O Vôo Do Pequeno Anjo
1 O Vôo do Pequeno Anjo
O VÔO DO PEQUENO ANJO
Que o Pequeno Anjo não seja você da próxima vez...
Existem vários caminhos a seguir
Mas a grande maioria são caminhos que você se arrepende de ter seguido
No final, não há como voltar...
O Pequeno Anjo perdeu suas asas para a solidão...
E a vida para o "Eu desisto"
Há algo errado com o Pequeno Anjo...
Por que essa cara Pequeno Anjo? A neve está caindo lindamente lá fora, o Pequeno Anjo adora neve, mas por que está tão triste? Não chore Pequeno Anjo, nem sempre a vida é como nós queremos. Até mesmo para um lindo e pequeno anjo como você, sorria.
O Pequeno Anjo era alegre, mas algo a deixou diferente de uma hora para a outra, algo mudou o brilho alegre de seus olhos, para um opaco triste, nada mais existe para ela, E em uma explosão de luz que cegou todos os anjos e foi como se o céu tivesse explodido o paraíso das estrelas, o céu desmoronou debaixo dos pés dela, e o lindo anjo mergulhou na tristeza, para nunca mais retornar a superfície.
Ela só queria um quarto silencioso, em uma casa vazia, um quarto silencioso com um cadeado na fechadura para mantê-la lá dentro, em um quarto silencioso para se sentar em um canto e chorar com um sonho na cabeça, um sonho impossível.
O sonho de voltar para sua bela e cintilante vida angelical, mas não tinha volta para o caminho em que tinha escolhido seguir, não tinha um caminho para reiniciar seu Jogo da Vida, então só lhe restava chorar, chorar por todos os erros que cometeu, chorar por todos os maus caminhos sem volta que seguiu, mas não importa se tudo deu errado Pequeno Anjo, bata suas asas, tente voar novamente, tudo pode ter dado até agora, mas bata suas asas e tente voar para um começo melhor!
Ela apenas queria estar em seu quarto silencioso para chorar, e agora ela estava de volta a ele, a gaiolinha de ouro solitária para um Pequeno Anjo, enlouquecendo lentamente dentro de sua gaiolinha, tocando uma triste melodia, com um violão velho e desgastado, com uma moeda velha a sua frente, que havia encontrado em uma gaveta dentro de uma carta de perdão, agora tocava olhando para ela, ao lado do celular.
Lembrou-se de seu melhor amigo, que se fora para sempre de sua vida e da vida de todos. Sua risada era muda em seus ouvidos, seu sorriso não existia mais em sua mente, sua face era um buraco vazio, seu melhor amigo estava desaparecendo lentamente de suas memórias, mas ela não queria nunca esquecê-lo, e só tinha uma única coisa que a faria lembrar-se dele, uma única lembrança que o mantinha vivo e visível dentro dela e de seus sonhos, seu velho e desgastado violão, que ela agora tocava uma triste melodia.
E o Pequeno Anjo estava caindo de seu sonho, caindo de suas lembranças mais queridas, transformando seu inocente coração em vidro.
Pequeno Anjo, suas asas! Acorde, saia desta vida de tristeza!
Suas asas estão passando de brancas a cinzentas, não irá mais ter volta! Olhe, o coração do Pequeno Anjo está rachando, seu coração frágil, o Pequeno Anjo irá se perder! Alguém pare o Pequeno Anjo, que cai rapidamente na amargura e solidão!
Não chore Pequeno Anjo, as lágrimas de sua face demonstram todo o medo e solidão de seu coração, não chore Carinho, você não está sozinha, saia dessa, você não está sozinha!
O Pequeno Anjo quer uma vida diferente, mas não quer sair dessa gaiola de ouro. Suas pequenas gotas de diamante voam no céu, cintilando para vê-la feliz, a cada lágrima, Pequeno Anjo, a cada lágrima sua uma nova estrela surge no céu e todas brilham mais forte para vê-la feliz. Por favor, acorde, Pequeno Anjo...
Ela nunca estivera apaixonada, mas sempre soubera o que realmente era o amor, e ela sempre dizia com zombaria “Isso não importa, deixe pra lá“ pensando que qualquer um pode, que qualquer um consegue viver sem o amor, pensando que ela conseguiria viver sem o amor, mas agora a grande parte de seu sofrimento era por causa do amor. Agora chorava baixinho e sozinha, no cantinho escuro de seu quarto silencioso, para que ninguém ouvisse, visse ou dissesse alguma coisa, e ninguém realmente dizia alguma coisa.
Ela olhara fixamente a enorme devastação em seu coração, mas ela não fazia nada, se sentia fraca e impotente para impedir qualquer coisa. Com lágrimas nos olhos, você caminhou cegamente pelos campos do desconhecido, e doía, o desconhecido não é para sempre, quando você sabe o que é, não é mais desconhecido, e o que havia era cortante, o campo era cortante, feito com os cacos do coração frágil, que se quebrava cada vez mais a cada passo, o coração frágil de um Pequeno Anjo corrompido.
