O Verão

1 Capítulo Único


Serafine...

Esse ano passou mais devagar que todos os outros, mas finalmente poderei reve-la. Sono como irmãs. Quer dizer, éramos: já não a vejo assim á um bom tempo. E é por isso que este foi o verão mais esperado de todos, pois prometi a mim mesma que dessa vez contaria a ela tudo o que guardei só comigo por tantos anos.

Nossas famílias são muito próximas e todo verão passamos um fim de semana no enorme rancho dos pais dela. A diferença de classe social nunca interveio na proximidade de nossos pais. Eu estava no banco de trás do carro e papai e mamãe estavam nos da frente.

Tio Edgar, como chamo o pai de Serafine, abria grande portão de madeira, e entramos naquele nostálgico lugar. Eu sentia um frio na barriga:o dia é hoje! Minha cabeça não tinha vontade de mudar de assunto.

Entramos na cozinha e eu á avistei sentada á mesa junto de seus irmãos menores, mechendo no celular. Estava linda como sempre: vestia uma simples regata preta e um short jeans, possui cabelos ruivos e algumas sardinhas claras na bochecha, sem falar dos olhos esmeralda. O rosto simétrico eco e o corpo escultural. Sempre há alguém comentando que ela deveria tentar ser modelo. Também da pra notar um aspecto maduro em sua aparência, pois de fato é dois anos mais velha que eu. Minha insegurança por ter apenas quinze anos chega a ser maior que minha sexualidade perante ela.

Eu queria muito continuar á admirando mas toda sua família se levantavam um a um para nos comprimentar, tampando minha visão. Magda, sua mãe, apertou fortemente minha bochecha dizendo que sou adorável. Sorri para ser simpática mas detesto isso, é uma maneira indireta de comentar minha aparência infantil. Meus cabelos são finos e curtos, e no calor gosto de usar vestidos, como o azul com rendas às bordas que eu estava. Isso somado ao bandô branco e a sapatilha me deichavam meio "menininha", é minha altura não ajuda muito, mas o que posso fazer?

De qualquer forma, eu estava ansiosa de mais para pensar nisso. Senteime ao lado de minha melhor amiga.

— Oi. — disse rapidamente.

— Oi Mônica- ela me olhou rapidamente sorrindo e retornou ao celular.

-E então, o que me conta de novo?

-Muita coisa! Depois do almoço vamos sentar no parquinho e por a conversa em dia?

-Claro. Tenho algo importante á te dizer.

Ela sorriu e lançou um olhar surpreso. Almoçamos e logo depois fizemos como combinado: sentamos no balaço no parquinho do rancho e ela começou a contar todas as fofocas de sua escola.

-... Aí nós estávamos brincando de verdade e desafio e elas me fizeram cantar "let it go" com essa minha voz desafinada bem na frente do Leandro — riu.

— Leandro?

Ela fez uma expressão misteriosa.

— Eu estava guardando essa para o fim: eu estou gostando do primo da minha amiga, o Leandro. Já nos beijamos umas duas vezes e estou esperando ele me pedir em namoro. — ela apertou seus ombros contra o pescoço, tímida por falar e com um sorriso bobo.

Naquele momento eu senti a pior sensação possível. Não tenho explos para dar de como eu estava me sentindo, pois não acho que já tenha estado tão triste assim antes. É como se eu estivesse desmoronada, envergonhada de mim mesma. Apesar de tudo, eu sorri ensenando como a melhor amiga que eu acabara de descobrir que era tudo o que eu representava á ela.

— Que legal- comentei. Eu tinha que fingir ter a mesma empolgação.

— Quer ver foto dele? — Ela pegou o celular. Eu aceitei balançando a cabeça em sinal positivo.

Ela estava visivelmente com muita vontade de falar de seu romance. Afinal, quem não ficar assim quando está apaixonado? Mas para mim aquilo era tortura, e não havia para onde fugir. Eu estava em guerra contra eu mesma para não acabar chorando enquanto ela passava as fotos deles juntos no celular e contava suas historias.

Ficamos sentadas nos balanços conversando toda a tarde, embora agora, mais do que nunca, eu quisesse ficar sozinha. Sempre que mudavamos o assunto "Leandro" eu sentia um pouco de alívio, mas constantemente ela se lembrava de algo mais á relatar.

-E o que você queria me contar? — lembrou ela. Fiquei em saia justa.

— Eu ia te dizer algo? Não me lembro.

— Você disse que era importante.

— Realmente não sei. Quando eu lembrar eu te falo.

-Por falar nisso você não disse nada sobre você. Me conta suas novidades... Esta gostando de alguém também? — sorriu maliciosa.

