura deu as costas para o túmulo e começou a caminhar atrás de Uzumaki Naruto.
Não era desta maneira que ela esperava encontra-lo depois de cinco anos.
~~*~~*~~*~~
30 de julho de 2013
Baixava o feed de notícias do Facebook sem o menor interesse em o que aparecia ali, já havia feito seus deveres de casa, a louça estava limpa e guardada, e Rex dormindo no seu cantinho habitual. Suspirou pesadamente.
— Bem que papai poderia me deixar fazer aulas de tênis. As tardes de terça e quinta seriam mais emocionantes. – Falou para si mesma, levando a flecha branca do mouse ao X vermelho.
No entanto, o ícone de pedidos de amizades avermelhando-se chamou sua atenção. Rapidamente clicou para abrir e arqueou as sobrancelhas.
Quem era Sasuke Uchiha? *
De repente, uma mensagem via inbox apareceu na tela, a assustando, além do ser desconhecido pedir para entrar na lista de amigos de sua rede social, já vinha puxando conversa com a maior naturalidade? Só podia ser um tarado! Com a mesma velocidade de antes, recusou o pedido e levantou-se, ignorando a mensagem. Iria dar uma volta.
...
— Seu pai está trazendo lanche para o nosso jantar. – Sua mãe informou enquanto entrava em seu quarto.
Sakura não imaginaria que o passeio seria tão longo, tudo culpa de Luana, sua melhor amiga. Acabaram se esbarrando perto de uma cafeteria, e como o dia estava meio frio, resolveram tomar algo quente enquanto ela contava sobre o rapaz que pediu sua amizade no Facebook, e assim, conversaram sobre outras coisas, deixando que quatro horas se passassem num piscar de olhos.
— Tá’. – Respondeu, entrando em seu quarto.
Conectou o celular no carregador e se jogou na cadeira de sua escrivaninha. O notebook foi ligado, afinal precisava terminar de assistir a uma série de comédia que estava viciada. Porém, o navegador estava aberto em seu Facebook e, as mensagens do desconhecido do começo daquela tarde foram o foco de sua atenção.
SASUKE UCHIHA *nome escrito em japonês*: Yo! Pode parecer estranho, mas me adicione aí.
Leu a primeira mensagem.
SASUKE UCHIHA *nome escrito em japonês*: Ei, por que você recusou? Vou mandar de novo, me adicione aí!
Ficou abismada com a segunda mensagem.
SASUKE UCHIHA *nome escrito em japonês*: Pronto, acabei de mandar. Vê se aceita, ok?
E, o que a mais surpreendeu foi de onde as mensagens estavam vindo. Não poderia ser verdade, pois qualquer um poderia colocar o país que quisesse, para enganar as pessoas que visitassem seu perfil. Tinha a total certeza que as mensagens não estavam vindo do Japão.
SASUKE UCHIHA *nome escrito em japonês*: Você ainda não aceitou. Já faz uma hora desde a última mensagem que mandei, aqui é de manhã e eu preciso dormir...
Apareceu mais uma mensagem, a pegando de surpresa e por puro impulso digitou:
‘Como vou saber se não é nenhum aproveitador? Um pedófilo? Um sequestrador?’
E a resposta veio logo em seguida:
‘Pois se eu fosse um cara mau, a essa altura já estaria enviando mensagens pedindo nudes, vídeo chamada ou um encontro. Então, me adiciona ai, fazendo favor! ‘
Respirou fundo, apesar das palavras parecerem suplicantes, ela decidiu ignorar o pedido feito tão insistentemente, fechou a conversa e foi tomar banho.
—Filha, vamos comer. – Seu pai bateu na porta.
Ao mesmo tempo, ela saia do closet vestindo um pijama de flanela, virou o rosto para a tela do notebook e se surpreendeu com a pequena janela de bate-papo aberta.
Como pode ser um tarado tão insistente?
SASUKE UCHIHA *nome escrito em japonês*: Vejo que estou sendo ignorado, mas tudo bem, não posso exigir que me adicione mesmo. Para falar a verdade, eu nem queria estar fazendo isso, mas perdi em uma aposta para os meus amigos, e como castigo eu estou aqui, tentando fazer uma amizade virtual, como eles mandaram. Pedirei a eles outro castigo. Desculpe pelo incomodo.
