O Véu Negro
10 Sonhos em Comum.
P.O.V Noah Belmonte.
— Finalmente, Noah!
Hitomi corre em minha direção. Ravena revira os olhos.
— É impossível me esconder de seus amigos, como você tem tantos, Noah?
Agora, de volta a Hogwarts Ravena voltou ao seu normal, mas por mais que ela reclame muito, não escondeu o fato de ter gostado muito que Matteo passasse o natal com a gente, foi extremamente divertido e espero que possamos fazer novamente.
Hitomi me abraça forte.
— Senti falta de nossas risadas, acho que posso culpar sua pulseira.
— Pelo menos ela fez o que devia.
As pulseiras da amizade que fiz para meus amigos representavam o quão importante eles são para mim e que mesmo longe não nos esqueceremos uns aos outros.
Ravena me lança um olhar de súplica quando vê Matteo se aproximando com um sorriso no rosto.
— Finalmente estamos de volta a Hogwarts, foi o melhor natal de todos com vocês. Animados para as aulas?
O silêncio reina, claro que ninguém está animado para as aulas. Apenas Hitomi, mas sua pergunta é sobre outro assunto.
— Vocês passaram o natal juntos? Por que não me chamaram?
— Ravena quase matou Matteo. Você seria assassinada, com certeza.
Matteo ri.
— Isso não é verdade, ela foi muito legal, o que me surpreendeu.
Ravena o encara seriamente.
— Mas teve momentos em que eu quase o matei.
Escuto risadas vindo de algum lugar atrás de mim.
— Como sempre Ravena não nos surpreende. Um instinto assassino incrível.
Sei que Scorpius e Alvo dizem isso como um elogio, mas não acho que percebem o quão assustadora Ravena parece quando eles dizem esse tipo de coisa. As risadas logo desaparecem de seu rosto, dando lugar a seu semblante sério e sem graça, nem mesmo uma folga consegue animá-los.
Vejo que ambos estão usando as pulseiras que fiz para eles. O que me deixa feliz. Scorpius se esforça para escondê-la com a manga da camisa. Continuamos a conversar, o tempo passa rápido e a primeira aula começa em poucos minutos, mas parece faltar algo, melhor, alguém.
Conto as pulseiras. Seis. Em meu diário de Hogwarts escrevi que havia feito sete. Quando o horário da aula se aproxima ainda mais consigo ver em seus rostos que eles se sentem da mesma forma. Como se estivéssemos esperando por alguém, mas sem lembrar quem. Como um borrão em nossa memória.
Ravena me puxa pelo braço.
— Não podemos nos atrasar para aula de poções. Até mais, Hitomi e Matt.
Ela não espera uma resposta da parte deles, apenas acelera o passo como se estivesse fugindo de um fantasma.
— Nos vemos no intervalo. — Grito.
Alvo, Scorpius e Ravena mergulham em suas novidades sobre o natal, enquanto mergulho em minhas dúvidas e minhas lembranças duvidosas. Meu diário não possui um nome diferente dos cinco amigos que vejo sempre, mas me diz que uma sétima pulseira existiu, mas onde ela está? A… Ar…
— Noah?
Bato em algo. Olho para cima. Sra. King.
— OH! Me desculpe, Sra. King. Eu ando um pouco distraído desde o natal.
Ela me encara preocupada.
— Estou vendo. Você está bem Sr. Belmonte?
Por algum motivo a reverencio.
— Sim… sim…
Escuto risadas dos alunos da Sonserina. Scorpius não se segura e solta gargalhadas. Alvo segura o riso e Ravena me encara preocupada por um momento.
A Sra. King me guia até meu assento.
— Silêncio, crianças! E Noah, não se distraia, não quero nenhum acidente em minha aula.
Por mais que ela me deixe avisado, não consigo me controlar e continuo tentando me lembrar. Me esforçando ao máximo, mas tudo que me lembro até o dia da viagem para casa de Ravena é de sonhos estranhos e uma mulher em um vestido longo caminhando sozinha até a floresta. Sonhos, é isso.
***
Consigo despistar Ravena e os garotos e corro até o meu quarto, talvez os sonhos me digam alguma coisa, talvez eu tenha escrito algo sobre eles, algo que pode me ajudar a me lembrar.
Reviro minhas malas, minhas gavetas e todos os meus cadernos e anotações. Leio meu diário mais algumas vezes… nada.
Me lembro que uma cama em um dos quartos está sendo usada, mas ninguém vê o dono, alguns dos estudantes acham estranho, mas não fazem nada a respeito. Tudo que acontece de estranho desde o dia que deixamos Hogwarts para o natal começou aqui, nesse quarto. Encaro a janela. A vista da minha janela dá direto com a entrada da floresta. A mesma floresta que vi em meus sonhos… talvez esses sonhos fossem mais reais do que eu imaginava.
A entrada da floresta é escura mesmo sob a luz do sol, por causa das espessas árvores de folhas escuras. É um tanto quanto amedrontador, mas olhar para essas mesmas árvores me deixam a lembrança e a dúvida sobre o que eu estava fazendo aqui nesse mesmo lugar. Naquela noite eu estava cansado, como se tivesse corrido atrás da mulher de garras que levava uma máscara e caminhava em direção a floresta, mas essa mulher assombra meus sonhos, não é possível que ela seja real.
Ela com certeza não é humana, o que está acontecendo?
Me deito no chão. Encaro o céu esperando que alguma resposta caia de lá. A luz do sol aquece meu corpo, mas não me anima, apenas me faz pensar ainda mais, vim para Hogwarts com medo de não me enturmar, com medo de não fazer o meu melhor, com medo de não conseguir amigos, e a ideia de ter perdido um amigo importante para mim… é dolorosa.
Por mais que a dúvida ainda fosse imensa, acredito em mim, há alguém com minha sétima pulseira, por mais que não faça sentido e pareça uma ideia irreal, mas onde essa pessoa está e por que minha mente continua a mentir para mim tentando me convencer que essa pessoa não existe?
— Noah. O que você está fazendo aqui?
O rosto de Ravena bloqueia a luz do sol em meu rosto.
— Eu estou te procurando desde o final das aulas. As pessoas estão comentando do garoto estranho no chão perto da floresta, claro que seria você.
— Ravena… tem algo muito errado acontecendo aqui. Minha memória está me pregando peças, mas tudo termina aqui, nesse lugar, onde eu estava um dia antes de sairmos de Hogwarts, mas o que eu estava fazendo aqui?
— Eu não sei o que você está fazendo aqui agora, Noah, como eu vou saber?
Me levanto desanimado. Sem energias. Ravena parece se preocupar novamente.
— Do que você se lembra?
— De uma mulher caminhando até aqui, sozinha, mas também vi essa mulher em meus sonhos, com outras crianças, mas não consigo lembrar de seus rostos.
O rosto de Ravena congela por um segundo.
— Você só deve estar cansado. — Sua voz estremece ao dizer isso.
Nós acabamos de voltar a Hogwarts e é como se todo o tempo em que consegui relaxar enquanto não estava aqui não existisse. É mais do que óbvio que estou cansado, triste, esgotado…
— Mas que…
Me ajoelho em estado de choque quando vejo em meio a floresta a mulher em seu vestido prateado, seu rosto escondido atrás de uma máscara, ela passa como um vulto e desaparece rapidamente.
Olho para Ravena, suas mãos estão colocadas sobre a boca e seus olhos tão amedrontados quanto os meus. Isso não é bom.
— Essa é mulher que aparece em meus pesadelos, Ravena. De onde você a conhece?
— Dos meus, Noah…
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