-Bom... — senti meus olhos encherem- até a um tempo atrás eu estava. Mas nunca disse e agora a pessoa namora...

Ela fez um olhar piedoso e me abraçou, dizendo coisas consoladoras. Me senti um pouco melhor por poder chorar e descarregar um pouco do peso.

Ficamos um bom tempo ali até meu choro passar, para o pessoal não perguntar o que eu tinha. Ela deve ter notado que falar do seu paquera não era algo conveniente para o momento, e então eu pude esfriar um pouco a cabeça. Só entramos pra dentro quando o céu estava enteiro laranja pelo sol se pondo.

Jantamos depois nos duas fomos para nosso quarto nos prepar para dormir. Sim, sempre dormimos juntas nesses encontros de família, em um quarto que possuía duas camas de solteiro.

Voltei do banheiro depois de escovar os dentes e ela já estava de camisola sentada em sua cama trocando mensagens. Vez ou outra ela esboçava um sorriso, então já pude deduzir que era com ele. Deitei-me na minha cama e me cobri.

Ela apagou as luzes e me desejou boa noite. Me virei ao lado opostos á ela, e antes de dormir notei que o quarto ainda tinha alguma iluminação. Vinha do celular de Serafine. Não sei até ques horas ela continuou trocando mensagens porque logo adormeci.

No dia seguinte,ao acordar notei que eu estava sozinha em meu quarto. Troquei de roupa e já coloquei meu maiô por debaixo da roupa, pois hoje iríamos nadar. Fui para a cozinha onde todos se serviam do café da manhã e notei a ruiva sentada, debruçada em seu próprio braço pensativa. Eu estranhei pois ela parecia séria. Depois tive certeza de que algo não corria bem com ela, pois quando fomos á piscina ela só deu um mergulho depois ficou apoiada na borda, com os cabelos molhados pra trás, olhando fixamente para algo no celular. O dia todo passou sem vontade de conversar, apenas respondendo palavras curtas quando eu tentava falar com ela.

De noite, já era bem tarde, a encontrei sentada na rede, na varanda da casa. Não estava mandando mensagens, estava apenas olhando o céu.

— O que está acontecendo? — finalmente perguntei me sentando na outra ponta da rede.

— Os Leandro me mandou uma mensagem... -contraiu o rosto com cara de choro- disse que não queria nada comigo e que nossos oncontros foram um erro.- tapou os olhos se pondo á chorar.

Eu a abracei exatamente como ela fez comigo.

— Eu entendi... -dizia ela entre solussos- Agora eu entendo como você se sente... A sensação que ninguém gosta de mim...

-Eu gosto.

— Para Mônica! -esbravejou — Você sabe de qual sentido de gostar eu estou falando.

— Você que não me entendeu. Estou falando nesse sentido.

Ela desprendeu do abraço e me olhou arregalada, com suas lágrimas congeladas. Ficou alguns segundos em silêncio me olhando. Eu sorri e sequei seu rosto molhado.

Não trocamos uma só palavra aquele dia depois daquilo. Eu, novamente,fui me deitar antes dela. Mesmo que não tenha sido correspondida, eu estava bem. Me senti leve, minha missão desse verão estava cumprida. Já não tinha em mente que ela diria "eu também gosto de você", e muito provavelmente isso nunca passou pela cabeça dela.

A manhã seguinte, eu e meus pais iríamos embora. A família de Serafine decidiu ficar o resto da semana. Ela estava me ajudando á levar minhas malas para o carro, e quando estamos às colocando no porta malas, longe de todo mundo, ela me chamou:

— Mônica... Eu passei a noite pensando em nossa conversa de ontem... Aquilo foi uma sorpreza e tanto pra mim... Mas de alguma forma me deixou feliz. Comecei a pensar em tudo que vivemos e... Talvez... Eu tenha começado a gostar de você também.

Quase caí pra trás, incrédula do que acabei de ouvir. Ela não conseguiu me olhar nos olhos pois parecia um pouco tímida depois de dizer aqui. Involuntariamente eu a abracei e ela me abraçou de volta. Ela passou a mão por minha bochecha e repouso em baixo do meu queixo, o levantando. Nem nos meus sonhos mais otimista imaginei que aquilo aconteceria. Nos beijamos.

Claro que como tudo isso aconteceu tão rápido, era cedo para ter certeza do que ela sentia. Se viessemos a ter alguma coisa, não imagino como contariamos á nossa família. Mas o que importa é que este foi o verão mais marcante do qual jamais esquecerei.

Notas finais
Desculpa se houver erros kkkk, eu escrevi por celular pq eu estava inspirada. Me arricarei deixar postado para mais tarde reler pq está mto tarde aqui. Me notifiquem se meu corretor me trocou por favor xD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!