O Valor da Sanidade
1 Capítulo 1
O dia estava escuro e nublado, o clima estava tenso desde que o investigado chegou ao nosso setor, eu sentei a minha cadeira que ficava ao lado de meu assistente e comecei a olhar para o vidro, do outro lado, um de meus melhores oficiais e seu interrogador, eu respirei fundo e digo para meu assistente— Ligue o som da sala, quero ouvir a conversa
— Mas é claro... Aqui está.— Ele diz antes de apertar um botão no painel
O áudio liga e desse momento eu pude escutar a conversa no interior da sala
O oficial estava respondendo uma pergunta do entrevistador— Sim senhor, estou dizendo eu não lembro o que houve antes do disparo, e...eu apenas acordei dentro de um beco escuro com aquela coisa em minhas garras.— Ele estava assustado, até agora parecia estar falando a verdade.
O entrevistador se levanta começando a andar pela sala tocando as patas uma nas outras e respirando fundo, ate que ele se vira para o oficial— Você poderia ao menos me contar mais detalhadamente o que aconteceu antes de você ser detido ?
O oficial respira fundo e engole seco— M...Mas é claro, tudo para provar minha inocência...— Ele mexe as algemas como se estivesse incomodado com elas— Eu estava começando minha patrulha de rotina, meu parceiro, o oficial Vex estava comigo no nosso carro de patrulha padrão, ele disse que queria testar um novo armamento que ele havia adquirido.
O entrevistador o interrompe— Essa é a arma que foi encontrada junto com o senhor ?— Ele diz colocando umas fotos na mesa, era uma espécie de rifle de fusão arcana
O oficial fica olhando as imagens tentando se lembrar de algo para falar em quanto o silencio tomava conta do lugar
— Essa era a arma do crime, ela foi encontrada com você após o incidente— O entrevistador continua falando
Então o oficial quebra o silencio falando meio histérico— N..Não, não fui eu! Fo...Foi ele, ele que me mandou fazer isso!
O entrevistador o acerta no rosto com um soco o cortando um pouco com suas garras e fazendo sangue escorrer de seu focinho— Melhor você se acalmar
O oficial cospe um pouco de sangue sujando seu pelo e volta ao normal— Si...Sim, era essa arma, ela possui um desempenho excelente quando utilizada pela pessoa certa e quando mantida em estados de manutenção constante, já que o cristal de fusão nela pode se partir muito facilmente se sobrecarregado
O cristal já estava quebrado quando a encontramos com você— O entrevistador o explica jogando mais uma foto na mesa
O oficial respira fundo e volta a contar a historia— E...Enfim, eu estava já me preparando para subir em um prédio, para ter uma visão melhor dos arredores em quando meu parceiro ficava no veiculo, foi quando ele saiu correndo do carro e reportou um crime na nossa área, aparentemente era apenas um ladrão de bolsas que tinha furtado uma carteira
— O crime foi relatado para a central uma hora antes de recebermos a noticia do incidente— O entrevistador lia uma espécie de relatório que ele segurava nas patas— Isso significa que sua historia esta batendo ate agora
O oficial parecia ficar mais calmo— Q...Quando ele virou em uma esquina achei que ele havia sumido, mas meu parceiro veio ate mim dizendo que o viu descendo para os esgotos através de uma entrada de funcionários que deveria estar trancada, fomos atrás dele mas estes delinquentes conhecem muito bem esses lugares escuros e apertados e foi aí...— Ele bate na mesa ficando irritado— Que eu cometi meu maior erro!
O entrevistador se senta de volta e volta a olhar para o oficial em silencio
Eu devia ter pensado nisso antes, mas meu sentido de justiça tinha pensado mais alto que a racionalidade— Ele bebe um pouco de água de um copo que estava na mesa— Essa área era controlada pela única gangue perigosa da cidade, os Armadillos.
O entrevistador pega um papel o lendo— Eles são procurados por crime organizado, assassinato, tortura, trafico ilegal de drogas e contrabando de tecnologia Arcanóloga, aqui diz também que você já investigou essa gangue.
— Sim, eu já prendi muitos membros deles é tenho uma certa infâmia por lá, se me vissem iriam abrir fogo contra eu e meu parceiro imediatamente, talvez o medo tenha tirado o meu foco da missão, mas eu continuei e mais tarde eu avistei o cara que eu estava perseguindo no começo, ele estava falando com um dos membros, disse que tinha trago o cristal e que agora queria ter sua recompensa pelo "contrato bem feito" foi nesse momento que meu parceiro interveio, eu o segui pegando o meu revolver e mandei os dois irem pro chão, foi quando o membro dá gangue e o ladrão correram para lados opostos, meu parceiro disse para nos separarmos e eu fui atrás do membro da gangue o seguindo para fora dos esgotos, então ele roubou um planador e tentou fugir
— Nesse momento que você cometeu o erro— O entrevistador cruza os braços
A expressão do oficial muda imediatamente, ele começou a sorrir de forma estranha e cantarolar— Foi quando eu peguei o meu rifle e eu senti que estava em completa harmonia, tic tac tic tac— Ele imitava o barulho de um relógio— Então eu disparei um tiro certeiro em seu motor traseiro— Ele faz um barulho de disparo com a boca e gesticula com as patas— Ele começou a cair explodindo em meio ao ar, aquele desgraçado não teve nem chance de se render— Ele ri um pouco batendo com a pata na mesa— Eu dancei sentindo o calor do momento consumindo o lugar
O entrevistador se levanta batendo com as patas na mesa— Aquela explosão matou vários civis que estavam em solo e ainda causou danos de incêndio em vários prédios! Aquilo não foi um disparo acidental, o motor de um planador é muito difícil de ser atingido por acidente!
O oficial continuava rindo— Não se preocupe eu só estava contando uma piada, apenas achei que estava muito frio, por isso decidi esquentar um pouco a cidade — Ele abre outro sorriso sádico com as patas quase rasgando suas bochechas de tão forte que ele estava segurando a boca
O entrevistador se assusta um pouco ao ver a cena— Você vai ir para a cadeia por isso, talvez pegue uma pena menor por confessar o crime — Ele cruza os braços
O oficial se levanta— Não se preocupe doutor, você ainda vai ouvir falar de mim! — Ele dizia como se estivesse olhando diretamente para mim, do outro lado do espelho mágico.
Nesse momento a energia de todo o lugar é cortada e disparos são escutados vindo de dentro da sala, os flashes de luz deixavam eu ver apenas frações de momentos lá dentro, mas foi o suficiente para eu ver o oficial cortando a garganta do entrevistador usando apenas o metal de suas algemas, ele então dispara contra o vidro de nossa sala o quebrando e me forçando a me abaixar, as portas se abrem ao detectar uma quebra de contenção e ele foge pela abertura da janela
Meu assistente me ajuda a levantar perguntando se estou bem, eu apenas olho para a bagunça de sangue que ele havia deixado e suspiro— Ele esta voltando para a caçada.
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