Notas iniciais
Uma coisa curiosa sobre a humanidade e diversas culturas é exibir a mulher como um troféu, ou oferece-la como um objeto. Sei disso pois minha festa de quinze anos, quando minha flor desabrochou em sangue a primeira vez, houve uma grande festa para que príncipes e reis velhos pudessem me ver. Eu ainda não havia sido prometida a ninguém, era o que chamavam de carne fresca. Alguns príncipes até eram bem gentis mas os reis e os príncipes mais velhos não disfarçavam o olhar cheio de luxúria para cima de mim. Uma menina jovem com seios rígidos, pele suave e lábios rosados. Cabelos longos e corpo pequeno, era apetitosa para esses vermes malditos. Mas, eu não gostava, eu acreditava no amor puro, no amor bíblico, o amor que não tem ódio, nem inveja ou interesse
Eu sou a princesa Katherine Vladsnova, princesa do reino de Astrid. Um reino cujo o poder militar sempre foi fraco, mas era bastante rico em ouro e pedras preciosas, contava a lenda que Astrid era uma camponesa pura e doce, e foi capaz com sua ingenuidade e delicadeza dominar um furioso dragão, esse que estava escondido em uma caverna a atraiu e ela achou a grande mina de ouro e diamantes, e rubis mas, com o passar dos tempos os dragões foram se escondendo por conta dos humanos e toda vez que batiam suas asas a terra tremia, e o último dragão visto era Nix, o dragão negro de olhos amarelos, um dragão fêmea que causou grande destruição do nosso reino e que foi preciso sete bruxas de magia boa e magia má para transformar Nyx em um simples gato preto, então depois disso começou uma grande caça aos felinos, pobres coitados.
Em minha festa onde eu era quase oferecida como mercadoria, houve aqueles que demonstraram interesse em mim, porém eu recusei, e minha recusa resultou em punições.
Cada ano era a mesma coisa, eu me recusava a me casar com um rei idiota ou um príncipe nojento e eu era punida com chicotadas, água fria, banhos muito quente, ficar dias sem comer. Até que fui então trancada em uma torre, a torre mais alta do castelo. Eu não tinha um dragão para me proteger, eu tinha um gato preto qual homenageei e o chamei de Nyx. Era uma gatinha bastante dócil e amigável, mas com passar do tempo algo bom acontecia, os pedidos de casamento estavam diminuindo, e minhas punições também. Eu acabava de completar vinte anos, meu pai estava ficando velho e doente, ele queria me casar a qualquer custo, qualquer custo que fosse, tanto que quando eu saí da torre usando um vestido qualquer, estava o rei Guilhermino de Heindall, era jovem e aparentava ter minha idade, mas eu não gostava dele.
— Princesa Katherine, é bem bonita para sua idade. — Disse ele.
— Oque está havendo? — Questiono ao ver o padre.
— Você se casara com o príncipe Guilhermino, e não haverá surpresas. padre por favor faça a cerimônia.
O meu pai disse isso e eu não acreditava, ele queria mesmo me forçar a isso? Heindall era um reino de grande força militar, poderoso. Mas eu não queria me casar com aquele tipo de homem.
— Princesa Katherine Vladsnova de Astrid você...
— Não, chega isso só pode ser um insulto.— Eu ainda não estava crendo naquela situação.
— Oque? — Disse Guilhermino. -sempre ouvi dizer que era como uma égua indomável, mas comportar-se.
— Eu não sou uma égua! E eu não vou me casar com você! — Acabei me exaltando e o empurrei, já ele me puxou pelo braço e me encarou.
— Cale a boca e só fale para dizer sim. — Grita Guilhermino
— Não! — Gritei e cuspi em sua face. — Não quero me casar com um homem asqueroso como você!