Que tipo de brincadeira era aquela? Pois estava na cara que aquilo só poderia ser uma. Ninguém em sã consciência dá um castigo como aquele por ter perdido uma aposta. Sem que percebesse, sentou-se na cadeira e começou a digitar:
‘Seus amigos são estranhos. Mas entenda que não posso aceitar um convite de amizade vindo do Japão, meus pais me matariam, afinal eu nunca te vi. É melhor que peça outro castigo mesmo, como dançar em pleno shopping lotado ou coisa do gênero.’
‘*risada* Boa ideia! Vou tentar convencê-los. Até mais. ‘
Respondeu segundos depois, a deixando aliviada por um lado ter se livrado de um possível tarado, e assustada pelo outro pela rapidez que digitou.
‘Ok, tchau! ‘
E saiu do quarto.
...
No outro dia, logo após ter voltado da escola, almoçou com os pais como sempre e depois de ajudar o pai com a louça, subiu para o quarto. Apertou qualquer botão do teclado do notebook, o tirando do modo suspensão. Aproveitou o curto tempo que a rede levava para se estabilizar e foi trocar de roupa e fazer uma pequena higiene bucal. Quando voltou, qual foi sua surpresa ao se deparar com uma nova mensagem do garoto do dia anterior.
SASUKE UCHIHA *nome escrito em japonês*: Conversei com os meus amigos e eles não quiseram me dar outro castigo. Vamos ser amigos, estou lhe pedindo.
Não se conteve a responder:
‘Seus amigos são maus... ‘
‘Eu sei, até falei sobre a dança que você sugeriu, mas eles recusaram. ‘
‘Que pena, mas ainda sei que não devo confiar em estranhos da internet. Lembre-se, ainda considero você um tarado em potencial. ‘
‘*risos* Não sou um tarado em potencial, pelo contrário, sou uma pessoa legal. ‘
‘Acho que não hein! ‘
‘Sou sim e posso te provar isso. Mas não agora, porque preciso dormir, já passam das 01h00min aqui.’
‘Ah! É verdade, temos uma diferença enorme de horário, tinha me esquecido disso. Então, boa noite. ‘
‘*risos* Obrigado, até mais! ‘
Encerrou a breve conversa que teve com o tal Sasuke Uchiha com um sorriso nos lábios.
Para um tarado da internet, até você é gente boa!
Pensou movendo o mouse até clicar no nome do garoto para visitar o perfil. Piscou os olhos e pendeu a cabeça para o lado, tentando encontrar o melhor ângulo para observar a foto do garoto que possuía quase nenhuma imperfeição, aquilo só poderia ter sido desenhado por um artista, pois o cabelo negro e rebelde fazia um belo contraste com a pele branca dele, combinado com os olhos também negros, era lindo.
O latido de Rex a fez dar um leve pulo na cadeira, despertando do transe, desceu a barra da lateral enquanto via suas últimas postagens e as informações que eram disponíveis ali no mural.
O garoto possivelmente vivia no Japão, gostava muito de música e tocar violão, pois imagens dele com o instrumento havia ali, lia livros com o tema sobrenatural em foco, havia feito dezesseis anos recentemente e estava no primeiro ano do ensino médio. Bem era o que constava ali, se era mentira ou não, ela não fazia a mínima ideia. Porém, uma batida mais forte de seu coração e a vontade de conversar mais um pouco com ele nasceu dentro dela, a fez mover a flecha do mouse até o retângulo azul, confirmando a solicitação. Correria o risco e na primeira insinuação suspeita, o excluiria.
...
E, quatro meses foram o bastante para se tornarem amigos.
Contavam tudo, desde o dia que tiveram até as dores que sentiam. Na primeira semana, ela descobriu que o garoto nasceu no Brasil, e por causa de oportunidade de trabalho, sua família se mudou para o Japão. Assim como ela, era descendente de japoneses e os avós de ambas as partes moravam no país verde e amarelo.
Já na terceira semana, ela havia descoberto que ele fazia parte de uma banda como vocalista. Cinco meses depois, ganhou o seu primeiro show particular e acústico via Skype, feito pelo garoto e com o direito de ela escolher a música e, no dia seguinte, teve o privilégio de assistir a um ensaio da banda e conhecer os outros integrantes. Daí em diante, sempre que podia assistia aos ensaios com os olhos brilhando de emoção. Pois a sensação de que ele cantava apenas para ela a atingia em cheio, fazendo seu estomago revirar.