Não havia mais volta para o Pequeno Anjo, ela sempre pensava que tinha bebido demais, e sempre que dizia a seus amigos “Acho que bebi demais”, ninguém dizia nada, ninguém abria a boca, ou se mexia para pará-la, impedi-la de cair e se machucar terrivelmente.
Se ela estava ficando louca... Seus amigos eram mais loucos que ela.
E o Pequeno Anjo caía dos céus cada vez mais rápido, com suas asas negras queimando como papel velho, queimando como madeira chamuscada em várias partes, se tornando pó.
O Pequeno Anjo já não pode mais voar para um caminho melhor, destinada agora a despencar dos céus, e ninguém pode salvá-la, e só irá parar quando o chão surgir embaixo dela.
Você está sentindo frio em seu coração quebradiço, Pequeno Anjo?
Quando tocava para seus amigos eles adoravam, admiravam suas músicas, mas agora nem mesmo ela apreciava suas músicas cobertas de infelicidade, nada mais alegra o Pequeno Anjo, ela continua bebendo, como se entornar uma garrafa de álcool fosse fazer ela melhorar, deixar de sentir a dor que sentia dos pedaços quebrados de seu coração caindo, queria só esquecer que aquilo aconteceu, mas não podia... Queria sua vida angelical de volta... Mas ela está iludida pela solidão, e nada poderá ajudar ela a voltar atrás, para sua vida inocente e alegre fora da gaiolinha de ouro.
Mas ela daria o possível e o impossível para volta a quem era antes. E o Pequeno Anjo daria de tudo para que suas asas transformadas em cinzas se reconstruíssem e voltassem a ser as belas, angelicais e cintilantes asas brancas de um pequeno e gentil Anjo. Daria de tudo para parar de despencar daquele céu frio e duro, que acolhia em um abraço duro mais uma de suas vítimas
Aguente mais um pouco, Pequeno Anjo!
Seu coraçãozinho quebrado não vai aguentar por muito tempo,o vento que bate em seu rosto é doloroso, parece que há pó de vidro, os ventos cortantes dos tempos que não podem ser apagados, que não podem, e não querem ser esquecidos, os tempos de pânico e agonia, que cortam como as lâminas que o Pequeno Anjo usa, cortando sua pele branca e frágil, destruindo sua linda roupa branca e tingindo-a de vermelho.
O Pequeno Anjo não pode mais ser salvo.
E enquanto o vento lhe cortava a pele, o Anjo se recordou de toda a tristeza e frustração que guardara por anos, jogue fora, Pequeno Anjo, voe! Deixe o peso desse sofrimento ir embora e voe, anjo! Bata suas asas, acredite nelas e você voará.
Você estava morta por dentro há muito tempo, só que ninguém percebia, você mentiasobre estar bem, Anjo, mentia sobre os pulsos cortados e vários outros cortes na pele, mentia sobre ter superado tudo. Você mentia para os outros e pra si mesma, Pequeno Anjo.
Você conquistou seu maior desejo, o quarto silencioso e calmo, em uma casa vazia, as janelas e as portas estão fechadas, tudo é muito escuro e frio, você não para quieta, andando por todos os lados do quarto escuro e vazio, fumando um cigarro atrás do outro, no que está pensando Pequeno Anjo?
O violão desgastado caído no chão ao lado de uma moeda e um celular, desligado para não ser perturbada, o Pequeno Anjo olhava quase que buscando uma salvação, buscando ajuda no violão de seu melhor amigo, mas ele estava ali parado, morto, esperando para que pudesse viver, e ela o fez voltar a vida, jogou fora o resto de um cigarro e puxou outro do bolso da calça, com um isqueiro, sentada no chão, ela tocava, as lágrimas escorrendo pelo rosto branco e inocente, o violão estava respingado de sangue em alguns lugares, e algumas das cordas de aço se tornavam vermelhas. Sangue pingou no chão, a cada novo corte, cada vez um mais profundo que o outro, mais sangue no violão, nas cordas, no chão... Sangue escorrendo de seus pulsos angelicais...
O que fez Pequeno Anjo?
Havia jogado o cigarro fora. Ela agora continuava a tocar, cantando sua música favorita, em uma voz trêmula e coberta por lágrimas, pânico e dor, ela sempre pensara que não doeria mais, depois dos costumeiros cortes nos braços, mas agora ela sentia, doía, mas ela tentou ignorar, ela continuava a tocar a sua linda e triste melodia da depressão, e quando ela toca...
Ninguém fala...
O riozinho rubro que corre de seus pulsos angelicais pinta o piso branco do chão de vermelho vivo, por quê, Pequeno Anjo? Por quê? A lâmina suja de sangue caída ao lado da moeda respingada de vermelho, uma garrafa de vodka pela metade, uma seringa vazia do lado, devia ter sido a heroína que o Pequeno Anjo se viciou, a overdose poderia matá-la antes dos cortes profundos nos pulsos, mas era isso que ela queria...