Eu nunca acreditei que Astrid era uma mulher delicada, uma camponesa indefesa e meiga, As criadas do castelo me diziam que existia uma versão em que Astrid era uma mulher forte, guerreira e fora do que era dito ser, e muitas vezes foi caçada plena igreja. Ela não domou o dragão com sua inocência e ingenuidade, e sim mostrando que não tinha intenção de feri-lo, o que fez o dragão permitir que ela o montasse, e então como prova da amizade da criatura, mostrou a ela uma grande fonte de riqueza, que a fez criar seu próprio reino. Mas, Astrid também tinha sentimentos e foi vítima deles. Ela se apaixonou por um homem que se dizia bom, e esse homem tornou-se o primeiro rei, que então a acusou de loucura, a assassinou dizendo que ela tentava o matar. O dragão conseguiu fugir, mas anos depois ele havia retornado para se vingar por conta de terem pegado seus ovos, porém todo o povo se uniu. E como medida protetiva as bruxas boas e más o transformaram em um gato preto.
Essa é uma das versões do reino de Astrid, e da história da feroz Nyx, porém não era dirá aos olhos dos homens como verdadeira, pois eles não admitiam que uma mulher e uma fêmea tinham tanto poder.
— Vai se casar sim! — Disse meu pai virando-se para o padre– Eu ordeno que faça logo esse casamento.
— Eu me recuso! Eu me recuso! — Comecei a gritar me afastando de Guilhermino.
— Vossa Majestade. – Disse o embuste passando a mão do rosto — Quem se recusa agora a se casar sou eu. Confesso que senti pena da pobre mulher com essa idade ainda não ser casada, era como um ato de caridade, mas, com tamanho insulto a minha pessoa, Eu Guilhermino mandarei um exército destroçar até o último tijolo, a última planta e pegar todas as mulheres daqui para serem minhas escravas. E você princesa, será minha escrava em particular. – Disse ele se afastando de mim e olhando para meu pai, em seguida saiu acompanhado de seus guardas.
— É o fim... – Disse um guarda.
— Não, não é o fim! – Gritou meu pai e veio a mim me dando um tapa contra o rosto — Você vai de casar com alguém sim, mesmo que na força do ódio. E quem eu pretendo por como seu marido vai te domar e você vai aprender o seu lugar como mulher! — Gritava ele, com a cabeça inclinada para o lado deixava que as lágrimas escorressem de meus olhos.
— Chamem a ''Raposa Vermelha " Ele deve estar pelas bandas de Astrid por esses tempos, busquem nos prostíbulos, casas de jogos. Se não o acharem vão atrás da menina que conversa com pássaros. Ela saberá onde ele está!
— Quem? — questionei franzindo as sobrancelhas.
— Seu futuro marido! e futuro rei. Digam a ele que eu ofereço a princesa Katherine, uma donzela pura e virgem e todo o reino. Se isso não o fizer nos ajudar implorem de joelhos que ele vira. Agora... firam os dedos dos pés da princesa para que ela aprenda a respeitar as vontades do pai.
— NÃO!! — exclamei em desespero, tentando me soltar, mas era impossível, os guardas eram mais fortes que eu, e fizeram a vontade de meu pai, eles também eram sádicos então gostavam do que faziam. Por uma pobre moça fe joelhos e chicotear seus pés, foi oque fizeram comigo, e a cada golpe eu tinha mais vontade de não desistir e não me casaria com essa criatura odiosa que tinha de codinome raposa vermelha.
Após minha punição, eu fui levada arrastada pelas escadas até meu quarto. Já havia tido os pés lavados para não ter uma infecção. Jogada então em minha cama macia, olhando para a janela que tinha diversas grades. Que impediam os dois tipos de fuga possível, a pulando a janela e a de suicídio. Coisa que eu havia tentado várias vezes e por isso eu tinha um guarda fiel na porta, e dentro do quarto a gatinha Nyx comigo, que me olhava parecendo entender toda situação mas que me ajudaria se pudesse, ela veio da janela até a cama dando um pulo e com a delicadeza de seu andar, ela se deitou perto de minha barriga e começou a mover suas mãos como se estivesse me fazendo uma massagem.
— Oh Nix, o que será de mim?
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