Às vezes, ele tinha que aturar suas lamentações ou a TPM com seus momentos de estresses ao extremo e carência sem limite, nesse caso ela sempre pedia um abraço a ele que era dado indiretamente em forma de palavras, em outras vezes, era ela quem ouvia/lia os desabafos dele. Uma vez, por causa de uma garota que não dava o devido valor aos sentimentos dele, ela digitou um texto a essa menina dizendo que ela tinha um garoto de ouro ao lado, em japonês é claro, porém não adiantou e terminaram. Para animá-lo, ela cantou para ele todas as músicas que pedisse, e quando já estava ficando rouca, o garoto sorria.
O presente que recebeu no Natal foi marcante, pois na noite do dia vinte e cinco, ganhou um show e no dia seguinte uma carta apareceu endereçada a ela, quando a abriu, um sorriso de orelha a orelha estampou sua face ao abrir o cartão de Natal em alto relevo, e uma mensagem curta estava escrita em português e depois em japonês.
Entretanto, ela não havia se esquecido do presente dele que chagou no dia vinte e cinco como queria, havia mandando um chinelo havaiana, pois sabia que lá não tinha e vê-lo mostrar que o usava quando ele fez o show, teve certeza que a felicidade que sentia não cabia em seu coração, que batia em um ritmo acelerado.
...
20 de março 2016
‘Sasuke-kun!! Sasuke-kun! Adivinhe a boa... Sasuke-kun! ‘
Mandou eufórica.
‘Ei, você sabe que horas são aqui? ‘—‘ ‘
‘Hora da melhor novidade do ano! ’
‘*risos* Não. Cara, eu estava no meu décimo sono. =/ ’
A resposta veio em segundos. E a culpa pesou em seus ombros quando desviou o olhar para relógio de seu notebook e constatou que lá era de madrugada, especificamente 03h15min.
‘Desculpa! É que estou tão agitada. Parece que estou tendo um sonho. Mas não sei se devo contar, porque te acordei... Desculpa... x..x ‘
‘Bem, já que você foi meu despertador hoje, conte o que aconteceu. ‘
‘Beleza, mas você tem que me prometer que não vai rir e nem cair para trás. ‘
‘Ok, eu prometo. Estou ficando nervoso aqui. ‘
Respirou fundo, tentando se acalmar enquanto digitava:
‘Providencie um futon, pois em julho estou indo para o Japão!! *-* ‘
‘Como é que? O.O Eu juro que não li isso. É sério? ‘
‘SIM! Em julho vou estar aí em Tóquio. É o meu presente de aniversário... Vou poder, finalmente, te abraçar Sasuke-kun! ‘
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15 de julho de 2021
— Ele sofreu muito? – A perguntou soou baixa e fraca, mas rompeu o silêncio que havia se instalado dentro do carro.
Os olhos azuis de Naruto se desviaram para a garota sentada ao seu lado por um instante.
— Depende. – Respondeu vagamente. – Não sei se ele te contou, mas com 15 anos ele começou a tomar remédio para pressão alta. Até os 12 anos, Sasuke era um garoto gordo e sedentário, que vivia comendo salgadinhos, comida congelada, fast food e acrescentava shoyu em tudo que ele quisesse. Nós o chamávamos de shoyuman. – Deixou um fraco riso anasalado escapar, ao relembrar a expressão insatisfeita que Uchiha fazia quando era chamado pelo apelido. — Nesta época, o médico disse que se ele não mudasse os hábitos alimentares e tudo o mais, a pressão dele, que já estava em treze por nove*, aumentaria mais e viria acompanhado de diabetes e colesterol alto.
“Mas Sasuke não deu ouvidos. Para um garoto de 12 anos, essas doenças eram coisas de gente velha. Só que a mãe dele o levou a marra a uma nutricionista e o colocou para fazer judô. Por um tempo, a pressão dele deu uma baixada, mas quando chegou a época da prova para entrar no ensino médio, as coisas desandaram. Ele comia o que a máquina automática oferecia, vivia com a cara nos livros e ainda tinha que lidar com a pressão emocional que ele mesmo fazia. Foi nesta época que criamos a banda, era uma válvula de escape para relaxarmos. ”
A expressão nostálgica tomou conta do rosto de Naruto. Apesar da condição de Sasuke, a adolescência fora bem aproveitada, com confusões, risadas, paixões e desilusões.
— Após muito esforço, conseguimos ser aprovados na prova e fomos para o ensino médio, mas os antigos hábitos do Sasuke voltaram e, mesmo que seus pais, irmão e nós alertássemos sobre a pressão arterial instável dele, ele fingia que não nos ouvia e mandava um pacote de salgadinho para dentro. – Disse com os olhos fixos no semáforo. Estavam parados, aguardando a permissão para continuar o trajeto. -Então no aniversário de 15 anos dele, ele passou muito mal. Levamos às pressas para o hospital e agora ele era oficialmente um portador de pressão alta, ou melhor, um hipertenso.