Dessa vez não haveria como falhar!
Sua melodia solitária de adeus tocou seu coração já fraco, sua expressão no rosto já não é fácil de ler, está arrependida Pequeno Anjo? Teria o Pequeno Anjo se arrependido de destruir aos poucos seu corpo, sua alma frágil? Ela gritou, gritou para que alguém pudesse ouvir, mas era inútil. A heroína e a vodka fizeram ela tomar coragem, ela teria parado antes de começar se não tivesse se drogado e bebido?
Sentiu-se cada vez mais tonta, estava nas nuvens, ela já não caía mais, o vento não cortava sua pele, era como se estivesse livre de qualquer dor... E ela aproveitou alegremente seus últimos momentos, não era arrependimento, era alegria, por ter conseguido completar seu objetivo doentio.
O coração do Pequeno Anjo está parando, mas ela não quer parar de tocar, o Anjo já não chora mais. Aos poucos ela tenta respirar, a reação a heroína fechando sua garganta, ela não respira mais. Seu sangue está parando de correr de seus pulsos, seu coração já não bate, e ela viu-se cair por cima do violão velho e ensanguentado, o Pequeno Anjo não se mexe mais, ela fechou os olhos, e morreu sorrindo, morreu ao lado do violão de seu velho amigo. Estaria com ele agora...
E o Pequeno Anjo estava morto, com as mãos ainda no violão desgastado, tocando a melodia que mais gostava...
A melodia de um Anjo que precisara de Amor próprio, o Pequeno Anjo tinha sido amado o bastante para ser feliz, mas havia um problema que muitos nunca haviam percebido, o Pequeno Anjo não era feliz, porque não se amava o suficiente para a felicidade.
...
E perto a porta havia uma folha de um bloco de papel oficio meio amassado, com marcas de lágrimas, com as últimas de adeus palavras de um Pequeno Anjo suicida escritas nessa folha, que soubera exatamente o que escrever, havia imaginado essas palavras durante semana, meses. Tinha sido muito difícil para o Anjo escrever aquele bilhete, mas o Pequeno Anjo sabia que esta carta era importante e ela precisava ter cuidado com as palavras. Ela havia usado letras rápidas, medianas, deliberadamente, e escrevia em linha reta sem a ajuda de pautas.
Palavras difíceis, as palavras não tinham saído com facilidade e havia erros de grafia e sentenças pela metade. Um bilhete não tão grande, mas também não muito gentil.
“Para todos os que estão lendo isso, para todos aqueles que fingiram me amar,
Podem pular! Podem pular de alegria, bando de falsos!
Mas falando sério, este bilhete deve ser muito fácil de entender. Mãe, desculpe por tudo, eu sinto muitíssimo. Eu sinto muito, muito, muito! Siga em frente com Tommen, ele é pequeno... Pai, desculpe por ter sido o erro da família, a ovelha negra, a maldição que caiu em sua cabeça, desculpe...
Eu simplesmente não posso mais ficar aqui, não posso mais ficar neste mundo, estranho, e obscuro...
A triste, a sensível, insatisfeita, imperfeita, terrível, o Pequeno Anjo caído. Por que você simplesmente não aproveita? Eu havia me feito essa pergunta milhares de vezes... Eu não sei! Tenho uma mãe perfeita, um pai terrivelmente amável e gentil, um gato lindo, igual ao Garfield, e um irmão mais novo, que me lembra demais de como eu costumava ser, cheio de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ele.
Isto me aterrorizava demais aponto de eu mal conseguir olhar para o Tommen. Não posso suportar a idéia de Tommen se tornando o triste, o autodestrutivo, arrogante e fechado que eu virei. Eu tive muito, muito mesmo, uma família perfeita e sou grata por isso, mas desde os nove anos de idade, passei a ter ódio de todos os humanos em geral.
Mas vocês me abandonaram, e eu abandonei vocês, me isolando dos que eu amava, o meu maior defeito, amar demais as pessoas, mas acho que a culpa de eu estar morta agora é inteiramente minha, fiquem tranqüilos...
Pelo menos eu tive o Bran sempre, meu pequeno Garfield, sobreviva sem mim, okay?
Tommen... Irmãozinho, eu protegerei você, não sei onde estou indo. Simplesmente não posso mais ficar aqui. EU TE AMO! EU TE AMO!
Não destruam o violão do Travis, ele gostava muito desse violão, como eu também gostava, então não destruam ou joguem fora, senão eu volto e assombro vocês!”
As palavras do Pequeno Anjo haviam enchido a página inteira, exceto por cinco centímetros. E ela assinou o bilhete dizendo;
“Eu só queria o entendimento. Uma garota, arrogante, imperfeita, autodestrutiva e infeliz”
O Pequeno Anjo alcançou seu desejo, e voltou a sorrir depois de longos anos obscuros...
Descanse em paz, Pequeno Anjo...
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