“Eu nunca tinha visto o Sasuke tão abalado como aquele dia, mas também dava para ver a determinação em mudar. Então, ele voltou a fazer acompanhamento nutricional e judô, começou a praticar kick box e ainda dispunha tempo para compor e ensaiar. “
As lembranças de cinco ano atrás tomaram conta da mente de Sakura, fazendo com que um pequeno sorriso formasse em seus lábios.
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19 de março de 2016
Naquele penúltimo sábado de março, havia sido acordada pelos pais que a chamava sem parar.
— O que está acontecendo? – Perguntou enquanto se sentava na cama bocejando. –Hoje não tenho aula, quero dormi papai! – Resmungou sonolenta.
Um afago em seus cabelos e risos estranhos foram as únicas coisas que conseguiu distinguir em meio ao sono.
— Sabemos disso querida, mas temos uma novidade. – Informou sua mãe acomodando-se ao seu lado, envolvendo seus ombros em um abraço de lado.
Com outro bocejo, que a fez lacrimejar, desviou sua atenção para o relógio posto em sua mesa de cabeceira ao lado de sua cama.
— Poxa, não poderiam esperar até eu acordar? Ainda são seis e meia. – Reclamou irritada, afinal nenhuma adolescente gosta de ser acordada cedo no sábado.
— Não sabemos se vamos voltar na hora do almoço hoje.
— Por isso resolvemos te contar que em suas férias de inverno, você irá para o Japão. – Falou seu pai alegremente.
Os olhos se arregalaram e o sono que sentia sumiu repentinamente. Aquilo só poderia ser uma brincadeira para despertá-la completamente para seus progenitores dizerem que a louça do jantar de ontem não ficaria limpa sozinha, o dever de casa não seria feito sozinho e muito menos que Rex faria sua caminhada matinal sozinho.
— Haha. Eu não achei graça. – Comentou cínica, desvencilhando-se da mãe e deitando-se de costas, dizendo de forma muda que o assunto estava encerrado.
—Filha, isso é sério, esse mês você completa dezesseis anos e, como presente seu pai e eu resolvemos dar essa viagem. – Falou sua mãe. – Não era você que sempre dizia que queria ir ao Japão mais uma vez?
Suspirou e se mexeu debaixo das cobertas. Aquela era a brincadeira mais besta que seus pais já fizeram com ela.
— Você não gostou do presente? – Questionou seu pai desapontado.
Ela permaneceu calada, ignorando ambos por pelo menos dez minutos, apenas tentava voltar ao mundo dos sonhos, porém não conseguia. O som de passos ecoou pelo quarto, seus pais estavam se retirando do recinto.
— Eu gostei do presente papai, mas tenho medo de que isso seja uma brincadeira de vocês. – Levantou o tronco e ficou meio sentada na cama. – E também isso é inacreditável, já que minha viagem é para daqui três meses.
— Mas acredite, você irá para o Japão. – Afirmou seu pai se aproximando novamente da cama com um sorriso.
— A sua tia já falou que você poderá ficar na casa dela. – Completou sua mãe.
— Obrigada, obrigada! Amo vocês! – Exclamou com os olhos brilhando em alegria, enquanto deixava um sorriso de orelha a orelha tomar conta de seus lábios.
— É para te ver feliz, nada mais que isso. – Finalizou seu pai, embalando-a em um abraço junto com a esposa.
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15 de julho de 2021
O semáforo ficou verde.
— O ensino médio passou sem mais complicações. Ele havia perdido peso, controlava rigorosamente a pressão arterial com medicamento e consultas semestrais e só comia orgânicos. – Pressionou o pedal do acelerador, colocando o carro em movimento novamente. – Mas isso durou até entrarmos na faculdade e nossas vidas se tornarem uma loucura. A vida de um universitário é bastante corrida. Então, deve imaginar que o Sasuke parou de praticar judô e kick box, voltou a se alimentar mal e algumas vezes, esquecia de tomar o medicamento.
— Ele manteve em segredo sobre ser hipertenso de mim. Eu nunca imaginaria isso. – Comentou com certa revolta na voz.
— Nós dissemos a ele para te contar, Sakura-chan, desde que vocês só conversavam pela internet, mas ele era teimoso.
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